Foto 8 Esgoto sendo lançado no rio Meia Ponte na GO 010 Saída Bonfinópolis
4.1 A REGIÃO CENTRO-OESTE
4.1.2 Bacia hidrográfica do rio Meia Ponte
A bacia hidrográfica é uma região de captação natural das águas que precipitam e fazem convergir os escoamentos para um ponto de saída, seu exutório. É composta basicamente por um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem que formam cursos de água que confluem até resultar em um único leito exutório (SILVEIRA, 2001 apud RODRIGUES JUNIOR, 2008).
As bacias hidrográficas apresentam características diferentes em ambientes agrários ou de floresta para os ambientes urbanos. Segundo Botelho e Silva (2004 apud FRANCO, 2009), nas áreas florestadas e rurais o ciclo hidrológico não apresenta diferenças significativas, pois não há uma grande redução na entrada de água no solo, enquanto que nos ambientes urbanos devido a grandes áreas impermeabilizadas ocorre uma geração de fluxos superficiais e pouca ou nenhuma infiltração de água no solo. Isto porque a infiltração tem a função de fazer com que a água permaneça na bacia hidrográfica por maior tempo, permitindo que o ciclo hidrológico se complete. As alterações na paisagem, com a retirada de florestas, impede que a água sirva de suprimento para as plantas, abasteça o lençol freático, recarregue os aquíferos e abasteça os cursos d`água durante a estação chuvosa e também na estação de seca.
A bacia do rio Meia Ponte esta inserida dentro da bacia do rio Paraná, que é a mais industrializada e urbanizada do país, onde vive um terço da população brasileira (OIKOS PESQUISAS APLICADAS LTDA, 2009). Está localizada na região centro sul do Estado de Goiás, entre os meridianos 48º 46’ 48” e 49º 44’ 51” de longitude oeste e entre os paralelos 16º 06’ 38” e 32º 32’ 15” de latitude sul. Ao norte localiza-se a bacia hidrográfica do rio das Almas, a oeste a bacia hidrográfica do rio dos Bois, a nordeste a bacia hidrográfica do rio Corumbá, e ao sul encontra-se o rio Paranaíba do qual o rio Meia Ponte é um dos tributários pelo lado direito (SIQUEIRA, 1996).
A população em 2010 segundo o IBGE na bacia do rio Meia Ponte era de 2.688.913 habitantes, que representa 44,82% da população total do estado de Goiás que era de 6.003.788 habitantes. Desses 2.688.913 habitantes que vivem na bacia do rio Meia Ponte 1.965.548 estão na região de influência direta de Goiânia, Região Metropolitana de Goiânia (RMG), e representam 73,05% desse total de habitantes que vivem na bacia hidrográfica do rio Meia Ponte, e esses mesmos 1.965.548 representam 32,74 % da população total do estado de Goiás.
Isso significa que 32,74 % da população de Goiás está confinada em uma área de apenas 0,975 % do território goiano, na RMG, ou seja, em menos de 1,0 % do território do estado de Goiás (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010a).
Essa população, portanto exerce uma enorme pressão sobre os recursos naturais da região ocupada, essa pressão não vem somente do abastecimento de água para essa população, mas também de outras atividades, como a irrigação, conforme podemos observar pelas imagens 01, 02 e 03, do Google.
A tabela 02 mostra que do ano de 1980 até 2010, a população residente nos municípios que compõem a bacia aumentou 209,16%, passando de 1.286.392 habitantes para 2.684.913, um aumento significativo em 30 anos, enquanto em todo o estado de Goiás o aumento foi de 192,37% no mesmo espaço de tempo.
Na mesma tabela verifica que desses 2.684.913 habitantes que estão na bacia do rio Meia Ponte, 2.597.571 estão em áreas urbanas e 79.672 em áreas rurais.
