1 INTRODUÇÃO 15
3.1 POLÍTICAS E PLANEJAMENTOS DA LINGUAGEM NO MERCOSUL 42
3.1.2 As políticas da linguagem do Setor Educacional do Mercosul 45
exclusão de parte da sociedade que não defende seus interesses em espanhol ou português. Em uma síntese da situação das línguas oficiais, de trabalho e de ensino no Mercosul, Savedra (2008) observa que, desde o ano da criação do bloco, com a assinatura de um protocolo de intenções, declara-se o interesse em promover as línguas oficiais - apenas o espanhol e o português à época -, e em implementar o seu ensino no sistema educacional. Desde então uma série de propostas foi elaborada no âmbito do Setor Educacional do Mercosul, especificamente no Grupo de Trabalho de Políticas Linguísticas (GTPL) e do Comitê Assessor de Políticas Linguísticas, que substituiu o GTPL em 2011.
3.1.2 As políticas da linguagem do Setor Educacional do Mercosul
Em 1997, tem-se a criação o Grupo de Trabalho sobre Políticas Linguísticas do Setor Educacional do Mercosul (GTPL), formado por especialistas, com o objetivo de propor, coletivamente, políticas linguísticas para o bloco voltadas ao ensino do espanhol e do português e à construção do plurilinguismo no Mercosul e na América Latina. De acordo com Savedra (2008, 2009b), tal grupo, composto por delegações da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, se reuniu quatro vezes entre 1997 e 2001 e apresentou diversas propostas, sendo que algumas ainda não foram implementadas pelo Bloco. Entretanto, como indica Savedra (2008), houve algum avanço na questão do ensino do espanhol no Brasil e do ensino do português na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, algumas ações voltadas às línguas minoritárias, apesar de ainda haver muito a ser feito tanto no que se refere ao ensino das línguas majoritárias como na construção do plurilinguismo no Mercosul e na América Latina. A seguir, serão analisadas as atas das reuniões a fim de compreender as propostas de política e planificação da linguagem desse Grupo de Trabalho para a integração regional no Mercosul.
A partir da leitura da ata da primeira reunião do GTPL, realizada em 1997, em Montevidéu, visualiza-se uma proposta de realização de um diagnóstico da situação de ensino de línguas dos países membros, um reconhecimento da necessidade de realização de censos linguísticos e uma proposta de implantação da educação plurilíngue que contemplasse o espanhol, o português e as diversas línguas autóctones e alóctones usadas nas diferentes regiões do Mercosul. Nota-se, portanto, que as discussões iam além do espanhol e do português, englobando também as línguas autóctones e alóctones usadas na região. Com a leitura da ata da segunda reunião, realizada em Buenos Aires, em 2000, identifica-se igualmente o reconhecimento da necessidade de realização de diagnósticos sociolinguísticos de todas as regiões do Mercosul, bem como a implementação do certificado de proficiência em português e em espanhol como línguas estrangeiras e a realização de projetos de formação e atualização de professores de línguas. Observa-se, além da proposta de
implementação de certificados de proficiência, tanto do Português do Brasil quanto do Espanhol, novamente a explicitação da necessidade de diagnósticos linguísticos, compreendendo, pois, a pluralidade linguística da região.
Na ata da terceira reunião, realizada em Porto Alegre, em 2000, consta uma proposta de criação do banco de dados Mercolíngua para formular políticas linguísticas de abrangência regional e disponibilizá-las para políticos, pesquisadores e docentes. Constam ainda a elaboração de um exame de proficiência de espanhol como língua estrangeira, a criação de cursos de formação de professores de espanhol e de português como línguas estrangeiras e propostas de validação de créditos. Destaca-se, paralelamente às ações voltadas ao espanhol e ao português, o banco de dados Mercolíngua como proposta voltada também as demais línguas, para além do espanhol e do português.
