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Computer Integrated Manufacturing Open System Architecture (CIMOSA)

2.4. Modelos e frameworks de Arquiteturas de Sistemas de Informação

2.4.4. Computer Integrated Manufacturing Open System Architecture (CIMOSA)

A CIMOSA é uma arquitetura integrada de computadores que surge no contexto europeu e que se caracteriza por ser uma arquitetura aberta, cujo propósito de criação se prendeu com a definição de um conjunto de conceitos e regras que facilitassem o desenvolvimento e construção de sistemas de manufaturação integrados baseados em computadores. Procurando dar suporte ao ciclo respeitante aos referidos sistemas, esta framework considera as várias fases inerentes, desde a definição de requisitos, à especificação do design até a descrição e execução de todas as atividades operacionais diárias de uma empresa (Schekkerman, 2004). Segundo o mesmo autor, os grandes objetivos do desenvolvimento desta

framework passaram, por um lado, pela definição de uma plataforma de análise de requisitos envolventes

à organização e migração destes para o sistema de informação da mesma, de modo a que as funções e processos organizacionais estejam de acordo com estes mesmos requisitos. Por outro lado, é objetivo desta framework a definição de uma arquitetura de referência que contenha um conjunto limitado de elementos que permitam dar suporte aos requisitos organizacionais previamente identificados. Logrados estes dois objetivos, devem estar reunidas as condições para que os fluxos de produção possam ser simplificados, os tempos de produção possam ser reduzidos e a qualidade do processo de produção possa ser incrementada à medida que a organização se vai progressivamente adaptando as necessidades do mercado, conferindo deste modo à organização características competitivas tão importantes como o são a flexibilidade e a adaptabilidade.

Esta framework acaba por assentar grande parte da sua visão de uma organização no conceito de isolamento. É aplicando este conceito às diferentes componentes de uma organização que se procura potenciar a flexibilidade e adaptabilidade da mesma. Aplicando este conceito ente a representação para o utilizador e a representação do sistema potencia-se a diminuição do impacto de mudanças, promovendo a capacidade de a organização modificar o seu comportamento como objetivo de se alinhar com os objetivos de mercado. Por outro lado, aplicando o mesmo conceito ente a área de controlo e a área funcional, torna-se possível rever o comportamento organizacional de modo a conseguir corresponder a determinada mudança sem que seja necessário para isso alterar as potencialidades funcionais da organização. Ainda sob outra perspetiva, ao aplicar o conceito de isolamento entre a área funcional e a informação, é possível potenciar a eficiência e eficácia em atividades de integração, aplicação de portabilidade, interoperabilidade e manutenção (Schekkerman, 2004).

No que respeita ao aspeto estrutural da Arquitetura de Sistemas de Informação, esta framework considera três grandes dimensões a enunciar, Generalidade (Generality), Modelo (Model) e Observação (View), que combinadas perfazem um cubo de três dimensões modelo característico da framework como é representado na Ilustração 6 (Centre of New Technologies, 1999). Para cada uma destas dimensões são definidos ainda diferentes níveis de modelação, como pode ser visto na Ilustração 6. Em termos de Generalidade são contemplados dois níveis de modelação distintos, o Nível Genérico, que dá o seu enfoque a grandes componentes da organização, e o Nível Parcial onde devem ser construídos vários modelos específicos de determinada necessidade ou propósito, sendo o nível particular a modelação de um segmento muito específico da organização (Schekkerman, 2004). Segundo o mesmo autor a seguinte dimensão enumerada, ou seja, o Modelo, considera três níveis distintos de modelação: O nível de Modelação de Requisitos, onde são descritos os requisitos de negócio, o nível de Modelação do Design, onde são especificados e representados os requisitos de negócio procurando a sua orientação para o sistema e o nível de Modelação da Implementação, onde é especificado o sistema informático e todos os seus componentes implementados. Em termos de Observação (View), é sugerida a criação de quatro pontos de observação distintos, que procuram pautar quatro tipos de modelações distintas, que permitirão ir de encontro a distintas necessidades organizacionais. Os tipos de modelos de observação (modeling views) apresentados pela CIMOSA são o Funcional (Function), a Informação (Information),

32 Capítulo 2: Arquiteturas de Sistemas de Informação

Recursos (Resource) e Organização (Organization), sendo que outros tipos de modelação poderão ser incorporados atendendo as necessidades específicas de cada organização (Peristeras, 2001).

Nesta framework a ideia de que a modelação de uma organização não poderá ser monolítica mas sim um conjunto de processos cooperantes, como é representado na Ilustração 7, está bem patente procurando-se atingir uma modelação evolutiva da organização. Este tipo de abordagens permite que diferentes pessoas modelem diferentes partes da organização mantendo a integridade do modelo (Centre of New Technologies, 1999).

O que é procurado com a aplicação desta framework e do seu processo de modelação é que toda a organização esteja integrada e a trabalhar como um corpo único. É fundamental que os requisitos manifestados pela entidade de negócio sejam transpostos para a especificação do sistema da mesma forma que as especificações do sistema sejam corretamente transpostas para componentes do sistema de tal forma que a adição ou subtração de uma componente não ponha em causa a execução de determinada funcionalidade, de modo que esteja garantida a adaptabilidade e flexibilidade mencionadas anteriormente. Por outro lado, é igualmente importante que a integração do negócio seja conseguida, na medida em que os diferentes recursos da organização, quer sejam estes máquinas, aplicações ou seres humanos, possam ser aplicados em conjunto para dar suporte a determinado processo de negócio. Aspetos como a integração da informação, para que as necessidades de informação de todos os processos organizacionais sejam organizadas e tratadas como uma única grande necessidade, ou a interoperabilidade aplicacional, para que as aplicações possam simultaneamente aceder a objetos organizacionais comuns, são também considerados por esta framework.