ANEXO F – ENTREVISTA COM A COORDENAÇÃO DO PROGRAMA “REDE DE FAMÍLIAS ACOLHEDORAS” DO MUNICÍPIO DE SANTOS
2- Como foi estruturado e implementado o programa?
Inicialmente ele começou sendo discutido pelos técnicos da prefeitura, como num programa da prefeitura. Com as dificuldades que teve com a necessidade de adequação de vários projetos que foram feitos em cima dele, acabou se formando esse Grupo Gestor, então houve uma discussão de todos os abrigos, dos técnicos dos abrigos juntos, a Promotoria da Infância e Juventude, representante da Diretoria Técnica do Poder Judiciário, até ele ficar na formatação atual. E por conta dessa discussão é que ele funciona com este Grupo Gestor> Mas a iniciativa mesmo partiu do Poder Executivo que implantou o Programa.
2.1 - Com relação à institucionalização propriamente dita:
2.1.1 - O programa foi estruturado com base em conhecimentos da ciência ou em experiências anteriores (daqui ou de outro lugar)? Vocês tinham algum conhecimento acumulado sobre esse tipo de programa?
O Programa iniciou com uma campanha “Seja um anjo da guarda”, num movimento de retirada das crianças da institucionalização e de incentivar essa convivência familiar. Ele ficou parado durante algum tempo, em 1998, quando ele voltou, a discussão foi baseada na experiência do Rio de Janeiro, então foi visitado o Programa Família Acolhedora do Rio de Janeiro e uma grande parte da experiência do que eles acumularam lá. A gente ficou uma semana visitando o programa, conhecendo, acompanhando o atendimento, e ele serviu de base para a estruturação inicial do programa aqui. Mas nesse processo de discussão interna e discussão interinstitucional com os outros abrigos que compõe o Grupo Gestor e mais o Poder Judiciário e a Diretoria Técnica, ele foi se modificando, tem algumas linhas básicas, semelhantes à de Campinas, existia uma pressão muito grande para que essas crianças que já estão em abrigo e que são adolescentes fossem incluídas e as famílias extensivas das crianças também pudessem ser famílias acolhedoras, então ele ficou com essa “cara”. Aqui em Santos a família extensiva da criança, quando a razão para que ela não fique com a criança é financeira, não existe nenhum outro obstáculo, a família pode ser tornar uma família acolhedora para aquela criança, que está em abrigo ou em vias de ir para um abrigo, quando o
problema é financeiro, é claro que não pode haver outras razões de maus-tratos ou de qualquer outra falta que essa família possa cometer com relação à criança, então acolhe na família extensiva, avós, tios, irmãos, só que essa família passa por todo o processo, como se fosse uma outra família qualquer, como se não fosse da família da criança, de treinamento e tudo mais, até porque ela vai ter que ter muita firmeza com relação á família de origem, porque essa família é muito próxima, ela sabe onde a criança está, ela sabe onde mora, ela pode ter toda uma invasão com relação à esse espaço, então se mantém inclusive as visitas aqui na seção e a família extensiva é preparada como se fosse qualquer outra família. Sempre que é a família extensiva que vem como candidata à família acolhedora há certa dificuldade nessa avaliação porque é muito difícil perceber até que ponto é só a questão financeira, porque a família tem a obrigação desse cuidado mesmo sendo família extensiva. Então a gente estabelece alguns critérios, um deles é que, se a gente não apoiar, a família vai abrigar a criança, então é aquela situação limite. E também famílias que na avaliação a gente acha que pode receber qualquer outra criança, não só aquela que é seu parente. Então, como critério, ela pode até não vir a receber mais para frente uma criança que não seja com vínculo biológico. Agora o que tem se configurado no programa é que a maior parte das crianças que estão em família extensiva, a guarda vira por tempo indeterminado, a criança não volta para a família de origem, que são situações muito mais graves. E o Programa aqui prevê que a criança possa ficar em família acolhedora até os 18 anos. Prevê que retorne para a família de origem, o esforço é nesse sentido, o principal objetivo é esse, mas em alguns casos, por exemplo, pena de prisão por oito anos, por dez anos, e a criança já está com oito, morte de mãe, e aí de repente o avô não pode ficar porque não tem uma situação financeira que permita e não vai conseguir com o tipo