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TERRA INCOGNITA

2. LIBERDADE E ABERTURA

2.1 A LIBERDADE DO SOFTWARE LIVRE (FREEDOM AS IN FREE SOFTWARE)

Há um enunciado muito difundido entre os ativistas, militantes, simpatizantes e praticantes do SL. Um texto curto que reúne um pequeno conjunto de princípios que, juntos, funcionam como instrução para definir, e como referência para balizar, o que é um software de tipo livre. Este conjunto de princípios delimita um campo de agência: estabelece o que um programa qualquer pode ou não fazer para que seja considerado livre. Apesar de constituir um enunciado escrito não compõe um documento em si e, por isso, precisa ser acessado através de outros textos e falas que o mobilizam77. É conhecido como

“as quatro liberdades essenciais do SL”, ou, de maneira simplificada, apenas

como as 4 liberdades.

Richard Stallman78, o criador do enunciado, costuma fazer questão de

iniciar qualquer de seus discursos públicos, entrevistas e mesmo conversas informais sobre SL com a apresentação das 4 liberdades. Também recorre ao enunciado sempre que um interlocutor dá sinais de não ter entendido o conceito do SL; quando o interlocutor o confunde, por exemplo, com o conceito de OS; ou quando o interlocutor se refere ao SL de maneira inapropriada. Mesmo que soe redundante, e por mais desagradável que possa vir a ser, Stallman aposta nesse caminho pois considera ser o único que possa assegurar que o sentido político original do SL seja transmitido junto com a divulgação do SL enquanto um conceito político ou enquanto tecnologia.

Neste capítulo, respeitando a prática política do criador do conceito de SL – que é também um importante articulador do movimento SL e principal figura

77 O exemplo mais importante é provavelmente o documento da FSF no qual é apresentada sua versão oficial do que é SL, “A definição de Software Livre”, cuja última versão – trata-se de um texto que é

constantemente atualizado – é do ano de 2010, e a tradução para português do Brasil é de 2012. Cf. :

http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html.

associada à defesa do SL e à sua propagação no mundo – parto aqui também da apresentação destes 4 princípios. O objetivo deste item é caracterizar a noção de liberdade segundo a prática e a narrativa política própria do SL na tentativa de forjar uma definição autóctone do conceito de liberdade tal como formulada pelo movimento SL.

As quatro liberdades essenciais do SL são:

• A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito

(liberdade 0).

• A liberdade de estudar como o programa funciona, e

adaptá-lo às suas necessidades (liberdade 1). Para tanto, acesso ao código-fonte é um pré-requisito.

• A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa

ajudar ao próximo79 (liberdade 2).

• A liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas

a outros (liberdade 3). Desta forma, você pode dar a toda comunidade a chance de beneficiar de suas mudanças. Para tanto, acesso ao código-fonte é um pré-requisito.

Basicamente, e a partir de uma abordagem estritamente prática, os princípios expressos acima permitem que se afirme que um software é livre quando o usuário pode executá-lo para qualquer fim, estudar seu funcionamento,

79 Aqui, acerca da tradução de neighbor por próximo, cabe assinalar que há uma outra tradução possível, que permite que se demarque um outro tipo de relação de colaboração implícita na liberdade de redistribuir cópias. Refirmo ao uso do termo vizinho. Se por um lado, o emprego do termo próximo remete a um outro potencial, um outro abstrato – que ademais possui forte conotação religiosa – e que na prática significa qualquer outra pessoa com a qual se compartilha uma condição (humana) abstrata, por outro, o termo

vizinho remete a um tipo diverso de relação de alteridade, a qual é definida pelo compartilhamento não de

uma condição abstrata, mas pelo estabelecimento de relações diretas de convivialidade, reciprocidade e compartilhamento. Por ora, manterei o texto tal como traduzido oficialmente pela FSF. O termo nuançado será aplicado quando for necessário ou for propício diferenciar os dois tipos de relação que destaco aqui.

alterar este funcionamento, compartilhar as alterações e distribuir versões idênticas ou modificadas de seu código. Do que podemos depreender que um software é livre quando não restringe as liberdades do usuário: quando não limita sua autonomia e sua capacidade de controle sobre os processos computacionais mediados por este software, e quando não limita as possibilidades de distribuição e do compartilhamento de seu código.

