• Nenhum resultado encontrado

A Astronomia na antiguidade – a idade da mitologia

No documento O Mini-Planetário e a Biblioteca Escolar (páginas 81-89)

4. Breve história da Astronomia

4.3 A Astronomia na antiguidade – a idade da mitologia

Da época da Astronomia da magia, passamos para a fase mitológica. As manifestações antropomórficas cedem lugar aos deuses. Com a evolução do conhecimento, o homem aprendeu a conhecer melhor a vastidão do Universo e apercebendo-se da sua pequenez perante a Natureza. Podemos dizer que a mitologia é a cosmologia pré-científica. Um conjunto de mitos explicará o Universo com um pensamento sistemático. Algumas mitologias são conhecidas através de civilizações bastante diversas como: civilização Maia, Egípcia e a Judaica, e a oriente a civilização Babilónica, a Indiana e a Chinesa.

− Uma das mais importantes civilizações da antiguidade foi a civilização Maia, que cresceu na região que é hoje ocupada pelo Sul do México e pela Guatemala. Há testemunhos escritos em hieróglifos que sobreviveram à destruição geral que ocorreu com a invasão espanhola no século XVI. Estes documentos parecem ser almanaques astronómicos, aos quais é dada a designação de Codex. Esta civilização vivia obcecada com o tempo. Tinham três formas de o considerar:

1. No primeiro, o ano estava dividido em 365 dias, com 18 meses de 20 dias e consideravam 5 dias extra.

2. Podiam ainda considerar 360 dias para um calendário para longos períodos de tempo.

3. O almanaque sagrado era o mais importante e estava dividido em 260 dias. Este almanaque tinha treze números e vinte nomes. O primeiro dia era o dia em que se iniciava e terminava o ciclo de Vénus.

Uma das razões pela qual os Maias se interessavam tanto pelo tempo era para prever os eclipses solares, alturas de grande perigo. Construíram monumentos com alinhamentos astronómicos (lugares de culto e devido à sua posição privilegiada) que foram, de certa forma, precursores dos actuais observatórios.

− Uma outra civilização foi a Egípcia que desenvolvia toda a sua vida em torno do rio Nilo, com as suas cheias. Estes fenómenos dividiram o ano em três épocas ou estações:

− “Estação das cheias”

− “Estação das sementeiras e plantações”

− “Estação do crescimento e das colheitas” (Idem, 1998: 17)

Também era importante o calendário religioso com 12 meses lunares em que quatro meses correspondiam a uma estação, compensada com um 13º mês suplementar.

O calendário administrativo era composto por 365 dias e 12 meses de 30 dias cada e mais cinco dias para completar os 365 dias. Este calendário já apresentava o mês dividido em 3 semanas de 10 dias cada. Há também quem afirme que foram os egípcios que tenham dividido o dia em 12 horas, sem haver certezas de tal.

− A civilização da Babilónia foi fundada há um pouco mais de 2000 anos A.C. na margem esquerda do rio Eufrates, região onde se situa hoje o Iraque. Foi uma civilização que se manteve entre as mais desenvolvidas, apesar de ter sido governada por diversos povos. Alexandre Magno conquistou a Babilónia e foi a ponte que estabeleceu entre a civilização Grega e a da Babilónia. As principais fontes de informação chegaram até nós em pequenas lápides de barro. A escrita utilizada era do tipo cuneiforme, tendo igualmente sido introduzida uma nova notação numérica, com caracteres para os números de 1 a 59.

Os Babilónios interessavam-se pela Astronomia devido à necessidade de preverem acontecimentos bons e maus.

Foi o acumular de registos efectuados continuadamente durante sete séculos que permitiu aos astrónomos da Babilónia reconhecer os ciclos do Sol, da Lua e dos planetas, o que possibilitaram aos astrólogos, munidos das efemérides e do seu sistema numérico, pudessem fazer previsões independentemente das condições atmosféricas.

− A civilização Minóica que floresceu em Creta, ilha do Mediterrâneo, satisfez no tempo e no espaço as condições exigidas, reportando o interesse deste povo pelas constelações, realizaram mapas principalmente do hemisfério Norte. Era um povo de marinheiros e o estudo das mesmas seria uma ajuda preciosa nas suas viagens através do Mediterrâneo.

