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3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.3 Coleta de dados

O estudo de caso requer do pesquisador procedimentos de coleta de dados não rotineiros - como seria esperado em um experimento ou levantamento -, exigindo-se do pesquisador uma interação contínua entre os assuntos teóricos estudados e os dados sendo coletados. Tal fato redunda na necessária flexibilidade do pesquisador de, se necessário e as circunstâncias permitirem, perseguir novas evidências inesperadas e

eventualmente até um novo ‘caso’ para estudo. A despeito desse contexto, é necessário

planejar nos mínimos detalhes a lógica que une as proposições aos dados a serem levantados, bem como os critérios de interpretação e análise (YIN, 2010).

Uma recomendação adicional é de, preferencialmente, conjugar diferentes técnicas de coleta de dados para levantar evidências (FISS, 2009; EISENHARDT, 1989). Sendo assim, foram coletados dados documentais e a partir de entrevistas.

Primeiramente, foram realizadas entrevistas presenciais em profundidade com base em roteiro semiestruturado (GODOI; MATTOS, 2006), derivado a partir do protocolo de estudo de caso (YIN, 2010) 38. Segundo Diehl e Tatim (2004), por meio da entrevista, é possível realizar a averiguação de fatos, identificar planos de ação, motivos conscientes para opiniões, sistemas e condutas. Na visão de Flick (2009) acerca do uso da técnica, é possível estudar pontos de vista subjetivos de grupos sociais. Nesse sentido, os

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No apêndice 1, encontra-se o Protocolo de Estudo de caso e no Apêndice 2 o roteiro-base de questões para a entrevista ou envio aos informantes-chave.

membros da organização, entendida como grupo social, uma vez que são atores relevantes na formação da estratégia da organização, podem determinar a estratégia da organização a tomar as decisões partir de sua percepção acerca do contexto do ambiente de negócios.

A operacionalização da técnica de entrevistas iniciou-se com a preparação de um roteiro de questões baseadas nos objetos e temas definidos no desenho da pesquisa (GIBSON; BROWN, 2009) e com base na literatura (FLICK, 2009). Uma versão preliminar do roteiro de entrevistas empregado foi discutida com um especialista-pesquisador com ampla experiência na área de mudanças climáticas e que já atuou na coordenação das atividades da versão brasileira do GHG Protocol.

No momento da entrevista, as questões do roteiro foram formuladas em uma ordem flexível e em consonância com o contexto e estrutura em que o diálogo se desenrolou (GIBSON; BROWN, 2009). Em geral, deu-se preferência à realização da entrevista em profundidade com os gestores, porém, em dois casos, por pedido dos mesmos, foram enviados questionários com perguntas abertas adaptadas a partir do roteiro de entrevista. O critério para identificar os participantes apropriados para se entrevistar, também conhecido como amostragem das pessoas entrevistadas (FLICK, 2004), foi verificar se a experiência do participante estava relacionada com o assunto em pauta (SEIDMAN, 1991). Com efeito, os participantes em potencial da empresa, preferencialmente, foram os responsáveis pela área ambiental da empresa, conforme apontado por diversos autores em pesquisas abordando a dimensão ambiental de forma estratégica (BANSAL; ROTH, 2000; DELMAS; TOFFEL, 2008; LÓPEZ-GAMERO et al, 2008). Este perfil é importante porque, tecnicamente, este profissional tem conhecimento sobre a estratégia de gestão das mudanças climáticas na empresa e suas questões técnicas e, provavelmente, estaria alinhado com as diretrizes estratégicas da empresa, sobretudo se a função ambiental tem caráter de Diretoria dentro da estrutura organizacional da empresa. Com isso, atender-se-ia o critério de suficiência – profissional com conhecimento de questões técnicas e estratégicas (SEIDMAN, 1991). Em um dos casos, entretanto, não havia a figura de um responsável pela área ambiental, sendo entrevistado um gerente técnico que acumulava algumas dessas funções, bem como o Diretor Geral da empresa.

Adicionalmente, em uma das empresas foi entrevistado também outro membro da empresa com participação ativa em questões relacionadas às mudanças climáticas, de modo que se possibilite a privilegiar a triangulação dos dados e de modo que se observe o critério de saturação da informação, ou seja, quando o pesquisador identifica que não apreenderá nada de novo em uma nova entrevista (SEIDMAN, 1991).

Segundo, foi realizada a coleta de dados documentais (MARTINS; THEÓPHILO, 2007). Preliminarmente, foram coletados dados publicados pela empresa, como forma de direcionar as questões visando a coleta de informações necessárias não disponíveis ou visando aprofundar o entendimento das informações neles contidas. Estes documentos envolveram cartas, registros de reunião, relatórios e websites, a partir de uma sistemática de filtragem analítica, baseada na seleção de documentos pré-existentes da organização, de acordo com os objetivos e problema de pesquisa definidos (GIBSON e BROWN, 2009). A seleção dos documentos foi baseada nos critérios sugeridos por Gibson e Brown (2009), indicados no Quadro 7.

Quadro 7 - Critérios de seleção dos documentos a serem utilizados como fonte de evidência empírica

Critério Elementos

Autoria

 Produção por parte da própria organização ou de organização terceira;  Relacionamento institucional do(s) autor(es) com a organização;  Notoriedade do(s) autor(es).

Tempo Período em que o documento foi produzido.

Público

 Público a que foi direcionado o documento;

 Diversidade ou homogeneidade do público a que foi produzido;  Repercussão do documento entre o público a que se destina.

Alteração Alterações ocorridas no documento e justificativas para tanto. FONTE: Adaptado de Gibson e Brown (2009)

Em complemento, durante as entrevistas, caso fosse necessário e autorizado pelo responsável da empresa, foi requisitado o acesso a outros documentos não disponíveis publicamente.

Ressalte-se ainda que os documentos foram úteis na identificação ou corroboração de elementos mencionados durante a entrevista e, no caso da evidência documental ser contraditória, ensejou uma investigação mais profunda por parte do pesquisador.