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A origem da conscientização do meio ambiente sob o panorama internacional Princípio 1 O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao

No documento Jose Francisco de Souza Rolim (páginas 32-38)

desfrute de condições de vida adequadas em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna e gozar de bem-estar, tendo a solene obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras. (Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – 1972).

A compreensão do direito ao meio ambiente como direito fundamental e um direito de personalidade do ser humano, tal como oportunamente será desenvolvido, passa, em princípio, pela busca da gênese de um processo que transformou o modo como a humanidade vê e utiliza a natureza, a partir do surgimento de uma consciência ambiental global, resultado de grandes movimentos mundiais. É bem verdade, no entanto, que esse processo de conscientização ambiental é relativamente recente, havendo ainda diversas medidas a serem efetiva e sistematicamente tomadas, ao longo do tempo, para minimizar o impacto causado pelo homem no meio ambiente e, sobretudo, para proteger e preservar o patrimônio natural remanescente.

Ao se traçar uma perspectiva histórica da questão ambiental, é preciso registrar, inicialmente, que a Revolução Industrial do século XVIII ocasionou sérios impactos ao meio ambiente. Contudo, o ser humano somente se deu conta dessa percepção em meados da década de 1950. Como não poderia ser diferente, a Inglaterra, berço da Revolução Industrial, foi um dos primeiros países a sentir os efeitos de uma crise ambiental. (CAMPS, 1976). Em 1952, o fenômeno do “Big Smoke”, conhecido como “Smog”, encobriu a cidade de Londres,

ocasionando a morte de milhares de pessoas em virtude da intensa poluição do ar.6 Esse fenômeno foi considerado um dos piores impactos ambientais até então, causado pelo crescimento incontrolado da queima de combustíveis fósseis na indústria e nos transportes viários.

Depois de aproximadamente uma década, em 1968, alarmados com os rumos tomados pelas transformações da sociedade e suas consequências sobre os recursos naturais, o industrial italiano Aurelio Peccei e o cientista escocês Alexander King fundaram o Clube de Roma. Tratava-se de um grupo de notáveis e estudiosos de diversas aéreas (dentre eles o ex- Presidente da República Fernando Henrique Cardoso) que se reuniram com o propósito de debater um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, à economia internacional e, especialmente, ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável7.

Com base em um estudo levado a cabo por esse grupo junto ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), elaborou-se um relatório, publicado em 1972, “Os limites do crescimento”, que basicamente tratava de problemas fundamentais para o futuro desenvolvimento da humanidade como energia, poluição, saneamento, saúde, meio ambiente, tecnologia e crescimento populacional (LAGO, 2007). Esse trabalho trouxe previsões extremamente negativas e alarmantes em relação aos efeitos do crescimento populacional sobre a degradação do meio ambiente e o esgotamento dos recursos naturais. Ainda que essas projeções tenham sido alvo de críticas, por seu caráter catastrófico e apocalíptico, é certo que, inegavelmente, contribuíram para alertar governos e a população mundial sobre a importância da preservação ambiental e a necessidade de mudanças de comportamento do ser humano frente ao meio ambiente.

Sob esse cenário e influência, em 1972, na capital da Suécia, em Estocolmo, aconteceu a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, realizada pela ONU (também conhecida como Conferência de Estocolmo), juntamente com os Estados

6 Conforme relata Ribeiro (2010), em dezembro de 1952, uma frente fria chegou a Londres e fez com que as pessoas queimassem mais carvão que o usual no inverno. O aumento na poluição do ar foi agravado por uma inversão térmica, causada pela densa massa de ar frio. O acúmulo de poluentes foi crescente, especialmente de fumaça e partículas do carvão que era queimado. Devido aos problemas econômicos no pós-guerra, o carvão de melhor qualidade para o aquecimento havia sido exportado. Como resultado, os londrinos usaram o carvão de baixa qualidade, rico em enxofre, o que agravou muito o problema. O nevoeiro resultante, uma mistura de névoa natural com muita fumaça negra, tornou-se muito denso, chegando a impossibilitar o trânsito de automóveis nas ruas. Muitas sessões de filmes e concertos foram canceladas, uma vez que a plateia não podia ver o palco ou a tela, pois a fumaça invadiu facilmente os ambientes fechados. Acredita-se que o nevoeiro tenha causado a morte de 12.000 londrinos, e deixado outros 100.000 doentes.