de auxílio que é dado. Por exemplo, nós temos uma tia que está com quatro crianças, a mãe é altamente envolvida com “crack”, de uma maneira que ela não adere ao atendimento, a única vez que a gente conseguiu conversar com ela, ela estava presa, nós fomos à cadeia, por que ela não vem, não adianta chamar, não adianta nada disso. Então nesses casos, se a criança não ficar com aquele avô, ou aquela tia e essa tia não tiver um auxílio - no geral são grupo de irmãos - essa criança vai para o abrigo. Para evitar esse abrigamento, essa família, nesses casos, é considerada família acolhedora, a extensiva... Agora, uma avó que já está cuidando do neto, fica sabendo do programa, vem aqui, quer entrar no Programa porque vai ter o recurso, aí não, a avaliação é dada negativamente. Então, essa avaliação da família extensiva sempre provoca muita dúvida e ela é muito cuidadosa. Só que hoje o Plano Nacional de Acolhimento Familiar considera a família extensiva qualquer pessoa com vínculo afetivo com a criança, não precisa ser parente biológico. Essa família acolhedora tem prioridade sobre as outras, porque para a criança que é o nosso foco, vai fazer bem ela ficar numa família com quem ela já tem laços, sejam biológicos, sejam só de afeto, do que numa família estranha. O sofrimento para ela é muito menor. Então a família sempre que é extensiva, mesmo que não tenha vínculo biológico, ela tem prioridade sobre outras famílias, e é pelo bem estar da criança. Família que não tenha vínculo biológico e é considerada extensiva pelo Plano Nacional de Acolhimento Familiar, são vizinhos que já ficavam com a criança, são comadres, compadres, aquelas pessoas que antes da crise já vinham socorrendo a família de origem da criança (os pais) por um período longo, e a criança já estabeleceu vínculo de afetividade.
2.1.2 - Quais os princípios que nortearam essa estruturação?
É o mesmo princípio do direito à convivência familiar, principalmente, e do investimento na família de origem. Evitar tirar a criança por qualquer razão, principalmente pela questão da pobreza, é de uma certa forma, chamar os pais à responsabilidade. A partir do momento que você tem um filho, você tem o dever do cuidado. O poder da família implica num dever, não só em direitos. Então é chamar a esse dever. É uma das formas de chamar a essa responsabilidade. Então é avaliar essa família no sentido de como as pessoas estão ocupando os lugares dentro da família, e ajudar a reestruturar isso. Porque de um jeito ou de outro as pessoas saíram dos seus lugares quando a família está em crise. A dinâmica está comprometida.
2.1.3 - O programa foi estruturado interinstitucionalmente? Que instituições fazem ou fizeram parte?
Sim, ele é interinstitucional porque conta, além da equipe fixa do programa, a equipe que compõe o Grupo Gestor que são os técnicos de todos os abrigos, representante da Equipe Técnica do Poder Judiciário, conta com a participação muito próxima do juiz e do promotor público, conta com o apoio - prioridade absoluta - quer dizer, antes da implantação do Programa o promotor chamou numa reunião os responsáveis pela saúde, e educação para dar prioridade absoluta de atendimento à crianças do Programa Família Acolhedora com a assinatura de um compromisso de atendimento nos serviços todos que fossem necessários. Então conta também com esses outros serviços da rede de saúde, de educação, outros serviços, da assistência social, caso haja encaminhamento dessa criança para qualquer necessidade. Tanto quando ela está na família acolhedora como quando do retorno para a família de origem. Então é prioridade absoluta no atendimento. Então conta-se com uma rede: o Conselho Tutelar, que faz parte na hora do encaminhamento, da avaliação do caso, se é o caso da retirada, então tem uma ampla rede. A gente tem o convênio com o Estado (...) o Programa tem um psicólogo, um assistente social e um operador social só. E a gente deveria contar com mais um psicólogo porque eu acabo exercendo uma função dupla de coordenação e de psicólogo, que é bastante complicado porque tanto eu tenho que oferecer a escuta quanto por “ordem no barraco”. Então os papéis ficam bastante misturados, o que é bem difícil de... e fica um volume muito grande de serviço também. Mas isso é problema da... os psicólogos concursados não estão assumindo e aí fica... é a parte burocrática ligada ao serviço público.