Na ata da quarta reunião do GTPL, realizada em Assunção, em 2001, leem-se alguns avanços quanto ao projeto Mercolíngua, formação docente e exame de proficiência linguística, eixos estabelecidos como prioritários na reunião em Porto Alegre. Dentre os relatos da Argentina, destacam-se uma primeira versão de projeto para a concretização da primeira etapa na elaboração do Banco de Dados Mercolíngua, a Educação Intercultural Bilíngue e a proposta de Evaluación de Conocimiento y Uso del Español como Lengua Extrangera para adolescentes e adultos. Da parte brasileira, constam relatos de um projeto de investigação, a ser realizado em Santa Catariana e expandido a nível nacional, abarcando o ensino de espanhol nos níveis superior e básico, regular e não regular e a situação editorial e distribuição das publicações. Da parte paraguaia constam relatos acerca da implementação da educação bilíngue espanhol-guarani, realização de investigações sociolinguísticas, promoção do programa de Educação Intercultural Bilíngue dirigida a comunidades linguísticas indígenas e promoção do universo cultural guarani como patrimônio intangível da humanidade. No marco da integração regional, consta o início da discussão sobre formação de professores de português língua estrangeira no Instituto Superior de Educación (ISE). Da parte uruguaia, leem-se a execução, dentro do possível, da formação de professores de espanhol e português como língua estrangeira no marco da Universidad de la Republica e no Instituto de Profesores “Artigas”. No que tange às implementações de políticas da linguagem, há investigações sobre comunidades lusofalantes de fronteira e sobre grupos minoritários, cujos resultados podem ser incorporados ao Banco de Dados Mercolingua. Observa-se que o GTPL caminhou tanto na promoção da difusão do espanhol e do português na região quanto em projetos de identificação de outros cenários linguísticos, configurados pela presença grupos linguísticos minoritários.
Como ação conjunta, o GTPL propôs, por um lado, a promoção do ensino das línguas oficiais do Mercosul nos sistemas educativos e a formação de docentes, e, por outro lado, a promoção do conhecimento do patrimônio linguístico regional e a instrumentalização das
políticas adequadas às diferentes realidades sociolinguísticas da região. Como metas, o grupo propôs declarar o guarani como língua oficial do Mercosul, considerando que desde 1992 era língua oficial do Paraguai, oferecer pelo menos em um nível educacional o ensino sistemático de um idioma oficial como língua estrangeira em um número determinado de centros educativos em todos os países, desenvolver e consolidar programas de Educação Intercultural Bilíngue e outros esforços de educação adequados às minorias linguísticas, além de implementar ações a partir das informações obtidas mediante do Banco de Dados Mercolíngua, consolidar um sistema de acreditação e mobilidade de professores das línguas oficiais entre os países do Mercosul. Para isso, propõe a criação de um Banco de Dados (Mercolíngua), a criação ou fortalecimento de formação de professores das línguas oficiais como línguas estrangeiras e como segundas línguas, elaboração de um exame de proficiência em língua espanhola, elaboração de uma proposta de acordo que possibilite a mobilidade de professores das línguas oficiais do Mercosul, elaboração de um programa de apoio ao processo de padronização da língua guarani, instrumentação de programas de ensino de guarani na região.
Em síntese, as propostas do Grupo de Trabalho de Políticas Linguísticas do Mercosul se desdobraram principalmente em três eixos, sendo um voltado ao plurilinguismo e dois à promoção do bilinguismo espanhol-português na região:
a) O Banco de Dados Mercolíngua
Em relação aos projetos específicos para compilação de dados, decidiu-se que cada país elaboraria e executaria projetos de acordo com suas necessidades e características próprias. Decidiu-se que cada país teria um Coordenador do Banco de Dados com a função de receber, sistematizar e transmitir informações, resolver problemas referentes à distribuição de informações e coordenar a estrutura definitiva do Banco de dados a partir das primeiras informações recebidas.
b) Exames de proficiência linguística
Em relação ao português, o Exame de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), desenvolvido e outorgado pelo Ministério da Educação (MEC) do Brasil, vem sendo aplicado desde 1998 e apresenta um crescimento exponencial. Atualmente, o Celpe-Bras é aplicado em mais de 30 países, em todos os continentes.