− A mitologia grega é de fundamental importância cerca do século VI a.C., pois surgem os fundamentos da Astronomia e muito especialmente da Cosmologia. Desenvolveram um modelo de Universo que perdurou cerca de 2000 anos. Muitos textos foram desaparecendo, outros substituídos e a sua reprodução deixava de se justificar.

− Um exemplo foi o trabalho de Euclides, Os Elementos, do qual poucas cópias existem. Aristóteles (384-322 a.C.), século IV a.C. trabalhou e preservou o conhecimento criado pelos gregos, pois tinha o hábito de citar os seus antecessores. O trabalho de Ptolomeu Almageste transformou-se numa verdadeira “Bíblia de astronomia”, em particular para as civilizações, árabe e latina.

− Um dos primeiros pensadores gregos com bastante influência na astronomia foi Tales de Mileto (636-546 a.C.). É-lhe atribuída a previsão de um eclipse na década de 580 a.C., havendo quem lhe atribua a ideia revolucionária para a época, de que o Sol e as estrelas não são deuses mas sim bolas de fogo.

Os primeiros pensadores a contar com a influência mitológica foram da escola de Tales de Mileto. Anaximandro de Mileto (século VI a.C.) foi outra das figuras de relevo pois pensava que as estrelas eram condensações de ar cheias de fogo, com aberturas das quais saia fogo. Acreditava que a Terra era um cilindro e numa das superfícies vivia a humanidade e executou mapas astronómicos.

− Pitágoras (500 a.C.) propôs que a Terra era esférica, ideia ousada e invulgar, realizada através da observação cuidadosa das fases da Lua. Fundou uma escola que era das mais influentes do pensamento grego. Uma das propostas desta escola (450 a.C.) é de que considerava que tanto a Terra como a Lua e os outros planetas (eram cinco conhecidos) e finalmente as estrelas tinham um movimento em torno de um centro distante. O Universo seria esférico e no centro existiria um fogo central que era o detentor da força que controlava esses movimentos.

− Anaxágoras que viveu no século V a. C. foi outro dos pensadores importantes pela observação das fases da Lua e concluir que a Terra é redonda. É-lhe atribuída a descoberta da verdadeira causa dos eclipses lunares. Os eclipses eram causados por projecções da sombra da Terra na superfície lunar (como a sombra era curva a Terra era

redonda). Anaxágoras foi perseguido por ter opiniões diferentes do que estava estabelecido e foi expulso de Atenas, por ter defendido que o Sol era uma pedra maior do que a própria Grécia.

Platão (427-348 a.C.) é uma das figuras mais importantes do mundo grego, apesar de não ser astrónomo. No entanto, as suas reflexões foram importantes na história da astronomia grega. Aristóteles referia-se várias vezes a Platão que defendia que o mundo era um macrocosmos, surgindo assim a Teoria Atomista do Universo.

− Aristóteles (384-322 a.C.) foi aluno de Platão e foi talvez o mais influente dos filósofos/cientistas da civilização grega. Tinha uma ideia abstracta de beleza, de simetria, de perfeição, de estética e concebeu a ideia de que o Universo era constituído por duas esferas: uma esfera central, a Terra, envolvida por uma esfera exterior onde se localizavam as estrelas. Considerava que “os planetas, bem como todos os outros corpos celestes, se moviam numa multitude de esferas celestes centradas na Terra, movendo-se essas esferas a velocidades diferentes. Aristóteles é considerado por muitos como o fundador da moderna investigação científica.” (Ibidem, 31) Muitos dos seus conceitos acerca do Universo perduraram cerca de 2000 anos. Aristóteles estava correcto acerca de várias ideias que propunha, quer cosmológicas e astronómicas, referindo algumas:

− A Lua devia ser redonda;

− O Sol estava mais longe do que a Lua na sua fase crescente passa entre a Terra e o Sol;

− A Terra era esférica;

− O movimento do Sol, da Lua e das estrelas podia ser explicado quer através do movimento em torno de uma Terra fixa, quer considerando uma Terra móvel. Aristóteles acreditava que a Terra não se movia.

Mas na cultura grega nem todos partilhavam das mesmas ideias.

− Aristarco de Samos que viveu no século III a.C. iniciou um método para medir distâncias entre o Sol e a Lua e concebeu que a Lua orbitava em torno da Terra, que a considerava esférica. Aristarco torna-se assim no primeiro astrónomo, de que há conhecimento, a propor um sistema heliocêntrico.

