1 INTRODUÇÃO 15
5.1 ESFERA CONJUNTURAL 69
5.1.3 As práticas de usos das línguas 72
5.1.3.4 No ambiente educacional: ensino superior 80
Tomando neste momento exclusivamente os usos do português e do espanhol na Universidade, a partir das declarações do estudantes formandos, chegou-se ao seguinte resultado, expresso no Gráfico 11.
GRÁFICO 11
Conforme indica o Gráfico 11, verifica-se uma grande predominância do uso do português como L1 (43,2%), isto é, os estudantes brasileiros declararam ter usado o português predominantemente na educação superior. Dentre os demais estudantes, 11% também declararam ter usado predominantemente o português, neste caso como LA. Por outro lado, em menor grau, 25% declararam ter usado o espanhol predominantemente como L1 e 15% declararam ter usado ambas as línguas sem predominância. Por fim, um grupo bem reduzido (5,8%) declarou ter usado predominantemente o espanhol.
Observa-se que, com a proposta de educação bilíngue, os estudantes passam a usar o espanhol ou português como LA no ambiente educacional, diferentemente do que acontecia na educação básica. Entretanto, há assimetrias nos usos das línguas, tal como previsto nas expectativas de uso dos estudantes ingressantes. Na tabela 1, a seguir, está expressa a
25%
43,2%
5,8%
11% 15%
Usos das línguas no ambiente educacional: ensino superior Predominantemente ESP L1 Predominantemente PORT L1 Predominantemente ESP LA Predominantemente PORT LA Sem predominância
relação entre as expectativas dos estudantes ao ingressarem na Universidade e os usos das línguas de fato realizados.
TABELA 1
A leitura da Tabela 1 permite identificar diferenças entre as expectativas de uso das línguas na educação superior, declaradas pelos estudantes ingressantes, e o uso efetivamente declarado pelos estudantes formandos. Nota-se que houve um uso predominante da L1 bem maior do que consta nas expectativas, tanto do português como do espanhol, isto, é, a mudança nos usos das línguas da L1 para a LA não foi tão acentuado. Conforme indica a tabela, quanto à LA, houve um maior uso do espanhol do que previsto na expectativa e um menor uso do português. Em consequência, os usos sem predominância das línguas foram bem mais baixos do que previstos pelas expectativas.
Tal como proposto anteriormente, as justificativas dos usos estudantes formados também foram analisadas. Algumas delas encontram-se destacadas a seguir:
(1) Mais o espanhol, porque es mi lengua materna. (2) Mais o espanhol, porque me siento más segura.
(3) Mais o espanhol, porque tiendo más a hablar y escribir en español por ser la primera lengua que conosco, pero me esfuerzo por expresarme en portugués.
(4) Mais o espanhol, porque no hay uma exigência extricta desde el comienzo de la carrera. (5) Mais o espanhol, porque en mí círculo de amistades hablan más español.
(6) Mais o português, porque a maioria das aulas são em português e moro com brasileiros. (7) Mais o português, porque mismo en la literatura de una disciplina determinada tenia
predominância portugués.
(8) Mais o português, porque a maioria dos docentes é brasileiro.
(9) Mais o português, porque havia maior incidência de falantes no contexto. (10) Mais o português, porque era obrigatório.
(11) Mais o português, porque considerei necessário aprender rapidamente.
(12) Mais o português, porque é minha língua materna e, apesar de a Unila ser bilíngue, institucionalmente, não há muito incentivo (fomento) por parte dos professores, para que os discentes falantes nativos do brasileiro utilizem o espanhol.
Relação entre expectativas e usos das línguas no ambiente educacional: ensino superior
Expectativas Usos
Predominantemente Espanhol L1 9,8% 25%
Predominantemente Português L1 7,5% 43,2%
Predominantemente Espanhol LA 0,3% 5,8%
Predominantemente Português LA 22,1% 11%
Sem predominância 58,3% 15%
N/S – N/R 2% -
(13) Igualmente as línguas, porque sou da fronteira.
(14) Igualmente as línguas, porque sempre estou interatuando com ambas.
Coincidindo com a avaliação dos estudantes ingressantes, os usos das línguas pelos estudantes formandos foram influenciados igualmente pelo maior conhecimento da L1 frente à LA e pela assimetria entre estudantes e professores brasileiros e de demais países da América Latina. Os enunciados (10) Mais o português, porque era obrigatório e (11) Mais o
português, porque considerei necessário aprender rapidamente sintetizam a situação em que
a língua portuguesa e os falantes brasileiros têm mais peso do que a língua espanhola e os falantes de outras nacionalidades. Por oposição, entende-se que a aprendizagem do espanhol como não obrigatória e menos necessária, visto que a grande maioria dos docentes e dos materiais (leituras) estão em português.
Em síntese, a análise dos usos das línguas no ambiente educacional explicitou três efeitos da política e planejamento da linguagem da Universidade: (1) manutenção do uso predominante da L1 (espanhol ou português);; (2) maior uso do português como LA do que espanhol como LA, favorecido, tal como visto anteriormente, pela maior presença de estudantes e professores brasileiros, além dos materiais redigidos em língua portuguesa;; (3) perda dos usos de outras línguas, tais como guarani, quéchua e inglês, desaparecendo do ambiente educacional.
Ademais, visando a uma melhor compreensão dos usos da língua adicional, foi proposta uma questão que contemplava o uso do espanhol ou do português como língua adicional nos três eixos: ensino, pesquisa, extensão. Foram obtidas as respostas a seguir:
GRÁFICO 12
Usos da LA falada no ensino, na pesquisa e na extensão
100% Sim Não Ensino 42% 58% Sim Não Pesquisa 50,5% 49,5% Sim Não Extensão
GRÁFICO 13
Usos da LA escrita no ensino, na pesquisa e na extensão
Tal como se observa nos Gráficos 12 e 13, a língua adicional foi usada por todos os estudantes (100%), tanto na escrita quanto na oralidade no eixo ensino. Entretanto, nos demais eixos, pesquisa e extensão, verifica-se que praticamente a metade dos estudantes não usou a LA falada, e um índice ainda maior não usou a LA escrita. Nota-se, com isso, que, enquanto no ensino aparecem as duas línguas, mesmo que com alguma predominância, na pesquisa e na extensão há uma grande redução, gerando uma situação em que mais da metade dos estudantes usa apenas a L1, o que pode desfavorecer ou comprometer a proposta de educação bilíngue e de inserção em práticas de produção de conhecimento científico na LA.
A seguir, serão analisadas, na esfera individual, as transformações no conhecimento das línguas dos estudantes, abordando tanto a compreensão quanto a produção da LA e considerando igualmente, por um lado, as declarações dos estudantes ingressantes e, por outro, as declarações dos estudantes formandos, para a avaliação dos efeitos.