V – ERRO DE TIPO: 1 Acidental:
E) Considera-se exaurido o crime que depois de consumado atinge a sua máxima
potencialidade lesiva.
Ex: Nos crimes formais o resultado é mero exaurimento.
Obs IPC: O crime não consumado fica depois da execução e antes da
consumação, ou seja, entre c e d, a partir desse momento já pode ser punível.
* Crimes não consumados:
1- motivos alheios a vontade do agente 2- própria vontade do agente
Obs: Abaixo um quadro comparativo comparando a execução e a consumação,
ou seja, ele executa mais não consuma.
X O agente não termina a execução O agente termina a execução 1 Tentativa imperfeita. Art 14 CP Tentativa perfeita ou crime falho.
Art 14
2 Desistência voluntária. Art 15 CP Arrependimento Eficaz. Art 15 CP
1- Arrependimento Posterior (Art. 16, CP) de crime não consumado. a) Tentativa (Art. 14):
Conceito: Quando iniciada a execução, o crime não se consuma por motivos
alheios à vontade do agente.
b) Espécies de Tentativa:
b1) Quanto ao término da execução, pode ser:
b1.1) Tentativa Imperfeita ou Crime Falho Imperfeito: não termina à
execução. Essa tentativa é a que não esgota o plano executório. Ex: Sujeito com uma arma com seis balas, começa a atirar mas no terceiro tiro é interrompido.
b1.2) Tentativa Perfeita: é aquela que o sujeito esgota o seu plano
executório. Ex: Tem uma arma com seis balas, atira todas no sujeito. Sai do lugar do crime achando que matou o sujeito, mas ele não morreu.
b.2) Quanto ao resultado, pode ser:
b2.1) Tentativa Branca: é a tentativa em que a vítima não sofre lesão. b2.2) Tentativa Cruenta: é a tentativa que a vítima sofre lesão.
c) Punição da Tentativa (art. 14, § único):
Em regra o crime tentado vai ter pena igual ao do crime consumado só que diminuída de 1/3 a 2/3 (no Brasil).
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Exceção: Excepcionalmente o legislador pode prever para determinado crime
para qual não haja diminuição de pena.
Ex: Crime de evasão, diminuição de pena (art. 352, CP).
O critério usado para punição pelo juiz para ver se diminuirá 1/3 ou 2/3, é a proximidade do momento consolativo.
Não se pune a tentativa quando por absoluta impropriedade do objeto ou absoluta ineficácia do meio era impossível consumar-se a infração. (art. 17, CP), chamado de Tentativa Inidônea ou Crime Impossível.
d) Infrações que não admitem tentativa:
d.1) Contravenções Penais: A lei da contravenção penal não se pune a
tentativa. Por expressa vedação legal ela é proibida.
d.2) Crimes Culposos e Preterdolosos: Na tentativa o sujeito quer arriscar o
resultado mais não alcança enquanto que no crime culposo o sujeito não pode querer nem arriscar o resultado. Não admitem a tentativa crime culposo nem no preterdoloso, pois não é possível tentar o resultado culposo que qualifica o crime.
d.3) Crimes omissivos próprios:
d.4) Crimes unissubsistentes: São crimes em que a conduta se concentra em um
único ato indivisível. Não admite intervalo temporal entre o início da execução e a consumação, ou seja, o momento do início da execução coincide com a consumação. Por este motivo não cabe tentativa.
Ex: injúria verbal.
Obs: Não confundir com crimes formais e de mera conduta.
IPC: Como o momento do início da execução coincide com a consumação, não é
possível iniciar a execução sem conseguir consumar como exige a tentativa
- Por não caber tentativa nos crimes unissubsistentes também é inviável nos omisso próprios? Pois todo omisso próprio é unissubsistente.
d.5) Crimes Habituais: só se tipificam com a reiteração de uma conduta que
isoladamente é atípica. É aquele em que a conduta só ganha relevância penal quando se torna um hábito.