Eratóstenes (século III-II a.C.) contemporâneo de Aristarco, é igualmente um marco da Astronomia. Elaborou o primeiro catálogo de estrelas, mediu a inclinação entre o plano da órbita da Terra e o plano da obliquidade da eclítica. Estimou valores para o raio e meridiano terrestre a partir da distância entre Siena e Alexandria.

Hiparcos viveu entre 160-125 a.C. aproximadamente e preferiu o modelo cosmológico egocêntrico. Construiu catálogos de estrelas, observou o fenómeno designado por “precessão dos equinócios”, era um adepto do modelo Aristotélico (Terra no centro do Universo), descentrou o Sol para que o movimento do Sol não fosse uniforme, considerando que o Sol girava em torno da Terra.

− Ptolomeu (aproximadamente 150 d.C.) tornou-se conhecido pela publicação de A

Colecção Matemática e que foi traduzida ao longo dos séculos e viria a ser importante para

os astrónomos durante 1000 anos. As traduções árabes viriam a chamar-lhe AL-Magiste e as europeias designaram-na de Almageste (O maior). A sua maior contribuição para a astronomia foi a formulação e desenvolvimento de uma fórmula para prever a posição do Sol, da Lua e dos planetas, e que viria a chamar-se teoria dos epíciclos. Os modelos geocêntricos gregos foram utilizados em todos os cálculos até ao século XVI o que não deixa de ser notável.

Desde o século VI a.C. até ao século II d.C., ou seja, desde Tales de Mileto até Ptolomeu de Alexandria, a ciência grega brilhou. Depois, o fulgor da inspiração grega começou a desvanecer, no entanto, o sistema geocêntrico ptolomaico ficou como um dos mais importantes acontecimentos intelectuais da época em declínio. Contudo, o sistema ptolomaico não era o ideal e tinha falhas.

Com a queda do Império Romano no século V, o conhecimento científico desvaneceu e todos os interesses intelectuais caíram nas mãos de povos mais ou menos “bárbaros”, pouco interessados em entender tudo o que tinha sido descoberto pela civilização grega.

A primeira fase da Idade Média foi bastante negra e o Universo, tornou-se de novo numa polarização mitológica, uma Terra rectangular, rodeada de um abismo de água. Alguns intelectuais mantiveram a chama acesa através dos escritos em Latim deixados por homens como Cícero e Plínio, entre outros. Enquanto a Europa estava mergulhada na escuridão existiam bolsas resistentes onde o saber ia sendo preservado, sobretudo em Constantinopola, na Síria, na Pérsia e em Alexandria.

O desenvolvimento da Astronomia árabe tem o seu inicio após o nascimento de Maomé em finais do século VI d.C. Os árabes não produziram conhecimento, mas tiveram consciência de que havia trabalho anterior que era preciso descobrir e preservar. Traduziram livros, criaram bibliotecas em Córdoba e Toledo. Para além do aperfeiçoamento do calendário, uma outra característica importante da astronomia árabe tem a ver com a importância que foi dada à construção de observatórios, construídos nos

locais tidos como ideais para as observações onde os instrumentos pudessem ser instalados com carácter permanente.

Em contrapartida, no último período da época medieval, depois de terem sido expostos alguns conhecimentos criados pelas civilizações da antiguidade, guardados e preservados pela civilização muçulmana, a Europa ressurge e o conhecimento volta a evoluir.

A verdade é que entre os séculos X e XV pouco há a referir relativamente ao desenvolvimento da Astronomia na Europa. Não há grande referência aos trabalhos realizados a não ser os problemas causados pelo cristianismo e pelo islão ao colocar questões sobre os corpos celestes. Havia a necessidade de saber as horas a que a comunidade teria que realizar as orações e mais importante era saber o dia em que ocorreria o Domingo de Páscoa a seguir à Lua cheia depois do Equinócio da Primavera. Foi Bede no ano de 725 (séc. VIII) que resolveu o problema do dia do ano em que ocorria o Domingo de Páscoa. Neste período um intelectual Gerbert de Aurillac foi importante no estudo da astronomia, pois estudou em Espanha e dirigiu a escola de Reims, em França. É ainda nesta altura que o astrolábio é introduzido na Europa. Com o ressurgimento do renovado interesse pela astronomia assistiu-se a um novo aparecimento de instrumentos e um novo quadrante e uma cruz de madeira surgem permitindo a medição de ângulos entre objectos.

