TERRA INCOGNITA
2. LIBERDADE E ABERTURA
2.2 CONSEQUENCIAS NÃO-INTENCIONAIS I: GNU/GPL
Se você aponta [sua vela] para o Norte, o vento te leva para algum lugar mais ou menos ao Norte, quer você queira ou não.
Richard Stallman119
O filósofo mexicano, radicado nos EUA, Manuel Delanda apresentou em 2001, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton120, em Nova Jersey, um
texto intitulado “Open Source: Um Movimento em Busca de uma Filosofia121”. Na
época em que realizou esta apresentação, o SL ganhava notoriedade política por passar a ser considerado uma alternativa viável ao monopólio de mercado da Microsoft, que até então parecia ser imbatível. Da mesma maneira, seu modo de produção – considerado como anárquico e caótico – surpreendia a muitos pela alta qualidade dos resultados alcançados por seus produtos e pela agilidade de seus processos.
Após sua apresentação em Princeton, este texto de Manuel Delanda foi publicado apenas na internet. Não se trata de um texto muito conhecido. Na verdade, o texto é muito pouco citado pelos estudiosos do tema. O autor, que possui uma respeitável obra que explora as interseções entre filosofia, arte e tecnologia, possui apenas uma outra publicação que aborda o tema122. Um texto
ainda mais curto, publicado alguns meses antes e que já contém o esboço da formulação que analisamos aqui. Fora isso, em 2004, tratou mais uma vez do assunto, em uma entrevista para uma estação de rádio dinamarquesa, mobilizando-o para explicar a abordagem de sua prática filosófica, a qual
119 “If you head North, you wind up somewhere more or less to the North, whether you wanted to or not.” Cf.: http://en.wikiquote.org/wiki/Richard_Stallman .
120 Cf.: http://www.ias.edu/ .
121 “Open Source: A Moviment in Search of a Philosophy” :
http://www.cddc.vt.edu/host/delanda/pages/opensource.htm .
122 Cf.: Manuel DeLanda, ‘The Politics of Software: The Case for Open Source’ in Dissent Magazine, New York: Foundation for the Study of Independent Social Ideas, Fall 2001
apresentou como uma espécie de filosofia-hacker123. Depois disso, não publicou
mais nada sobre o assunto.
Chama atenção nesse texto o modo como Delanda rejeita tanto a filosofia do SL quanto a do OS através da desconstrução de alguns conceitos e enunciados dos líderes mais proeminentes de cada um dos movimentos, respectivamente, Richard Stallman e Eric Raymond, chegando até a afirmar que o que interessa na análise filosófica do movimento é que “a baixa qualidade de suas
filosofias é totalmente irrelevante para o sucesso do movimento”. Tratando SL e
OS como um só movimento, afirma que as conquistas do SL são consequências pragmáticas não-intencionais de um movimento coletivo e dotado de capacidade de auto-evolução. Aplicando a teoria econômica dos custos transacionais – que também será a base de um importante texto de Yochai Benkler (2005) – analisa dois elementos que pertencem tanto ao universo do SL quando do OS, cujos efeitos são, na sua leitura, o segredo do sucesso do SL enquanto modo de produção: a criação da licença GNU/GPL, que informou um ambiente institucional propício ao desenvolvimento colaborativo; e a criação do paradigma de produção do LINUX, que informou uma estrutura de governança para a produção.
