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Conceito da Biodiversidade e a Convenção sobre Diversidade

Capítulo I O Valor Econômico da Biodiversidade e os Países

1.1 Conceito da Biodiversidade e a Convenção sobre Diversidade

aproximadamente 3.500 milhões de anos quando as águas do mar primordial começaram a formar moléculas complexas capazes de autoduplicar-se. Desde então, todos os seres vivos compartilham essa misteriosa herança molecular (BLOCH, 2005).

Assim, a biodiversidade, uma contração da expressão sinônima diversidade biológica, é uma variação que existe não apenas entre as espécies de plantas, animais, microrganismos e de outras formas de vida no planeta, como também dentro das espécies sob a forma de diversidade genética, e em nível dos ecossistemas, nos quais as espécies interagem umas com as outras e com o meio ambiente físico (CDB, 2010).

Para Garcia (1995) a biodiversidade “está relacionada com a diversidade dos seres vivos (plantas, animais, microrganismos) e do ecossistema e é representada pela diversidade genética, diversidade de espécies e diversidade de habitats.”

A expressão diversidade biológica, significando riqueza de espécies, foi usada no início da década de 1980 por Thomas E. Lovejoy. Em 1985, a contração “biodiversidade” foi adotada para dar nome ao National Forum on BioDiversity que aconteceu em setembro de 1986 na cidade de Washington (SANT’ANA, 2002). No entanto, a importância da biodiversidade foi reconhecida durante a Cúpula da Terra

realizada em 1992, no Rio de Janeiro, o que levou o termo a ser destacado em todos os setores econômico, social e jurídico no mundo.

A diversidade biológica ou biodiversidade é definida no Art. 2º da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) como:

“a variabilidade entre organismos vivos de todas as origens, incluindo, entre outros, ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; isto inclui a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas” (CDB, 2010).

O Código de Conduta sobre Prospecção Biológica, elaborado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO1, acrescenta na definição da CDB o termo diversidade genética como parte integrante da biodiversidade. Assim, para o FUNBIO a diversidade biológica é:

“variedade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte, bem como a diversidade genética, a diversidade de espécies e de ecossistemas.”

No entanto, a primeira discussão sobre diversidade biológica no âmbito da comunidade científica ocorreu em 1948 com a criação por um grupo de cientistas vinculados às Nações Unidas da União Internacional para a Proteção da Natureza (IUPN). Em 1949, nos Estados Unidos, foi realizada a Conferência Científica das Nações Unidas sobre a Conservação e Utilização dos Recursos. Durante a conferência, a UNESCO manifestou o interesse em implementar formas de proteção da natureza, tendo como resultado um diagnóstico da situação ambiental mundial. No final da década de 60, a preocupação com o meio ambiente foi retomada com

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O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO – é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, como mecanismo financeiro inovador para desenvolver estratégias para que possam contribuir na implementação da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) no Brasil. Seu objetivo específico é a operação de um fundo de longo prazo voltado para o apoio financeiro e material a iniciativa associadas à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade localizada em território nacional, de acordo com os termos da Convenção sobre Diversidade Biológica e do Programa Nacional de Diversidade Biológica – PRONABIO, além das diretrizes estabelecidas por órgãos governamentais competentes. Código de Conduta sobre Prospecção Biológica – FUNBIO. Disponível em: < http://www.funbio.org.br/wp-content/uploads/2012/05/codigo-de-conduta-sobre-prospeccao- biologica.pdf>. Acessado em: 05/04/2013.

mais intensidade e direcionada nas relações entre a sociedade e os recursos naturais (ASSAD, 2000; CRAGG et al., 2012).

Desde então, diversos outros encontros foram realizados pela comunidade internacional com o objetivo de diagnosticar e discutir formas de preservar e utilizar os recursos naturais, a difusão do conceito de desenvolvimento sustentável, perda da biodiversidade e a valoração econômica dos recursos naturais, como por exemplo: a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre Bases Científicas para o Uso e Conservação Racionais dos Recursos da Biosfera em 1968; a Conferência sobre o Meio Ambiente Humano realizada em 1972 em Estocolmo; e a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) realizada no Rio de Janeiro de 03 a 04 de junho de 1992, com a participação de 187 países, 16 agências especializadas, 35 organizações intergovernamentais e um número expressivo de organizações não-governamentais (Tabela 1.1) (ASSAD, 2000; SANT’ANNA, 2002; FERREIRA, 2009).

