CAPÍTULO XXXI Do Evangelho dos Ebionitas
CAPÍTULO XXXIII Evangelho de São Barnabé
No livro Atos dos Apóstolos da Bíblia canônica Barnabé aparece como defensor de Paulo perante os demais apóstolos, como se lê, no capítulo 9 versículo 27. Ora, Paulo foi um terrível algoz dos primeiros seguidores de Cristo antes da sua conversão. Sabe-se que ele foi a Damasco, onde foi convertido e batizado para prender e levar a Jerusalém todos aqueles que ele encontrasse, homens e mulheres pelo caminho seguindo Jesus Cristo. Sem embarco, na viagem a Damasco Jesus teria conversado com ele no caminho sobre o motivo da sua perseguição aos discípulos e seus seguidores. Depois desse incidente, Paulo começou a pregar sobre o Filho de Deus nas sinagogas em Jerusalém, más os discípulos, a princípio não acreditaram em sua conversão, somente com a interseção de São Barnabé e que ele foi aceito. No mesmo livro no capitulo 11 e versículo 26 São barnabé vai a Tarso procurar Paulo, criando uma díade para pregarem o evangelho em Antioquia, para onde ele havia sido enviado após a morte de Estevão.
Apesar da miopia secular de muitos estudiosos sobre o assunto, se o texto escrito por Lucas- Atos dos Apóstolos- se for de fato verdadeiro, então fica evidente que o Evangelho de Barnabé, se de fato existiu como dito acima, não foi escrito pelo Barnabé histórico, as evidências internas no livro Atos dos Apóstolos falam por si só. Ao se aquilatar as evidências do fragmento italiano medieval do Evangelho de Barnabé, pode-se notar nitidamente que o manuscrito foi compilado por um escriba árabe com o intuito de difundir a visão islâmica sobre Jesus. Isso mostra claramente porque o mundo islâmico ou boa parte dele acredita que o Evangelho de Barnabé é mesmo autêntico, no entanto, apesar do texto salvaguardar a importância de Maomé sobre Jesus, o autor cometeu um erro grasso, afirmando que Maomé é o
João. A meu ver, a descrição mais curiosa do texto se refere á prisão e crucificação de Judas no lugar de Jesus, pareceu-me um esforço patológico do autor para descredibilizar a versão canônica da paixão de Cristo. Por outra parte, de fato, é uma idéia bastante curiosa que merecer uma certa dose de reflexão. É muito difícil tenha ignorado o desespero de Jesus e levado seu projeto maluco de salvar a humanidade até as últimas consequências.
A fim de que o dileto leitor possa tirar suas próprias conclusões acrescento abaixo esta parte da narrativa como se lê na copia no Museu de Viena, Áustria.
1. No momento em que os judeus se preparavam para ir prender Jesus no Jardim das Oliveiras, ele foi arrebatado ao terceiro Céu.
2. Porque ele não morrerá até o fim do mundo e crucificaram Judas no lugar dele.
3. Deus permitiu que o discípulo traidor se parecesse aos judeus até o ponto de que seu rosto parecesse ao de Jesus, e por isso os judeus o prenderam e o entregaram a Pilatos.
4. Aquela semelhança era tão grande que até mesmo a virgem Maria e os apóstolos foram enganados por ela.
5. E, no dia que se publicou o decreto do Grande Sacerdote, a virgem Maria voltou a Jerusalém com Tiago, João e eu (Barnabé).
O texto deixa claro que Judas foi preso e julgado como se fosse Jesus pelos sacerdotes anciões. Embora Judas tenha negado veemente que ele não era Jesus os judeus não acreditaram nele, afirmando que assim como ele havia enganado o povo com os
seus falsos milagres, ele estaria tentado se passar por Judas. O autor acrescenta ainda que Judas estava tão parecido com Jesus, que nem Maria mãe de Jesus e os discípulos perceberam que o traidor estava sendo crucificado no lugar de Jesus.
Esse trecho do Evangelho de Barnabé por si só mostra claramente de como o autor tinha uma mente poderosa e criativa. Penso que nem o lunático cineasta Steven Spielberg, tampouco o polêmico Mel Gibson ou até mesmo o autor Dan Brown seriam tão criativos a ponto de imaginar tal cena.
A malgrado de boa parte dos teólogos do mundo árabe, aceitar o texto medieval do Evangelho de Barnabé como autentico, não há uma convergência no tocante de quem realmente escreveu o texto.
Alguns teólogos de dentro do Vaticano creditam o texto espúrio do Evangelho de Barnabé a um escriba árabe desconhecido. O calhamaço resultante da tradução do texto inglês de Lonsdale e Laura Ragg pendurado no meu Office/rancho como se fosse um romance de Cordel me fez compreender porque os teólogos do Vaticano defendem essa tese. O primeiro versículo diz que antes que Jesus fosse preso e crucificado Ele foi levado ao Céu.
A idéia de que Jesus não foi crucificado é uma crença consolidada no mundo islâmico, como descreveu o Dr.M.H. Al Johani no seu livro The Thuth about Jesus.61 No entanto defende que outra pessoa teria sido crucificado no lugar do Cristo. Ele diz que os interpretes do Alcorão até sugerem alguns nomes, mas que o Livro Sagrado dos muçulmanos não menciona nada desse tipo. O versículo 2 do Evangelho de Barnabé menciona que Judas foi crucificado no lugar de Jesus. Apesar da estranheza que tal idéia pode causa no mundo cristão esse argumento não chega ser um disparate. Penso que se tal idéia tivesse passado por um momento sequer pela cabeça dos teólogos do concilio de Nicéia do século
condizente com tudo aquilo que o Alcorão diz do Messias. E, isso me remete ao capítulo 4:157 do Alcorão que eu havia lido algumas semanas antes de traduzir o texto do casal de estudiosos Raggs.
O capítulo mencionado acima do Alcorão diz: “e os judeus se gabam dizendo: Nos matamos Jesus Cristo, o filho de Maria, o mensageiro de Allá, mas eles não o mataram, nem o crucificaram...”.
O fato é que o Alcorão no ocidente é quase um livro desconhecido e, portanto essa ideia de que Jesus não foi realmente crucificado nem passa pela cabeça da maioria dos católicos e protestantes. Como sempre, a história verdadeira quando é contada aparece mesclada com a realidade e ficção e neste caso não tem sido diferente.
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