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3. CARTOGRAFIA SOCIAL, RE-MAPEANDO A RURALIDADE NO MUNICÍPIO DE LOPEZ

3.7. Cartografia Social no Município de López de Micay

3.7.2. Organizacional étnico territorial e uso do solo

3.7.2.3. Conselho comunitário Manglares do Rio Micay

Tem uma extensão de 38,746 hectares e uma população de 3770 habitantes distribuídos em 20 comunidades. Este conselho comunitário se diferencia dos dois anteriores pois se localiza numa zona baixa, de terrenos blandos da baixa do rio Micay, o qual lhe tem outorgado caraterísticas diferenciadas de uso de solo e de sistemas de produção, como se mostram na figura 13. As atividades que se desenvolvem são de caça, coleta de piangua (moluscos) nas zonas de manguezal, pesca manual tanto nos rios, como nas desembocaduras e no mar, extração de madeira e agricultura de subsistência. Entre os principais produtos cultivados estão o coco e a cana, seguido do plátano e do milho. No mapa também se apresentam os territórios das comunidades indígenas, conhecidos como cabildos. O cabildo chamado de Playita San Francisco se encontra setorizado pelo numero de famílias e compartilha o mesmo território com o Conselho Comunitário Manglares.

O Conselho Comunitário Manglares por sua localização na zona baixa, na maioria de suas atividades faz-se uso de técnicas de cultivo e de pesca que levam em consideração a dinâmica das marés, devido a influência que esta exerce sobre o território. Para as atividades de pesca, por exemplo, seus habitantes têm em conta os tipos de maré, maré de puja e de

quebra22, que fazem referência às mares baixas e altas, respectivamente, as quais estão ligadas aos ciclos da lua. O uso de diferentes técnicas e ferramentas para a pesca também são características que diferencia a Manglares dos outros conselhos comunitários estudados, como o descreve Evaristo quando fala da pesca:

Nosotros acá, la pesca la acostumbramos hacer dependiendo, las pescas que vaya hacer, se hace pesca de camarón con malla 2 ¾, se hace pesca de camarón com

changa, se hace pesca con mayadores ya grandes 3 ½ , malla 4, malla 5 y también se

hace pesca con malla de 12 pulgadas que son ya mar abierto que ya la gente se queda la semana, 2, 3 días se pesca con anzuelos. Entonces sobre todo esas variedades de pescas se miran las aguas, hay unas pescas que se hacen con agua baja, oras con agua grande, otras con todo el nivel del agua. Con agua media, con agua alta, hay pescas que se hacen con mareas de puja con mareas de quiebra porque dependiendo de los sitios así también se miran las aguas, porque los peces son como uno, ellos rotan en los lugares dependiendo de as agua, ellos tiene por ejemplo, acá algunos en el municipio de López, tienen varias viviendas, viven en López y viven en Popayán, pero en el tiempo de trabajo se vienen, entonces los peces ellos tiene un tiempo en el que están fértiles, se dicen van a poner los peces, los camarones, entonces cuando ellos va a poner ellos tiene un lugar donde arriman a poner, cuando ya viene dejan los hijos como se dice, ellos se abren a otro lugar de

22 No Pacífico, os habitantes diferenciam quatro tipos e maré, duas que se destacam puja e quiebra. A puja se caracteriza porque o nível da agua aumenta, e se tem a puja grande e a puja pequena, que se diferencias pelo nível de água que aumenta, pois na puja grande o nível de água aumenta mais, o mesmo acontece com a quiebra, esta se da quando o nível de água diminui, e se tem uma quiebra menos baja, e outra baja.

71 descanso. Porque el agua tiene un nivel, la profundidad les da tranquilidad, pero lo seco les da preocupación, por el calor, no ve que el agua se calienta. Entonces ellos (...) dependen del tiempo, están afuera y así mismo en la orilla y así mismo corren las mareas, porque hay unas que corren hacia abajo, otras que corren hacia arriba. Todo este tipo de cosas hay que tenerlas claras para uno ubicar el tipo de pescado en que zona esta, con la marea, en que zona esta con el agua baja, con el gua media, con el agua alta. (Evaristo Viveros, fevereiro de 2014).