Num primeiro momento, é um pouco difícil concordar com o fundamento da afirmação de Delanda, de que o “movimento open source” estaria em busca de uma filosofia não pela ausência de uma filosofia, mas pelo fato de que suas várias filosofias – que oscilariam entre uma “filosofia moral a priori” e uma tentativa de
“filosofia pragmática” extraída etnograficamente das próprias práticas dos hackers
– quando contrastadas “com a alta qualidade dos softwares produzidos, (…) são
rasas e frágeis” (p.1). Além disso, são um tanto questionáveis algumas de suas
123 Segundo um comentário a respeito deste programa de rádio (o qual não tive acesso) publicado por Tom Tyler em um site que reúne uma bibliografia comentada de Delanda, esta abordagem de
“filosofia-hacker” derivaria da seguinte condição: “diferente de acadêmicos de carreira aos quais é requerida a especialização, ele [Delanda] é capaz de pesquisar em diferentes disciplinas e, por isso, é capaz de criar conexões entre diferentes campos”. Cf.: Michael Cristophersen and Manuel DeLanda, 'Hackerfilosoffen Manuel DeLanda' Danish Broadcasting Corporation (DR), 22-23.05.2004 (in Danish
proposições como, por exemplo, em relação à criação da GNU/GPL, de que
“pode-se perfeitamente imaginar outro hacker guiado por considerações mais pragmáticas [que as de Stallman] propondo basicamente a mesma ideia”.
Contudo, apesar de se tratar de um texto de um não-especialista, que, ademais, parece ignorar ou até mesmo desprezar a questão da liberdade – reduzindo-a a uma questão subjetiva associada à prática hacker de querer desenvolver código de qualidade124 – sua proposta de analisar o que chama de
sucesso do movimento open source não pelas “ações intencionais de seus
principais protagonistas, ações que são informadas por filosofias específicas, mas por suas consequências coletivas não-intencionais” mostra-se instigante e
profícua. De forma que acredito que esta proposta possa nos ajudar a entender a relação entre tecnicidade e política inaugurada pelo SL e o modo próprio da evolução dessa relação: como algo que extrapola o efeito de uma ação política original, e que engloba a tecnologia e o ambiente – ou ecossistema – associado a ela como participantes ativos do processo político.
No que concerne a esta parte deste capítulo da Tese, abordaremos os aspectos da discussão proposta por Delanda a respeito da criação e do funcionamento da licença GNU/GPL. Deixaremos para explorar os aspectos relativos a criação do Linux na próxima parte desta seção.
A GNU/GPL é uma licença de tipo copyleft baseada nos direitos autorais que traduz para uma linguagem jurídica e contratual os princípios das 4 liberdades, fazendo a lógica dos direitos autorais funcionar a favor da proteção da criação e da circulação de conhecimento dentro do regime do SL. Este aspecto é importante: o copyleft não ocorre como uma negação dos direitos autorais. Podemos afirmar que se trata de uma reversão do modo como os direitos autorais são aplicados: ao invés de restringir a cópia e o compartilhamento por parte dos usuários, o copyleft assegura que os usuários tenham o direito de copiar e de compartilhar o software licenciado sob seus termos.
É necessário destacar a diferença entre “reversão de alguns efeitos de sua aplicação convencional” de uma verdadeira “negação dos direitos autorais” pois, na verdade, a GNU/GPL depende das leis de direitos autorais tanto para sua existência quanto para sua eficácia. Como pode ser observado no item 5 da seção
“Termos e condições para cópia, distribuição e modificação125” da versão 2.0 da
licença GNU/GPL, através da seguinte formulação:
Você não é obrigado a aceitar esta Licença já que não a assinou. No entanto, nada mais o dará permissão para modificar ou distribuir o Programa ou obras derivadas deste. Estas ações são proibidas por lei caso você não aceite esta Licença. Desta forma, ao modificar ou distribuir o Programa (ou qualquer obra derivada do Programa), você estará indicando sua total aceitação desta Licença para fazê-los, e todos os seus termos e condições para copiar, distribuir ou modificar o Programa, ou obras baseados nele126.
Ainda no preambulo desta licença, encontramos a seguinte formulação que apresenta a base de sua sustentação e de seu funcionamento:
Nós protegemos seus direitos em dois passos: (1) com copyright do software e (2) com a oferta desta licença, que lhe dá permissão legal para copiar, distribuir e/ou modificar o software.
