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EDUCAÇÃO, DESENVOLVIMENTO LOCAL E MUDANÇA SOCIAL

O museu como pólo de desenvolvimento local – Museu/Escola de Rendas de Bilros de Vila do Conde

Capítulo III– Museus e Desenvolvimento Local 77

“O mundo da contemporaneidade (…) [é] um mundo de cultura em movimento, de hibridação, em que sujeitos e objectos se desvincularam de localidades particulares para se reconfigurarem num espaço e tempo globais” (Anico, 2005:72). Os museus actualmente, como muitas outras instituições de carácter cultural semelhante (bibliotecas, parques temáticos, etc.) têm que acompanhar estas transformações sociais que vão ocorrendo na sociedade actual e cujas consequências se fizeram sentir também no campo cultural, afectando inevitavelmente as instituições museológicas.

Factores como o aumento da procura pelas actividades culturais resultantes da ascensão das classes médias e do crescimento do turismo; a crescente diversidade cultural que têm emergido nos vários contextos fruto de uma maior circulação e emigração de comunidades que a globalização intensificou, a par da revolução tecnológica e o surgimento da Internet, acabaram por resultar numa proliferação, ampliação e diversificação dos museus e seu âmbito, donde terão surgido uma série de novas funções e potencialidades.

3.1 – O Museu e suas Funções Sociais

O museu é assim, no contexto actual, considerado como sendo um espaço sócio-educativo privilegiado, dotado de elementos históricos e culturais que pretendem não só contribuir para a construção e consolidação de uma identidade nacional ou local, como também podem conduzir ao diálogo e interacção interculturais, numa sociedade cada vez mais caracterizada pela diversidade e plurireferencialidade.

Na perspectiva de Margarida Faria33 (Faria, 2003:2) as funções sociais que actualmente se podem atribuir aos museus decorrem directamente de uma série de necessidades, também estas sociais, que foram emergindo e se consolidando ao longo dos tempos.

O museu é hoje em dia encarado como um espaço educativo e também social, na medida em que pode promover interacções com outras culturas, outros tempos, outras experiências que são extremamente significativas no processo de construção e entendimento do presente, através daquilo a que se pode chamar uma certa “impregnação social”.

33 Professora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e investigadora auxiliar no Centro de Etnologia Ultramarina - Departamento de Ciências Etnológicas e Etno-museológicas - Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT).

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Esta potencialidade educativa, muito à semelhança da primeira socialização, deverá acontecer também no museu de uma maneira informal e correspondendo a um nível imediato de vivência e experimentação, complementar com os restantes momentos de formação que o indivíduo ao longo da sua vida adquirindo e integrando.

Mas, para além desta função educativa e daquelas que há muito tempo o museu garante de constituição e conservação de colecções com utilidade social, a autora destaca outras funções que foram surgindo e que actualmente assumem igual importância, nomeadamente a necessidade/função identitária; de sociabilidade; de participação cívica; de solidariedade; de inclusão multicultural; de informação e finalmente, a necessidade/função de aquisição/transmissão de conhecimentos de modo crítico e multireferenciado (Faria, 2003:5).

A ‘função identitária’ que se pode atribuir ao museu ou a outras instituições de carácter cultural (qualquer que seja o seu formato ou conceito) advém do facto de estas poderem colaborar no processo complexo de construção de uma identidade local, pessoal, profissional e até nacional, uma necessidade que qualquer indivíduo ou comunidade pode apresentar, propondo uma organização e interpretação dos elementos representativos e simbólicos do seu legado histórico, cultural, religioso, ideológico, social, etc.