No entanto, as 4 liberdades, como já foi dito, são apenas princípios – princípios éticos, como gostam de afirmar os ativistas e filósofos do SL – que, por si só, não garantem que a liberdade do SL será praticada ou, mais importante, respeitada. Para que estes princípios tivessem um efeito prático, foi necessário a criação de uma licença de distribuição que os protegesse e que os promovesse: a licença GNU/GPL80 – cujo funcionamento será analisado com mais detalhes, no

próximo item deste capítulo.

Considero útil, para o entendimento da liberdade proposta e defendida pelo SL e, também, para o entendimento de sua razão de existência, que nos voltemos para o contexto histórico original de sua emergência, de sua criação e de sua afirmação. Para tanto, proponho uma breve reconstituição do estado da arte das tecnologias de computação contrastado ao estado da arte do enclausuramento do conhecimento no momento iminentemente anterior à criação do SL. Uma reconstituição da evolução técnica da computação e da criação de regimes de apropriação adequados para serem aplicados sobre os novos campos de valor abertos pela evolução técnica.

Estes dois movimentos precisam ser observados a partir de suas interações, complementariedades e, sobretudo, contradições. Afinal, a criação do

80 A esse respeito, Steven Weber (2004, p.48) afirma que: “[U]m sistema social ou regime de propriedade

intelectual iniciado com essas 4 liberdades precisava de restrições e estruturas adicionais para assegurar que ele permaneceria livre. Caso Stallman simplesmente colocasse o software em domínio público e permitisse que qualquer um fizesse o que quisesse com ele, alguém poderia pegar o código e usá-lo para criar outra peça de software e em seguida poderia publicar como um produto proprietário, sem mostrar o código fonte. Se assim fosse, a próxima geração de usuários não teria as liberdades que Stallman queria que eles tivessem.”

SL nada mais é que uma resposta a estas contradições. E aqui, obviamente parto do princípio que sua afirmação de liberdade remete a um movimento no sentido contrário, o qual se busca evitar. Ou seja, é disparada como reação a algum movimento que busca negar, anular, cercear ou eliminar essa liberdade.

Não à toa Steven Weber em seu estudo seminal sobre o “sucesso do Open

Source“ (2004), afirma que:

A narrativa do programador não é aquela do trabalhador que gradualmente vem tomando controle [sobre os meios]; mas aquela do artesão de quem o controle e a autonomia [sobre os meios] foi tomado81.

A demarcação do ponto de partida do SL como uma resposta a um movimento que se busca evitar – a espoliação dos meios de trabalho do programador – é importante para que se evite a falsa ideia, ou percepção bastante comum e incorreta, que tenta naturalizar o fundamento político do SL como uma consequência natural da evolução da Internet e das tecnologias digitais, que seriam essencialmente liberadoras e democráticas quando, na realidade, trata-se justamente do contrário: a criação do SL explicita um conflito que é latente à evolução dessas tecnologias e imanente a sua aplicação como força produtiva e a seu aproveitamento econômico. Entendemos a criação do SL, portanto, como a explicitação do conflito original da absorção da produção de software como fonte de produção de valor e da delimitação de um mercado de trabalho para a atividade de programação.

