• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULOXXVIII Do Evangelho de São Bartolomeu

CAPÍTULO XXVI Do Evangelho Segundo Pedro

CAPÍTULOXXVIII Do Evangelho de São Bartolomeu

1. Após a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, Bartolomeu foi ter com o Senhor e o questionou, dizendo: Senhor, revele a mim os mistérios dos céus.

2. Jesus respondeu e disse-lhe: Até que eu abandone este corpo, não poderei dizê-las a ti.

Estas são as palavras inícias do autor do Evangelho segundo Bartolomeu escrito por volta do ano 200 A.D. O manuscrito original em grego não existe mais, porém, como a maioria dos livros tanto canônicos como apócrifos, muitas cópias foram sendo produzidas durante séculos, fortunadamente, algumas podem ser objeto de estudos pelos grandes papirólogos e historiadores nos mais conceituados museus mundo afora. As cópias disponíveis atualmente com maior reputação entre os estudiosos são do IV século para o texto grego e VI ou VII para a cópia latina.

O texto do Evangelho segundo Bartolomeu, cujo verdadeiro autor é desconhecido, representa mais uma das inúmeras tentativas de respaldar o papel proeminente que outros discípulos de Jesus tiveram, tanto no convívio com Jesus Cristo, como pregando o evangelho do Reino em outros lugares, fora da Palestina. Como se sabe, Bartolomeu era um dos doze discípulos escolhidos por Jesus Cristo mencionado pelos autores dos evangelhos sinópticos, e também mencionado em Atos dos Apóstolos.

Teria nascido em Caná, na Galiléia, próximo a Nazaré, foi apresentado a Jesus por Filipe a despeito de todo o seu ceticismo no Cristo. O discípulo Bartolomeu, segundo se observa em alguns documentos antigos teria pregado o evangelho na Índia, Irã, Síria e na Grécia ao lado do companheiro Filipe e teria morrido em Albanopoles, Armênia.

Ele foi decapitado por ordem de Astiages, irmão do rei Polímio por volta do ano 51 da Era Comum. Embora o texto não tenha sido escrito pelo próprio Bartolomeu, alguns teólogos acreditam que ele foi à fonte que o autor usou para compilar o manuscrito pouco tempo depois da morte de Jesus ainda na segunda metade do I século.

O tema central do evangelho construído sobre o personagem Bartolomeu parece ser os mistérios que envolvem Jesus no momento da crucificação, haja vista que, Bartolomeu confessa ao próprio Cristo que viu os anjos descendo do céu para adorá-lo e que o viu desaparecer da cruz, enquanto ele o observava de longe. No contexto do evangelho esse episódio se refere à Descida de Jesus ao Inferno também mencionada no Evangelho de Nicodemos.

É de salientar que o autor descreve a descida de Jesus ao inferno atendendo ás suplicas do arcanjo Gabriel para retirar Adão e todos aqueles que estavam com ele naquele lugar. Do ponto de vista teológico tal afirmação chega ser um disparate, porque em nenhum momento os evangelistas dos textos canônicos fazem alguma alusão a algo desta natureza. O ingesante esforço do autor do Evangelho de Bartolomeu parece ter sido descomunal para eternizar a imagem do seu personagem. Apesar do texto apresentar aspectos surreais, boa parte da temática desenvolvida pelo autor, é análoga aos demais evangelhos e outros escritos da época.

No entanto, o curioso é que o autor deste evangelho confunde Maria Madalena como a mãe de Jesus, talvez pelo fato de que a vocábulo MAGDALA em aramaico quer dizer cabeleireira, e

Haja vista que, os primeiros cristãos desconheciam totalmente personagem Maria Madalena igualmente intrigante defendida por alguns autores liberais, de que ela seria irmã de Lazaro e Marta, sendo uma rica fidalga dona do castelo de Magdala.

No entanto, o evangelista João no capítulo 11 diz que Maria, Marta e Lázaro são do povoado de Betânia. Logo, Maria Madalena ou de Magdala não poderia ser a mesma Maria irmã de Lázaro, se ela fosse de uma vila chamada Magdala. Por outro lado, parecer haver fortes indícios que apontam Maria, a irmã de Lázaro, como a provável prostituta da qual a Igreja mulher muito conhecida na vila pela sua vida pecaminosa.

