CAPÍTULO II – A METODOLOGIA DA PESQUISA
2.6 A coleta de dados
Neste estudo, além de utilizar a observação participante, busco subsídios nas narrativas, entrevistas semi-estruturadas, questionário, análise de documentos, gravações em áudio e vídeo e sessões de visionamento, com a finalidade de aprofundar as questões, esclarecer pontos duvidosos, contextualizar as ações, explicitando as crenças da informante a cerca do planejamento de curso e da aprendizagem de LE, assim como possíveis relações entre essas crenças e a prática da professora.
No final do ano letivo de 2006, contatei e recebi autorizações verbais da diretora, coordenadora e da professora, as quais concordaram com a pesquisa. Posteriormente, apresentei os requerimentos de autorização (Anexos E, F e G) os quais foram assinados, confirmando a autorização da pesquisa na sala de Belinha, uma turma de 7º ano (extinta 6ª série), no turno vespertino. Inicialmente, planejei acompanhar a professora durante a semana pedagógica, cujo objetivo é a definição de professores e suas turmas, planejamento coletivo e interdisciplinar e reuniões pedagógicas para formação continuada do professor. No entanto, durante a semana pedagógica, as turmas não ficaram totalmente definidas e o planejamento de curso não foi realizado completamente, somente um esboço.
Porém, logo na primeira semana de aulas – 22 à 26 de janeiro de 2007– regressei ao colégio para iniciar a coleta de dados, que não pôde ser efetuada até 13/02/2007, devido à indecisão institucional quanto ao horário das aulas, professores e suas respectivas turmas. Entretanto, logo que foi definido o horário e a turma na qual a pesquisa seria realizada, tive a oportunidade de questionar a professora a respeito do planejamento que deveria ter sido realizado na semana pedagógica, obtendo uma resposta evasiva. A indefinição do quadro de professores contratados temporariamente adiou o início das aulas de LI, que começaram no dia 09/02/2007. Assim, na semana seguinte (13/02), iniciei as observações das aulas. Imediatamente, pedi permissão para ver o PC de Belinha. Após alguns dias, Belinha me
67 Do original em ingles: “Assuring participants anonymity is an important ethical consideration in this process” (JOHNSON, 1992, p. 145).
entregou o PC, do qual tirei uma cópia, para logo mais, analisá-lo, classificando-o conforme a literatura apresentada no capítulo I.
No início da pesquisa, logo que solicitei o PC a Belinha, percebi leve relutância da professora para entregar-me uma cópia. Houve, ainda, momentos de contradição quanto à elaboração do documento: durante o QE e na N, Belinha disse que o PC era elaborado durante a semana pedagógica. Na EI-2, ela afirmou, porém, que naquele ano, não foi possível fazer o PC em conjunto com outros professores, de maneira interdisciplinar, e que ele foi feito depois da semana pedagógica por ela e a outra professora da mesma série.
Nas primeiras aulas observadas (13/02 à 01/03) foram realizadas, diariamente, notas de campo das aulas de LI, além de gravações em áudio. As gravações em vídeo foram iniciadas após duas semanas (06/03), para que a turma se acostumasse à minha presença e à da câmera na sala de aula. Anterior à elaboração de um questionário a ser respondido pela professora, realizei uma narrativa durante um horário vago da professora (08/03), gravada em áudio, na qual ela falou livremente sobre sua vida, experiência profissional, sua vida acadêmica, frustrações e sonhos. Posteriormente, entreguei-lhe o questionário aberto que Belinha levou para responder e devolveu-o após alguns dias (15/03). Os dois instrumentos (a narrativa e o questionário aberto) mostraram-se eficazes em seus objetivos, fornecendo dados que serão detalhados no próximo capítulo.
No decorrer do primeiro semestre, duas aulas semanais (de 45 minutos cada) foram assistidas, totalizando 21 aulas, sendo que 17 foram gravadas em vídeo e áudio, enquanto outras quatro apenas em áudio. Após algumas semanas (20/03) de observação e gravações, a partir da análise dos instrumentos já aplicados (a narrativa e o questionário aberto), uma EI foi realizada, com o objetivo de esclarecer e confirmar os dados levantados naqueles instrumentos, além de focalizar os aspectos específicos, registrados nos roteiros das mesmas. Decorridas mais algumas semanas, outra EI foi realizada (17/04), porém, dessa vez, o roteiro foi elaborado com o intuito de sondar o PC e seu conteúdo, a tomada de decisões de Belinha antes, durante e depois da elaboração do documento. O objetivo inicial das EI era inferir as crenças de Belinha sobre aprendizagem, abordagem, planejamento e influência de experiências prévias. No entanto, as EI oferecem uma gama de novos objetivos, possibilitando um contato mais próximo entre a Pq e Belinha, o qual evidencia detalhes e sentimentos imperceptíveis no questionário, na narrativa ou na observação das aulas.
De acordo com Johnson (1992, p. 90), “a melhor maneira de conseguir rigor em um estudo de caso é através de fontes múltiplas de dados”68. Para a autora, a triangulação “é a tentativa de chegar ao mesmo significado, através de pelo menos, três abordagens diferentes e independentes” 69(JOHNSON, op. cit., p. 90). Levando em conta os mais recentes paradigmas de pesquisas que envolvem as crenças de professores de LE, os quais confirmam que as crenças são construtos cognitivos e sociais, flexíveis e dinâmicos (BARCELOS, 2000), ponderei que elas seriam relacionadas e estudadas de forma mais profunda, a partir das observações e notas de campo, gravações em áudio e vídeo, além de análise das falas de Belinha durante entrevistas, narrativas e sessões de visionamento e da análise de documentos. Nesta seção, discorri a respeito da coleta de dados, narrando, de forma mais detalhada, os procedimentos realizados antes e durante o período de coleta. Na próxima seção, discuto os procedimentos para a análise dos dados coletados.