O Alto rio Meia Ponte, que tem 17 municípios, tem uma população de 1.894.992 habitantes, que representa 31,56% da população total de Goiás. Desse total, dos habitantes que moram nos municípios do Alto rio Meia Ponte, 1.865.668 vivem em áreas urbanas e 29.324 em áreas rurais (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010a).
O Baixo rio Meia Ponte tem somente uma população de 795.620 habitantes, sendo que desses, 731.903 estão em áreas urbanas e 50.348 nas áreas rurais, conforme tabela 2, com dados do censo 2010 do IBGE.
Os municípios que fazem parte do Alto rio Meia Ponte, segundo Goiás (2006b) são: Anápolis, Bonfinópolis, Brazabrantes, Caldazinha, Damolândia, Goianápolis, Goiânia, Goianira, Inhumas, Itauçu, Leopoldo de Bulhões, Nerópolis, Nova Veneza, Ouro Verde de Goiás, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo e Teresópolis de Goiás.
Figura 2 - Alto Bacia do rio Meia Ponte e Baixo Bacia do rio Meia Ponte
Fonte: SEMARH-CGEO, Daniel Guzzo
Na tabela 2 os municípios destacados com “*” são os que fazem parte da RMG, e também estão na bacia do rio Meia Ponte. A Região Metropolitana de Goiânia foi instituída pela lei complementar nº 27 de 30 de dezembro de 1999, essa lei tem por objetivo executar um planejamento comum aos municípios dessa região, visando a política de habitação e meio
ambiente, desenvolvimento econômico, promoção social e modernização institucional (GOIÁS, 1999).
Mas na atualidade, tudo isso está resumindo no planejamento e disciplina do transporte coletivo nos municípios que estão ligados à capital, Goiânia. A atuação nos demais setores está sendo relegada ao segundo plano, como a proteção dos mananciais desses municípios. Os gestores públicos não percebem que a degradação rio Meia Ponte, compromete a fonte de abastecimento de água para abastecimento público de toda a população dessa região.
Tabela 2 - Estatísticas municipais: População Censitária – Total (habitantes)
MUNICÍPIO 1980 1991 2000 2010 População Urbana 2010 Pop. Rural 2010 Cresc. Popul. 1980/2010 Relação população Rural/Urb Anápolis 180.012 239.378 288.085 334.613 328.755 5.858 82,63% 1,78% Bonfinópolis * - 3.324 5.353 7.536 7.021 515 126,71% 7,34% Brazabrantes * 2.241 2.334 2.772 3.232 2.170 1.062 44,22% 48,94% Caldazinha * - - 2.859 3.325 1.918 1.407 16,30% 73,36% Damolândia 2.366 2.593 2.573 2.747 2.182 565 16,10% 25,89% Goianápolis * 7.569 10.716 10.671 10.695 9.691 1.004 41,30% 10,36% Goiânia * 717.519 922.222 1.093.007 1.302.001 1.297.076 4.925 81,46% 0,38% Goianira * 7.488 12.896 18.719 34.060 33.451 609 354,86% 1,82% Inhumas * 31.430 38.368 43.897 48.246 45.103 3.143 53,50% 6,97% Itauçu 9.770 8.678 8.277 8.575 6.461 2.114 -12,23% 32,72% Leopoldo de Bulhões 8.336 7.376 7.766 7.882 4.843 3.039 -5,45% 62,75% Nerópolis * 9.368 12.987 18.578 24.210 23.229 981 158,43% 4,22% Nova Veneza * 5.083 5.003 6.414 8.129 7.026 1.103 59,93% 15,70%
Ouro Verde de Goiás 3.844 4.259 4.358 4.034 2.683 1.351 4,94% 50,35%