Em relação ao espanhol, o GTPL enfatizou a necessidade de elaborar de forma conjunta exames regionais de proficiência de espanhol como língua estrangeira. Foi ressaltada a importância de que houvesse a participação de especialistas de todos os países do Mercosul em todas as etapas do projeto de elaboração do exame no que tange ao motivo do exame, público-alvo, natureza do exame, definição de proficiência, formato e estrutura do
exame, tipo de exercícios, forma de certificação, bem como a implementação do exame em todos os países, acreditação de instituições responsáveis pela aplicação, treinamento de corretores, correção, tratamento estatístico e sistematização do processo.
Em 2004, um grupo de universidades nacionais argentinas criou um consórcio interuniversitário para o ensino, avaliação e certificação do espanhol como segunda língua (ELSE). Desse consórcio resultou o Certificado de Español: Lengua y Uso (CELU), avalizado pelo Ministério de Educação e pela Chancelaria Argentina. O exame para obter essa certificação já é aplicado no Brasil e na Europa. Atualmente, se prepara a aplicação do exame em países da Ásia e da América do Norte.
c) Mobilidade de professores de ELE e PLE
A respeito da mobilidade de professores de português e espanhol como língua estrangeira, o GTPL recomendou analisar os planos de estudos de formação dos docentes dos seis países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), suas estruturas, enfoques, conteúdos curriculares;; solicitar assistência técnica ao grupo de trabalho de especialistas em avaliação e acreditação para o estabelecimento de padrões/critérios entre os certificados/títulos docentes com especial atenção ao espanhol e português;; promover a aprovação de normativa que possibilite a mobilidade de docentes de espanhol e português como língua estrangeira nos países da região. O GTPL recomenda ainda ter como critérios que a mobilidade se circunscreverá à necessidade de formação de recursos humanos em áreas específicas da formação docente em espanhol e português como línguas estrangeiras, as convocatórias serão abertas aos docentes dos países membros com base em critérios de seleção pré-estabelecidos e difundidos na região de acordo com as necessidades institucionais diagnosticadas e solicitadas previamente.
Na últimas reuniões do GTPL, se reconheceu, a partir da análise dos planos de ação do Mercosul, a necessidade dos Grupos de Trabalho abordarem temas relacionados com a questão da diversidade. Ademais se discutiu a promoção do ensino das línguas oficiais do Mercosul nos países do Bloco, focalizando primeiramente a análise das situações que afetam as escolas de fronteira, em especial, e se propôs a realização do Seminário “Educação, Línguas e Integração”.
Além das ações do GTPL, Savedra (2008) destaca a formação da comissão ad hoc do Setor Educativo do Mercosul de acreditação de professores, ocupando-se da “questão do intercâmbio de professores, suprindo em parte a escassez de professores de espanhol no Brasil e de português na Argentina, Uruguai e Paraguai” (2008, p. 117). Tal ação visa a contribuir para que sejam cumpridas as leis de ensino do espanhol e do português como línguas estrangeiras no ensino básico desses países.
É interessante, por outro lado, observar que as propostas do GTPL pouco foram contempladas nos Planos de ação do Setor Educacional do Mercosul. No que tange especificamente às ações compreendidas como políticas da linguagem, lê-se nos planos de ação do Setor apenas necessidade de difundir o aprendizado das línguas oficiais do bloco. No Plano Trienal 1998-2000 do Setor Educacional do Mercosul, consta, dentre as diversas linhas programáticas, o “favorecimento da aprendizagem dos idiomas oficiais do MERCOSUL, mediante a aprovação de políticas adequadas”, a ser desenvolvida em relação à área prioritária 1, Desenvolvimento da identidade regional por meio do estimulo ao conhecimento mútuo e a uma cultura da integração. No Plano de ação 2001-2005, apesar de haver um reconhecimento de um contexto já marcado por uma “sensibilización para el aprendizaje de los idiomas oficiales del MERCOSUR” e uma ênfase na cooperação e integração regional, não se encontra nenhuma proposta explícita de política da linguagem. No Plano de ação 2006- 2010, foram destacados os diversos encontros de especialistas ocorridos nos últimos anos, tais como “los seminarios para la actualización de docentes de español y de portugués como lenguas extranjeras”, e o fomento a programas culturais, linguísticos e educativos que contribuam com a construção de uma identidade regional e fortaleçam as zonas de fronteira, bem como a promoção e difusão dos idiomas oficiais do Mercosul passaram novamente a constar como alinhamento estratégico do Setor.