A ênfase em sustentabilidade e valor econômico da biodiversidade causou um impacto sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e, em 1987 o Conselho Diretor solicitou a convocação de uma série de reuniões de grupos de especialistas. As primeiras sessões, iniciadas em novembro de 1988, foram denominadas de reuniões do Grupo de Trabalho Ad Hoc de Especialistas sobre Diversidade Biológica. Em 1991, o Comitê Intergovernamental de Negociação (INC) examinou o primeiro projeto formal da Convenção sobre Diversidade Biológica o qual foi elaborado pelo Diretor Executivo do PNUMA (CRAGG et al., 2012).

A tabela 1.1 mostra as principais reuniões que discutiram sobre a conservação e utilização dos recursos da biodiversidade até a assinatura dos países participantes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Tabela 1.1 – As principais reuniões sobre biodiversidade até a criação da CDB.

REUNIÕES SOBRE BIODIVERSIDADE ATÉ A CRIAÇÃO DA CDB

Ano Reunião Denominação Resultado

1949 Conferência Científica das Nações Unidas sobre Conservação e Utilização dos Recursos

Criação por grupos de cientistas vinculados à ONU, da União Científica Internacional para a Proteção da Natureza (IUPN). Resultou na Conferência Científica das Nações Unidas sobre Conservação e Utilização dos Recursos

Fonte: Assad, 2000; Sant'Ana, 2002; Ferreira, 2009; Cragg et al. 2012.

Para Santa’Ana (2002), o PNUMA preparou a Convenção sobre Diversidade Biológica sob uma ótica de conservação das espécies e do uso sustentável, segundo os princípios desenvolvidos por organizações não-governamentais internacionais.

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) é um tratado da Organização das Nações Unidas e um dos mais importantes instrumentos internacionais na área do meio ambiente. A CDB é constituída por 42 artigos que estabelecem um programa para reconciliar o desenvolvimento econômico com a necessidade de preservar todos os aspectos da biodiversidade. O artigo 1º estabelece os seguintes objetivos:

- a conservação da diversidade biológica;

- a utilização sustentável de todos os seus componentes e;

- a partilha justa e equitativa dos benefícios decorrentes da comercialização dos recursos biológicos e da transferência de tecnologias relevantes.

1972 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano Conferência de

Estocolmo Declaração do Meio Ambiente

1983

Convenção dos Recursos Fitogenéticos da FAO

Compromisso internacional sobre os Recursos Fitogenéticos

1987 Relatório futuro comum

Relatório Brundtland

Difusão do conceito de desenvolvimento sustentável; nova abordagem ambiental sistêmica; inclusão na discussão sobre a perda da biodiversidade; valoração econômica dos recursos naturais; índices de poluição; diminuição da camada de ozônio; contaminação do meio ambiente.

1991

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

Negociações formais entre os países participantes (pesquisadores e representantes dos governos) para promover uma convenção que tratasse das questões relacionadas ao Relatório de Brundtland e ao uso sustentável da diversidade biológica.

1992 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (CNUMAD) UNCED ou RIO 92

Firmada pelos países participantes uma convenção relacionada à conservação e uso da diversidade biológica, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Ao ser aprovada pelos países que fizeram parte da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente - CNUMAD, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) foi aberta para assinaturas no dia 05 de junho de 1992 e entrou em vigor no dia 29 de dezembro de 1993. Os Estados Unidos assinaram, porém questionaram vários pontos da CDB e o Congresso Nacional Americano não a ratificou. O primeiro país a ratificar a CDB foram as Ilhas Mauritius em 4 de setembro de 1992. O Brasil foi um de seus primeiros signatários. O Decreto nº 2.519 de 16 de março de 1998 promulgou no Brasil a Convenção (ASSAD, 2000; CRAGG et al. 2012).