Sto Antônio de Goiás * - - 3.106 4.703 4.271 432 51,42% 10,11%
Senador Canedo * - 23.905 53.105 84.443 84.111 332 253,24% 0,39%
Terezópolis de Goiás * - - 5.083 6.561 5.677 884 29,08% 15,57%
Total hab. Alto Rio Meia Ponte 985.026 1.294.039 1.574.623 1.894.992 1.865.668 29.324 92,38% 1,57%
Abadia de Goiás * - - 4.971 6.876 5.081 1.795 38,32% 35,33%
Aloândia 2.233 1.992 2.128 2.051 1.769 282 -8,15% 15,94%
Aparecida de Goiânia * 42.627 178.483 336.392 455.657 455.193 464 968,94% 0,10%
Aragoiânia * 3.707 4.910 6.424 8.365 5.528 2.837 125,65% 51,32%
Bela Vista de Goiás * 17.255 17.316 19.210 24.554 17.955 6.599 42,30% 36,75%
Bom Jesus de Goiás 11.623 13.851 16.257 20.727 19.253 1.474 78,33% 7,66%
Cachoeira Dourada - 8.502 8.525 8.254 5.357 2.897 -2,92% 54,08% Cromínia 3.362 3.400 3.660 3.555 2.675 880 5,74% 32,90% Goiatuba 26.937 32.469 31.130 32.492 29.941 2.551 20,62% 8,52% Hidrolândia * 8.559 10.254 13.086 17.398 2.980 1.049 103,27% 35,20% Itumbiara 78.049 79.533 81.430 92.883 88.942 3.941 19,01% 4,43% Joviânia 6.320 6.538 6.904 7.118 6.472 646 12,63% 9,98% Mairipotaba 2.670 2.665 2.403 2.374 1.570 804 -11,09% 51,21% Morrinhos 32.122 32.592 36.990 41.460 35.959 5.501 29,07% 15,30% Panamá 2.878 2.501 2.776 2.682 2.035 647 -6,81% 31,79% Piracanjuba 24.095 25.273 23.557 24.026 17.551 6.475 -0,29% 36,89% Pontalina 19.120 15.409 16.556 17.121 13.897 3.224 -10,46% 23,20% Professor Jamil - - 3.403 3.239 2.261 978 -4,82% 43,26% Silvânia 19.809 18.000 20.339 19.089 12.669 6.420 -3,63% 50,67%
Total hab. Baixo RMP 301.366 453.688 636.141 789.921 727.088 49.464 164,00% 6,88% Total hab. Bacia RMP 1.286.392 1.747.727 2.210.764 2.684.913 2.592.756 78.788 109,16% 3,07% Total habit. Goiás 3.121.125 4.018.903 5.003.228 6.003.788 5.420.714 583.074 92,36% 10,76% Porc. hab. bacia RMP em rel. ao
est. Goiás 41,22% 43,49% 44,29% 44,82% 47,92% 13,66%
* Municípios da bacia hidrográfica do Rio Meia Ponte que pertencem a Região Metropolitana de Goiânia (RMG)
Na tabela 2 nota-se que a concentração de habitantes do Alto Rio Meia Ponte é maior nessa parte da bacia hidrográfica, com 1.894.992. Em 2010 essa população representava 31,56% do total da população do estado de Goiás.
Pela tabela 2 nota-se que a população rural é muito inferior a população urbana na maioria dos municípios, sendo que nos municípios de Goiânia, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia essa população é menor que 1,0% em relação a população urbana. Essa concentração da população na área urbana aliada a falta de um sistema de esgotamento sanitário como é visto na tabela 4, produz uma elevada degradação nos cursos d’água da bacia hidrográfica.
Os dados da tabela 2 mostram que o crescimento das cidades de Goianira, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia foi superior a 250%, ao mesmo tempo as cidades de Bonfinópolis, Nerópolis, Aragoiânia e Hidrolândia tiveram um crescimento superior a 100%. Todas essas cidades são uma espécie de cidades dormitório em relação a Goiânia.