Matteo Pasquinelli (2012, p.53) chama de “digitalismo” essa ideologia fundamentada em um certo fetiche pelo digital que tenta operar uma transposição automática dos regimes de liberdade próprios do ambiente digital para o que se pode chamar de mundo-offline. Uma transposição um tanto matreira é preciso

81 Cf.: Steven Weber (2004, 25): “The narrative of the programmer is not that of the worker who is

gradually given control; it is that of the craftsperson from whom control and autonomy were taken away”. Ver também: “Free Software and Political Economy” (Chopra & Dexter 2008, 1-35) .

ressaltar, uma vez que, na prática, reduz a liberdade do usuário ao engajamento voluntário em formas mais ou menos dissimuladas de trabalho gratuito (Terranova, 2004). Operando assim uma inversão do sentido político original da colaboração como liberdade, ao promover a colaboração e a produção colaborativa de conhecimento somente sob formas e meios que são passíveis de serem explorados como matéria-prima disponível e sem-dono, sobre a qual projetam-se diferentes modelos de negócio baseados em acesso livre a conteúdos produzidos

gratuitamente através de meios privados. Tal cenário, o qual nos últimos anos tem

se intensificado82, favorece apenas a difusão das tecnologias digitais

acompanhadas de um “sistema social” – para empregar uma expressão precisa de Stallman (2009) – baseado na separação entre usuários e produtores, e em práticas de produção e consumo, que, ademais, em muitos de seus aspectos restringem liberdades e contrariam a filosofia política do SL.

Obviamente há uma clara relação entre a evolução da internet e a do SL. E de fato pode-se mesmo falar que o SL dependeu para sua criação e evolução das estruturas físicas e das práticas de comunicação e de troca de conhecimento proporcionadas pela internet. No entanto, é fundamental destacar que foi antes na direção de tentar evitar aquilo que permitiria a colonização total da internet, e sua conversão ainda mais extrema em um meio de controle social e de espoliação – o enclausuramento do conhecimento; a consolidação do modelo de produção, circulação e comercialização do software proprietário; e a perda de autonomia e controle sobre os meios por parte do usuário – que o SL e o movimento SL foi criado.

Como se trata de uma liberdade experimentada e condicionada pela existência e pelo uso de software, e limitada pelo processo de transformação do software em mercadoria, considero necessário, para a caracterização tanto dessa

82 A título de exemplo, faço referência aos esforços recentes empreendidos na direção da implementação de leis que criminalizam práticas de compartilhamento de conteúdo, ou estabelecem diretrizes para que os provedores de serviço retenham dados de utilização dos usuários de seus serviços, como no caso da França e a lei Hadopi de 2010; dos EUA e os projetos PIPA e SOPA (2011); do Brasil com o Projeto de Lei Azeredo (2008).

forma particular de liberdade (nova forma de liberdade), quanto do movimento que a impede de ser praticada – o enclausuramento –, o entendimento da evolução da relação de uso dos computadores e da relação de exploração capitalista da produção e da distribuição de software. E acredito que elas possam ser apresentadas ao mesmo tempo, pois a evolução da primeira está diretamente relacionada com o surgimento das condições de possibilidade da segunda. No entanto, de maneira alguma pretendo, ao estabelecer essa relação entre evolução da relação de uso e a aplicação do enclausuramento, naturalizar a transformação do software em mercadoria – processo que alguns autores chamam de

commodification (Chopra and Dexter, 2007; Mackenzie, 2006; Boyle, 2008). Muito

menos é minha intenção afirmar que a única via possível para a indústria do software era o enclausuramento do conhecimento praticado pelo modelo do software proprietário. Não obstante, o que se busca é mostrar que os esforços de conversão do software em mercadoria só foram possíveis devido aos avanços técnicos da tecnologia computacional. Dessa forma, nossa análise busca sempre o reconhecimento de conflitos precipitados pelos novos modelos de negócio que se projetam sobre os novos campos de trabalho e de criação de valor abertos pela evolução técnica.