A Convenção estabelece uma estrutura institucional para monitorar a implementação e a continuação do desenvolvimento do acordo. A Conferência das Partes (COP) é o órgão diretor do processo da CDB (MAIA FILHO, 2010; CRAGG et al. 2012). Existem atualmente 193 Partes da Convenção (192 países e a União Europeia) (Figura 1.1). O Brasil ratificou a CDB em 28 de fevereiro de 1994 e a adesão ao Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (PCB) em 22 de fevereiro de 2004. Em abril de 2002, as Partes da Convenção se comprometeram a atingir, até 2010, uma redução significativa da taxa atual de perda de biodiversidade em nível global, nacional e regional, de forma a contribuir para a redução da pobreza e para o benefício da vida na Terra. Esse objetivo foi posteriormente aprovado pela Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Figura 1.1 - Países que assinaram a CDB e o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (PCB).

Fonte: CDB.int

Desde a assinatura da CDB, a cada dois anos, os países signatários realizam a Conferência das Partes (COP). A COP é o órgão supremo decisório no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica em que são elaborados os documentos que detalham a CDB. As quatro primeiras reuniões da COP foram realizadas anualmente. A partir da quinta reunião, a COP passou a se reunir de dois em dois anos. São reuniões de grande porte que contam com a participação de delegações oficiais dos 193 membros da Convenção sobre Diversidade Biológica, observadores de países não-parte, representantes de organismos internacionais, organizações acadêmicas, não-governamentais, empresariais, lideranças indígenas, imprensa e demais observadores.

Foram realizadas onze reuniões da COP em que diferentes interesses foram discutidos. Dentre as temáticas, estão questões de propriedade intelectual, acesso2

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De acordo com a Orientação Técnica (nº 01) emitida pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético - CGEN, acesso ao patrimônio genético é a “atividade realizada sobre o patrimônio genético com o objetivo de isolar, identificar ou utilizar informação de origem genética ou moléculas e substâncias provenientes do metabolismo dos seres vivos e de extratos obtidos destes organismos”.

Parte CDB

Parte CDB e PCB

aos recursos genéticos3; conservação e uso sustentável da biodiversidade; biossegurança; divisão equitativa de benefícios com os detentores do conhecimento tradicional associado4; transferência de tecnologia e cooperação. A Tabela 1.2 apresenta sucintamente os principais focos das reuniões da Conferência das Partes. Tabela 1.2 – Reuniões da Conferência das Partes.

COP Decisões Local / Ano

COP-1

Estabeleceu mecanismos para a Convenção. Como: o programa de trabalho a médio prazo; a designação do Secretariado permanente; o estabelecimento de um Mecanismo de Intermediação (CHM) e do Órgão Subsidiário de Assessoria Científica, Técnica e Tecnológica (SBSTTAi); e designação do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) como seu mecanismo de financiamento interino.

Nassau, Bahamas

1994

COP-2

Adotou as decisões para a programação de suas atividades. Incluíram: designação de Montreal, Canadá, como o local permanente do Secretariado; estabelecimento do Grupo de Trabalho Ad Hoc de Composição Aberta para a Biossegurança; adoção de um programa de trabalho geral para a Convenção; e a consideração da biodiversidade marinha e costeira.

Jacarta, Indonésia

1995

COP-3

Decisões sobre vários tópicos, como: programas de trabalho sobre biodiversidade agrícola e florestal; negociação do Memorando de Entendimento com o GEF; um acordo para realizar uma reunião sobre o artigo 8(j) com relação ao conhecimento tradicional. Bueno Aires, Argentina 1996 COP-4

Realização de uma mesa redonda ministerial para discutir a integração de preocupações com relação à biodiversidade e atividades setoriais como turismo e a participação do setor privado na implementação dos objetivos da Convenção.

Bratislava, Eslováquia

1998 COP-5 Programa de trabalho sobre terras áridas e sub-úmidas; Nairobi,

Esta definição é diferente de coleta que é a retirada do organismo, no todo ou em parte, de seu ambiente ou habitat natural.