É através das exposições que “(…) a cultura ganha raízes num contacto permanente entre o passado e o futuro, num diálogo (…) entre a tradição e o movimento (…)” (Stanislas cit. in Desvallées, 2003:12), ou seja, através do valor representativo inerente aos objectos, imagens, testemunhos documentados e textos recolhidos e preservados, os museus podem contribuir de forma importante para a materialização e concretização de inúmeros fenómenos e/ou acontecimentos que permitem assim, uma melhor compreensão, interiorização e amadurecimento das transformações que historicamente ocorreram e daquelas que ainda poderão ter lugar, e que poderão ser integrados na vivência do presente.

Por outro lado, é preciso ter a consciência de que inerente ao processo de apresentação de uma exposição ou colecção está sempre subjacente uma selecção prévia, e política, da memória que é invocada.

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Ao modelo cultural e à prática museológica implícita nas actividades e iniciativas desenvolvidas nos museus de uma forma geral, ou em cada museu mais especificamente, está subjacente um certo poder associado ao ‘imaginário social’ construído e às ‘relações simbólicas’ simuladas e sugeridas, que são inevitavelmente ideológica e politicamente (en)formadas (Chagas e Santos, 2002: 42).

“As instituições que tratam da preservação e difusão do património cultural, sejam elas arquivos, bibliotecas, museus, galerias de arte ou centros culturais, apresentam um determinado discurso sobre a realidade. Compreender esse discurso, composto de som e silêncio, de cheio e vazio, de presença e ausência, de lembrança e esquecimento, implica a operação não apenas com o enunciado da fala e suas lacunas, mas também a compreensão daquilo que faz falar, de quem fala e do lugar de onde se fala” (Idem).

Perante um certo “(…) enfraquecimento da consciência cívica como resultado de um desacreditar das instituições políticas, de um (…) retraimento no espaço doméstico e do desaparecimento dos tradicionais espaços de sociabilidade (…)” (Faria, 2001:5), os museu poderão funcionar como substitutos dos antigos locais de encontro e de convívio de que as comunidades tanta falta sentem, assumindo assim a função da promoção das ‘sociabilidades’ que foram progressivamente desaparecendo com o ritmo completamente avassalador e cada vez mais individualista/solitário que a sociedade globalizada actual imprime.

Ainda segundo a mesma autora, as funções de ‘participação cívica’, ‘solidariedade’ e ‘inclusão multicultural’ também podem contar com a participação dos museus, uma vez que estas instituições são pólos privilegiados de interacção inter-pessoal e inter-cultural proporcionando momentos de conhecimento mútuo entre as culturas locais, as urbanas e as consideradas minoritárias ou recém chegadas, resultado da livre circulação de indivíduos, no sentido de ultrapassar o potencial problemático que frequentemente aparece associado à diversidade cultural, proporcionando desta forma espaços de convergência e entendimento.

As restantes funções que podem ser atribuídas e reconhecidas aos museus prendem-se com a sua evidente capacidade de manter o cidadão informado, mediante os seus interesses, num processo constante de (re)contextualização e de potencialização da aquisição/transmissão de conhecimentos de forma crítica e interpelativa.

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A possibilidade de por em contacto “(…) as diferentes culturas que compõem o tecido social (…) e a possibilidade de encontro dos diferentes grupos no espaço do museu é, simbolicamente, o reflexo de uma política mais global de inclusão que pode ter repercussões muito positivas (…)” (Faria, 2001:5). Assim, a função comunicativa passa a ser uma das maiores preocupações dos museus na actualidade, estando inerente a praticamente todas as outras funções, como afirmou Eilean Hooper-Greenhill “(…) os museus devem [têm] que comunicar ou morrer” (Hooper-Greenhill cit. in Garcia, 2003:158).

No sentido de se tornarem espaços de comunicação por excelência capazes de suscitar a participação activa e interacção com o conhecimento e património cultural e social, os museus terão que desenvolver uma linguagem que possa ser entendida pelos diversos intervenientes, desde o público a que se destina aos parceiros que mobiliza, capaz de abranger cada vez mais leituras da realidade e promover o diálogo.

