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Conectivismo: a aprendizagem em um mundo digital

PARTE I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

CAPÍTULO 3 – INOVAÇÃO PEDAGÓGICA, TIC E APRENDIZAGEM

3.3. Falando de Aprendizagem

3.3.6. Conectivismo: a aprendizagem em um mundo digital

O conectivismo apresenta um modelo de aprendizagem que reconhece as mudanças tectônicas na sociedade, onde a aprendizagem não é mais uma atividade interna e individualista. [...] proporciona uma visão das habilidades de aprendizagem e das tarefas necessárias para que os alunos floresçam em uma era digital.

George Siemens

O conectivismo surgiu como uma proposta de evolução às teorias da aprendizagem que lhe precede – behaviorismo, cognitivismo e construtivismo100 –, tendo como marco inicial o artigo de George Siemens, publicado em 2005 e intitulado Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age.

De acordo com essa nova vertente a cognição e o conhecimento se distribuem por meio de redes de indivíduos e tecnologia, sendo a aprendizagem um processo resultante da conexão e acesso a essas redes, que se processam em três níveis distintos e simultâneos: a nível neural, formando conexões neurais que atuam sobre o desenvolvimento do cérebro; a nível conceitual, agindo dentro de uma área de conhecimento ou disciplina específica; e a nível externo, através da conexão entre indivíduos por meio de redes de computadores (CORREIA, 2011).

Segundo a proposta conectivista, a aprendizagem é um processo que acontece em ambientes sujeitos a constantes mudanças e não inteiramente sob o controle do indivíduo, podendo residir fora de nós mesmos e dentro de banco de dados ou organizações, onde as decisões são baseadas em informações que estão sendo adquiridas contínua e rapidamente. A capacidade de distinguir as informações importantes daquelas sem importância se torna uma capacidade vital. Nesse cenário, o conectivismo viria a suprir as lacunas deixadas pelas teorias antigas em relação à influência da tecnologia na aprendizagem (SIEMENS, 2005).

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Para Siemens (2005), a principal limitação das teorias da aprendizagem anteriores à sua proposta é que para estas a aprendizagem é que o aprendizado é um processo unicamente interno. Essas teorias não consideram a aprendizagem que ocorre fora das pessoas – a aprendizagem que é armazenada e manipulada pela tecnologia, por exemplo – tampouco descrevem como a aprendizagem acontece dentro das organizações.

Partindo desse entendimento, Siemens (Op. cit.) apresenta-nos os princípios norteadores do conectivismo:

 Learning and knowledge rests in diversity of opinions.

 Learning is a process of connecting specialized nodes or information sources.

 Learning may reside in non-human appliances.

 Capacity to know more is more critical than what is currently known.  Nurturing and maintaining connections is needed to facilitate continual

learning.

 Ability to see connections between fields, ideas, and concepts is a core skill.

 Currency (accurate, up-to-date knowledge) is the intent of all connectivist learning activities.

 Decision-making is itself a learning process. Choosing what to learn and the meaning of incoming information is seen through the lens of a shifting reality. While there is a right answer now, it may be wrong tomorrow due to alterations in the information climate affecting the decision101 (SIEMENS, 2005, s/p).

Embora, para o conectivismo, o ponto de partida seja o indivíduo, o conhecimento pessoal se fundamenta por meio de uma rede de informações que nutri as instituições e organizações e retorna ao indivíduo, num ciclo contínuo de aprendizagem. Parte do princípio de que as pessoas têm muito mais conhecimento do que parece contar na informação a que foram expostas e que alguns domínios de conhecimento aparentemente simples podem conter grande quantidade de inter-relações fracas que, adequadamente exploradas, amplificam a aprendizagem por meio de um processo de inferência (LANDAUER & DUMAIS, 1997).

A discussão em torno do conectivismo como teoria da educação é recente e avança na medida em que se ampliam os debates sobre as ligações da educação com a tecnologia, principalmente no que envolve as plataformas online, que a cada dia aumenta mais sua influência em todos os setores do cotidiano das pessoas. Nesse sentido, a reflexão sobre uma teoria da aprendizagem que abrace essa nova realidade se faz necessária.

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- A aprendizagem e o conhecimento residem na diversidade de opiniões.

- A aprendizagem é um processo de conexão de nós especializados ou fontes de informação. - A aprendizagem pode residir em aparelhos não humanos.

- A capacidade de saber mais é mais crítica do que o que é conhecido atualmente. - Nutrir e manter conexões é necessário para facilitar a aprendizagem contínua.

- A capacidade de ver conexões entre campos, ideias e conceitos é uma habilidade básica.

