a partir do cruzamento destes resultados, pretende-se então avaliar e comentar os resultados alcançados, a fim de verificar, ou não, as hipóteses do estudo previamente colocadas.
Conclusões do estudo das MGs em documentos de ensino e em
COPLE2
Primeiramente, de acordo com os dados obtidos, tanto os referentes aos documentos de ensino como os que dizem respeito à produção dos alunos, a transição do nível elementar (nível A2 do QECR) para o nível intermédio (nível B do QECR) representa um grande incremento no recurso às MGs. Nos manuais, relembra-se, a evolução é de 2,56 MGs/amostra, no nível elementar para 4,67 MGs/amostra no nível intermédio; na produção dos aprendentes chineses é de 2,65 MGs/amostra para o nível elementar e 4,20 MGs/amostra para o nível intermédio. Fazendo uma análise holística dos dados recolhidos através do COPLE2, existem indícios de que os aprendentes que produziram os textos mostraram um comportamento muito uniforme no recurso às MGs. Uma análise, superficial, embora, mas baseada até no meu próprio processo de aprendizagem, encontra uma explicação na influencia da rigidez do tratamento dos temas utilizados pelos professores nas aulas e nos próprios documentos de ensino. Sem dúvida nenhuma que o ensino da língua (sobretudo na Europa) deveria ser feito em conformidade com os requisitos da QECR, em que se encontram indicações sobre os tópicos
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sugeridos para cada nível da proficiência das línguas, todavia, o resultado aponta em direção oposta, na medida em que as produções escritas dos alunos, designadamente quando interpretam géneros textuais próprios do nível A2, resultam como se fossem produzidas a partir de um molde. Há nestes textos pouco espaço para a variação e criatividade de tal modo que, mesmo que os textos no
Corpus, em termos quantitativos, apurem razoáveis resultados no uso das MGs,
não apresentam, neste particular, uma variedade desejável.
A maioria dos estudos sobre o uso de MGs será focado na metáfora ideacional, o que não é de estranhar, pois a percentagem ocupada pelas MGs de transitividade é relativamente maior, tanto nos manuais como nos textos dos alunos. As metáforas são frequentemente utilizadas nas produções dos alunos e não causam grande dificuldade quanto às nominalizações, mudança de elementos dos processos, etc.
No que diz respeito às conjugações dos verbos consoante o tempo, a utilização correta das mesmas é bastante relevante para os alunos durante a sua aprendizagem da língua portuguesa como língua segunda ou estrangeira, todavia, isso nem sempre é fácil. Poderão portanto os aprendentes tentar metaforizar, através do processo da nominalização, os verbos que desejem usar.
A variedade de metáforas ideacionais, como já foi apontado, será o calcanhar de aquiles para o ensino-aprendizagem do Português para aprendentes de PLE chineses. Segundo o estudo, nos documentos de ensino, Português XXI 2 e
Português XXI 3, encontra-se uma variedade assinalável; “processo (congruente)
→coisa (metafórica)”, “fazer+nome”, “qualidade (congruente) →coisa (metafórica)”, “com+nome”, e entre outros. Na verdade, salvo casos pontuais que foram sendo apresentados ao longo da análise, os dados do COPLE2 vêm confirmar que o aprendente chinês de PLE demonstra resistência ao uso da metáfora ideacional. Não se trata, apenas, de não saber fazer recurso da metáfora, mas de evitar a formulações que impliquem a construção do significado metafórico.
113 No que diz respeito às metáforas interpessoais presentes nos textos constantes do COPLE2, respeitantes aos aprendentes de PLE chineses, quando são os alunos do nível elementar a produzir textos de ‘reclamação’ ou ‘pedir informação’, mostram ter consciência do uso da forma mais gentil e educada para exprimir um pedido (“podia se faz favor”, etc.), o que significa fazer uso de metáforas gramaticais. A questão que se pode colocar é a de se saber, como correspondem a um números restrito de sintagmas ou até de enunciados, se o aprendente as encarou (adquiriu/memorizou) como se de expressões fixas se tratasse. Avelar (2008) tece considerações que vão neste sentido.
Quanto às produções do nível intermédio, constata-se que os alunos começam a recorrer ao modo conjuntivo para modalizar atos de fala ou até secções textuais em géneros discursivos como a ‘carta de reclamação/sugestão’. Mas como os textos são feitos a pedido e, na sequência de modelos fornecidos pelos professores, temo que, embora o número de ocorrências metaforizadas seja relativamente elevado, seja arriscado tecer conclusões absolutas sobre a produção metaforizada dos aprendentes. Apesar destas reservas, tendo em conta os resultados obtidos e discutidos nos Capítulos 2 e 3, é possível identificar comportamentos discursivos que indicam terem os aprendentes de PLE chineses uma consciência da utilização da metáfora interpessoal. Há evidências de que, desde que lhes sejam dadas oportunidades de se expressarem à vontade, sob vários tópicos e sem limites nem moldes demasiados os aprendentes chineses adquirem com alguma regularidade a capacidade de uso do significado metafórico interpessoal.
Relativamente às metáforas textuais, estas ocupam menos percentagem entre todos os tipos de MGs. O valor médio era esperado, dado que é difícil (quase impossível) impor uma unificação do estilo da escrita nos vários emissores, neste caso, escritores. Os aprendentes têm à sua disposição formas variadas de organização textual que podem vir, ou não, reforçar a expressão das emoções, portanto, na minha opinião, o recurso à metáfora textual, será uma ferramenta
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inestimável na aquisição da língua portuguesa, a partir do nível B. Os dados recolhidos são, no mínimo, desapontadores.
As metáforas domesticadas, ou ‘metáforas mortas’ (M.A.K. Halliday & Matthiessen, 1999), com foi apontado, são, em regra, de extensão, mas não de verbo, aspeto que será relevante deixar claro para os aprendentes durante o seu processo da aprendizagem do Português. Segundo os resultados do estudo do COPLE2, os aprendentes estão a dominar bem a utilização deste tipo da metáfora. Será importante referir aqui que a maioria das expressões idiomáticas contêm inevitavelmente metáforas domesticadas, mas não estão tratadas no presente trabalho, por uma questão de restrição do critério; porém, isso não significa que não sejam relevantes, pelo contrário, são um sinal da proficiência nesta língua pois nestas expressões se acumula a história e a cultura do povo. Com o batismo do tempo, as que resistem e acabam por ser domesticadas na língua sendo, certamente, um tesouro desta nação e cultura.