É em Espanha que há um novo estímulo à astronomia e no século XIII, o rei Afonso de Castela financiou um projecto liderado por astrónomos árabes e judeus para a realização de tabelas de previsão das posições planetárias baseado no modelo de Ptolomeu. Este trabalho ficou conhecido como Tabelas Afonsinas e foram válidas por 300 anos.

No século XII, Gérard de Cremona traduziu muitas obras para latim permitindo assim a difusão e acesso às culturas grega e islâmica.

No século XI, com o aparecimento das universidades, surgem novas ideias e professores e alunos dirigiam-se para estes locais de verdadeira intelectualidade, sendo Paris a cidade intelectual da cristandade. Nesta universidade dividida em sete artes uma delas era o Quarteto Matemático onde se estudava a Aritmética, a Harmonia, a Geometria e a Astronomia.

No século XIII, Tomás de Aquino mostrou que o cristianismo se podia acomodar num universo aristotélico com algumas modificações, pois o ser humano mantinha a imortalidade, mas o universo adoptado perdia o seu carácter eterno uma vez que havia sido

criado por Deus. No século XIV, o universo medieval é completamente antropocêntrico, santificado pela religião, sancionado pela filosofia e racionalizado pela ciência geocêntrica.

O universo aristotélico foi posto em questão por vários intelectuais como Roger Bacon (monge franciscano, século XIII), Nicolau Oresme (bispo, século XIV), Jean Buridan (académico parisiense) e no século XV Nicolau de Cusa (cardeal) propôs que já que Deus criou o Universo e porque Deus é infinito e não tem localização específica, também o Universo é ilimitado, sem fronteira e sem centro definido. Resumindo, a comunidade intelectual dava um passo em frente ao contestar, ou questionar, as propostas de Aristóteles, procurando encontrar alternativas.

No século XV, surge a imprensa, que veio revolucionar o estudo das ciências matemáticas, e em particular, a geometria e a astronomia. Há uma redução nos custos dos livros e um maior número de pessoas tem acesso a conhecimentos que até aí eram privilégio apenas de alguns.

Regiomontanus, no século XV, funda em Nuremberga um centro de fabrico de instrumentos e um observatório, fundou uma casa de impressão e o seu sucessor, Bernhard Walter efectuou observações que o prolongaram por 30 anos. As suas medições foram importantes para Copérnico, Tycho Brahe e Kepler e os livros de Regiomontanus foram muito úteis a Cristóvão Colombo.

Copérnico aboliu a ideia de Universo antropocêntrico, iniciando uma revolução intelectual, a qual com a proposta de que o Sol se situa no centro do sistema solar e de que a Terra orbita à sua volta, abolindo a velha ideia. Esta revolução que durou 150 anos teve como precursores Nicolau Copérnico (1473-1543), Tycho Brahe (1546-1601), Johannes Kepler (1571-1630) e Isaac Newton (1642-1727).

Até ao século XVI, altura em que Copérnico desenvolveu o modelo heliocêntrico, todos os modelos aceites eram baseados no sistema de Ptolomeu e representavam universos geocêntricos.

A esta revolução atribuiu-se o nome de Revolução heliocêntrica, deixando de ser a Terra para passar a ser o Sol a ocupar a posição central do sistema e todos os planetas passaram a efectuar este movimento em torno do Sol e não da Terra, ideia já sido proposta por Aristarco no século III a. C.

Esta revolução intelectual iniciada por Copérnico, e depois com o trabalho de Galileu, lançou definitivamente os fundamentos da astronomia científica moderna. Copérnico (século XVI – 1512) começa a divulgar os seus comentários escritos, encorajados pelos membros do clero. A sua grande obra foi De Revolutionibus, publicada

em 1543, onde se concentra a síntese dos resultados de toda a sua investigação, pouco tempo antes da sua morte. Nesta obra Copérnico explica o sistema heliocêntrico (para o Sol), estabelece uma relação entre o sistema solar e as estrelas e argumenta sobre o movimento de rotação e também a par do movimento diurno o movimento anual. Copérnico escreveu “ assim concluímos que o centro da Terra, transportando a órbita da Lua, descreve uma grande órbita por entre os outros planetas numa revolução anual em torno do Sol. Uma vez que o centro do Universo se situa perto do Sol, e uma vez que o Sol se encontra em repouso, qualquer movimento aparente do Sol pode ser melhor explicado pelo movimento da Terra”. (Carvalho, 71)

Copérnico não colide com as ideias teológicas do momento. Afirma que o Sol, fonte de calor e vida, só poderia ocupar o centro do Universo e Deus tê-lo-ia colocado lá.