Embora, o médico Lucas não tenha dito textualmente que ela era uma “prostituta” o texto parece dizer exatamente isso nas entrelinhas. Os tradutores da Versão King James traduziram Lucas 7:39 da seguinte forma:

v.39. Now when the Pharisee which had bidden him saw it, he spake within himself, sayning, This man, if he were a prophet, would have known who and what manner of woman this is that touchet him: for she is a sinner.

A tradução me levar a crer que, pela descrição que o autor faz desta mulher, ela era realmente uma prostituta. Só que nem o historiador Lucas nem os tradutores da KJV dizem isso. Por

apresentam leituras diferentes, todavia os tradutores da versão bilíngüe árabe-francesa me pareceram mais coerentes com a idéia que o fariseu tinha daquela mulher. Compare:

v.39. Quand le Pharisien qui avait invite Jésus vit cela, il se dit en lui-même: Si cet homme vraiment un propheté, il saurait qui est cette femme que lui le touche et ce qu’elle est: une femme de mauvraise réputation.

Além do mais, os eruditos da tradução bilíngüe dizem no final do versículo 39 que ela era – une femme de mauvraise réputation – isto é, uma mulher de má reputação. Já os eruditos do Mr. Lancelot dizem que - she is a sinner, i.e., ela é uma pecadora.

A idéia de uma mulher com uma má reputação no século I só faria certo sentido se ela fosse efetivamente uma adultera ou prostituta, ao passo que, não me pareceu adequado o termo

“pecadora” porque de certa forma essa palavra não tinha à época a conotação que tem hoje. É óbvio que o pecado dela era a fornicação. Então, é provável que, a pecadora de Lucas - é Maria a irmã de Lázaro descrita pelo historiador São João evangelista. Nos dois primeiros evangelhos canônicos seus autores narram esse mesmo episódio dizendo que Jesus foi ungido em Betânia por uma mulher ou uma certa mulher na casa de Simão, o leproso. Não é curioso que somente João que não é um dos sinopistas saiba o nome desta mulher que os demais tiveram um certo “pudor” ao descreverem esse fato sobre ela.

Por outro lado, se os estudiosos que defendem a tese de que

caso, o autor é o primo de Jesus – João, filho de Zacarias e Isabel o qual vivenciou o dia -a- dia da pregação do Messias.

Posto assim, é provável que ele tenha presenciado a cena de uma “pecadora” ungindo Jesus com o jarro de alabastro de perfume que Marcos se refere no capítulo 7: 37, porém João diz textualmente que essa “certa mulher” se chamava Maria.

Após aquilatar os relatos que os evangelistas canônicos fizeram sobre a pecadora do jarro de alabastro e Maria Madalena descrita no Evangelho de Filipe a conclusão não poderia ser mais óbvia. A poderosa influência espiritual que Maria Madalena passou a exercer após a morte do Mestre como sua discípula maior que chegou a se enraizar até o século III foi aniquilada totalmente pela Igreja na sua ardilosa campanha difamatória contra ela.

Os vínculos que Jesus tinha com Lázaro e suas irmãs, mostra claramente que Jesus nutria um sentimento especial pela família de Lázaro, talvez porque sua ligação com Maria fosse uma prostituta, de fato, ela já estava lá no Novo Testamento só que não era Maria Madalena.

Naturalmente que no decorrer dos séculos houve um “ajuste”

para que Maria madalena fosse rotulada como prostituta e, por conseguinte fosse esquecida. Desnecessário dizer que, os eclesiástas do I século sabiam do perigo que essa duas Maria representavam para o futuro do Cristianismo que vinha sendo construído segundo os ditames do apóstolo durão Pedro.

Assim, 300 anos mais tarde a Igreja resolveu o problema, ou

como diria os polidos teólogos de Cambridge “ killed two birds with one”. Isto é, Maria de Betânia se tornou uma personagem coadjuvante quase que sem importância no texto canônico e Maria madalena a escolhida por cristo para dar continuidade no seu ministério foi rotulada como a prostituta Maria que certamente era bastante conhecida à época de Jesus.

CAPÍTULO XXIX