Para reconstituir esse processo de evolução técnica, recorro a um importante pensador e ativista do movimento SL, o historiador e advogado Eben Moglen83, que trabalhou como programador dos 13 anos até o fim de seus estudos

universitários (tendo trabalhado entre 1979 e 1984 para a IBM), cuja produção teórica e reflexão política, a despeito de sua densidade, originalidade e qualidade, ainda é pouco explorada pela teoria social dedicada ao tema. Segundo Moglen (1999, p. 1), inicialmente, o termo software correspondia às partes do computador que podiam ser alteradas livremente, diferentemente do hardware, constituído de partes imutáveis, que funcionavam de acordo com o modo como haviam sido

83 Para acesso a sua produção atual e afiliações ver: http://emoglen.law.columbia.edu/ . Para uma descrição de sua trajetória pessoal e profissional ver: “Affidavit of Eben Moglen on Progress Software vs. MySQL

fabricadas:

O primeiro software consistia na configuração dos plugs de cabos ou dos seletores nos painéis exteriores de um dispositivo eletrônico, mas assim que meios linguísticos de alterar o comportamento dos computadores foram desenvolvidos, “software” passou a denotar as expressões em uma linguagem mais ou menos legível por humanos que tanto descrevia quanto

controlava o comportamento da máquina84.

Esta passagem do software da fase dos cabos, plugs e seletores para a fase dos “meios linguísticos85” capazes de serem lidos e escrito por humanos, e

armazenados e processados por máquinas, implicou uma verdadeira mudança de estado da computação. A qual se intensificou ainda mais com o aumento da capacidade de armazenamento de memória por parte dos computadores e com o aprofundamento do processo de digitalização. A principal transformação, foi a possibilidade de separação entre hardware e software, isto é, o desenvolvimento de linguagens capazes de serem transcritas para operarem diferentes arquiteturas de processamento. Esta separação permitiu que o hardware desenvolvido por uma empresa pudesse processar e operar a partir do software desenvolvido por outra, e que a produção, comercialização e distribuição de software pudesse constituir um mercado em si.

Nos primeiros tempos em que o software passou a ser escrito, pode-se afirmar que inicialmente ele era livre, ou quase livre: apesar de serem propriedade

84 “The first software amounted to the plug configuration of cables or switches on the outside panels of an eletronic device, but as soon as linguistic means of altering computer behavior had been developed, “software” mostly denoted the expressions in more or less human-readable language that both described and controlled machine behavior.” Para visualização de imagens históricas dos computadores no período citado por Moglen, incluindo alguns modelos que são citados mais adiante no texto, conslutar o ANEXO WK-18.

85 A essa noção de meios linguísticos, cabe referência a expressão proposta pelo físico e artista plástico belga Etienne Delacroix (ver ANEXO WK-20) de que o software seria – no dialeto que Etienne praticava – um “objeto técnico no linguagem” (comunicação pessoal, 2006). O que importa destacar aqui é o que se refere à materialidade desse objeto técnico, a relação entre linguagem, disparação (Simondon apud Deleuze, 2006, pp. 117-121) e o controle de um processo e o novo campo de ação e de criação que esta

das empresas que financiavam seu desenvolvimento, que na ocasião se confundiam com as empresas que desenvolviam o hardware, os programadores podiam compartilhar os códigos livremente e sem nenhuma restrição. Acima de tudo, não era interessante para essas empresas cercearem de alguma maneira o compartilhamento do software, afinal, “o valor estava no hardware” (Moglen, 2007: p. 2).

Para melhor compreender esta relação, vale a pena recorrer novamente a uma passagem de Eben Moglen (1999, p. 11), dessa vez a respeito do estado da arte da indústria da computação nesse momento histórico:

O estado da arte da industria da computação durante os anos 1960 e 1970, quando as normas básicas da programação sofisticada foram estabelecidas, ocultou a tensão implícita nesta situação. Naquele período, o hardware era caro. Cada vez mais os computadores eram grandes e complexas coleções de máquinas, e o negócio de projetar e construir uma tal variedade de máquinas de uso geral era dominada, para não dizer monopolizada, por uma empresa. A IBM dava seu software. Para ser mais preciso, ela possuía os programas que seus empregados escreviam, e registrava (copyrighted) o código fonte. Mas, ela também distribuía os programas – incluindo o código fonte – para seus clientes sem nenhuma cobrança adicional, e os encorajava a fazer e a compartilhar os incrementos e as adaptações destes programas que distribuía. Para um fabricante de hardware que dominava o mercado, esta estratégia fazia sentido: melhores programas vendiam mais computadores, onde a capacidade de lucro do negócio residia86.