Tabela 3 - Estatísticas municipais: Densidade demográfica (habitantes/km²)
MUNICÍPIO 1991 2000 2010 Crescimento 1991/2010 Anápolis 260,65 313,69 358,58 37,57% Bonfinópolis 27,19 43,78 61,62 126,63% Brazabrantes 18,89 22,44 26,26 39,02% Caldazinha - 9,17 13,25 44,49% Damolândia 30,64 30,4 32,51 6,10% Goianápolis 65,99 65,72 65,84 -0,23% Goiânia 1.247,10 1.478,05 1.776,75 42,47% Goianira 64,35 93,41 162,94 153,21% Inhumas 62,55 71,57 78,68 25,79% Itauçu 22,62 21,57 22,34 -1,24% Leopoldo de Bulhões 14,9 15,69 16,39 10,00% Nerópolis 63,59 90,97 118,55 86,43% Nova Veneza 40,55 51,99 65,89 62,49%
Ouro Verde de Goiás 20,31 20,78 19,32 -4,87%
Santo Antônio de Goiás - 23,39 35,41 51,39%
Senador Canedo 97,67 216,98 344,27 252,48%
Terezópolis de Goiás - 47,52 61,37 29,15%
Na tabela 3 observa-se que as cidades de Anápolis, Goiânia, Goianira, Nerópolis, Senador Canedo são as que têm uma maior densidade populacional, acima de 100 habitantes/km² em 2010, sendo que Goiânia com 1.776,75 habitantes por km² é a cidade não só do Alto Rio Meia Ponte, mas de toda a bacia, a mais densamente habitada.
O crescimento populacional desses municípios não teve o correspondente crescimento em infraestrutura (rede de água, rede coletora de esgoto, coleta de lixo, etc.) para atender essa população que está residindo na bacia hidrográfica do rio Meia Ponte. As tabelas 4 e 5, mostram o incremento na rede de esgoto e de água no período 2000/2010 ser muito inferior ao crescimento da população.
Tabela 4 - Estatísticas municipais: Extensão de rede de esgoto municípios da bacia do rio Meia Ponte (m)
Mun. alto rio Meia Ponte 2000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Incremento 2000/2010
Anápolis 492.002 493.873 493.873 494.003 494.333 494.657 494.667 0,54% Bonfinópolis - - - Brazabrantes - - - Caldazinha - - - Damolândia - - - Goianápolis - - - Goiânia 2.542.100 2.641.616 2.685.717 2.723.872 2.766.250 2.793.818 2.800.292 10,16% Goianira - - 1 14.421 14.421 22.481 22.481 55,89% Inhumas 49.173 49.173 61.072 61.072 61.072 66.564 66.652 35,55% Itauçu - - - 23.096 23.096 23.096 24.512 6,13% Leopoldo de Bulhões - - - Nerópolis - - - Nova Veneza - - -
Ouro Verde de Goiás - - -
Santo Antônio de Goiás - - -
Senador Canedo ... [1] [1] [1] [1] [1] [1]
Terezópolis de Goiás - - -
Mun. baixo rio Meia Ponte
Abadia de Goiás - - 1 11.133 11.133 11.133 11.133 0,00%
Aloândia - - -
Aparecida de Goiânia 142.846 151.308 154.768 162.346 184.853 191.727 194.027 35,83%
Aragoiânia - - -
Bela Vista de Goiás 24.562 30.411 40.188 40.188 44.404 51.297 51.775 110,79%
Bom Jesus de Goiás - - - 14.157 37.804 37.805 37.805 167,04%
Cachoeira Dourada - - 24.152 24.152 24.152 24.152 24.152 0,00% Cromínia - - - Goiatuba 10.388 10.388 10.388 10.388 10.388 10.388 10.388 0,00% Hidrolândia - - - Itumbiara 159.272 167.106 167.106 167.106 245.445 245.445 262.858 65,04% Joviânia - - 55.976 55.977 55.976 55.977 55.977 0,00% Mairipotaba - - - Morrinhos 21.987 112.652 112.652 113.312 113.971 114.197 114.776 422,02% Panamá ... [1] [1] [1] [1] [1] [1] Piracanjuba - - - 41.999 41.999 0,00% Pontalina - 59.479 59.479 59.479 59.479 59.479 59.479 0,00% Professor Jamil - - - Silvânia - - - 46.335 46.334 46.335 46.335 0,00%