Ex: rufianismo (art. 230, CP). Tirar proveito da prostituição Obs: Não se pode tentar um hábito.
d.6) Crimes de Atentado ou empreendimento: são crimes que já tem previsão
da modalidade tentada no próprio tipo, ou seja, é aquele em que a conduta de tentar alcançar o resultado esta expressamente descrita no título como crime consumado (art. 352 CP).
IPC: Parte da doutrina entende cabível tentativa no crime de atentado, mas a
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Ex: crime de evasão. Art. 352, CP.
d.7) Crimes de Participação em suicídio (art. 122, CP): Ou existe resultado
morte/lesão grave e o crime esta consumado, ou não há morte/lesão grave, com seqüelas dessa tentativa, o fato é atípico.
2- Tentativas Qualificadas (art. 15 CP):
a) Desistência Voluntária: O agente desiste voluntariamente de prosseguir na
execução. A desistência não precisa ser espontânea. Iniciada a execução o sujeito por ato voluntário desiste de nela prosseguir impedindo a consumação. A conseqüência da desistência fica afastada a tentativa e o sujeito só responde pelos atos já praticados.
b) Arrependimento Eficaz: Após terminar a execução, o agente prática um novo
ato que impede a consumação. Se a consumação não for impedida não há arrependimento eficaz.
Após terminar o seu plano executório, o sujeito por ato voluntário age de forma eficiente a impedir a consumação. Tem com conseqüência a mesma da desistência voluntária, ou seja, fica afastada a tentativa e o sujeito só responde pelos atos já praticados.
Obs: A desistência e o arrependimento não precisam ser espontâneos, bastando
que sejam voluntários. Eles não são a mesma coisa lembrar que tem apenas a mesma conseqüência.
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ
Não escolhe o plano executório Esgota o plano executório Basta a Inércia para evitar a
consumação
É necessária a Ação positiva para impedir a consumação
c) Punição: (art. 14): O agente só é punido pelos atos já praticados. (pelo
resultado obtido. Típico ou Atípico)
3- Arrependimento Posterior (art. 16, CP):
Conceito1: Trata-se de uma causa obrigatória de redução de pena aplicado ao
crime já consumado desde que presentes determinados requisitos.
Conceito2: É uma causa de diminuição de pena nos crimes sem violência ou
grave ameaça dolosa pessoa desde que por ato voluntário o sujeito repare o dano ou restitua a coisa até o recebimento da denuncia ou queixa.
a) Crime sem violência/grave ameaça b) Reparação integral do dano;
c) Ato voluntário do agente;
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Obs: Existem três casos especiais para arrependimento posterior.
1º - Estelionato com cheque sem fundo (a reparação do dano até o recebimento
da denuncia torna o fato irrelevante penal (súmula 554 STF);
2º - No Peculato Culposo a reparação do dano até a sentença definitiva extingue
a punibilidade (312,§3 CP). Se for após a sentença definitiva diminui a pena em metade.
3º - Nos crimes contra a ordem tributária que consistam na sonegação de tributo
o pagamento a qualquer tempo extingue a punibilidade.
3.1) Punição
- Pena reduzida de 1/3 a 2/3.
- Obs: Se a reparação do dano for depois do recebimento haverá somente uma atenuante.
4- Ilicitude ou Antijuridicidade
Conceito: é a relação de contrariedade do direito. Todo fato típico presume-se
antijurídico
(ilegal/proibido), salvo quando existe uma situação que exclui a antijuridicidade.
a) Excludentes de Antijuridicidade
Conceito: São situações nas quais o ordenamento jurídico autoriza a pratica de
fatos típicos que, a priori, são proibidos.
Também chamadas de excludentes de ilicitude / Justificantes / Descriminantes / Tipos Permissivos.
Justificar = tornar justo.
Quais são as excludentes de antijuridicidade: As excludentes de ilicitude
previstas na parte geral do CP, em seu art 23, são quatro:
a) Legitima Defesa
b) Estado de Necessidade c) Exercício regular de direito
d) Estrito cumprimento do dever legal
b) Excludentes de Ilicitude em Espécie. Legítima defesa (art 25 CP)
Conceito: Age em legitima defesa quem pratica o fato típico para repelir injusta
agressão, atual ou iminente, a direito próprio ou alheio, usando moderadamente os meios necessários.
b1) Requisitos:
b.1) Agressão: É sempre uma conduta humana. Não cabe legitima defesa
contra ataque espontâneo de animal e sim estado de necessidade. Se, no entanto, o animal é induzido por ser humano é possível alegar LD.
