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CAPÍTULO V – CONCLUSÕES E REFLEXÃO FINAL

5.2. Conclusões do estudo

No campo específico da educação, a avaliação de desempenho docente (ADD) tem vindo a assumir um papel relevante em termos de investigações, havendo um crescente interesse em estudar estes fenómenos que lhe estão associados, fator que se traduz ainda num crescimento acentuado da literatura a nível nacional. Na nossa investigação, pretendemos, em contexto escolar, considerar o desenvolvimento profissional dos docentes associado à avaliação, ou seja, a ADD enquanto orientadora do desenvolvimento profissional, uma vez que a literatura tem vindo a evidenciar que a avaliação é necessária e entre os seus propósitos mais nobres se refere o desenvolvimento pessoal e profissional do docente.

Uma vez que já estão apresentados e analisados os resultados, pretendemos agora apresentar as conclusões do estudo evidenciando em que medida se atingiram os objetivos delineados no início do trabalho com vista a dar resposta às questões de investigação.

Relativamente às conclusões e à sua condução, indicamos que elas serão apresentadas de forma sequenciada e de acordo com os objetivos de investigação referenciados no capítulo I.

No que respeita à primeira questão levantada pela nossa investigação, salientamos que tivemos uma grande área de conforto nas respostas dadas, uma vez que a todas elas foram conclusivas. Assim, na questão principal de investigação, Q1- Quais as perceções dos docentes relativamente à avaliação do desempenho docente?, que está intrinsecamente relacionada com o primeiro objetivo (OBJ1 - Compreender as perceções que os professores avaliadores e avaliados têm acerca da Avaliação do Desempenho Docente), é possível concluir que os docentes inquiridos concordam que a avaliação do desempenho docente deve ser feita, não mostrando quaisquer tipos de oposição para que tal aconteça, expressando-se num sentido bastante positivo. No entanto, é notória uma grande insatisfação pelos aspetos que deveriam ser avaliados, ou seja, além dos que constam neste momento e que são avaliados na atual ADD, existem outros critérios e aspetos a contemplar. Uma das maiores preocupações que se pode intuir é o fato de que os docentes não veem o atual modelo como o mais propício a que haja um maior desenvolvimento profissional, uma vez que não promove a partilha de experiências entre docentes, que não se enquadra num espírito cooperativo, não influenciando, assim, positivamente, a ação docente.

Na subquestão Q1.1. Que perceções têm os docentes sobre a avaliação do desempenho docente e sobre o atual modelo?, é também visível que o atual modelo da ADD não corresponde aos anseios dos docentes, na medida em que não satisfaz as necessidades da educação no panorama atual, mas também porque é gerador de conflitos e de competitividade entre docentes. A questão da quotização das classificações é referida pelos diretores dos agrupamentos como um dos maiores obstáculos à avaliação em si mesmo, sendo mesmo o fator que mais afasta os

docentes de querem realizar uma melhor prestação e consequente melhorar o seu empenho. É pertinente considerar que este tipo de competição torna o processo da ADD bastante individual, reduzindo-a na sua perspetiva de colaboração e partilha de experiências, assim como de cooperação entre avaliador e avaliado no processo de avaliação. A injustiça do modelo é também ela revelada porque se conclui que não há promoção do docente em relação ao seu desempenho, retirando boa parte da motivação profissional. A avaliação, que na perspetiva dos docentes, é essencialmente formativa, é realizada através de um relatório, com recurso a outros instrumentos de avaliação, o que ainda se conclui que esta ADD assume também uma perspetiva de instrumento regulador de avaliação. Daqui se evidencia que haja um afastamento dos professores relativamente à ADD, porque a função formativa da avaliação é descredibilizada. Fatores que na subquestão Q1.2. Em que diferem as perceções de avaliadores e de avaliados sobre a avaliação docente? são notórios, pois a perceção acerca da avaliação docente é muito diferente, uma vez que para os avaliados avaliar é ajudar a desenvolver o docente, é partilhar informação acerca do desempenho, haver uma orientação para o desenvolvimento e ser reconhecido pelo seu trabalho, fatores determinantes que são percecionados de forma diferente pelos avaliadores.

Com este panorama, na atual ADD, há que repensar também as respostas que os agrupamentos de escola e o próprio sistema educativo têm que dar, pois foi referido no questionário que a qualidade do ensino e desenvolvimento profissional do docente advém das condições de trabalho, assim como dos benefícios que os docentes garantem se trabalharem com elevados padrões de qualidade, caso da participação ativa na escola, a aproximação da comunidade escolar e promoção de atividades de cariz formativo.