- O conhecimento preciso e atualizado é a intenção de todas as atividades de aprendizagem conectivista. - A tomada de decisões é, por si só, um processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e o significado da informação recebida é visto através da lente de uma realidade em mudança. Embora haja uma resposta correta agora, pode ser errada amanhã devido a alterações no clima de informação que afetam a decisão. (Tradução nossa).

É fato que o conectivismo tem alcançado rápida popularidade e, no mesmo ritmo, muitas controvérsias no meio acadêmico. Alguns estudiosos como Verhagen (2006) e Kopp e Hill (2008) levantam dúvidas sobre o conectivismo ser uma nova teoria da aprendizagem. Para o primeiro a proposta de Siemens não apresenta princípios novos em relação às teorias anteriores e, para os segundos, as contribuições do conectivismo não garantem que seja tratada como uma teoria de aprendizagem separada e por direito próprio.

Em contrapartida, para outros teóricos, o conectivismo já pode ser tratado como uma teoria da aprendizagem. Duke et al (2013) apresentam três razões para justificar essa visão:

First, connectivism is characterized as the enhancement of how a student learns with the knowledge and perception gained through the addition of a personal network. It is only through these personal networks that the learner can acquire the viewpoint and diversity of opinion to learn to make critical decisions. Since it is impossible to experience everything, the learner can share and learn through collaboration. Second, the sheer amount of data available makes it impossible for a learner to know all that is needed to critically examine specific situations. Being able to tap into huge databases of knowledge in an instant empowers a learner to seek further knowledge. Such a capacity to acquire knowledge can facilitate research and assist in interpreting patterns. Third, explaining learning by means of traditional learning theories is severely limited by the rapid change brought about by technology. Connectivism is defined as actionable knowledge, where an understanding of where to find knowledge may be more important than answering how or what that knowledge encompasses102 (DUKE et al, 2013, p. 7).

Deixando de lado as polêmicas sobre o conectivismo ser ou não uma teoria da aprendizagem, o que parece claro é o fato de que essa proposta cai como uma luva em um momento em que se debate o papel da tecnologia na educação, em meio a enormes pressões políticas e econômicas, onde “[...] não sobra muito espaço para o debate epistemológico ou, sequer, para o pensamento crítico” (FINO, 2015, p. 37). Nesse

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Primeiro, o conectivismo é caracterizado como o aprimoramento de como um aluno aprende com o conhecimento e a percepção obtidos através da adição de uma rede pessoal. É somente através dessas redes pessoais que o aprendiz pode adquirir o ponto de vista e a diversidade de opinião para aprender a tomar decisões críticas. Como é impossível experimentar tudo, o aluno pode compartilhar e aprender através da colaboração. Em segundo lugar, a enorme quantidade de dados disponíveis torna impossível para um aluno saber tudo o que é necessário para examinar criticamente situações específicas. Ser capaz de explorar grandes bancos de dados de conhecimento instantaneamente habilita um aprendiz a buscar mais conhecimento. Essa capacidade de adquirir conhecimento pode facilitar a pesquisa e auxiliar na interpretação dos padrões. Em terceiro lugar, explicar o aprendizado por meio de teorias tradicionais de aprendizagem é severamente limitado pela rápida mudança provocada pela tecnologia. O conectivismo é definido como um conhecimento acionável, onde uma compreensão de onde encontrar conhecimento pode ser mais importante do que responder a como ou o que o conhecimento engloba. (Tradução nossa).

sentido, “o uso das tecnologias passou a ser um fim em se mesmo. [...] O conectivismo é a sua doutrina. Siemens, o profeta. Tecnólogos, os sacerdotes” (Ibidem, p.39). E, assim, mais uma vez corremos o risco de tentarmos mascarar velhos problemas com remendos novos. Afinal, como destaca Marinho (2010),

É interessante constatar, nesses tempos de “dominação” das tecnologias digitais da informação e comunicação, como às vezes algumas coisas são dadas como se fossem novidades, algo absolutamente inédito e na verdade são coisas antigas, em novas “vestes”. Tirando-lhes a “roupagem tecnológica”, que é nova, veremos que são coisas antigas, apenas em novas embalagens (MARINHO, 2010, p. 197, destaques do autor).

Para concluir, sabemos que atualmente a tecnologia influencia todos os pontos de vista teóricos no campo da educação. Toda nova ideia ou teoria apresentada merece um exame atencioso em relação às possibilidades de ajudar os aprendizes no processo de aprendizagem e nisso, o conectivismo, se não pode ser tratado como teoria de aprendizagem autônoma ao menos possibilita aos educadores analisar o que está sendo feito na educação digital, repensar e debater sobre como cada parte se encaixa nessa nova ordem educacional de múltiplos ambientes de aprendizagem emergentes.

3.4. Clube de Astronomia como ambiente de aprendizagem emergente à luz da