2.1.4 - Se o programa foi estruturado interinstitucionalmente, como foi feita a divisão de responsabilidades?
A equipe do Programa faz uma primeira avaliação da família acolhedora, candidata a se acolhedora, faz uma visita domiciliar e o relatório dessa avaliação é levado para o Grupo Gestor que discute se essa família vai ser aprovada ou não. O Grupo Gestor se reúne mensalmente, quando há necessidade mais vezes, normalmente uma quinta-feira, a tarde, que é o melhor dia para a maior parte da equipe, mas é de acordo com a necessidade do Programa também. Além da discussão dessas Famílias Acolhedoras o Grupo Gestor discute os casos que estão em acolhimento, os casos onde acontece a destituição ou quando vai retornar, os casos mais complexos, e esse Grupo Gestor, nesse ano, com a verba do convênio do Estado contratou uma supervisão para todo Grupo Gestor. O convênio da FEAS - Fundo Estadual de Assistência Social. Então eu apresentei um projeto que foi
contemplado e nesse projeto foi pedida a supervisão, foi pedido o pagamento de cursos para as famílias de origem, foi pedido a montagem da brinquedoteca, de uma biblioteca e de uma filmacoteca. É um valor “X” que eles mandam por mês que a gente adequa a compra de acordo com esse... no ano foram dados 24 mil, que foram distribuídos nessas coisas. Então, a biblioteca, por exemplo, a gente empresta os livros para as famílias e elas trazem de volta, para ler historinha para as crianças. Para as famílias acolhedoras e quando for o caso, pra família de origem também. É que enquanto está aqui mais próximo a família de origem não está com a criança, entrega para a família acolhedora, no retorno e no acompanhamento, é empréstimo também pra família de origem. E essa supervisão para o Grupo Gestor deve passar a ser quinzenal.
Quem indica o técnico que vai supervisionar vocês que escolhem? Como é feito isso?
É, nesse momento eu fiz uma avaliação de que pra mim seria muito importante o desenvolvimento de critérios para trabalho com família de origem, critérios de avaliação de quando uma família pode ou não ficar com uma criança; que são critérios que não estavam claros para o Grupo Gestor com um todo. E isso também beneficiaria o trabalho dentro do abrigo. Então eu queria uma pessoa que desenvolvesse a escuta dos técnicos, então eu escolhi uma lacaniana, porque a ênfase da escuta dentro dessa abordagem é muito grande; e a pessoa iniciou a supervisão agora... a gente teve dificuldade durante o ano, por conta do processo de contratação (...) supervisão do Grupo Gestor, então é a equipe do programa toda, e todos os técnicos dos abrigos, mais da Diretoria Técnica, todos aqueles que estão juntos dá um grupo de 22 pessoas em supervisão.
E dessa verba o que já conseguiu implantar de fato?
Já teve a compra de alguns livros, alguns brinquedos, ainda tem pra chegar. A gente teve o fornecimento de fraldas para as famílias acolhedoras porque é uma coisa que pesa bastante no orçamento. Fornecimento de passes para as famílias acolhedoras e de origem para as visitas semanais, porque as famílias de origem muitas vezes não vêm porque não tem como pagar o transporte, a gente fornece os passes também para os atendimentos da família de origem, então SENAT, SENIC, todos os atendimentos que essa família precisa, porque elas muitas vezes não aderem a esses atendimentos por falta de recursos para chegar nos locais dos atendimentos, isso tudo já está caminhando. A gente pediu também o enxoval de roupas, quer dizer, enxoval básico, porque na retirada muitas vezes a criança sai com a roupa do corpo e a família acolhedora vai demorar um mês para receber o recurso, então muitas vezes é necessário esse primeiro atendimento em roupas, em coisas desse tipo. E tudo isso é com esse convênio do Estado.
