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2 O MARCO TEÓRICO – A RELAÇÃO ENTRE CONCORRÊNCIA E

2.1 As finalidades da regulação concorrencial e da regulação setorial

2.1.1 A repartição de competências entre autoridades concorrenciais e

2.1.1.2 OCDE – Policy Roundtables: Relationship between Regulators and

2.1.1.2.7 Conclusões

Diante disso, a OCDE enumerou cinco aspectos que tratam da experiência e da cultura institucional como importantes para ponderação acerca de qual autoridade deveria desempenhar essa tarefa: (i) reguladores setoriais costumam ser responsáveis por atenuar os efeitos do poder de mercado, enquanto as autoridades concorrenciais se concentram em reduzir tal poder; (ii) reguladores setoriais normalmente impõem e monitoram várias condições comportamentais, enquanto as autoridades concorrenciais na maioria das vezes optam por

214 “Technical regulation requires on-going monitoring and application of sector-specific expertise having little direct relevance to competition questions. It can be safely assumed that this function will almost always be conferred on a set of sector-specific regulators. Once such a regulator is in place in a particular sector, the

question may arise as to which, if any, of the other three functions should be assigned to it. The answer depends on a complex mix of comparative advantage and synergy issues.It is also heavily influenced by a country’s general legal framework and regulatory history, hence the ‘optimal’ solution could certainly vary from country to country and even across industries within the same country.” (OECD. Policy Roundtables.

Relationship between Regulators and Competition Authorities. 1998. p.8. Disponível em:

<http://www.oecd.org/regreform/sectors/1920556.pdf>. Acesso em: 11 out. 2019).

215 “Compared with sector-specific regulators, competition agencies seem better suited by their accumulated expertise, experience and basic institutional characteristics (‘institutional culture’) to protect competition from anti-competitive behaviour and mergers. For the same reasons, it seems generally true that compared with competition agencies, sector-specific regulators are better suited to undertaking economic regulation. Such regulation is on-going rather than periodic in nature, and heavily based on sector-specific knowledge.”

(OECD. Policy Roundtables. Relationship between Regulators and Competition Authorities. 1998. p.8. Disponível em: <http://www.oecd.org/regreform/sectors/1920556.pdf>. Acesso em: 11 out. 2019).

soluções estruturais; (iii) reguladores setoriais geralmente aplicam uma abordagem prescritiva

ex ante, enquanto que as autoridades concorrenciais, à exceção da análise de atos de concentração,

aplicam uma abordagem ex post; (iv) reguladores setoriais normalmente intervêm com mais frequência e exigem um fluxo contínuo de informações dos regulados, enquanto que as autoridades concorrenciais geralmente baseiam sua atuação em reclamações, coletando informações apenas quando estritamente necessário a subsidiar a aplicação da lei antitruste; e, (v) aos reguladores setoriais normalmente é atribuída uma gama consideravelmente mais ampla de objetivos do que as autoridades concorrenciais são solicitadas a perseguir, portanto, os reguladores podem se tornar mais hábeis em ponderar objetivos conflitantes.216

O organismo internacional alerta que a divisão de tarefas não deve ser estática, mas

sim dinâmica. Nesse sentido, onde se espera que a necessidade de regulamentação econômica

e de acesso seja temporária, e o principal objetivo seja introduzir a concorrência ao setor, pode fazer sentido confiar ambas as tarefas à autoridade concorrencial. Ao contrário, onde se espera que as regulações de acesso e econômica sejam permanentemente exigidas, como ocorre com a transmissão de monopólios naturais e com a distribuição de infraestruturas de

rede, pode ser melhor atribuir tais tarefas aos reguladores setoriais.217

Assim, se ao final a tarefa de proteção à competição for atribuída à autoridade diversa daquela que exerce as tarefas de regulação de acesso e regulação econômica, cooperação e

coordenação são vitais para se evitar inconsistências, que consequentemente refletem no

desencorajamento de investimentos diante de dois conjuntos de políticas contraditórias.218

Segundo a OCDE, as submissões dos participantes do Comitê revelaram uma grande variedade de maneiras de se fazer isso, desde cooperação informal entre as autoridades concorrencial e reguladora, ao direito de fazer submissão de manifestações à autoridade que se discorda, e à obrigação de consulta prévia a outra autoridade antes da tomada de decisão. Se os instrumentos informais de cooperação não funcionarem, a OCDE recomenda deixar as atribuições

216 OECD. Policy Roundtables. Relationship between Regulators and Competition Authorities. 1998. p.8-9.

Disponível em: <http://www.oecd.org/regreform/sectors/1920556.pdf>. Acesso em: 11 out. 2019

217 “Static comparative advantage and synergy considerations should be supplemented with a dynamic view of a sector. Where the need for both economic and access regulation is expected to be temporary and the main task is to introduce competition, it might make sense to confide both access and economic regulation to the general competition agency. On the other hand, where access and economic regulation are expected to be permanently required, as with natural monopoly transmission and distribution networks, it might be best to confide these tasks to sector-specific regulators. In either case, responsibility for competition protection should rest with the general competition agency.” (OECD. Policy Roundtables. Relationship between Regulators and

Competition Authorities. 1998. p.9. Disponível em: <http://www.oecd.org/regreform/sectors/1920556.pdf>.

Acesso em: 11 out. 2019).

218 OECD. Policy Roundtables. Relationship between Regulators and Competition Authorities. 1998. p.10.

de definição de mercado relevante ou poder de mercado para a autoridade concorrencial. Uma alternativa seria a de dar algum grau de poder de supervisão à autoridade concorrencial.219

Por fim, a OCDE também orienta que, para o caso da distribuição de tarefas elencada acima, na qual a autoridade reguladora setorial exerce a regulação de acesso e a regulação econômica, a autoridade concorrencial deve ser amplamente envolvida em quaisquer revisões periódicas que sejam realizadas visando analisar a necessidade ou não de continuação da regulação setorial. 220

2.1.1.3 Banco Mundial e OCDE – diretrizes para a elaboração e implementação de política