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Do Evangelho da infância de Jesus segundo Tiago

Na epístola de Paulo aos Gálatas pode se observar que naquela época já circulavam outros evangelhos sobre a vida de Jesus e sua mensagem do reino de Deus. O apóstolo Paulo alerta os primeiros cristãos acerca do perigo destes evangelhos, por não serem, a seu ver, verdadeiros, como aqueles que viam sendo ensinados nas sinagogas até então. Com efeito, não me acho mal avindo aqui ainda que de maneira sucinta comentar a respeito do evangelho da infância de Jesus segundo Tiago.

Este evangelho considerado como apócrifo pelas autoridades religiosas e, portanto excluído do canôn, teria sido escrito no século I da E.C. No entanto, parecer não haver uma data dada como certa, sendo que as autoridades no assunto têm opiniões bastante divergentes. Se os críticos que defendem o primeiro século como a provável data de compilação deste manuscrito estiverem certos, então este texto seria o primeiro a descrever a infância do menino Jesus.

Por conta disso, os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João lançaram mão deste manuscrito em hebraico para compor seus evangelhos. Razão para essa afirmação é que, o manuscrito é rico em detalhes sobre os episódios que envolvem a adolescência de Jesus que foi descrito vagamente pelos demais autores canônicos.

O texto é considerado legitimo por ser conhecido pelos Pais da Igreja, dentre eles Clemente e São Justino. Se bem que, alguns teólogos discutem a respeito da autenticidade do texto e do autor.

Carpinteiro. E, mais: neste caso, o pai de Jesus não seria co-autor do evangelho, mas que seu livro foi acrescentado às memórias de Tiago posteriormente.

O texto parece focar mais no nascimento milagroso de Maria mãe de Jesus e sua trajetória de vida do que mesmo no próprio menino Jesus. Se o livro de Tiago como o texto também e conhecido foi realmente escrito por ele ou não, parece agora ser pouco relevante, visto sua importância como um documento histórico. O processo de tradução desse documento tem sido vital para aclarar vários pontos de controvérsia século afora, que sem ele seria impossível resolver. O primeiro aspecto positivo deste manuscrito é que ele descreve o processo de formação da família de Jesus detalhadamente que sempre foi marginalizada nos demais escritos.

Ainda que, os evangelistas tenham mencionado em algumas passagens sobre a família do Rei dos Judeus a real dimensão dos vínculos familiares é bastante obscura. Ana a avó de Jesus era uma mulher estéril e deu à luz a Maria da mesma forma que Maria viria a dar à luz a Jesus, fruto da intervenção divina. O avô Joaquim era um rico fazendeiro, que apesar de pagar seu dízimo em dobro, se sentia injustiçado por sua mulher ser seca.

O texto confirma a tese de que Maria deu à luz sendo virgem.

Posto que a parteira Salomé tocou Maria para averiguar o sinal de sua castidade e a mão dela foi queimada, atestando sua pureza.

Depois disso, ela se desculpou e rogou a Deus para que fosse perdoada por tão grande atrevimento e ao tocar o menino as queimaduras desapareceram milagrosamente. Por certo esse foi o primeiro milagre performado por Jesus diferentemente daqueles que foram realizados no período de sua pregação e mencionados na Bíblia.

Não há como negar a relação existente entre os quatro evangelhos canônicos e o livro de Tiago. A visita dos reis magos mencionados no Evangelho de São Mateus faz parte do texto, assim como a visita de Maria a Isabel, todavia a descrição do nascimento de Jesus numa caverna contraria a versão da popular manjedoura onde teria vindo á luz o Rei dos Judeus. Creio ser importante ressaltar também que, o texto responde cabalmente

acreditaram que Tiago, José, Simão e Judas eram irmãos do mesmo ventre. Mas, o capitulo 9.1 narra que José Carpinteiro era velho e viúvo e já tinha 6 filhos, quatro homens e duas mulheres, quando recebeu a jovem Maria com 16 anos, após ter servido no templo dos 3 aos 12 anos como um sinal de agradecimento pela promessa feita por sua mãe Ana dando-lhe á luz.

O texto de Tiago nos dá a entender que Jesus tinha de fato outros irmãos como a Bíblia canônica fala, mas que não são irmãos de Jesus por parte de mãe como argumentam alguns autores bíblicos mais conservadores. E, esse fato por si só já resolve um problema bem antigo dos historiadores da Bíblia que nunca conseguiram dar respaldo a tese de São Jerônimo que sempre insistiu que os irmãos de Jesus mencionados em Mateus 12. 46-50, Marcos 3.