7 O Clube de Roma é uma organização independente sem fins lucrativos. A função do Clube de Roma é debater as causas principais das crises que o mundo enfrenta atualmente: o nosso conceito atual de crescimento, desenvolvimento e globalização. O Clube de Roma trabalha como uma plataforma na qual se encontram os acadêmicos, cientistas, políticos, empresários e membros da sociedade civil para planejar, desenvolver e implementar medidas efetivas relativas aos diversos temas globais inter-relacionados. Estes temas incluem a sustentabilidade ambiental, crescimento econômico, consumo de recursos, paz, segurança e demografia. Disponível em: http://www.clubofrome.org. Acesso em: 15 ju n.2015.

participantes e a comunidade científica, visando tratar da problemática: o homem e o meio ambiente.8 Segundo Ribeiro (2010), esta conferência marcou uma etapa muito importante na ecopolítica internacional. Basicamente, foi a primeira grande reunião organizada para tratar de questões ambientais e a primeira atitude da comunidade internacional na busca da preservação do meio ambiente. Princípios e conceitos extraídos da conferência tornaram-se base para impulsionar a questão ambiental, influenciando as relações entre os atores internacionais no que diz respeito ao meio ambiente.

Do ponto de vista geoeconômico, a conferência foi marcada pelo impasse entre as diferentes perspectivas dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento. A discussão girava em torno da produção industrial e da degradação do meio ambiente. Conforme observa Machado (2006), os países desenvolvidos e economicamente estabilizados estavam mais preocupados com as questões ambientais e a preservação da natureza. Por outro lado, os países em desenvolvimento viam a produção industrial como única forma de rapidamente sair da miséria e resolver seus problemas de moradia e de saneamento básico.

Dentro desse contexto, o Brasil, marcado por seu precário desenvolvimento social e econômico e sob a égide de um governo autoritário, necessitando dar uma resposta rápida aos anseios populares por meio de um desenvolvimento a qualquer custo, apresentou-se, na Primeira Conferência sobre o Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas, a favor do crescimento econômico despreocupado com a proteção e preservação ambiental, a pretexto de ser essa a única forma de erradicar a pobreza e projetar um futuro promissor de desenvolvimento econômico e social para o país.

Posteriormente, já na década de 1980, a comunidade internacional retomou a discussão sobre o meio ambiente frente ao desenvolvimento econômico. Em 1983, a Organização das Nações Unidas, em assembleia geral, indicou a então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, para a presidência da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), criada para estudar o tema. Como resultado dessa comissão, em 1987, apresentou-se o relatório intitulado Our Common Future, também

8Segundo Le Preste (2000, p.174-175), quatro fatores influenciaram a realização da Primeira Conferência do Meio Ambiente: 1.o questionamento da comunidade científica sobre o futuro do planeta, as mudanças climáticas e sobre a quantidade e qualidade da água; 2. Exposição midiática de desastres ambientais (marés negras, desaparecimento de territórios selvagens, modificações na paisagem), gerando um clamor na sociedade acerca das causas e soluções para tais desastres; 3.crescimento desenfreado da economia e, consequentemente, da urbanização sem nenhum planejamento; 4. Problemas ambientais, como chuvas-ácidas, poluição do Mar Báltico, grandes quantidades de metais pesados e pesticidas. A partir dos temas como a chuva ácida e o controle da poluição do ar abordados durante a Conferência de Estocolmo, foram votados sete pontos referentes às responsabilidades e comportamentos para conduzir as questões relativas ao meio ambiente, que compõem o preâmbulo da Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, também conhecida como Declaração de Estocolmo. (ONU, 1972).

conhecido como Relatório Brundtland, onde se cunhou a expressão “desenvolvimento sustentável”.9

Em 1992, portanto, vinte anos após a Conferência de Estocolmo, o Brasil recepcionou a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), mais conhecida como ECO-92 ou Rio-92, em que se reuniram cerca de 172 delegações e 108 chefes de Estados. Na ocasião, foram credenciados por volta de 10 mil jornalistas e representantes de 1.400 organizações não-governamentais (CHASEK, 2000). Esses números realmente impressionaram por ter a questão ambiental, em vinte anos, desde a Conferência de Estocolmo de 1972, se tornado suficientemente importante para deslocar tantos chefes de Estado e de Governo para uma única reunião. Sem dúvida, afirmou-se na cena internacional, a preocupação com a preservação e proteção do meio ambiente (princípio da ubiquidade ambiental10).