Nesse sentido, pode-se mesmo advogar que, portanto, a GNU/GPL acaba legitimando a lógica e o sistema dos direitos autorais e expandindo sua aplicação e sua aplicabilidade. O que pode até mesmo parecer um contrassenso. Contudo, não se pode afirmar que o enclausuramento do conhecimento associado às práticas do software proprietário, com a implicação da proibição e do impedimento ao compartilhamento de código, seja uma decorrência da aplicação dos direitos autorais ao software. Como mostramos na seção 2.1, a consolidação do modelo
125 «TERMS AND CONDITIONS FOR COPYING, DISTRIBUTION AND MODIFICATION»:
http:// www.gnu.org/licenses/gpl-2.0.html.
126 Para a tradução da licença para o português do Brasil ver: http://www.magnux.org/doc/GPL-pt_BR.txt . Para a versão original em inglês ver: http://www.gnu.org/licenses/gpl-2.0.html .
de produção do software proprietário depende da correlação de fatores econômicos, tecnológicos e, sobretudo, políticos. Ademais, como mostramos também, a publicação dos softwares no domínio público ou em um esquema comunal/comunitário dependente somente de princípios éticos mostrou-se frágil, ineficiente e, principalmente, insuficiente para garantir a liberdade do software e da prática do compartilhamento. Dessa forma, acredito que é mais potente entender a criação da GNU/GPL como um hack político, como uma reversão e mesmo como uma inversão do sentido de aplicação majoritária e hegemônica do copyright que aproveita a lógica do copyright e do sistema social constituído para aplicá-lo, fazendo-a funcionar em um outro sentido. Um hack político, portanto, pois uma resposta na lógica do inimigo que subverte a linguagem da apropriação para limitar a apropriação: não se trata de contrariar o sistema de direitos autorais, mas fazê-lo funcionar a seu favor, limitando-o.
Se o sistema de copyright se consolidou como um sistema de restrições à cópia e à distribuição impostas ao usuário baseadas na exclusividade destes direitos ao autor127, a GNU/GPL consolidou um conjunto de regras para garantir o
direito de cópia e de distribuição ao usuário, usando seu poder (legal) de restrição para impedir infrações a estes direitos. Dessa forma, transforma o sentido da aplicação do copyright, revertendo seu efeito majoritário e hegemônico, tornando-o em um instrumento de proteção e de promoção de cópia e de distribuição de software que, amparado nesse arranjo, se torna livre.
Nesse sentido, é válido retomar o argumento de Delanda (2001) para aproveitar sua explicação deste arranjo que combina o aproveitamento do
copyright para a reversão do sentido de sua aplicação:
Os termos do acordo de licença são espertamente128 projetados
para excluir aproveitadores (free-raiders), ao forçar todos que
127 E aqui é preciso destacar que a figura do “autor” na maioria das vezes é meramente simbólica e funcional, uma vez que os principais detentores de copyrights são empresas, às quais os programadores cedem seus direitos por meio do contrato de trabalho.
utilizarem código previamente distribuído como open source a abrirem qualquer contribuição que for feita [a partir deste código]. Este efeito não é atingido pela abolição da propriedade intelectual, cada contribuidor possui o direito autoral de qualquer peça de código que desenvolveu, mas pela alteração do modo como os
direitos de exclusão são aplicados129.
Mais adiante em seu texto, mobilizando o pensamento de David McGowan (2001: 147), Manuel Delanda descreve como se dá o funcionamento do copyright através do modo específico que a GNU/GPL o mobiliza:
O sistema da GNU/GPL se baseia na atribuição de direitos de propriedade (copyright) a um autor que é, então, capaz de conceder direitos não-exclusivos e transferíveis aos membros da comunidade, sujeitos às limitações impostas pelos princípios da
comunidade. Esta estrutura proporciona aos usuários
subsequentes do código protegido por direitos autorais a capacidade de passar adiante as restrições que incorporam os princípios do open source, resultando na disseminação destes princípios na mesma proporção da distribuição do código. O direito de excluir não é abandonado; no entanto, este modelo garante ao detentor do direito a capacidade de impor aqueles princípios [os princípios do open source] através de uma ação por infração caso necessário.130
O fato da GNU/GPL não só proteger a distribuição livre de código, como também estimular que códigos sejam publicados sob seus termos, é um aspecto importante e fundamental de seu sucesso e de sua especificidade. Isto ocorre por ela exigir e obrigar que qualquer produção derivada de um código licenciado por ela, adote a mesma licença para sua distribuição subsequente – no que costuma
129 “The terms of the license agreement are cleverly designed to exclude free-raiders, by forcing everyone
who uses previously open-source code into opening whatever contributions he or she makes. This effect is not achieved by abolishing intellectual property, each contributor owns the copyrights of whatever piece of code he or she has developed, but by altering the way in which the rights of exclusion are deployed.”