Desta forma, será possível assegurar ao sujeito uma visão cada vez mais abrangente e informada, susceptível de gerar um posicionamento mais esclarecido e crítico face às mais variadas questões que surgem do quotidiano, e por isso mesmo potenciador de uma maior intervenção e participação activa na vida social.

Para fazer face ao contexto de certa forma instável e em transformação que caracteriza os mais diversos sectores das actuais sociedades, também o património e aquilo que se considera como sendo património sofreu transformações, mais especificamente, ampliações na sua construção social, cultural e política, passando a abranger não só os edifícios e monumentos, como também pequenas aldeias, paisagens, reservas naturais, portanto vastos territórios. As novas exigências da sociedade e dos actores sociais relativamente a estes espaços culturais vão também elas evoluindo, e ao museu exige-se não apenas a revitalização da história e do passado, mas também como já se referiu, uma atitude de escuta e interpelação.

O museu permite desta forma interrelacionar o passado exposto e o presente que é vivido em-contexto na medida em que “(…) passado e presente são construídos em relação um com o outro (…) [de tal forma que] (…) o presente seria diferente se derivado de um passado diferente, tal como o passado seria diferente se construído num presente diferente. Os contextos passados e presentes movem-se dialecticamente em relação um ao outro (…)” (Hodder cit. in Raposo, s/d:2).

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Assim, e no sentido de acompanhar a evolução do conceito de património cultural e de certa forma, para garantir a preservação das memórias das comunidades e dos lugares onde estas vivem e se movimentam – suas paisagens sociais e naturais – e tendo em conta que estes são factores essenciais para o processo de construção, manutenção de identidades, surgem algumas novos conceitos de museu que parece interessante conhecer.

3.2 – O Museu e seus Novos Conceitos

Em termos cronológicos, aquele que se poderá considerar como sendo o primeiro novo conceito de museu terá sido o que foi abordado na declaração de Quebeque, e que depois foi adoptado e proliferou em variadíssimos projectos ao longo de toda a Europa a partir dos anos 80. Terá surgido no seio do Movimento da Nova Museologia (já abordado no capítulo inicial) que propõe uma visão inovadora, de certa forma revolucionária e criativa, de encarar as instituições museológicas, alargando o seu âmbito e os seus princípios fundamentais, a que se convencionou designar de ecomuseu.

Os ecomuseus ou museus comunitários, como são por vezes designados, não se confinam apenas a um edifício específico, mas constituem-se enraizando-se no espaço/território mais abrangente por referência à comunidade onde se implantam, que passa a ser o eixo central.

Isto é, a apropriação do património pela comunidade tendo em conta a importância da sua história e memória locais passa a ser fundamental para os processos de implementação e dinamização deste tipo de museus.

Neste sentido, os ecomuseus/museus comunitários organizam-se não só sob uma perspectiva de mera conservação cumulativa, mas “(…) sob uma perspectiva de valorização (…) pois o património cultural tem uma valor de antiguidade, (…) um valor de continuidade; a valorização dos objectos, não pelo seu valor estético, mas sim enquanto documento etnográfico e de testemunho da história social e humana; a importância do contexto simbólico dos objectos (…); das identidades locais e da autenticidade dos lugares e das tradições” (Carvalho, 2001:5).

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Por outro lado, este novo conceito de museu que pode ajudar na divulgação dos valores ecológicos e na consciencialização colectiva da sua importância para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento das sociedades – que é hoje mais virado para a evolução técnica e económica – e sobretudo das comunidades locais, podendo potenciar, de uma forma mais activa, o desenvolvimento de uma postura que terá de ser cada vez mais comunitária. Leia-se comunitária por referência à recuperação do sentido de pertença a uma comunidade, e que conte com a colaboração estreita entre as comunidades e as entidades oficiais e/ou de cariz sócio-cultural.