O Plano de ação em vigência, 2011-2015, entretanto, repete a promoção e difusão dos idiomas oficiais do Mercosul como alinhamento estratégico e, ademais, apresenta uma proposta detalhada do Comitê Assessor de Políticas Linguísticas. Tendo como objetivo explícito “Promover e difundir ações com respeito à diversidade linguística nos sistemas educacionais dos países”, o Comitê estabelece três metas: (1) realização de pelo menos um seminário regional para reconceitualizar a noção e a definição de status das línguas no contexto regional, para tratar a diversidade linguística e cultural no âmbito educacional;; (2) organização de eventos para promover a conscientização acerca da diversidade linguística e cultural nos sistemas educacionais dos países da região;; (3) instalação de um fórum de debate na comunidade educacional sobre as problemáticas da diversidade linguística e cultural. A partir dessa leitura dos planos de ação, observa-se uma alteração na política expressa nos planos de ação do Setor Educativo do Mercosul, contemplando, além das línguas oficiais do Bloco, a diversidade linguística e cultural da região.
O Comitê Assessor de Políticas Linguísticas, criado em 2011, substitui o Grupo de Trabalho de Políticas Linguísticas. Na leitura das atas das reuniões desse Comitê3, igualmente é possível identificar os direcionamentos dados, tais como a afirmação do compromisso de privilegiar ações que garantam maior impacto nas realidades educativas, acordando a
3 Disponíveis no site http://edu.mercosur.int/pt-BR/mercosul-educacional/instancias/50-comite-assessor-de- politicas-linguisticas.html
importância do tema das tecnologias no ensino de línguas, e reconhecendo a necessidade de realizar uma redefinição conceitual do status das línguas no contexto regional. Dentre as propostas e planificações constantes na ata da primeira reunião desse comitê, encontram-se os seguintes temas: acreditação e certificações;; reconhecimento de cursos de formação docente;; cursos binacionais e intercâmbios;; Seminário regional “Educação, Línguas e Integração”, com três eixos, a saber: integração e interculturalidade;; redefinição conceitual dos status das línguas no contexto regional;; ensino de línguas e tecnologia. Ademais, o Comitê propõe estudos comparativos de planos com base em integração e interculturalidade;; desenhos de espaços curriculares comuns;; realização de um seminário de formação de formadores de espanhol, guarani e português;; desenho de materiais didáticos, em papel e digitais.
Em 2012, discute-se no Comitê a realização do Seminário “Educação, Línguas e Integração” com três linhas temáticas: identificação de políticas, em particular, a certificação de conhecimento de línguas (modelos e necessidades com vistas à proposição de marco referencial comum);; caracterização da diversidade linguístico-cultural;; e projetos de intervenção em formação docente. Além disso, considerou-se a relevância de uma perspectiva plurilíngue (considerando línguas indígenas e outras línguas extrarregionais) no marco da política linguística do Setor Educacional do Mercosul vinculada à educação superior;; o convite do GT - Escolas de Fronteira aos membros do Comitê a participarem do próximo seminário da comissão curricular, de modo a continuar as discussões conceituais e pedagógicas junto aos professores envolvidos no Programa;; o Programa Iberoamericano de Promoção do Espanhol. Cervantes - América;; e a elaboração de um Documento base de Políticas Linguísticas.