2.1.5 - Quais as medidas de implementação necessárias que precederam a implantação do programa?
Então, foi publicada a Lei do Programa e depois demorou mais ou menos um ano para sair o decreto regulamentando esse programa. Saiu publicação no Diário Oficial do Município. E também assim, a negociação do fluxo do Programa junto ao Poder Judiciário. Porque haveria uma grande dificuldade se houvesse a necessidade de uma avaliação pela Diretoria Técnica se aquela família servia como acolhedora ou não, isso tornaria o processo muito moroso. Porque até passar por essa avaliação lá, com base nos relatórios que já tinham sido feitos, o juiz passou a aceitar a avaliação do Programa e a formar um cadastro de famílias acolhedoras, também assim, com a participação de um representante
da Diretoria Técnica no Grupo Gestor, ele tinha uma segurança maior nessa avaliação, ele passou a aceitar isso como um pré-cadastro dessas famílias. E aí, assim, o fluxo ficou, a gente faz a colocação direta e tem três dias para avisá-lo de que tal criança foi colocada e ele já defere a guarda direto. Então a avaliação é feita pela Equipe Técnica do Programa?
Equipe Técnica do Programa.
Tem mais alguma medida da implementação? O decreto, a lei e a negociação, só isso.
2.2 - Com relação à família guardiã/acolhedora:
2.2.1 - Quem seleciona essas famílias? Qual é a metodologia de seleção e quais os critérios utilizados? Há intervenção do judiciário nesse processo?
A família é selecionada pela Equipe do Programa, a gente faz uma entrevista que é bastante detalhada. Essa entrevista, psicóloga e assistente social, em conjunto, a gente criou aqui um instrumental baseado em alguns dados que julgamos importantes para poder ter alguns critérios. Então assim, o que eu olho na família: como são exercidos os papéis, como são exercidas as funções, como os lugares estão sendo ocupados dentro dessa família, na acolhedora. Então por exemplo, se tem um filho ocupando o lugar de pai, essas relações provavelmente estão comprometidas. Então assim, qual a relação que se estabeleceu entre esses pais e esse filhos. Como se preserva esses lugares. Quais são os direitos que são atendidos. Então esse instrumental está baseado em algumas questões relacionadas a isso?
Você pode fornecer esse instrumental para a pesquisa ou não?
Posso fornecer. Na verdade eu escrevi um texto sobre aquilo que eu considero, de tudo o que eu estudei sobre família, o que eu considero importante para avaliar essa família. E em cima desse texto foi feito esse instrumental de avaliação. Aí é feito uma visita domiciliar, o psicólogo e o assistente social juntos, sempre, e a gente pede (quer dizer, ocasionalmente vai o operador, mas sempre duas pessoas) a presença de todas as pessoas que moram na casa. Então na visita vai ser uma entrevista coletiva, então com todas as pessoas que moram. Não importa se tem uma tia, um avô, quem seja, previamente marcada porque tem que ter a concordância de todos os membros da família. Não dá pra gente colocar uma criança numa família que pai não quer que “não sei quem” não quer pra criar um conflito dentro daquela família. Então é feita essa avaliação coletiva e aí em cima dessa avaliação a gente comunica a família que ela vai aguardar a formação de um grupo de capacitação. Quando se forma um grupo de pelo menos cinco famílias, a gente faz as reuniões onde continua o processo de avaliação, porquê os questionamentos que eles trazem nessas reuniões, a freqüência, o envolvimento que eles têm, tudo isso continua a avaliação e é muito comum a pessoa abandonar na metade da capacitação. Quando ela não sabia muito bem, naquilo que ela estava entrando, na metade da capacitação é abandonado o processo. Terminando essa capacitação, a gente dá a documentação, porque a documentação é a mesma documentação pra adoção. E tudo isso é encaminhado para o juiz e ele faz os apensos no cadastro de Família Acolhedora. Então são as famílias pré-aprovadas no cadastro de Família Acolhedora. Então quando tem a colocação, já está tudo pronto. É um cadastro distinto do cadastro de adoção.