Assim, e respondendo à subquestão Q1.3. Como é percecionada a relação entre avaliação do desempenho docente e desenvolvimento profissional? Obtivemos respostas bastante diversificadas e simultaneamente muito concretas.

No que se refere ao desenvolvimento profissional, o atual modelo da ADD não satisfaz na sua maioria os docentes, na medida em que muitas das dimensões que deviam de ser avaliadas ficam de por avaliar. Era suposto a ADD funcionar como um estímulo à reflexão, à partilha e à autoavaliação, mas o fator que aqui se pode juntar para esta relação não se verificar, pode passar pela forma como cada agrupamento adaptou o modelo, pela forma como os docentes se envolveram e participaram na sua elaboração e por fim, pelo envolvimento mais assertivo dos professores avaliadores. Existe ainda um fator que pode ser explicado e que está ligado com a classificação da ADD, porque se é um processo avaliativo, tem que ser pontuado. Esse fator pode ter sido entendido pela classe docente como forma de estrangulamento do desenvolvimento docente. Exige-se uma moldagem do próprio modelo à realidade dos agrupamentos de escola e anseios dos docentes, a revisão das quotas e dos percentis é fundamental para uma moralização e motivação para a ADD e para, por fim, se caminhar para uma profissionalização da supervisão, com meios, com técnicos,

com seriedade e justiça, não penalizando quem quer trabalhar, mas sim formando-o e desenvolvendo-o profissionalmente.

A perspetiva dos diretores corrobora estas mesmas opiniões que os docentes inquiridos nos transmitiram, e ainda acrescentamos que em relação à adaptação ao anterior modelo, ele foi melhor acolhido, mas ainda assim se tornou complexo porque a burocratização do modelo indicia que se gaste tempo com detalhes e pormenores que por vezes poderiam ser ultrapassáveis. Este fator, o tempo, pode ser também visto como um fator que desmotiva os avaliados, na medida em que os docentes têm uma profissão muito exigente e por vezes não conseguem desempenhar todas as tarefas que lhes são incumbidas. Mas essa mesma desmotivação em relação à atual ADD faz-se derivado do congelamento da progressão da carreira, e aí todos os diretores foram unânimes nas respostas. Assim, a ADD como orientadora do desenvolvimento docente acontece quando temos uma classe motivada em que todos os seus intervenientes trabalham no mesmo sentido. Esta afirmação é notória quando contrabalançamos as opiniões entre avaliadores e avaliados.

Na relação entre avaliador/avaliado a ADD, e respondendo à questão Q1.4. Como se caracteriza a relação entre avaliador e avaliado no processo da avaliação do desempenho docente?, concluímos que aos avaliadores, a ADD serve a sua função, permite uma orientação para um desenvolvimento docente, elogia as qualidades do avaliado, orienta a prática docente e incentiva à formação, mas na perspetiva do avaliado a opinião é contrária. Esta mudança de visão por parte de avaliador e avaliado, cai em fatores que nos remetem para o fator avaliador interno/externo.

No caso de o avaliador ser interno, que concluímos não ser o preferencial dos docentes, faz com que os professores tenham já ideias pré-concebidas sobre o seu desenvolvimento profissional. Assim, também se pode concluir que estes professores avaliados por estes avaliadores externos podem estar já comprometidos no processo, porque não existe imparcialidade, caso que não se verifica havendo mais à vontade quando aos avaliados lhes é feita a avaliação por avaliadores externos, proporcionando assim uma avaliação mais justa na perspetiva dos docentes inquiridos.

Concluímos ainda que para que os docentes se sintam confortáveis no processo da ADD, eles devem ser avaliados por equipas interdisciplinares de grupos de docências, em que os avaliadores de cariz externo tenham formação específica na área do docente avaliado, ou seja, é necessário avaliadores com perfis e formação adequados à função, que sejam conhecedores dos contextos específicos de cada agrupamento para que no final do processo haja credibilidade e controlo sobre a avaliação, sendo assim fundamental uma orientação coerente por parte dos diretores dos agrupamentos, e que envolva desde o início do processo todos os docentes.