Considerada uma das mais importantes conferências sobre o assunto, a ECO-92, além de reafirmar a Declaração de Estocolmo de 1972, realizada na Suécia, produziu vários documentos, entre eles a Convenção da Biodiversidade e a Agenda 21 (este último um importante documento com mais de 600 páginas, incluindo propostas e medidas de grande

9 O documento passou a utilizar a expressão “desenvolvimento sustentável”, com a seguinte definição: forma como as atuais gerações satisfazem as suas necessidades sem, no entanto, comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades. “Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas”, resume o Relatório Brundtland. Em princípio, o conceito aponta para uma bela utopia que, se não irá se realizar plenamente, poderia, pelo menos, “corrigir” os rumos socioeconômicos e ambientais da Humanidade. Mas, ao explicá-lo, o texto do Relatório Brundtland se torna confuso, indicando, naquele momento, uma atitude vacilante diante dos grandes impasses que o tema colocava, e ainda coloca, para o sistema econômico vigente e para os países, tanto os desenvolvidos quanto os em desenvolvimento. De acordo com o relatório, as limitações ao desenvolvimento sustentável estariam, por exemplo, não no modelo de crescimento, baseado na exploração dos recursos naturais e no estímulo ao consumo, mas nas “limitações impostas pelo estágio atual da tecnologia e da organização social, no tocante aos recursos ambientais, e pela capacidade da biosfera de absorver os efeitos da atividade humana”. Mas, continua o documento, “tanto a tecnologia quanto a organização social podem ser geridas e aprimoradas a fim de proporcionar uma nova era de crescimento econômico”. Outra causa para a degradação ambiental, segundo o Relatório Brundtland, é a pobreza, pois “um mundo onde a pobreza é endêmica estará sempre sujeito a catástrofes, ecológicas ou de outra natureza”. Para atender às necessidades básicas de todos, o documento recomenda, então, “um crescimento potencial pleno, e o desenvolvimento sustentável exige claramente que haja um crescimento econômico em regiões onde tais necessidades não estão sendo atendidas”. A ideia segue sendo desdobrada em uma lógica circular: onde as necessidades básicas já são atendidas, há desenvolvimento sustentável; se há desenvolvimento sustentável, ele é compatível com o crescimento econômico. E continua: “Mas o simples crescimento não basta. Uma grande atividade produtiva pode coexistir com a pobreza disseminada, e isto constitui um risco para o meio ambiente. Por isso, o desenvolvimento sustentável exige que as sociedades atendam às necessidades humanas, tanto aumentando o potencial de produção, quanto assegurando a todos as mesmas oportunidades”. (Disponível em: http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/temas-em-discussao-na-rio20/ecodesenvolvimento-conceito- desenvolvimento-sustentavel-relatorio-brundtland-onu-crescimento-economico-pobreza-consumo-energia-recursos- ambientais-poluicao.aspx. Acesso em: 15 jun.2015).

10 Para Rodrigues (2002), esse princípio é consubstanciado na ideia de que o meio ambiente é ubíquo, ou seja, está presente em toda parte, em todo o globo, e que, portanto, toda e qualquer lesão ocorrida em sua estrutura, independente do local onde ocorra, tem reflexos, diretos ou indiretos, em toda a natureza. Dessa forma o que se quer ressaltar é que os bens ambientais naturais colocam-se numa posição soberana a qualquer limitação espacial ou geográfica. Dado o caráter onipresente dos bens ambientais, o princípio da ubiquidade exige que em matéria de meio ambiente exista uma estreita relação de cooperação entre os povos, fazendo com que se estabeleça uma política mundial ou global para sua proteção e preservação.

relevância a serem executas ao longo da década).11A ECO-92 também foi marcada pela compreensão da comunidade internacional de que era preciso urgentemente conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a utilização dos recursos naturais. Na oportunidade, discutiu-se alternativas de crescimento econômico com o mínimo de agressão ao meio ambiente.

Procurou-se enfatizar o desenvolvimento sustentável, como uma busca pela relação de equilíbrio entre o desenvolvimento de todos os aspectos que circundam o ser humano e o meio ambiente. Além disso, nasce também a ideia de se preocupar com as futuras gerações (ALMINO, 1990). Trata-se do princípio da solidariedade intergeracional, por onde se afirmou que o desenvolvimento deve atender às necessidades presentes, sem comprometer, no entanto, a capacidade das gerações futuras de prover suas próprias necessidades. Basicamente, constatou-se que compete aos Estados adotar medidas protetivas aptas a garantir a sobrevivência da espécie humana e a existência das futuras gerações.