Em 1539, Martinho Lutero considerou que Copérnico era um louco e que havia virado toda a ciência do avesso. Copérnico estava no centro de disputas pois colocou fortes dogmas postos em causa. Servetus publicou comentários sobre Astrologia e Astronomia e foi queimado como herege por professar uma teologia misteriosa que ofendia tanto protestantes como católicos. Foi o próprio João Calvino que presidiu à sua execução. A inquisição acrescentou a um conjunto de livros proibidos o De Revolutionibus de que era falso e contrário às Sagradas Escrituras. A teoria heliocêntrica estava em marcha e era irreversível.

O modelo de Copérnico, com uma Terra móvel e um Sol fixo permitiu uma nova visão e atitude perante a forma de pensar o Universo. Também agora os planetas podiam ser considerados como corpos reais, movendo-se ao longo de órbitas reais. Ao ser aceite a sua teoria também a ideia de que aterra era apenas mais um planeta entre vários que circulavam em torno do Sol.

Outros houve como Thomas Digges e Giordano Bruno, Tycho Brahe, Johannes Kepler que produziram avanços significativos quer teóricos quer técnicos, e em astronomia, como noutras ciências, novas ideias estimulam novas observações e conceitos.

Com Galileu Galilei transforma-se por completo a forma de abordar os problemas das chamadas Ciências Físicas, sendo um mestre na arte de divulgar o seu trabalho. Pretendia que os seus estudos fossem apreciados e que a teoria de Copérnico tivesse maior aceitação. Escreveu para todos: cientistas, académicos, nobres, líderes, políticos, dignitários religiosos, etc. Utilizou de forma intensiva os seus telescópios para fazer descobertas, dando-as a conhecer ao seu público entusiasta. Encontrou na Lua uma superfície que não era uniforme, nem perfeitamente esférica, como se acreditava,

contrariando a ideia aristotélica de perfeição celeste. Descobriu quatro satélites de Júpiter e chegando a esta conclusão somos elucidados pela sua capacidade científica. Escreveu o

Diálogo Sobre os Dois Grandes Sistemas Universais, publicado em 1632 (século XVII),

com os satélites de Júpiter já integrados, O Mensageiro das Estrelas (o mais popular) e

Proposições e Demonstrações Relativas a Duas Novas Ciências. Observou as manchas

solares, Vénus, tal como a Lua mostrava as suas fases e deveria mover-se em torno do Sol, verificou que Saturno parecia ter saliências em torno do Equador e observou centenas e centenas de estrelas. Galileu foi sempre um irreverente, um religioso convicto, distinguiu sempre as questões religiosas das questões científicas, constituindo, por isso, uma ruptura com o passado. Não tinha grande tacto diplomático e os seus inimigos consideraram que ele havia ignorado o aviso da Inquisição em 1616. A Inquisição considerou que ele negava a Bíblia como fonte correcta sobre ciência natural. “ De forma arrogante, como segundo parece habitual, Galileu citou o Cardeal Baronius: … O Espírito Santo pretendeu ensinar- nos como ir para o céu, e não como o céu anda…” (Ibidem, 131) Como tal, foi forçado a fazer uma confissão formal, confessando-se pecador por ensinar ideias proibidas e repudia publicamente a teoria de Copérnico. Foi condenado a prisão domiciliária perpétua. Os seus grandes amigos que Galileu tinha em Itália não ousaram defendê-lo publicamente.

Entre os séculos XVI e XVIII, inicia-se a época da ciência moderna, tal como hoje a concebemos.

Outras figuras ímpares no mundo da ciência foram Isaac Newton, René Descartes, Christiaan Huygens, Le Verrier que conduziram o conhecimento científico com descobertas e observações, ao que hoje, nos apresentam os atlas e livros da especialidade.

No documento O Mini-Planetário e a Biblioteca Escolar (páginas 81-89)