Face aos instrumentos utilizados pelos agrupamentos na ADD, eles revelaram-se corresponder às exigências dos docentes. Mas este facto também tinha sido referido pelos diretores dos agrupamentos, que isso apenas ocorria porque os avaliados e

avaliadores participavam ativamente na construção desses mesmos instrumentos, o que concluímos ser um bom ponto de desenvolvimento profissional, uma vez que permite recolher informações privilegiadas antes, durante e no final do processo, porque procura recolher informações de diversas formas, desde relatórios, a entrevistas, observação de aulas, promovendo assim o avaliado.

O parâmetro indicador acerca da observação de aulas, foi considerado por nós como um grande causador de obstáculos, uma vez que os avaliados não o denotam como desenvolvedor profissional. No entanto, podemos concluir que alguns dos fatores poderão estão ligados com o tipo de avaliador, podendo ser ele interno ou não, porque a observação de aulas é sempre relativa e subjetiva de se avaliar. Os diretores relativamente a esta problemática consideraram que os ciclos de observação eram poucos, e que para funcionar deviam ocorrer com mais frequência e ser desenvolvidos ao longo de todo o ano letivo. Foi também dito que as observações não devia ser combinadas, mas sim manter um fator surpresa, porque na atual ADD as observações são combinadas, o que pode levar à obtenção de valores artificiais e fabricados.

Em jeito de síntese deste primeiro objetivo, conclui-se que a ADD orienta o desenvolvimento docente, ainda que com alguns parâmetros em separado. Existem aspetos de coordenação importantíssimos, uma vez que a ADD é elemento chave para garantirmos o crescimento do docente, como elemento de correção, de formação e de acompanhamento ao docente, ainda assim com alguns constrangimentos que podem conduzir à construção colaborativa de um novo modelo da ADD.

Como resposta à nossa questão de investigação Q2- De que modo o processo da avaliação do desempenho docente pode criar uma oportunidade de desenvolvimento profissional do professor?, e que está diretamente relacionada com o segundo objetivo (OBJ2 - Evidenciar linhas orientadoras para um modelo da avaliação do desempenho docente promotor de desenvolvimento profissional), pode concluir-se que o modelo necessita de ser restruturado e que a avaliação de desempenho cria efetivamente desenvolvimento profissional no docente.

Uma das propostas que foi adiantada pelos diretores está ligada ao peso que a decisão do diretor tem que ter na decisão final da avaliação do avaliado. Como foi referido, é o diretor que conhece os docentes, que lida com eles no dia-a-dia, e que pode ainda assim evitar abuso de poderes por parte dos avaliadores.

Concluímos que a observação de aulas, pode neste contexto, criar oportunidades de desenvolvimento docente, mas para que isso aconteça, é necessária ausência de um aviso prévio das observações.

Concluiu-se ainda que os docentes querem ser avaliados por avaliadores externos com formação adequada e específica em supervisão e avaliação escolar, fator que é de justiça perante um processo que tem um cunho legislativo muito grande.

A existir um novo modelo da ADD, as componentes a serem avaliadas deviam ir além da científica e pedagógica, fator que se entende pelo evoluir das sociedades e da própria educação.

A autoavaliação deve ser privilegiada, assim como a avaliação cooperativa entre pares e grupos de docentes, concluindo-se que os professores, apesar de todas as suas reticências levantadas ao atual modelo de avaliação, consideram a avaliação de desempenho docente orientadora para o desenvolvimento profissional, uma vez que a base da partilha de experiências, trabalhar e ser avaliado por avaliadores em quem confiem tornam a ADD um processo mais harmonioso, sério e justo, levando-os a uma colaboração de motivação e consequentemente massiva.

Concluímos ainda que em termos de agrupamentos, os docentes gostariam de ver contemplados na ADD o projeto de escola e ter instrumentos de avaliação ligados estreitamente à realidade de cada escola.

No nosso entender, os resultados obtidos pela ADD, deviam de ser vistos como uma mais-valia no desenvolvimento profissional do docente, uma vez que as boas práticas estão lá representadas, podendo assim, as equipas de avaliação agir e colmatar falhas que os docentes possam revelar durante o período avaliativo.

Para terminar, acrescentamos que uma avaliação de professores não pode ser vista como um obstáculo, mas sim como uma oportunidade, uma forma de estratégia e de estímulo ao desenvolvimento profissional. Desta forma, é fundamental que seja nas escolas que todo o processo avaliativo seja orientado por pessoas com formação específica, que tenham práticas concretas de orientação profissional, e que acima de tudo envolvam todos os intervenientes no ato que é avaliar.