5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS
5.4 Relação entre comprometimento, entrincheiramento e a noção agency-community
5.4.6 Cargo com comprometimento e entrincheiramento
Na Tabela 24, mostra-se a relação entre o comprometimento e seus construtos com a variável cargo.
Tabela 24 - Relação entre comprometimento e construtos com o cargo
COMPROMETIMENTO AFETIVO (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 0,00 50,00 40,00 50,00 60,00
Médio 0,00 3,47 25,95 42,77 74,05 53,76
Superior 0,00 0,00 29,63 44,00 70,37 56,00
GERAL 0,00 2,24 27,16 42,91 72,84 54,85
COMPROMETIMENTO INSTRUMENTAL (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 10,00 50,00 40,00 50,00 50,00
Médio 3,05 9,25 21,37 49,71 75,57 41,04
Superior 0,00 21,33 18,52 52,00 81,48 26,67
GERAL 2,47 12,69 21,60 49,63 75,93 37,69
COMPROMETIMENTO NORMATIVO (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 55,00 75,00 35,00 25,00 10,00
Médio 8,40 52,02 55,73 42,77 35,88 5,20
Superior 7,41 41,33 66,67 46,67 25,93 12,00
GERAL 8,02 49,25 58,02 43,28 33,95 7,46
Fonte: Dados da pesquisa.
Analisando-se a dimensão afetiva, no geral, nota-se que, em relação aos cargos que ocupam, os servidores totalizaram os maiores percentuais, em ambas as instituições, na variável alto, com 72,84% para a UFMA e 54,85% para a UFSM. Destacam-se, nesse cluster, praticamente os mesmos percentuais predominantes distribuídos, no nível médio, na UFMA (74,05%), e no nível de apoio, na UFSM (60,00%).
Nessa relação, evidencia-se que a maioria dos servidores das duas instituições, desde os que ocupam cargos de apoio até os que ocupam os de nível superior, está altamente comprometida com os seus cargos. Para Mowday et al. (1982), o comprometimento afetivo é
identificado a partir da aceitação dos valores, normas e objetivos da organização, por meio do forte desejo de manter o vínculo com a organização e da disposição de despender esforços em favor da organização.
Na dimensão instrumental, a UFMA obteve um percentual de 75,93% de comprometimento alto, com destaque para a predominância dos que ocupam cargo de nível superior, com 81,48% distribuídos neste cluster. A UFSM, por sua vez, traz o percentual de comprometimento médio de 49,63%, no geral, com destaque para os servidores entrevistados que ocupam cargo de nível superior, totalizando o percentual de 52,00%. Esses dados sugerem uma necessidade, que vai de média a alta, entre os servidores das duas instituições, em permanecer na organização na situação atual.
Quanto ao comprometimento normativo, a UFMA apresenta, no geral, um percentual de 58,02% no cluster médio e a UFSM, 49,25% no cluster baixo. O destaque para a UFMA é para os servidores que ocupam cargo de nível médio e para os que ocupam cargos de apoio na UFSM, totalizando 75,00% e 55,00%, respectivamente. Esses números revelam que, em um nível variante entre baixo a médio, os servidores que ocupam cargos nível de apoio, em ambas as instituições, manifestam um sentimento de dever com os objetivos e normas das suas instituições.
De uma forma geral, a relação entre o comprometimento e seus construtos com a variável cargo nos remete às considerações de Meyer e Allen (1997), de que é possível encontrar num determinado indivíduo dimensões diversificadas de comprometimento, como, por exemplo, uma forte necessidade (instrumental), uma forte obrigação (normativo) e um baixo desejo (afetivo) de permanecer na organização, sugerindo a possibilidade de existir combinação de níveis das três dimensões na composição de um estado de comprometimento organizacional.
Na Tabela 25, apresenta-se a relação entre o entrincheiramento e seus construtos com a variável cargo.