Na medida em que é concebido a partir da partilha e participação das comunidades e seu património integral, que desejavelmente asseguram a criação e gestão do ecomuseu, o sentimento de ‘apropriação’ e responsabilização pelo seu próprio património possibilita a construção e reforço da autonomia e identidade das comunidades envolvidas, tal como o desenvolvimento de respostas cada vez mais adequadas às necessidades culturais específicas do local, sem no entanto esquecer a importância do seu enquadramento a um nível mais global.

Assim, a ecomuseologia “(…) é entendida por Georges Henri Riviére como um espelho onde a população se contempla para aí se reencontrar, espelho que oferece igualmente aos seus visitantes para melhorar se fazer compreender, mediante o seu trabalho, as suas condutas e a sua intimidade” (Fernandes, s/d:15).

De acordo com a evolução das sociedades, outras concepções de museu terão emergido, mais propriamente por referência ao desenvolvimento tecnológico e à influência do surgimento e aplicação das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTIC) já nos finais dos anos 80 inícios da década de 90, e depois mais tarde com o aparecimento da Internet, que se foi expandindo igualmente aos contextos museológicos.

Neste sentido, e a partir dos anos 90 do século XX surge relativamente ao espaço museológico uma nova concepção de museu virtual que passou a marcar o seu lugar no ciberespaço.

Este novo conceito de museu que se foi construindo passou a ocupar alguma centralidade nas actuais preocupações do campo museal, nomeadamente no que diz respeito às características e princípios que permitem a categorização deste novo formato de museu.

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Assim, e apesar de não existir, no âmbito do ICOM, “(…) um comité específico sobre Internet e interactividade nos museus, (…) as discussões sobre as novas tecnologias nos museus são efectuadas pelo seu Comité Internacional de Documentação, o CIDOC – International Committee for Documentation, através de um grupo de trabalho específico sobre o uso da Internet” (Henriques, 2004:1).

Este comité criado em 1992, no decurso do Encontro do ICOM no Quebec, ocupa-se com toda a documentação subjacente e relativa às colecções dos museus, integrando para o efeito conservadores, bibliotecários e todo o tipo de especialistas de informação e com conhecimentos em informática interessados em trabalhar na pesquisa, registo e catalogação de documentos e gestão de colecções.

Todos os membros do CIDOC recebem regularmente informação, no sentido de se manterem actualizados e em contacto, podendo desta forma participar nas conferências anualmente promovidas assim como em reuniões e grupos de trabalho, em torno de todas as questões relacionadas com a informação, herança patrimonial, multimédia ou Internet, etc.34.

Neste âmbito, e depois de alguma discussão acerca daquelas questões, preparou-se um documento onde constam uma série de normativas, que só passados quatro anos foi possível concluir, sendo no entanto considerado algo insuficiente na medida em que apenas esclarece algumas “(…) questões fundamentais sobre multimédia e a preservação do património através do uso das novas tecnologias nos museus (…) [dizendo] muito pouco sobre o uso da Internet nos museus” (Idem:2).

Ainda neste contexto, e perante alguma confusão e incerteza relativamente à questão dos museus na Internet, o próprio ICOM terá integrado recentemente na sua definição de museu “(…) a actividade digital criativa dos centros culturais e outras entidades que facilitem a preservação, continuação e gestão de recursos relacionados com a herança tangível e intangível. (…) [Assim, e de] uma forma simplificada pode-se considerar o museu virtual como uma colecção de artefactos e recursos de informação electrónicos” (Cabral, 2003:8-9).

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Para melhor perceber aquilo que está implícito no surgimento de mais esta concepção inovadora de museus, e no sentido de diferenciar os diversos formatos que entretanto se foram desenvolvendo e que neste momento se apresentam disponíveis na Internet, Maria Piacente reuniu e definiu, três tipologias: o ‘folheto electrónico’, o ‘museu no mundo virtual’ e o ‘museu realmente virtual’ (Piacente cit. in Henriques, 2004:3).

