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Cadernos de Esporte do dia 12 de setembro de 2010 (domingo)

5. A ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

5.4. Notícias sobre futebol

5.4.2. Cadernos de Esporte do dia 12 de setembro de 2010 (domingo)

Manchetes do Agora:

Fluzão vacila e cai nos acréscimos

Nova geração tricolor testa sua força contra Botafogo

Saudades do Palestra

Dodô salva a Lusa

Manchetes da Folha:

Palmeiras agoniza fora do Parque

Golaço de Douglas derruba Corinthians

Sem Ganso, Santos vê o meio falhar

Uma característica muito marcante nas notícias de futebol do jornal Agora é o fato de ser utilizado, na maioria das vezes, o nome popular dos times de futebol, o que pode ser percebido nas manchetes acima: Timão (1ª manchete), Fluzão (2ª manchete), Lusa (5ª manchete), acentuando a informalidade desse veículo de comunicação, assim como o termo “Tricolor”, também comumente usado pelo jornal (e pelos aficionados por futebol) Essa estratégia aproxima o jornal de seu leitor, dando a impressão de que foi um comentário feito por “amigo”, o que configura a marca de oralidade no texto. Em contrapartida, o jornal Folha escolhe, em suas manchetes, os nomes oficiais dos clubes, produzindo o efeito de formalidade, apesar de ter utilizado o termo coloquial “golaço” para dar maior ênfase à manchete (comentado mais a baixo).

Além disso, no jornal Agora, encontram-se tarjas de destaque em todos os títulos. Esse fato acentua o caráter sensacionalista do jornal, em que os títulos aparecem, contrapondo-se à sobriedade dos títulos da Folha, em negrito, sem cor alguma.

O uso de metáforas gírias como “segura” (1ª manchete) e “vacila” (2ª manchete) atraem o leitor em virtude de sua fácil compreensão, uma vez que tais termos fazem parte da linguagem popular. Já a utilização do termo “salva” (5ª manchete) enfatiza o estilo hiperbólico do jornal, que acaba por atrair seu enunciatário, às vezes, nem tanto pela notícia em si, mas pela forma exagerada de noticiá-la. Na 4ª manchete, percebemos, ainda, o tom afetivo e emocional no título tanto pela palavra “saudades” quanto pelo termo “Palestra” – para designar o nome do estádio do Palmeiras e também para mencionar o antigo time palmeirense (o antigo “Palestra”) –, produzindo o efeito de subjetividade e cumplicidade do jornal para com seu leitor.

Na data em questão, das três notícias sobre futebol publicada no jornal Folha, as duas primeiras apresentam, em menor grau do que o jornal Agora, aspectos que marcam a oralidade do texto, como o uso do termo “agoniza” – para enfatizar os maus resultados do time do Palmeiras quando joga fora de seu estádio –, o termo “golaço” – destacando o gol que marcou a vitória do time – e “derruba” – termo figurativo que refere a derrota do time corinthiano.

Outro aspecto importante a ressaltar é o espaço dado ao futebol nessa edição do jornal Agora, que apresentou dez matérias relacionadas ao tema (das quais mencionamos cinco manchetes) e três outras matérias (em menos de meia página) sobre motociclismo, fórmula Indy e natação. Já a Folha, em seu caderno de esportes, apresentou três matérias sobre o tema, além de textos de três colunistas da área (colunas assim não têm no jornal Agora) e matérias sobre ciclismo, natação, fórmula Indy e motociclismo – estas bem simples, sem muitos detalhamentos. Além disso, a Folha apresentou, ainda, uma matéria sobre a preparação do Brasil para sediar a Copa do Mundo. Isso comprova que, por ser o jornal Agora, um jornal popular, ele dá maior ênfase nesse caderno ao esporte mais popular do Brasil – o futebol.

Em síntese, percebemos, novamente, que nas manchetes não há tanta diferença entre um jornal e outro. Tanto o Agora quanto a Folha, por publicarem notícias sobre futebol, o esporte mais popular do país, acabam em suas manchetes usando termos coloquais e gírias futebolísticas, recorrendo, ambos ao recurso da oralidade. A Folha, nesse caso específico, acaba por se afastar de seu padrão jornalístico, aproximando-se mais das características do Agora.

A seguir, analisaremos uma das notícias das manchetes apresentadas acima:

Agora:

Grêmio segura Timão

Marcos Guedes

O Corinthians tinha 100% de aproveitamento como mandante no Brasileiro. O Grêmio não vencia uma partida como visitante na competição havia mais de um ano. E quem resolveu mudar tudo na formação foi o Corinthians.

Poupando Roberto Carlos e Ronaldo, Adílson apostou em um 3-6-1 distorcido, sem ala esquerdo. A equipe fez um mau primeiro tempo, levou um golaço de Douglas e perdeu por 1 a 0.