Ainda segundo Moglen, o software era “quase livre” (almost free) pelo

86 “The state of the art of the computer industry throughtout the 1960s and 1970s, when the groundnorms of

sophisticated computer programming were established, concealed the tension implicit in this situation. In that period, hardware was expensive. Computers were increasingly large and complex collections of machines, and the business of designing and building such an array of machines for general use was dominated, not to say monopolized, by one firm. IBM gave away its software. To be sure, it owned the programs its employees wrote, and it copyrighted the source code. But it also distributed the programs – including source code – to its custumers at no additional charge, and encouraged them to make and share improvements or adaptations of the programs thus distributed. For a dominante hardware manufacturer, this strategy made sense: better programs sold more computers, which is where the profitability of the business rested.”

simples fato de que o “direito de excluir outros (…) era praticamente sem

importância, ou mesmo indesejável, no coração do mercado de software (software

business)87” (p. 12). De fato, o software era propriedade da IBM, o que certamente

implicava em limites para os usuários. No entanto, estes limites não eram percebidos ou não possuíam grandes implicações práticas uma vez que o software não custava nada para ser adquirido, e os termos nos quais era fornecido não só permitiam como encorajavam a experimentação, a modificação, o incremento e o compartilhamento de códigos produzidos pelos usuários. De modo que o autor pode mesmo afirmar que:

o software dos mainframes eram desenvolvidos cooperativamente pela principal fabricante de hardware e seus usuários tecnicamente sofisticados, empregando os recursos distribuídos do fabricante para propagar os incrementos resultantes através da

comunidade de usuários88(p. 11).

Levando em conta o que podemos chamar de estágio de desenvolvimento das forças produtivas e observando seu modo de evolução, podemos perceber que enquanto não houve um potencial explícito para a exploração comercial da produção de software, estabeleceu-se uma relação permissiva com os usuários. As empresas eram proprietárias dos códigos, mas adotavam uma postura de

laissez-faire que já reconhecia e se aproveitava da capacidade produtiva dos

usuários para o desenvolvimento e aprimoramento tecnológico, ou seja, do aproveitamento e da incorporação do uso como elemento da produção.

Por outro lado, era do próprio interesse dos usuários compartilhar suas adaptações, correções e incrementos para evitar trabalho redundante. A questão de evitar a redundância aparece como central aqui, pois o tempo do

87 “The right to exclude others, onde of the most important “sticks in the bundle” of property rights (…),

was practically unimportant, or even undesirable, at the heart of the software business.”

88 “[B]ut in practice mainframe software was cooperatively developed by the dominant hardware

manufacturer and its technically-sofistcated users, employing the manufacturer's distribution resources to propagate the resulting improvments throught the user community.” (p.11)

processamento computacional era um recurso escasso e muito caro89. É preciso

ter em mente que quando falamos de computadores em 1955, por exemplo, ou ainda nos anos 1960, estamos falando de máquinas completamente diferentes das atuais, as quais muitas vezes ocupavam salas e até mesmo prédios inteiros. Steven Weber (2004, 21) afirma que “a primeira geração dos computadores

modernos era estranha, cara, de manutenção complicada, e não muito potente”90.

A IBM cedia seu primeiro modelo comercial, o 701, através de um contrato de

leasing, e seus primeiros clientes restringiam-se ao Departamento de Defesa dos

EUA, e empresas que prestavam serviço para o Departamento de Defesa. Em 1953, um modelo comercial derivado do 701, o 705 era vendido por, valores da época, U$1.600.000,0091.

Samir Chopra e Scott D. Dexter (2007, 6) citam dois exemplos interessantes relativos a esse período, nos quais usuários se juntaram para colaborar no desenvolvimento dos estágios iniciais de tecnologias que eram de