Nessas reuniões que você chama a família para a capacitação, quem tem obrigatoriedade de comparecer?
Quando é casal, o casal. Quando é uma mulher sozinha, ela vem sozinha. Quando ela tem filhos adolescentes, a gente convida que os filhos venham, mas não é obrigatório a participação. Então normalmente são os responsáveis. Quando tem filhos de 18/20 anos a gente deixa aberta a participação porque sabe que eles vão acabar ajudando nesse cuidado. Mas é o casal que tem a obrigatoriedade de comparecimento. Nessa capacitação, na primeira por exemplo, uma das reuniões foi feita pelo promotor. Ele veio falar sobre a questão da guarda, sobre o Estatuto para as famílias acolhedoras, a parte mais legal, veio explicar para as famílias, tudo mais. Na primeira ele veio, depois ele começou a dar aula e como a reunião é feita a noite ele não teve mais condições de vir. Mas a gente tem nessa capacitação, na primeira reunião a gente faz uma nova apresentação do programa, revendo todos os pontos importantes e convida casais que já acolhem pra vir fazer o depoimento. E as pessoas falam um pouco da sua motivação para entrar num programa como esse. No segundo a gente trabalha o bloco família. No terceiro trabalha o bloco criança e questões de desenvolvimento da criança. No quarto bloco, institucionalização. E no quinto é o bloco “legal”. Então aí vem a advogada do Programa que fala sobre a guarda. Existe uma advogada da prefeitura que é do CADOJ (Centro de Atendimento Jurídico e Orientação ao Consumidor) que é outro departamento, que é da secretaria até, mas que dá assistência ao Programa. Então é ela que entra com as petições de guarda e ela que faz a entrada do pedido de guarda, o pedido formal, então toda essa estrutura jurídica, e aí ela vem falar sobre as diferenças entre guarda, tutela e adoção. Os deveres do guardião. Aquilo que o Programa vai exigir. Ela que entrar com o pedido de guarda e despacha com o juiz. Nós temos o subsídio jurídico aí. O juiz falou que só conversaria com advogado. Justamente para ter a questão formal, formalizada, legalizada, o pedido de guarda formal. Apesar de que assim, todas as vezes que eu vou lá e eu preciso conversar ele me chama: “vem cá, nós precisamos conversar do Programa”. Ele tem muito interesse, tem muita disponibilidade para estar conversando.
2.2.2 - Como foi feita a divulgação do programa para que as famílias interessadas pudessem se candidatar?
Num primeiro momento, as primeiras famílias que chegaram vieram encaminhadas pelos Conselhos Tutelares daquelas famílias que eles sabiam que tinham essa disponibilidade, casos que apareciam lá. Aí a gente começa a fazer a divulgação em vários locais, então são palestras que fazem em grupos de comunidade, grupos religiosos, esse tipo de coisa. E aí o juiz conseguiu um espaço na televisão pra gente, pra fazer uma entrevista sobre o Programa, fazer essa divulgação do Programa. Aí eu fui em vários programas de televisão, apareceu reportagens na TV Mar, na Band, na TV Tribuna, apareceram várias reportagens em jornais A Tribuna, no D.O. aí eu fui naquele Arte de Viver, esse programa eu tenho gravado, é uma psicóloga que faz entrevistas para falar sobre o Programa. Então assim, teve alguma divulgação e a partir dessa divulgação começaram a aparecer algumas famílias e mudou um pouco o perfil, passou a ser família mais de classe média alta, com uma condição melhor, porque antes eram famílias mais simples, com menor nível de escolaridade e tal. Agora a gente tem algumas famílias, a maior parte tem, pelo menos uma pessoa com nível superior. Então mudou um pouco o perfil da família acolhedora.
2.2.3 - Como é feita a convocação dessas famílias após elas terem sido aprovadas e