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Considerações finais

No documento Condicionais contrafatuais e contrapossíveis (páginas 125-131)

Neste trabalho, avaliamos três possíveis soluções ao problema dos contrapossíveis vacua- mente verdadeiros. A primeira delas, a chamada “melhor revisão” foi julgada insatisfatória pelos resultados que proporcionou. O debate se tornou mais interessante entre as soluções da semântica estendida com mundos impossíveis e a semântica com lógica de base paraconsistente. Na primeira, há uma série de entendimentos do que são mundos impossíveis que acarretam mu- danças na semântica. O entendimento que se julgou mais de acordo com a proposta foi o dos chamados “mundos americanos”, mundos em que a distribuição de valores de verdade para proposições é arbitrária. Duas dificuldades fundamentais marcam essa solução: a ontologia dos mundos impossíveis - o que são e como tratá-los - e a métrica de similaridade com a importação desses objetos - há novos princípios que guiam sua construção? E, se não há, como fica a estru- tura lógica do operador contrafatual? No que diz respeito aos casos que motivavam a rejeição do vacuísmo, os contralógicos foram considerados particularmente problemáticos nessa aborda- gem (e também na paraconsistente) por não haver indicativo claro de como formalizá-los, além de sua característica patentemente autorreferencial.

Já a solução paraconsistente encontrou obstáculos ao manter a proibição de que deter- minadas proposições fossem verdadeiras - as “contradições consistentes” -, sob certo aspecto preservando o vacuismo. Por outro lado, preservou também uma parcela maior da estrutura lógica do operador contrafatual e também permitiu que contradições e impossibilidades fossem consideradas sob uma lente mais granular. Do ponto de vista filosófico, entendeu-se que essa solução ressalta o caráter epistemológico dos contrafatuais, exigindo, talvez, uma mudança do contexto ontológico que caracerizou a semântica de Lewis e Stalnaker.

Esperou-se ressaltar em que pontos há trade off entre ambas abordagens. Os pontos cruciais são a relação flexibilidade ao tolerar contradições versus estrutura lógica do operador - nesse

caso, a solução de mundos impossíveis enfatiza a flexibilidade, ao passo que a paraconsistente dá preferência à estrutura lógica -, e a natureza dos contrafatuais, em especial os contrapossíveis, se “ontológicos” ou “epistêmicos”. Mais que determinar o “vencedor”, esperamos ter ressaltado suficientemente quais as virtudes e vícios de cada uma das soluções para que venha à luz que comprometimentos cada uma delas mantém.

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