Em 2013, nos informes disponíveis da Argentina, Uruguai e Venezuela, leem-se as preocupações com a educação intercultural bilíngue e a necessidade de se reconhecer e se considerar na alfabetização todas as línguas e suas variedades e de se pensar em elaboração de material didático, formação docente e estratégias de alfabetização em contextos plurilíngues, incluindo o contexto de jovens e adultos indígenas. Destaca-se ainda, ao final do informe da Venezuela, a perspectiva proposta em seus planos de ação 2013-2019 em avançar na incorporação progressiva do ensino dos idiomas indígenas no subsistema de educação universitária.
Em 2014, se trataram os seguintes temas: vigência e vitalidade das línguas indígenas na Argentina, de modo a desconstruir a visão de um país monolíngue;; o estado da situação linguística dos Estados-parte;; a articulação/ vinculação com Unasul;; uma certificação espanhol-português própria do Mercosul;; a realização do Seminário Regional em 2015, com os seguintes temas: caracterização da diversidade linguístico-cultural regional;; Identificação de políticas linguísticas referentes particularmente à alfabetização inicial;; certificação de
conhecimento de línguas, incorporação das Tecnologias de Informação e Comunicação no ensino de línguas.
Em março de 2015, foram discutidos, dentre outros aspectos o levantamento de dados sobre o ensino e aprendizagem de espanhol no Brasil e de português nos demais países do Mercosul, sobre o qual se destacou a necessidade de uma consultoria frente a falta de sistematização dos dados, e a convergência de objetivos e metas da Unasul e do Mercosul, em especial nos eixos plurilinguismo, interculturalidade e diversidade linguística.
Em resumo, foram feitas diversas propostas de política da linguagem no âmbito do Mercosul voltadas tanto para o espanhol e português quanto para as demais línguas usadas na região. As propostas elaboradas mais recentemente por especialistas visavam a realização de um Seminário em que se discutisse questões relacionadas à língua, educação e integração e à formação de docentes de espanhol, português e guarani, material didático, educação intercultural bilíngue e diagnósticos sociolinguísticos, primordialmente nas regiões de fronteira. Nota-se ainda uma divergência entre as propostas elaboradas por especialistas e planejamentos do Setor Educacional do Mercosul, especialmente nos planos trienais anteriores a 2011, o que prejudica o avanço das propostas.
3.1.3 Políticas da linguagem para as regiões fronteiriças
As políticas da linguagem do Mercosul nas regiões fronteiriças focalizam a necessidade tanto de censos/ diagnósticos sociolinguísticos como de projetos de educação intercultural bilíngue. Comumente, as regiões fronteiriças são caracterizadas por intensas dinâmicas comerciais, culturais e linguísticas. Essas dinâmicas que se configuram nas zonas de fronteira são marcadas não por relações simétricas entre as partes, mas sim por uma grande assimetria nos planos políticos, econômicos, sociais, culturais e linguísticos, que posicionam quem exerce poder em determinados momentos sócio-históricos. Entende-se, entretanto, que aspectos estão entrelaçados e definem as complexas relações de fronteira. Políticas públicas, linguísticas ou não, devem, portanto, necessariamente considerar as especificidades de cada região fronteiriça.
Diversos estudos já tematizaram situações de contato/ conflito de línguas nas fronteiras entre países do Mercosul, sejam elas entre espanhol ou português e línguas autóctones, ou mesmo entre o espanhol e o português. Graciela Barrios (2008), por exemplo, trata das representações linguísticas do espanhol, do português e do portunhol e mostra como elas variam e se mantêm em distintos contextos históricos na fronteira Rivera (Uruguai) e Santana do Livramento (Brasil). John Lipski (2011), acerca da fronteira Brasil-Bolívia, observa a comum situação de favorecimento do Brasil na balança econômica e de uma forte presença da mídia brasileira (rádio e televisão) no outro lado da fronteira, gerando a formação de