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A CDB adota os termos “material genético” e “recursos genéticos”. O primeiro abrange todo o material de origem vegetal, animal, microbiana ou outra, que contenha unidades funcionais de hereditariedade. Os recursos genéticos são considerados como material genético de valor real ou potencial. A legislação brasileira não adota os termos propostos pela CDB e sim o termo “patrimônio genético” – contido na constituição Federal – o qual é mais amplo, englobando a “informação de origem genética, contida em amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngico, microbiano ou animal, na forma de moléculas ou substâncias provenientes do metabolismo destes seres vivos e de extratos obtidos destes organismos vivos ou mortos” (Medida Provisória 2186.16/01 Art. 7º, inciso I).

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Conhecimento tradicional associado: informação ou prática individual ou coletiva de comunidade indígena ou de comunidade local, com valor real ou potencial, associada ao patrimônio genético (MP 2.186-16/01, art. 7º, II).

abordagens ecossistêmicas; o acesso a recursos genéticos; espécies exóticas; uso sustentável; a Estratégia Mundial para a Conservação de Plantas; a Iniciativa Mundial de Taxonomia (GTI); identificação, monitoramento, avaliação e indicadores. Foi incluído também um segmento de alto nível sobre o Protocolo de Biossegurança de Cartagena.

Quênia 2000

COP-6

Foi adotado um documento elaborado por um grupo de trabalho ad hoc criado pelo Secretariado da CDB, o Guia de Boas Condutas de Bonn. Nesta reunião foi encorajado os países receptores a revelarem a origem dos recursos genéticos e os conhecimentos tradicionais, além de práticas de inovações, na aplicação do direito de propriedade intelectual. Haia, Holanda 2002 COP-7

Adotou programas de trabalho sobre biodiversidade, áreas protegidas e transferência de tecnologia; cooperação tecnológica. Determinou ainda que o Grupo de Trabalho sobre Acesso e Repartição de Benefícios iniciasse as negociações sobre um regime internacional de acesso e repartição de benefícios. Kuala Lampur, Malásia 2004 COP-8

Aplicação do Plano Estratégico da CDB e monitoramento do progresso rumo ao objetivo de 2010 (redução significativa das anuais taxas de perda de biodiversidade)

Curitiba, Brasil

2006

COP-9

Estabelecimento de um roteiro para a negociação de regras de acesso aos recursos genéticos, bem como à divisão dos benefícios sobre o seu uso. Proposta para a criação de um conjunto de especialistas para analisarem questões da biodiversidade, assim como o IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Bonn, Alemanha

2008

COP-10

Nesta Conferência avançaram em três pontos de negociação considerados temas chaves: a assinatura do protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS, na sigla em inglês); criação de um Plano Estratégico para a redução de perda de biodiversidade entre 2011 e 2020; sinalização de aporte de recursos financeiros para custeio das ações de conservação da diversidade biológica.

Nagóia, Japão

2010

COP-11

Entre os acordos feitos destaca-se o compromisso dos países desenvolvidos em dobrar os recursos doados às nações em desenvolvimento para a conservação da sua biodiversidade.

Hyderabad, Índia 2012 Fonte: Sant'Ana, 2002; Brasil, 2005; Pereira, 2009; Cragg et al. 2012; http://www.cbd.int/.

i) Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (Subsidiary Body on

Scientific, Technical, and Technological Advice – SBSTTA), de enfoque multidisciplinar, tem o objetivo

o assessoramento da Conferência das Partes em questão relacionadas à biodiversidade, à produção de análises políticas e ao monitoramento das pesquisas em proteção da biodiversidade (SANT’ANA, 2002).