Nem o pênalti – desperdiçado por Iarley – e a expulsão de Vilson levaram o Timão ao empate na etapa final. O alvinegro pressionou muito, construiu várias chances, mas ficou nos 38 pontos, três atrás do líder Fluminense.

Mesmo com seis jogadores no meio-campo, o Corinthians perdeu o setor por conta da desorganização. E perdeu também o cabeça de área Ralf, que se machucou e deu luagar a Boquita.

Os visitantes tinham a bola, mas não criavam grandes chances. Até Douglas se aproveitar da indecisão dos volantes, colocar a bola entre as pernas de Paulo Andrá marcar um golaço, aos 34 min.

Após o gol, o timão passou a agredir mais, mas a falta de organização se tornou ainda maior. E Júlio César teve de trabalhar bem para impedir gol de Borges, saindo nosa pés do atacante tricolor.

Na etapa final, Danilo entrou no lugar de Moacir, e Elias passou a aturar pela direita. Um pouco mais ordenado, o Timão partiu para cima.

A equipe reclamou pênalti aos 12 min e conseguiu aos 13 min, com direito a expulsão de Vilson. Mas Iarley conseguiu desperdiçar a cobrança e uma chance na sequência.

A partir daí, a pressão ficou total. O Grêmio tentou se fechar, e o Corinthians se abriu de vez, com Defederico no lugar de William.

As chances apareceram. Após linda jogada de Jucilei, em jornada muito superior à de todos os companheiros, Bruino César quase marcou.

Defederico e Iarley também estiveram perto da rede, mas não era o dia do Timão. Pela primeira vez no Campeonato Brasileiro, a Fiel torcida deixou o estádio do Pacaembu cabisbaixa.

Golaço de Douglas derruba Corinthians

Ex-jogador do time do Parque São Jorge acaba com aproveitamento caseiro 100% da agremiação paulista Martín Fernandez

O Grêmio estava prestes a completar um ano sem ganhar fora de casa. O Corinthians somava dez vitórias em dez jogos como mandante no Pacaembu.

Os dois tabus caíram ontem, quando o time gaúcho venceu por 1 a 0, com um golaço de Douglas. A única alegria corintiana ontem veio do placar eletrônico, que anunciou a vitória do Atlético-GO sobre o Fluminense.

A distância em pontos entre os times que disputam a liderança do Campeonato Brasileiro continua a mesma -41 a 38 para o time do Rio.

Não chegou a haver uma vaia, mas foi grande a decepção no Pacaembu quando o nome de Iarley foi anunciado antes do jogo. Nada contra o camisa 21 (pelo menos até ali), tudo contra a ausência de Ronaldo. O técnico Adilson Batista havia dito que eram "grandes" as chances de o Fenômeno jogar.

Mas tanto o centroavante quanto o Roberto Carlos foram poupados contra o Grêmio. Quarta-feira, às 22h, o Corinthians enfrenta o Fluminense no Engenhão.

A ausência do camisa 9 foi mais sentida pela torcida. Mas, para o time, fizeram falta mesmo os laterais. Sem Roberto Carlos e Alessandro (suspenso), o Corinthians não mostrou contundência.

Adilson escalou o zagueiro Leandro Castán na vaga do lateral-esquerdo, e Moacir no lugar de Alessandro. Alterações que mudaram, para pior, a forma de o time jogar.

O Corinthians tinha uma linha de três atrás. Moacir, na ala direita, não contribuía no ataque nem na defesa.

No outro lado, houve um rodízio de jogadores tentando fazer a função de Roberto Carlos. Ninguém conseguiu.

Por dentro, o time também não funcionava. Elias e Bruno César paravam em Ferdinando e Adilson, volantes gremistas.

E o Grêmio saiu na frente, quando aos 35min do primeiro tempo, o ex-corintiano Douglas entrou na área driblando e chutou colocado para abrir o placar.

No intervalo, Adilson Batista mudou tudo. Mandou Danilo para a ala esquerda, encostou Elias na direita e sacou Moacir. Melhorou.

Numa tabela pela esquerda, Bruno César disputou com Vilson e caiu. Pênalti e expulsão do beque gremista.

Iarley bateu mal e Victor defendeu. Na sequência do lance, Iarley recebeu livre na pequena área e desperdiçou de novo: Rafael Marques salvou em cima da linha

O Corinthians ainda tinha 30 minutos de jogo com um a mais, no estádio onde tinha 100% de aproveitamento até ontem. Adilson não guardou nada: tirou o zagueiro William e pôs Defederico.

Os 25 minutos finais foram um jogo de ataque contra defesa, de tensão e vaias no Pacaembu. A única alegria veio do placar eletrônico.

O texto da notícia, nos dois jornais, é construído de forma enunciva, pois os veículos de comunicação, ao optarem pelo narrador em 3ª pessoa, não deixam as marcas da enunciação explícitas no texto, produzindo o efeito de sentido de distanciamento em relação ao enunciado e enunciatário.