O ‘folheto electrónico’ funciona, como o próprio nome indica, como um folheto de divulgação do museu físico contendo basicamente informação relativa às suas actividades, contactos, horário de funcionamento, etc., tendo como principal objectivo a apresentação do museu. “Este tipo de site funciona como uma ferramenta de comunicação e de marketing. (…). É o tipo mais comum em quase todos os museus (…) [sendo que] a Internet funciona como uma forma de tornar o museu mais conhecido e também possibilitar um acesso mais fácil pelos utilizadores da rede mundial de computadores” (Henriques, 2004:3).

O ‘museu no mundo virtual’ implica uma apresentação mais pormenorizada do museu físico, com mapas de localização e informação relativa às exposições e colecções que este possui, sendo muitas vezes utilizado para arquivar exposições que já não estão em exibição ou para expor objectos que por diversos motivos não se encontram disponíveis ao público no museu, através de bases de dados interactivas35 (Idem:3-4).

Finalmente, pode-se encontrar sites, que se poderão encaixar na última categoria sugerida pela autora e que se refere a ‘museus realmente interactivos’, que por um lado apresentam e reproduzem os conteúdos expostos no museus físico, ou que por outro constituem-se como museus completamente diferentes daqueles que lhe deram origem.

35 “Nesta categoria podemos encontrar alguns sites de museus brasileiros e portugueses. Entre eles destacamos o site do Museu Nacional de Arqueologia, tutelado pelo Instituto Português de Museus de Portugal. Além de todas as informações pertinentes a um site de museu, o MNA possui uma visita virtual ao seu acervo, onde é possível conhecer todas as secções expositivas do museu. Além disso, algumas peças do acervo foram seleccionadas e podem ser visualizadas em três dimensões. É possível comprar on-line os produtos da loja do museu, ou seja, o site também presta serviço de e-commerce para o museu. O site do MNA não se restringe às actividades do Museu mas é também um site de informações e referências sobre arqueologia em Portugal. Premiado pela UNESCO em 2002 com ‘Web Art d'Or’, de melhor site de museus do mundo, o Museu Nacional de Arqueologia é um bom exemplo de um site de museu no mundo virtual” (Henriques, 2004:4).

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A grande vantagem dos museus desenvolvidos no âmbito da Internet, prende-se com o facto de, sem perderem muitas das características dos museus físicos, poderem adquirir novas funcionalidades, referentes sobretudo ao alargamento da sua interactividade com o público. Mas a coexistência de ambos os formatos, electrónico e físico, de forma independente é possível, assim como muitas das vezes é conseguida a sua complementaridade.

O museu virtual, não é então “(…) a reprodução de um museu físico, mas um museu completamente novo, criado para traduzir as acções museológicas no espaço virtual (…)” (Idem:7). Esta distinção permite de certa forma, separar os sites de museu, daquilo que são na realidade museus virtuais.

Mas ainda nesta perspectiva, há autores que fazem uma outra distinção, nomeadamente entre museu virtual e cibermuseu, que parece interessante reflectir e problematizar aqui. Para Bernard Deloche, “(…) o museu virtual é um museu paralelo, aberto às novas sensações (…), é uma nova concepção do mesmo património, apresentada de forma virtual (…).O museu virtual é um espaço virtual de mediação e de relação do património com os utilizadores (…), um museu (…) complementar que privilegia a comunicação como forma de envolver e dar a conhecer determinado património” (Idem).

Enquanto que os ‘cibermuseus’, onde se podem englobar os sites ou os CD-ROM’s, apenas se constituem como “(…) reproduções on-line do acervo ou parte do acervo de um determinado museu” (Ibidem), este novo formato de museu, que vai estando disponível aos cibernautas, constitui-se então, num espaço virtual, interactivo que apesar de possuir como referência o museu físico, seu tema e exposições, acaba por propor uma série de outros elementos e actividades só possíveis nesta versão verdadeiramente virtual.