Tabela 5 - Estatísticas municipais: Extensão de redes de água Municípios da bacia do rio Meia Ponte (m)
Mun. alto rio Meia Ponte 2000 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Anápolis 1.116.553 1.157.789 1.172.480 1.174.639 1.177.261 1.186.873 1.192.088 6,77% Bonfinópolis 26.654 37.223 37.863 38.013 39.771 39.771 39.771 49,21% Brazabrantes 8.533 13.532 14.692 14.872 18.677 18.677 22.914 168,53% Caldazinha 6.494 7.709 7.709 7.709 7.709 7.932 8.016 23,44% Damolândia 11.261 12.327 12.549 12.620 14.236 14.416 14.106 25,26% Goianápolis 39.448 39.448 39.448 39.448 39.844 50.332 51.412 30,33% Goiânia 4.034.136 4.930.200 5.041.724 5.185.461 5.282.749 5.378.779 5.611.591 39,10% Goianira 85.815 93.177 93.591 93.591 93.671 98.541 99.446 15,88% Inhumas 180.362 197.600 204.346 207.944 214.828 216.056 219.323 21,60% Itauçu 24.984 25.430 25.430 25.430 25.430 26.003 26.003 4,08% Leopoldo de Bulhões 22.806 22.786 22.786 22.960 22.960 22.960 23.597 3,47% Nerópolis 65.617 69.096 69.699 69.699 72.229 72.353 77.116 17,52% Nova Veneza 21.985 25.813 25.813 26.660 26.762 26.948 26.978 22,71%
Ouro Verde de Goiás 12.405 13.049 13.115 13.115 13.231 15.831 15.831 27,62%
Santo Antônio de Goiás 10.019 14.000 14.000 14.032 14.065 15.591 23.971 139,26%
Senador Canedo ... [1] [1] [1] [1] [1] [1]
Terezópolis de Goiás 30.935 30.977 31.026 31.158 35.204 35.354 35.661 15,28%
Mun. baixo rio Meia Ponte
Abadia de Goiás 16.660 38.537 38.537 38.707 38.812 40.155 40.155 141,03%
Aloândia 15.496 15.541 15.541 15.541 15.541 15.541 15.541 0,29%
Aparecida de Goiânia 738.861 1.097.210 1.107.650 1.125.207 1.143.684 1.165.917 1.259.583 70,48%
Aragoiânia 40.751 43.277 43.404 43.872 44.462 44.462 44.462 9,11%
Bela Vista de Goiás 38.373 41.079 48.921 48.921 70.757 79.555 88.687 131,12%
Bom Jesus de Goiás 64.482 78.724 78.724 78.724 78.723 78.633 78.633 21,95%
Cachoeira Dourada 24.588 32.526 32.526 32.526 32.526 34.363 34.363 39,76% Cromínia 13.888 14.837 14.837 14.960 14.989 15.230 15.338 10,44% Goiatuba 167.466 168.471 169.223 169.223 171.802 176.216 176.468 5,38% Hidrolândia 38.508 41.862 43.768 43.880 49.860 49.864 50.104 30,11% Itumbiara 288.962 317.597 317.597 317.597 351.172 352.909 352.909 22,13% Joviânia 34.483 35.235 35.235 35.235 35.235 35.235 35.235 2,18% Mairipotaba 15.765 16.611 17.011 17.011 17.542 17.542 17.542 11,27% Morrinhos 169.957 175.654 175.837 181.507 184.294 185.038 185.279 9,02% Panamá ... [1] [1] [1] [1] [1] [1] Piracanjuba 105.615 106.255 106.882 107.261 107.432 119.550 121.046 14,61% Pontalina 58.350 62.420 62.420 62.420 62.420 62.420 62.420 6,98% Professor Jamil 14.503 17.128 17.230 17.230 17.230 17.230 17.230 18,80% Silvânia 40.280 41.959 42.395 42.395 47.069 47.645 49.951 24,01%
[1] Atendido pelo município
Na tabela 4 verifica-se que a extensão da rede de esgoto, no ano de 2010, nos municípios do Ato rio Meia Ponte só está presente em seis municípios e no Baixo rio Meia Ponte somente em 12, ou seja, dos 37 municípios que compõem a bacia hidrográfica do rio Meia Ponte, em dezenove municípios não existe rede coletora de esgoto sanitário. Isso significa que essa população está descartando esse esgoto de maneira inadequada através de poços do tipo fossa negra ou mesmo dentro de algum afluente do rio Meia Ponte.
