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7.5 Avaliação utilizando o Framework IDEA

7.5.5 Avaliação do Framework IDEA

A condução deste experimento foi realizada levando em consideração os princípios sugeridos nesta tese, esta seção descreve a verificação destes princípios que nos permitem avaliar o framework IDEA.

7.5.5.1 Incluir Aspectos Humanos Representativos

No aspecto de envolvimento de pessoas representantes do público alvo da aplica- ção participaram do experimento cinco pessoas com mais de 60 anos de idade.

A participação destas pessoas, representantes do público alvo da aplicação, foi im- portante pois propiciou que os avaliadores pudessem observar um perfil de utilização, conhecer seus desejos e expectativas com relação à solução.

Importante salientar que o recrutamento destes participantes não foi uma tarefa trivial, pois feito o convite à participação, três dos cinco representantes relutaram em aceitar pois argumentaram não serem capazes de realizar as atividades no compu- tador com algum outro dispositivo, não convencional, de interação. Foi necessário explicar todo o contexto do projeto detalhadamente, bem como explicitar que o obje- tivo da avaliação era justamente fazer com que o desenvolvimento do dispositivo de interação deveria suprir as necessidades deles, se adaptando a eles, e não o contrário, deles precisarem se adaptar ao dispositivo.

Observou-se nestes usuários, após a resistência inicial, a satisfação em poder par- ticipar do experimento, considerando-o uma atividade prazerosa e incentivadora que visava, como objetivo primário, estimular a qualidade de vida e a autoestima destas pessoas.

Por outro lado pode-se observar as limitações que estes usuários possuem, e tam- bém quais os pontos críticos da solução e sugestões de como se poderia suavizar estes requisitos.

No aspecto de envolvimento de profissionais da saúde, participou do experimento um terapeuta ocupacional que orientou a seção de testes elaborando, juntamente com toda a equipe, o roteiro de tarefas. Também auxiliou nas observações do experimento, salientando pontos que se deveria dar maior atenção.

O terapeuta fez a configuração do ambiente do segundo teste e recomendações sobre a abordagem inicial com os participantes. Estas recomendações acerca do pú- blico alvo da aplicação foram importantes na condução do teste e também na análise dos resultados, especialmente na segunda sessão.

7.5.5.2 Desempenhar Múltiplas Sessões

Além das duas sessões propiciarem uma análise mais profunda acerca do ambi- ente, elas nos trouxeram a confirmação da necessidade da consideração das ações elencadas na Seção 2.1.2, cujos passos de treinamento e acompanhamento da utili- zação da TA pelo indivíduo trazem uma perspectiva acerca da curva de aprendizagem. Apesar da aplicação não ter sofrido nenhuma alteração, os resultados dos tes- tes foram completamente diferentes. Na segunda sessão os participantes já estavam muito mais confortáveis, primeiramente por já terem experimentado o dispositivo e se- gundo pois o ambiente estava mais acolhedor, não se parecendo em nada com um laboratório de testes. Inclusive os resultados sobre o controle do dispositivo demons- traram um domínio maior da aplicação e da utilização do dispositivo. Na segunda sessão os participantes se sentiram mais à vontade para tecer comentários acerca da performance e estética do IOM, propiciando que os avaliadores pudessem perceber melhor suas necessidades e preferências.

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ados e também temerosos que pudessem "falhar" na execução das tarefas. Em um se- gundo momento, já tendo passado pela apresentação do dispositivo e compreendendo o significado real objetivo dos testes, eles se permitiram agir como protagonistas da sessão de avaliação, encarando o dispositivo de interação com mais naturalidade e com maior liberdade em tecer críticas acerca do seu funcionamento.

Estas análises só foram possíveis com a realização de mais de uma sessão, cor- roborando a relevância de avaliações contínuas e acentuando a possível problemática de se realizar uma sessão pontual. Que poderia, por motivos emocionais, não trazer uma contribuição no experimento de testes tão expressiva, em termos inclusive do domínio de usabilidade, pela preocupação com seu próprio desempenho ao invés de avaliar a solução.

7.5.5.3 Escolher Ambiente

Já no aspecto relativo à escolha do ambiente de testes, o primeiro experimento foi realizado em um ambiente controlado, um laboratório de testes, sem nenhum conforto além do essencial de um laboratório de informática.

Sob a orientação do profissional de terapia ocupacional, o segundo experimento foi realizado em um ambiente de sala de estar, com um confortável sofá, iluminação intimista, mesinha de centro, conforme a configuração das salas dos participantes.

Nos dois experimentos, após os usuários realizarem as tarefas, responderam um questionário pictográfico, o SAM, conforme apresentado na seção 7.5.4.4, e os re- sultados do primeiro experimento foram completamente diferentes dos resultados do segundo, referentes ao domínio de excitação.

No experimento em laboratório os usuários indicaram um nível alto de excitação, enquanto que, no segundo experimento, apesar da aplicação ser a mesma e o dispo- sitivo de interação também, os usuários indicaram um nível mínimo de excitação, pois destacaram que estavam se sentindo muito à vontade e tranquilos.

Estes resultados implicam na relevância que o aspecto ambiente possui na condu- ção dos testes, pois apesar da configuração da aplicação ser exatamente a mesma, na segunda sessão pode-se observar que os participantes estavam se sentindo muito mais confortáveis, inclusive salientando que o ambiente parecia com sua própria sala de estar.

7.5.5.4 Analisar Qualitativamente os Resultados

Os resultados objetivos através dos instrumentos SAM e AttrakDiff utilizados no ex- perimento permitiram confirmar algumas suposições acerca dos aspectos sugeridos, como a realização de uma segunda sessão, a alteração do ambiente e a inclusão de um avaliador da área de terapia ocupacional.

usabilidade, por exemplo, e importante pontuar que não poderiam na primeira ses- são aferir o quanto de nervosismo e agitação dos participantes. Estas nuances só foram percebidas através das observações dos avaliadores, que em virtude disso, se decidiu planejar o segundo experimento considerando os outros aspectos, além da participação dos representantes do público alvo e profissionais da saúde.

Portanto análises baseadas exclusivamente em métricas podem nos dar algumas sugestões acerca de algum objetivo específico, mas não conseguem captar de forma ampla o panorama geral, sendo necessário uma análise crítica subjetiva. Se tivessem sido feitas análises das métricas objetivas somente no primeiro experimento, tería- mos concluído através do instrumento SAM que a motivação que os usuários de- monstraram foi alta, e era na verdade agitação e ansiedade pela participação de um experimento onde estavam se sentindo inseguros. Portanto ao termos percebido isso através de medidas qualitativas de observação, pudemos aferir a necessidade de uma segunda sessão de avaliação com a realização de algumas mudanças.

E no segundo experimento, observamos o empoderamento dos participantes, de- vido às alterações realizadas no ambiente, e também, devido a eles já terem vencido seus medos e anseios de experimentar um dispositivo não convencional de interação, se sentiram mais empoderados e incluídos como reais avaliadores da solução.