A importância sobre o conhecimento das águas como narrou Evaristo e sobre a maré revela o conhecimento inestimável de um elemento tão importante no Pacífico como é a água. Outra das atividades relacionadas à maré é a coleta de piangua nos manguezais, que se pratica em Manglares, como se explicou no capítulo anterior os manguezais são ecossistemas limítrofes que se encontram entre o ecossistema úmido tropical e o mar, este conselho comunitário conta com grande presença deste tipo de ecossistema. Esta atividade de coleta é realizada pelas mulheres, conhecidas como as piangueras, elas chegam até as zonas de manguezal e coletam do solo, que é como uma capa de barro as pianguas, caranguejos e outros moluscos. Don Abundio, um dos habitantes mais antigos de Manglares, explica a relação entre a coleta de piangua e a maré: “Todos los días las piangueras viven pisoteando en algún lugar, hoy llegaron y barrieron ahí, sacaron toda la piangua que hay ahí, y van mañana y vuelven y encuentran en el mismo lugar, por qué? Porque con la marea vuelve entra y se queda ahí” (Abundio Campaz, fevereiro de 2014). Alexis uns dos habitantes mais jovens relaciona a coleta da piangua com as marés altas, “la piangua ella dentra porque está en la

puja, porque este raicero (manguezal) no tiene nada, y en la puja vaya cuente hay piangua al

piso (se tem muita piagua)” (Alexis, fevereiro de 2014).

Estas falas evidenciam a importância dos ecossistemas de manguezal na economia local dos territórios negros. São estes os berçários do mar, pois os manguezais estão compostos por elementos biológicos que se deslocam a mar aberto, e vice-versa, como o manifestaram Abundio e Alexis, ademais de ser também o lugar de caça nas zonas baixas, pois o manguezal está relacionado também às espécies animais como o tatabro, esta é um tipo de espécie migratória, pois se desloca entre a montanha e as partes baixas da bacia do rio Micay na procura de alimento, no mapa (ver figura 13) se constata que a caça se localiza em grande parte nas desembocaduras dos rios, onde há presença das atividades de coleta, sendo estas as zonas onde se localizam os ecossistemas de manguezal.

Quanto ao sistema de cultivo, este é rotativo, por tratar-se de terrenos blandos, o sistema de cultivo rotativo é descontinuo pelo qual se deixa descansar a terra até por dois anos,

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Evaristo Viveros líder do Conselho Comunitário Manglares, afirma que nas partes altas os cultivos são permanentes e nas baixas rotativos:

Nosotros los terrenos acá, son rotativos, que en este año sembramos plátano en esta cordillera de aquí, el año que viene ya no sembramos ahí, sembramos en otro, eso ya queda como el rastrojo para después de dos años volver a sembrar (...) en los altos perdura más la siembra de plátano, banano, chivo, en lo alto dura más, pero en esta parte baja dura menos, el plátano en esta parte baja, si usted le tiene la sostenibilidad orgánica la productividad estaría entre un año y medio a dos años, el período de esa tierra producirle esa semilla ahí ya se le muere y tiene que sembrar e otro lado, entones que usted, ya pasaron los dos años usted siembra donde sembró primero, entonces eso mantiene cambiándose las tierras para que no sea pues estable. (Evaristo Viveros, fevereiro de 2014).

No mapa somente se mostram as zonas de cultivos e não os tipos de produtos que se cultivam, pois nessas zonas é necessário trabalhar mais a terra para plantar outros tipos de produtos. Os solos nas partes baixas são propícios para os cultivos de coco e de cana, os quais estão distribuídos nas desembocaduras dos rios.

Como se mostrou nas descrições do uso do solo dos três conselhos comunitários do município de Lopez do Micay, a agricultura que se apresenta é uma agricultura de subsistência, em que o sistema produtivo se alterna com práticas florestais, de caça e mineração nas partes altas dos rios, enquanto nas partes baixas, a agricultura se desenvolve junto com atividades de pesca e de extração de piangua (moluscos) e exploração florestal (Plan de desarrollo municipio Lopez de Micay, 2012 -2015). “En general, los sistemas productivos se relacionan con la capacidad que tienen los campesinos para rotar sus actividades de acuerdo con la exigencias medioambientales” (Plan de desarrollo municipio Lopez de Micay, 2012 -2015, p.156).

73 Figura 13: Mapa do uso do solo no conselho comunitário Manglares do Rio Micay.

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