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b.2) Injusta: Só cabe legitima defesa conta agressão injusta. Não cabe
legitima defesa contra agressão justa. (quando for justificada, quando estiver presente uma justificante). Não cabe legitima defesa contra uma justificante. Cabe LD contra excesso de justificante. As justificantes podem ser: Reais ou Putativas. Cabe LD contra descriminante putativa.
b.3) Atual ou Iminente: Não cabe LD contra agressão passada.
b.4) Uso moderado dos meios necessários: Deve haver uma
proporcionalidade entre o ataque e a defesa. Caso não haja proporcionalidade haverá um excesso de legitima defesa. O excesso pode ser intensivo (desde o início a defesa foi desproporcional ao ataque) ou extensivo (a defesa era proporcional, mas prosseguiu após o ataque já haver cessado). O excesso pode ser:
b4.1) Punível: quando for doloso ou culposo;
b4.2) Impunível: quando for inevitável (chamado de exculpante).
Na legitima defesa o excesso impunível é chamado de “Legitima Defesa subjetiva”.
b.5) Requisito subjetivo: É a consciência de atuar em legitima defesa. c) Estado de Necessidade (Art. 24)
Conceito: Age em Estado de Necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual que não provocou voluntariamente e nem podia de outra forma evitar direito próprio ou alheio cujo o sacrifício não seria razoável exigir-se.
Requisitos:
c.1) Perigo: Pode advir de força da natureza, de ataque espontâneo de
animal ou ainda de outra conduta humana.
c.2) Não provocado voluntariamente pelo agente: Não podem alegar
Estado de Necessidade:
c2.1) Quem provocou dolosamente o perigo; c2.2) Quem podia de outra forma, evitar o perigo;
c2.3) Quem tinha o dever de enfrentar o perigo. Ex: bombeiro. c.3) Atual: Não cabe EN contra perigo iminente.
c.4) Que seja salvo um bem cujo sacrifício não seria razoável exigir-se:
Só existe estado de necessidade caso o bem salvo seja superior ou igual ao bem sacrificado. Se o bem salvo for menor do que o bem sacrificado haverá somente a redução da pena de 1/3 a 2/3.
c.5) Requisito subjetivo: È a consciência de estar atuando em Estado de
Necessidade.
5) Crime Impossível / Tentativa Inidônea ou Ineficaz:
No Crime Impossível o sujeito pratica a conduta muito semelhante à criminosa mais que não tem relevância penal por não levar risco ao bem jurídico.
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a) Espécies de Crime Impossível: Crime impossível por impropriedade absoluta
do objeto.
a.1) Objeto Material: É a pessoa ou coisa sob a qual recai a conduta do
sujeito. Não reveste (cobre) um bem jurídico tutelado. Se existe risco tem tentativa – se não houver risco não existe tentativa.
a.2) Inidoneidade Absoluta do Meio: O meio escolhido pelo sujeito no
caso concreto para realizar o crime não é capaz se quer de trazer risco ao bem jurídico.
Ex: Boneco de Vudú
a.3) Por Obra do Agente Provocador: Há intervenção do agente do
estado d mecanismo causal do fato tendo ele tomado providencias anteriores para afastar o riso ao bem jurídico.
Ex1: Dois policiais disfarçados pedindo droga para uma pessoa que não vende
drogas. No final das contas era uma operação para prender traficantes e acabam prendendo a pessoa que não vendia.
Ex2: Flagrante preparado ou provocado. Crime inválido de alguém que praticou
ato atípico. Este crime impossível para obra do agente provocador justifica a invalidade do flagrante provocado ou preparado, pois não é possível prender em flagrante pela prática de fato atípico (súmula 145 STF).
VII - EXCLUDENTES DE ILICITUDE