Segundo Assad (2000), desde o início a Convenção sobre Diversidade Biológica foi um documento rodeado de muitas discussões. Contemplava, na época, uma mudança na percepção sobre valores, acesso aos recursos genéticos e repartição dos benefícios advindos do uso dos recursos genéticos. Sua negociação não foi simples, pois envolveu proposições relativas a alterações nos procedimentos, inclusive legais, de acesso e uso dos recursos genéticos, que afetavam tanto os países ricos em biodiversidade, mas quase sempre pobres em desenvolvimento e tecnologia, e os países pobres em biodiversidade, porém muitos deles com o domínio da tecnologia necessária a sua utilização. Envolveu, ainda, questões referentes a acesso compartilhado, o domínio de tecnologia e de conhecimento científico para o melhor uso da riqueza da biodiversidade (FORERO-PINEDA, 2006; SCHULZ-BALDES, VAYENA, BILLER-ANDORNO, 2007).

Ainda, cada país signatário da CDB tinha a responsabilidade pela implantação de políticas nacionais de biodiversidade e/ou elaboração de uma Estratégia Nacional de Biodiversidade. Em seu art. 6º, a CDB determina que as Partes contratantes devem:

• Desenvolver estratégias, planos ou programas para a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica ou adaptar a esse fim as estratégias, planos ou programas que reflitam, entre outros aspectos, as medidas estabelecidas na Convenção, concernentes à Parte interessada; • Integrar, na medida do possível e conforme o caso, a conservação e a

utilização sustentável da diversidade biológica em planos, programas e políticas setoriais ou intersetoriais pertinentes.

No Brasil, para atender uma das principais exigências da CDB, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) criou um projeto e elaborou uma Política Nacional da Biodiversidade (PNB) em conjunto com vários setores5 da sociedade brasileira. Na preparação da proposta da PNB, as etapas para a implementação do processo envolveram reuniões de trabalho estaduais, regionais, setoriais e nacionais, onde foram abordados temas como: unidades de conservação, biossegurança,

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Governo federal, estatal, organizações não governamentais (ONGs), comunidades acadêmicas, empresários, comunidades indígenas e locais.

biotecnologia, biopirataria, desmatamento, queimadas, ecoturismo, conhecimento tradicional, acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios, uso sustentável dos recursos florestais e pesqueiros, dentre outros. O processo de elaboração abrangeu cinco etapas (BRASIL, 2004a):

1. Levantamento de informações gerais sobre biodiversidade, estratégias nacionais de biodiversidade de outros países, legislação ambiental, conhecimentos tradicionais, conservação, avaliações de áreas e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade nos biomas brasileiros; 2. Processo de consulta sobre os itens da Política Nacional de Biodiversidade

(PNB) nos setores pertinentes;

3. Planejamento e elaboração da proposta da PNB composta de componentes, diretrizes e objetivos integrados com as políticas públicas que abordam o tema biodiversidade;

4. Discussão da proposta da PNB;

5. Criação de um instrumento legal para normatizar a gestão da biodiversidade no Brasil.

Os principais componentes que trata a Política Nacional da Biodiversidade (PNB), de interesse para essa tese, serão discutidos em detalhes no capítulo III.

Por outro lado, ao longo dos anos o que predominou no Brasil foi basicamente a problemática ambiental que se restringia ao combate a poluição e proteção aos ecossistemas naturais. Questões como elaboração de bioprodutos por meio da bioprospecção e desenvolvimento econômico estavam quase ausentes ou ainda muito tímido em comparação com outros países biodiversos.

No entanto, em termos gerais, em nenhum país a situação da biodiversidade pode ser de início conhecida na sua totalidade por meio de conferências e implementação de políticas. A biodiversidade evolui através do tempo, e um planejamento estratégico necessariamente deve ser cíclico com constantes correções à medida que a ampliação dos conhecimentos e os resultados do monitoramento e das avaliações forem surgindo.

Com a elaboração e divulgação, em 2002, da Política Nacional da Biodiversidade no Brasil, foram traçadas metas com foco no conhecimento e conservação da biodiversidade e pouco se falou sobre a elaboração de um Plano

Nacional em Bioprospecção. No capítulo III será apresentada uma proposta do Plano Nacional em Bioprospecção, tendo como base o desenvolvido na Colômbia, por mostra-se mais detalhado.