Em 11 de dezembro de 1997, em Kyoto, no Japão, houve a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CQNUMC) com o objetivo de elaborar um tratado internacional firmando compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, causa antropogênica do aquecimento global. Essa conferência deu origem ao Protocolo de Kyoto, em que se propôs um calendário pelo qual os países-membros teriam a obrigação de reduzir a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa. Essa convenção ganhou destaque mundial, especialmente pela posição irredutível dos Estados Unidos, que se negaram a ratificar o acordo.12

Em virtude da Resolução nº55/199 da Assembleia Geral das Nações Unidas – que estabeleceu uma revisão decenal do progresso do Programa para o Prosseguimento da Implementação da Agenda 21 e dos resultados da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – a Cúpula da Terra, chamada Rio+10, foi reunida na cidade de Johanesburgo, na África do Sul, em 26 de janeiro de 2002, dando, em suma, continuidade aos temas tratados em

11 A Agenda 21 pode ser definida como um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Trata-se de um processo de planejamento participativo de um determinado território que envolve a implantação de um Fórum pertinente às questões ambientais. Composto por governo e sociedade civil, o Fórum é responsável pela construção de um Plano Local de Desenvolvimento Sustentável, que estrutura as prioridades locais por meio de projetos e ações de curto, médio e longo prazos. No Fórum são também definidos os meios de implementação e as responsabilidades do governo e dos demais setores da sociedade local na implementação, acompanhamento e revisão desses projetos e ações. (Disponível em: http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda-2. Acesso em: 15 jun.2015).

12 Os Estados Unidos, segundo Derani (1997), negaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, de acordo com a alegação do ex- presidente George W. Bush de que os compromissos acarretados por tal protocolo interfeririam negativamente na economia norte-americana.

1972 na Conferência de Estocolmo e, em 1992, na Conferência do Rio de Janeiro. Além das questões ambientais, a Conferência de 2002 pretendia também ajudar a África do Sul na luta pela paz e na erradicação da pobreza. Tratou-se ainda da substituição de energias derivadas dos combustíveis fósseis por energia limpa e estabeleceu-se metas de desenvolvimento para o milênio.

O objetivo principal dessa conferência seria rever as metas propostas pela Agenda 21 e direcionar as realizações às áreas que requerem um esforço adicional para sua implementação, além de refletir sobre outros acordos e tratados na Rio-92. Essa nova conferência mundial levaria à definição de um plano de ação global, capaz de conciliar as necessidades legítimas de desenvolvimento econômico e social da humanidade, com a obrigação de manter o planeta habitável para as gerações futuras (SEQUINEL, 2012). Diante de um quadro circunstancial de insatisfação com os resultados das iniciativas multilaterais, a Cúpula de Joanesburgo enfatizou a necessidade da realização de projetos que não dependessem de entendimentos entre governos, estimulando, com isso, ações preservacionistas diretamente implantadas entre os governos e as autoridades locais, comunidades, empresas e ONGs (SILVA, 2011).

Como se vê, a partir dessas iniciativas da comunidade internacional, nota-se um forte sentimento de humanidade nutrido pelo Direito Ambiental, que ultrapassa a esfera de Estados e Nações, relativizando o distanciamento das relações entre eles, à medida que lança um desafio – político e jurídico – ligado à perpetuação da própria humanidade. Por tudo isso, o Direito Ambiental vem se mostrando ser um agente integrador das relações entre Estados no que diz respeito à maneira de fruição dos recursos naturais. De fato, essa conformação veio ao encontro das afirmações do Direito contemporâneo, de caráter globalizante, clamando pela interação entre o Direito e as questões éticas e políticas, fazendo-se presente através de instrumentos de cooperação entre os Estados numa dimensão transnacional de cuidado com o meio ambiente.

Nessa perspectiva, o sistema normativo internacional deve amparar todas as medidas que objetivam proteger um valor comum e essencial ao homem e à sociedade, em qualquer lugar desse planeta: o meio ambiente. Consequentemente, o direito ao meio ambiente equilibrado é consagrado como um direito humano, repercutindo, no Direito interno brasileiro, como um direito fundamental que integra a personalidade do indivíduo. Os tratados multilaterais, enquanto instrumento de integração dos povos, exercem um papel importante à construção de direitos voltados ao meio ambiente, máxime, ao afirmarem, através de diversos princípios, a necessidade de formação de um complexo sistema regulatório que lide com as questões dessa natureza.

Há, por outro lado, a necessidade de os Estados assumirem suas responsabilidades comuns frente a esses problemas, além de adotarem medidas para, ao menos, estancar e reduzir os danos causados ao meio ambiente e aos seres humanos. É preciso respeitar os limites finitos da natureza, permitindo transmitir às gerações futuras o legado ambiental, como uma forma de manutenção e de ampliação da dignidade da pessoa humana. Permite-se, enfim, registrar que todas as iniciativas internacionais foram determinantes para a formação de uma consciência ecológica mundial, o que, sem dúvida, contribui para o surgimento de um novo direito, o direito ao meio ambiente.

No documento Jose Francisco de Souza Rolim (páginas 32-38)

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