31-35 e Lucas 8. 19-21 não eram realmente irmãos legítimos de Jesus.

Além disso, o próprio texto de Tiago refuta a teoria de inúmeros eruditos que sustentam a tese de que Tiago teria se passado por Jesus nos episódios em que Jesus apareceu ressureto. Estes autores fantasiam que Tiago por ser muito parecido com Jesus ocupou o seu lugar enquanto Jesus se recuperava dos ferimentos na cruz. Segundos estes autores, Jesus teria escapado dá crucificação com a ajuda de José de Arimáteia que era muito amigo do procurador Pilatos. Basta lembrar que o texto canônico do Novo Testamento diz no capítulo 23. 50-54 do Evangelho de Lucas que:

“Il y avait un homme appelé Joseph, qui était de la localité juive d’Arimathée, cet homme était bon et juste, et espérait la venue du Royaume de Dieu. Il était membre du Conseil supérieur, mais n’

avait approuvé ce que les autres conselliers avaient decide et fait.

Il allá trouver Pilate et lui demanda le corps de Jésus. Puis il

Pode até parecer uma dedução grosseira afirmar que tal fato tenha se passado com base nesse texto. Mas, não resta a menor duvida de que é bastante inteligente supor que José de Arimatéia tenha realmente conseguido retirar Jesus antes que ele morresse asfixiado pregado na cruz. Talvez com uma certa dose de delírio é um pouco de conhecimento sobre o século I E.C. não seja tão difícil imaginar José de Arimatéia descendo Jesus Cristo ainda vivo da cruz e inventando um falso Enterro para o seu amigo.

Haja vista que os criminosos que eram pregados em troncos de arvores (pois não havia crucificação da maneira que se vê nos filmes da Paixão de Cristo) na entrada de Jerusalém muitos deles permaneciam vivos por muitas horas, e ninguém ousava ajudar um único que fosse, embora o local não fosse vigiado pelos soldados romanos.

É, razoável supor que Jesus também tenha sido abandonado lá até que José de Arimatéia chegasse. Os discípulos de Jesus fugiram porque eles estavam sendo perseguidos pelos oficiais da guarda romana conforme se lê no próprio texto canônico, apesar de afirmar que o discípulo que Jesus mais amava estava perto da cruz (Jo 19 26-27). Ademais, o Evangelho de Marcos que é o texto mais antigo dos quatro evangelhos diz apenas que algumas mulheres observavam de longe, entre elas Maria, a mãe de Jesus.

É possível dizer que os soldados romanos não permitiram aproximação de nenhum dos seguidores do tal “Rei dos Judeus”

por temer algum tipo de revolta, e é bem certo assegurar que nem mesmo a mãe do crucificado pode chegar perto dele.

Ela deve ter assistido a todo aquele horror, se é que assistiu de uma distância bem confortável. E, mais: nem os discípulos nem a mãe de Jesus esperava que o corpo de Jesus lhes fosse entregue, uma vez que eles sabiam que os criminosos apodreciam ali perdurados como um lembrete a todos os viajantes que chegavam a Jerusalém. Logo, pode-se dizer que ninguém viu o suposto corpo de Jesus sendo levado por José de Arimatéia (talvez com a ajuda de alguns empregados seus) para ser enterrado no túmulo da sua família.

Pelo que se sabe, a família de Jesus parecia não apoiar a sua

tenham realmente resolvido a apoiar a causa, no entanto, mais por uma razão política do que por acreditar na missão de Jesus.

Certamente lhes pareceu um bom momento para atormentar ainda mais o poderoso império invasor. Nesse santiámen da história entre em cena Tiago o irmão de Jesus como seu sósia. Ele começa a aparecer de forma inesperada às pessoas ligadas ao circulo de Jesus e depois aos discípulos e em seguida desaparece para sempre. Um plano perfeito.

Esta é a chave do mistério do corpo de Jesus jamais ter sido encontrado. Há provas documentais históricas que comprovam que Tiago assumiu o movimento político-religioso do seu irmão supostamente crucificado em Jerusalém à época de seu desaparecimento como o fundador da igreja em Jerusalém. Nesse caso, Tiago não teria como se passar por Jesus se ele não fosse efetivamente irmão legítimo de Jesus.

CAPÍTULO XXII