130“The GNU GPL system rests on the assignment of property rights (copyright) in an author, who is then
able to grant nonexclusive, transferable rights to community members, subject to limitations that enforce community tenets. This structure gives subsequent users of the copyrighted code the ability to pass along restrictions that embody open-source tenets, resulting in the dissemination of the tenets in proportion to the distribution of the code. The right to exclude is not abandoned; however, this model gives the rights-holder the ability to enforce those tenets through an infringement action if necessary.”
ser chamado de efeito virótico.
Pela complementariedade entre os princípios políticos e a aplicação de um instrumento jurídico portador de valor legal (capacidade de ser imposto através de uma ação por infração; e dotado de poder de jurisprudência131), a GNU/GPL
estabelece uma relação de recursividade (Kelty, 2008; Perdersen, 2010) entre estes princípios (políticos) e a prática (sócio-técnica) que pretendem defender, na qual o avanço de um reforça e fortalece a expansão do outro. Nas palavras de McGowan mobilizadas por Delanda: “a disseminação dos princípios [do SL] ocorre
na mesma proporção da distribuição do código”.
Ainda acompanhando o pensamento de Delanda, podemos perceber que:
(...) a originalidade da GPL é a de ao invés de ativamente explorar o direito de excluir como ele é explorado pelas licenças convencionais, este direito é realizado como método de forçar a adesão às normas incorporadas pela licença. (…) Dessa forma, a licença se torna um instrumento legal para construção de uma comunidade (preservando e propagando normas que até então pertenciam apenas a uma pequena comunidade, permitindo que ela cresça e se estabilize), para além de seus objetivos mais imediatos de manter o software aberto e de servir como meio para
alocar crédito para contribuições particulares.132
Essa característica virótica – principalmente o emprego deste termo – já foi usada como uma maneira de depreciar o SL, e mesmo como uma maneira de enfraquecer a adesão à utilização da GPL. A expressão já aparece no Jargon
File133, em sua versão 2.2.1 de 15 de dezembro de 1990, sob a forma do verbete 131A esse respeito, a página da Wikipedia dedicada à GNU/GPL e escrita em inglês traz uma relação das
disputas mais significativas, Cf.:
http://en.wikipedia.org/wiki/GNU_General_Public_License#Legal_status.
132 “the originality of the GPL is that rather than actively exploiting the right to exclude, as it is done in
conventional licenses, this right is held "in reserve as a method of enforcing adherence to the norms embodied in the license". In this way, the license becomes a legal instrument for community-building (preserving and propagating the norms of a once small community allowing it to grow and stabilize) in addition to its more immediate goals of keeping the software open and of serving as a means to allocate credit for particular contributions.”. A citação interna é referente a David McGowan (2001).
133 O Jargon File é uma coleção de gírias e termos utilizados por hackers coletadas desde os anos 1970. A versão que cito aqui, foi organizada e mantida por Eric Raymond. Cf:
“General Public Virus”. Ou seja, logo após o lançamento de sua primeira versão,
que ocorreu em 1989134. Em 2001, Craig Mundie, então vice presidente sênior da
Microsoft, chegou a afirmar que o aspecto viral da GNU/GPL constituía “uma
ameaça à propriedade intelectual de qualquer organização que a utilize”135, em um
discurso em que defende o modelo do software proprietário como único modelo viável para o desenvolvimento de software comercial, e mesmo como único modelo viável para a produção criativa de software – alegando inclusive que o modelo do open source seria um modelo datado, ultrapassado, que foi útil e adequado à realidade da industria da computação na era dos mainframes.