Ademais, essa população urbana exerce uma pressão enorme sobre os recursos hídricos, exigindo produtos para alimentação, bem como descartando uma grande quantidade de resíduos sólidos, cuja parcela irá contaminar os cursos d`água, lançando nos rios e ribeirões os seus esgotos “in natura”. Outro aspecto significativo, com o aumento dessa população urbana, é que mais áreas de solos serão impermeabilizadas, diminuindo as áreas de infiltração para recarga do lençol freático, e como não há fiscalização do poder público, as áreas ocupadas avançam sobre as margens dos rios e encostas dos morros, descumprindo a legislação ambiental.
Segundo Goiás (2006c), na bacia existe um grande número de indústrias de processamento de alimentos (frigoríficos, laticínios, conservas, refrigerantes), curtumes, entre outras. Entretanto nem todas possuem um sistema de tratamento adequado e muitas vezes lançam rejeitos na rede coletora da SANEAGO, despejos esses que serão tratados pela ETE Goiânia.
Para Goiás (2006c), a região a montante de Goiânia, tem um potencial elevado de conflitos em função do uso do solo e da água para abastecimento público, suprimento da indústria e agricultura principalmente da região metropolitana de Goiânia.
No trecho denominado de Alto Rio Meia Ponte ocorre uma elevada taxa de industrialização, sendo os mais significativos os ramos de processamento de alimentos que representam 28% do total, granjas confinamentos e piscicultura 20%, indústrias químicas 11%, frigoríficos 8%, e laticínios 7% das atividades exercidas na bacia, enquanto a indústria de beneficiamento de plástico, papel e metais somam 5% do total. Os de aterros sanitários totalizam 2% do total, enquanto os curtumes perfazem 2 %. Estes últimos representam uma atividade de natureza altamente impactante. A ETE da SANEAGO representa 1% das atividades (GOIÁS, 2006c).
A água da bacia é utilizada também para abastecimento e agricultura irrigada, conforme observa nas imagens 01, 02, 03 e 04 do Google.
Imagem 1 - Pivô para irrigação no município de Inhumas
Fonte: Google Earth
rio Meia Ponte
Imagem 2 - Pivô para irrigação no município de Goianira – Google. Acesso 15/10/2011
Fonte: Google Earth
Imagem 3 - Pivô para irrigação no munícipio de Pontalina – Google. Acesso 15/10/2011
Fonte: Google Earth
rio Meia Ponte
rio Meia Ponte
Pivô para irrigação
Segundo Goiás (2006c) a captação industrial trás dois impactos para o rio: o primeiro na retirada da água para a atividade industrial, e o segundo quando ocorre a devolução dos efluentes, pois mesmo tratados, as cargas remanescente exigem do rio uma capacidade de autodepuração, as vezes acima de sua capacidade. Isso foi constatado segundo reportagem veiculada no jornal O POPULAR do dia 26 de outubro de 2011, informando que existe indústria que mesmo sendo multada insiste em lançar seus efluentes industriais no rio Meia Ponte, pois o valor da multa muitas vezes é insignificante em relação ao investimento que terá de ser feito para sanar a irregularidade (O POPULAR, 2011).
Imagem 4 - Pivô para irrigação município de Pontalina – Google. Acesso 15/10/2011
Fonte: Google Earth
rio Meia Ponte