Observamos, nas notícias, que os dois títulos trazem marcas da oralidade: o uso metafórico do verbo “segurar” na notícia do jornal Agora e o termo “golaço”, que enfatiza a oralidade e o desfecho da notícia, além do verbo “derruba”, também utilizado de forma figurativa, no jornal Folha. O recurso da oralidade, em maior grau, é evidenciado, no jornal Agora, pelas escolhas lexicais, que exageram nos termos futebolísticos e coloquiais.

Termos como “alvinegro”, “Timão”, “tricolor” misturam-se no texto com os nomes oficiais dos times de futebol no jornal Agora. Essa escolha pelos nomes populares assegura a cumplicidade e a interação entre jornal e leitor, como se realmente fosse uma “roda de conversa entre amigos” após uma partida de futebol. Já a Folha utiliza apenas os nomes oficiais dos times (Grêmio, Fluminense, Atlético-GO, Corinthians), mantendo o distanciamento de um texto objetivo.

O jornal Agora utiliza em maior grau os termos próprios da linguagem futebolística e coloquial: mandante, resolveu mudar, 3-6-1 distorcido, ala esquerdo, meio-campo, pressionou muito, cabeça de área, volantes, bola entre as pernas, tinham a bola, agredir mais, perdeu o setor, atacante, atuar pela direita, desperdiçar a cobrança, a pressão ficou total, tentou se fechar, se abriu de vez, linda jogada, quase marcou, perto da rede, Fiel torcida – interagindo com o leitor, como se estivesse realmente narrando uma partida de futebol, marcando o texto com aspectos da oralidade, envolvendo o leitor com essa linguagem popular.

A Folha utiliza em menor grau esse recurso, mantendo-se mais distante de seu leitor, produzindo o efeito de objetividade de um texto jornalístico, apesar de narrar um acontecimento esportivo tão popular. Os termos utilizados – centroavante, laterais, escalou o zagueiro, lateral-esquerdo, linha de três, ala direita, volantes gremistas, chutou colocado, ala esquerda, tabela pela esquerda, beque gremista, bateu mal, pequena área, em cima da linha, ataque contra defesa – têm a função de especificar dentro da atmosfera do futebol o que ocorreu. São expressões próprias desse meio, não tão coloquiais como as que o jornal Agora São Paulo apresentou.

O texto da Folha é estruturado em 16 parágrafos (com 442 palavras/2.187 caracteres), sendo a maioria de períodos compostos. Em relação aos períodos coordenados, predominam as orações aditivas (e chutou colocado/disputou com Vilson e caiu/Iarley bateu mal e Victor defendeu/e desperdiçou de novo) e as adversativas (mas foi grande a decepção no Pacaembu/mas, para o time, fizeram falta mesmo os laterais). Quanto às orações subordinadas, destacam-se as adverbiais temporais (quando o time gaúcho venceu por 1 a 0/quando o nome de Iarley foi anunciado) e as adjetivas (veio do placar eletrônico, que anunciou a vitória/os times que disputavam a liderança/no estádio onde tinha 100% de aproveitamento).

No jornal Agora, o texto é estruturado em 11 parágrafos (com 338 palavras/1.618 caracteres), predominando os períodos compostos por coordenação, com destaque para as orações adversativas (mas ficou nos 38 pontos/mas não criavam grandes chances/mas não era o dia do Timão) e as aditivas (e perdeu por 1 a 0/e marcou um golaço/e conseguiu aos 13 min).

Em resumo, nas notícias apresentadas, não foram notadas muitas diferenças entre os dois jornais. Agora e Folha apresentam textos enuncivos, o que de certa forma, deveria produzir o efeito de distanciamento. Porém ambos os jornais utilizam vocábulos populares e termos próprios da linguagem futebolística, o que aproxima e cativa seu leitor. Nesse caso, os dois jornais acabam por apresentar termos recorrentes da oralidade, provavelmente, por ser o futebol tema próprio das conversas atraindo pessoas de todas as classes e níveis sociais.

Concluindo o que foi apresentado neste tópico, percebemos que, no caderno de esporte, a Folha acaba por apresentar marcas de oralidade, em razão de se referir a um esporte popular, porém em menor grau que o jornal Agora, que, praticamente em todas as manchetes, faz uso dos recursos que o tornam mais próximo da oralidade. O texto do jornal Agora é sempre mais conciso do que o da Folha, que procura detalhar mais o assunto. O recurso da oralidade também se faz presente, especificamente, no caderno de esportes da Folha, porém em menor grau que o Agora. Algumas manchetes da Folha apresentam a mesma oralidade que o Agora, a grande diferença é que, no Agora, os times nãos são tratados pelos nomes oficiais e sim pelos nomes populares, como são conhecidos pela torcida e aficionados por

futebol. Já a Folha, embora nesse tema acabe ousando muito com cores e imagens, acaba por continuar a usar o nome oficial dos times.