SUSTENTABILIDADE, PRINCÍPIOS E INDICADORES: SUBSÍDIOS PARA ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS LOCAIS DE
ITEM PRINCÍPIOS DESCRIÇÃO
10. Capacidade Institucional: Definir clara responsabilidade para poder apoiar constantemente o processo de tomada de decisão Assegurar capacidade
institucional para a coleta de dados, sua manutenção e documentação. Apoiar o desenvolvimento da capacitação local de avaliação.
Os princípios de Bellagio foram concebidos para processos de avaliação do desenvolvimento sustentável, de processos existentes de quaisquer instituições. Também podem orientar a definição de conjuntos de indicadores para monitorar políticas, planos e programas de desenvolvimento local sustentável. Esses princípios estão relacionados entre si e orientam a elaboração de indicadores de sustentabilidade.
Um indicador deve reduzir o número de medidas e parâmetros necessários para descrever determinada situação e simplificar o processo de informação através do qual os resultados dessas medidas chegam ao usuário final. Um indicador é um parâmetro ou valor derivado de parâmetros que fornecem informações sobre determinado fenômeno (OECD, 1993).
De acordo com Hammond et al. (1995), a diferença entre indicador, índice e princípios é que, indicadores e princípios são informações que se originam de dados primários e analisados. O índice consiste num simples número gerado da agregação de dois ou mais valores, podendo ser esses valores os próprios indicadores. Um exemplo da formação de um índice pela agregação de indicadores é o índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
São exemplos de indicadores a expectativa de vida em um país, o acesso à água tratada, o PIB, consumo de água per capita, taxa de mortalidade infantil, reservas energéticas, entre outros. Para analisar a sustentabilidade são também utilizados indicadores, comparando-se a situação atual, com a passada e a futura desejável. Portanto na questão da sustentabilidade o indicador serve como parâmetro, informando se a situação está mais condizente com a sustentabilidade que uma suposta situação anterior ou com padrão estabelecido.
A dificuldade que surge é como incorporar os conceitos e princípios da sustentabilidade em sistemas locais de tratamento de efluentes sanitários residenciais e realizar a sua análise, com base em indicadores. Grande parte dos sistemas de avaliação de sustentabilidade existentes enfatizam a dimensão ambiental, utilizando indicadores e
critérios de desempenho para basear sua avaliação. O desafio cresce quando se considera a análise da sustentabilidade desses sistemas.
De acordo com Gibson (2005), a avaliação da sustentabilidade com base nos “três pilares” (social, econômico e ecológico), tem sido uma forma importante para organização de grande parte da informação relevante. Problemas, que por definição, não se encaixam ordenadamente em qualquer um dos três pilares e que exigem respostas que procuram múltiplas contribuições que se reforçam mutuamente para uma mudança positiva na prática. A abordagem tridimensional é muitas vezes acompanhada por uma suposição de que sustentabilidade é sobre equilíbrio, o que contraria tanto as ideias-chave sobre a interdependência de fatores e da necessidade de apoio mútuo em avanços todas as frentes.
As metodologias de avaliação de sustentabilidade devem abordar as dimensões econômicas, sociais e ambientais. Portanto a análise dos sistemas deve englobar os seres humanos, as sociedades e as economias e incluir o componente intergerações e levar em conta o horizonte de tempo de transição para a sustentabilidade (PIORR, 2003).
A proposta de Thérivel (2004)4
1. Identificar objetivos da AAE, indicadores e metas;
para Avaliação Ambiental Estratégica, citado por Duarte (2013), representa uma sequência de etapas baseada na Diretiva Europeia de AAE (EUROPEAN PARLIAMENT, 2001), que incorpora questões ambientais e de sustentabilidade nos processos decisórios de nível estratégico. As etapas são:
2. Descrever a base de referência ambiental, incluindo tendências futuras; identificar questões relevantes e problemas existentes;
3. Identificar relações com outras ações relevantes;
4. Identificar alternativas (mais) sustentáveis para lidar com problemas existentes ao mesmo tempo em que atende os objetivos da ação estratégica;
5. Preparar o relatório da etapa de definição do escopo e realizar consulta aos atores;
6. Prever e avaliar impactos das alternativas, comparar alternativas e propor medidas mitigadoras para a alternativa selecionada;
7. Escrever o relatório final da AAE, estabelecendo diretrizes para sua implementação; 8. Realizar consulta pública;
9. Monitorar impactos ambientais/de sustentabilidade da ação estratégica;
A autora enfatiza a importância do desenvolvimento de um diagnóstico adequado, que identifique as questões relevantes da região e dê subsídio ao desenvolvimento de alternativas. Grace e Pope (2011)5
QUADRO 1.5: Abordagem sistêmica para planejamento, avaliação e gestão de sustentabilidade, de acordo com
Grace e Pope (2011) (Fonte: DUARTE, 2013, p.117).
propõem, citados por Duarte (2013), com base na teoria dos sistemas e na resiliência, etapas detalhadas para planejamento, avaliação e gestão para a sustentabilidade, conforme apresentado no Quadro 1.5.
ETAPA DESCRIÇÃO
Estabelecimento de uma estratégia para engajamento dos stakeholders
Uma abordagem de governança colaborativa é essencial para a gestão de um SES e para orientá-lo para metas de saúde e resiliência, e é fundamental para a concepção e execução de todas as etapas subsequentes do processo. A estratégia deve envolver dois tipos de atores: atores institucionais e da comunidade residente no local em questão.
Definir o escopo e fronteiras do SES
Para determinar os limites adequados para a gestão adaptativa na escala espacial proposta (região/cidade), é necessário entender as interações em cada uma e entre escalas com relação à comunidade, o ambiente construído, a economia e os ecossistemas.
Estabelecer objetivos de sustentabilidade
O objetivo primordial da sustentabilidade de um “sistema socioecológico saudável e resiliente” é proposto como uma bandeira sob a qual os diferentes atores e partes interessadas se unem. Esses objetivos definem a direção em longo prazo da estratégia de gestão adaptativa e estabelecem o contexto para a análise.
Descrever o estado atual – Onde estamos agora?
Como em qualquer análise, a obtenção de fatos e opiniões sobre a situação existente e como ela se deu é fundamental para entender o estado do sistema.
Usando os objetivos dos subsistemas e as interações entre os subsistemas como um modelo de relatório, o estado atual do SES em questão deve ser descrito em uma linha do tempo, conforme a proposta de Resilience Alliance (2010).
Modelagem do sistema
A natureza e o grau de detalhe do modelo do sistema dependerão das circunstâncias em que a análise está sendo realizada, incluindo a complexidade do sistema e a informação e recursos disponíveis para a construção do modelo.
Limiares
A essência da avaliação da resiliência é a identificação de limiares que regem a transição entre estados alternativos estáveis em um SES. Limiares são susceptíveis de ser ultrapassados se uma ou mais variáveis-chave atingir um nível crítico. Quando o conhecimento sobre o sistema é pobre, então o princípio da precaução deve ser aplicado. É importante lembrar que os valores dos principais stakeholders são muitas vezes os principais determinantes nas decisões sobre os limites serem ou não ultrapassados.
5 GRACE, W.; POPE, J. An Integrated Systems Approach to Sustainability Planning, Assessment and