Por outro lado, desenvolvedores que defendiam o modelo de licenciamento do BSD – o qual permitia qualquer tipo de utilização derivada, inclusive o fechamento do código em um produto proprietário, exigindo somente a referência a autoria do código aproveitado – utilizavam a expressão no sentido de que a GPL infectava os códigos que entravam em contato com os códigos licenciados por ela. Numa alusão direta aos códigos licenciados pela licença BSD que, incorporados em novos projetos, passaram a ser licenciados pela GPL136, e, também, numa
tentativa de afirmar que a licença BSD era mais livre, justamente por não impor nenhuma restrição a seus usuários137.
No entanto, concordo com o argumento de Delanda (2001), de que:
Mesmo que essa caracterização soe insultante para Stallman, na verdade ela é desprovida de qualquer conotação negativa se aceitarmos o papel da licença em propagar e aplicar normas
outubro de 2004.
134 Cf.: http://www.gnu.org/licenses/gpl-1.0.html .
135 "This viral aspect of the GPL poses a threat to the intellectual property of any organization making use of
it.”. The Commercial Software Model, apresentação realizada na The New York University Stern School
of Business em 03/05/2011, cf.: http://www.microsoft.com/en-us/news/exec/craig/05-03sharedsource.aspx
.
136 A esse respeito, é interessante notar que este efeito por parte da GPL não é diferente de nenhuma outra utilização de código BSD em software proprietários que, por sua vez, também passam a distribuir a obra modificada – ou mesmo a mesma peça de código – sob outra licença.
137 Nesse sentido é válido recomendar a leitura do texto “Liberdade ou Poder?” no qual Richard Stallman e Bradley M. Kuhn, destacam o caráter coletivo da liberdade e justificam a necessidade de impor restrições sobre o poder individual para garanti-la. Cf.: http://www.gnu.org/philosophy/freedom-or-power.html .
comunitárias138.
Nesse sentido, é interessante guardar que a GPL é fundamental não só para garantir e manter o software livre; além de limitar a apropriação e impedir que o código seja fechado em um produto ou obra derivada proprietária, ela informa um domínio comum compartilhado e compartilhável. A GPL favorece uma estrutura para a produção baseada no compartilhamento ao garantir uma proteção legal para a prática do compartilhamento. E dessa forma, como consequência não-intencional do intuito de proteger a liberdade do software e da prática do compartilhamento, forneceu a infraestrutura institucional que possibilitou o surgimento e o desenvolvimento de um ecossistema livre e aberto para a produção de código, que se expande na medida em que o código é compartilhado.
Porém, as consequências não-intencionais não param por aí, pois a estrutura institucional criada pelas licenças copyleft acabou por favorecer também o surgimento de novos modelos de negócios, uma vez que o copyleft se mostrou mais eficiente para promover a inovação e a criação da produção de software em meio à informação digital.
Nesse ponto, é interessante retomar dois enunciados apresentados anteriormente. Primeiro, o de Calvin Mooers (Dexter e Chopra, 2007: 9), que em 1968 ao clamar por “uma base adequada para o desenvolvimento e a
comercialização de software proprietário” afirmou que os métodos dos direitos
autorais, patentes e segredos de negócios demonstravam uma “capacidade
duvidosa” para fornecer esta base. Segundo, o de Stewart Brand (1987: 202), de
que a “informação quer ser livre pois tem se tornado cada vez mais barata para
que se distribua, copie e recombine – muito barata para ser medida”.
Estes dois enunciados são importantes pois permitem a visualização de um aspecto fundamental da informação digital, que é sua capacidade de replicação e de reprodução sem diferença sensível entre original e cópia. Tal característica a
138 “Although this characterization sounds insulting to Stallman, it is in fact devoid of any negative
torna barata demais para que o custo de sua reprodução seja calculada, ao mesmo tempo, que torna praticamente impossível o controle sobre sua circulação.