Tabela 25 - Relação entre entrincheiramento e construtos com o cargo
ENTRINCHEIRAMENTO AJUSTAMENTO À POSIÇÃO SOCIAL (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 35,00 50,00 55,00 50,00 10,00
Médio 4,58 38,73 35,88 52,60 59,54 8,67
Superior 11,11 34,66 33,33 54,67 55,56 10,67
GERAL 5,56 37,31 35,80 53,36 58,64 9,33
ENTRINCHEIRAMENTO LIMITAÇÃO DE ALTERNATIVAS (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 25,00 50,00 65,00 50,00 10,00
Médio 4,58 25,43 68,70 68,21 26,72 6,36
Superior 11,11 48,00 51,85 46,67 37,04 5,33
GERAL 5,56 31,72 65,43 61,94 29,01 6,34
ENTRINCHEIRAMENTO ARRANJOS BUROCRÁTICOS IMPESSOAIS (%)
Cargo BAIXO MÉDIO ALTO
UFMA UFSM UFMA UFSM UFMA UFSM
Apoio 0,00 0,00 50,00 50,00 50,00 50,00
Médio 0,76 10,98 24,43 62,43 74,81 26,59
Superior 0,00 16,00 22,22 53,33 77,78 30,67
GERAL 0,62 11,57 24,69 58,96 74,69 29,48
Fonte: Dados da pesquisa.
Analisando-se o entrincheiramento em relação à variável cargo, o fator ajustamento à posição social, verificou-se que a UFMA apresentou, no geral, um percentual de 58,64% de entrincheiramento alto, com destaque para os que ocupam cargos de nível médio, com 59,54% dos entrevistados apresentando alto receio em relação aos ajustes que deveriam fazer para serem reconhecidos em outra organização, conhecer os processos organizacionais e as suas atribuições. A UFSM, por sua vez, apresentou predominância da amostra no cluster médio, com um percentual de 53,56%, com destaque, nesse mesmo cluster, para os servidores que ocupam cargos de nível superior, com o maior percentual (54,67%) dos entrevistados indicando que não considerariam outras opções de trabalho. Isto sugere uma preocupação dos servidores com os investimentos feitos para se adequar às exigências da organização, tais como: programas de treinamento e desenvolvimento, bem como cursos de formação para se adequar ao cargo (BECKER, 1960 apud RODRIGUES, 2011).
No geral, evidenciou-se que, no fator limitação de alternativas, tanto a UFMA quanto a UFSM apresentaram percentuais médios de entrincheiramento (65,43% e 61,94%, respectivamente). Os servidores que ocupam cargos de nível médio, em ambas as instituições,
são predominantes na distribuição deste cluster de entrincheiramento médio, totalizando na UFMA 68,70% e na UFSM 68,21%.
Comparando-se os achados, parece correto afirmar que, no total da amostra, há uma equivalência entre as duas instituições, com relação à limitação de alternativas, o que sugere uma dificuldade moderada dos servidores de nível médio em visualizar outras oportunidades de emprego em outras instituições.
O fator arranjos burocráticos impessoais mostrou, no geral, que 74,69% dos servidores apresentaram um entrincheiramento alto na UFMA, com 77,78% dos servidores que ocupam cargos de nível superior manifestando um alto receio de perder a estabilidade adquirida e outros benefícios. A UFSM apresentou maior entrincheiramento médio na amostra geral (58,96%), com destaque para os servidores que desempenham atividades de nível médio, com 62,43% do percentual distribuído neste cluster. Os percentuais em relação aos servidores da UFMA obtiveram um grau de entrincheiramento mais alto, nesse fator, do que para os da UFSM. Apesar disso, em ambas as instituições, os entrevistados demonstraram uma preocupação com a estabilidade e ganhos financeiros que estariam perdidos caso deixassem a organização (RODRIGUES, 2011).
Quanto ao entrincheiramento e construtos em relação a variável cargo, observou-se que a importância de estudar o motivo de o profissional tornar-se ou manter-se entrincheirado é que, de acordo com Carson, Carson e Bedeian (1995), essas motivações implicam algumas consequências negativas para a organização, uma vez que indivíduos entrincheirados e descontentes com seu trabalho não contribuirão, não se esforçarão e não estarão engajados nos projetos da empresa para a qual trabalham, podendo comprometer seu crescimento e os seus rendimentos.
Dando continuidade às análises do quarto objetivo específico, passa-se a seguir, para as relações entre o modelo agency-community com os dados sócio-demográficos e profissionais.