Metodologias para fortalecimento do controle social na gestão em saneamento
3) Controle e avaliação dos procedimentos nos processos de participação e aprendizagem social (como os processos foram organizados e as
4.1 Contexto político e ambiental dos objetos de estudo
O município de Iperó possui uma população estimada de 32.077 habitantes, com densidade demográfica de 188,37 hab/km² (SEADE, 2016). Iperó apresenta um grau de urbanização baixo em relação a outros municípios na região hidrográfica onde está inserido (Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos – UGRHI-10). Seu território abriga grande parte da Floresta Nacional de Ipanema e sedia o Centro Experimental Aramar, responsável da Marinha do Brasil por desenvolvimento de pes-quisas nucleares.
O município possui três distritos, divididos em: Sede, Bacaetava e George Oetterer. George Oetterer é resultante de uma ocupação do Movimento Sem Terra (MST) em 1992, cuja consolidação acelerou o crescimento populacional desordenado em uma região distante do centro e mais próxima à divisa com Sorocaba. Devido ao seu histórico de ocupação, o distrito possui grandes problemas sociais e ambientais. Para tanto, o município criou uma subprefeitura no local para facilitar a gestão local.
A gestão do setor de saneamento no município está vinculada à Secretaria de Obras e, segundo o dado mais recente do Sistema Estadual de Análise de Dados – SEADE (2011), Iperó gastou no mesmo ano R$ 3.463.238,00 no setor de saneamento. Durante 45 anos, os serviços de abastecimento de água e de esgoto foram prestados pela SABESP, porém, por questões contratuais, o município preferiu assumir esses ser-viços que, no final de 2009, passaram a ser prestados pela SEAMA (Serviço de Água e Meio Ambiente de Iperó). Todavia, no final de 2013, com dificuldades de arcar com determinadas despesas e necessitando sanar problemas de abastecimento de água, foi realizado um novo contrato com a SABESP, que a partir de então passou a ser a prestadora dos serviços. Os dados de serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e de coleta de lixo levantados pela SEADE no município estão dispostos na Figura 3.
Em uma análise por distritos pode-se perceber que o sistema de abastecimento de água do município atende praticamente em 100% das unidades domiciliares da sede e do distrito de Bacaetava e em cerca de 55% no bairro de George Oetterer, segundo levantamento realizado para a proposta do Plano de Saneamento Básico Integrado (ENGECORPS, 2011a). Cada distrito conta com um sistema próprio de abastecimento. Iperó tem um índice baixo de coleta dos esgotos, porém todo o esgoto coletado é tratado, ainda tendo carga poluidora remanescente considerável para os rios Sorocamirim, Murundu e Paruru (Ibiúna) e rio Sorocaba e córrego Ipanema (Iperó). O sistema de esgotamento sanitário conta com três lagoas facultativas em série para o
tratamento de esgoto produzido na sede do município e, uma lagoa anaeróbia e outra facultativa para atender George Oetterer, o que consegue atender, aproximadamente, 70% e 40% das unidades desses distritos, respectivamente. Entretanto, o distrito de Bacaetava não apresenta nenhuma ligação para coleta e, por conseguinte, tratamento.
91,1 90,06 96,93 99 96,4499,88 25,85 73,27 77,82 0 20 40 60 80 100 120 1991 2000 2010
Iperó
Abastecimento de água (em %) Coleta de lixo (em %)
Esgotamento sanitário (em %)
Figura 3 – Evolução do acesso aos serviços de saneamento em Iperó.
Fonte: IBGE, 2010.
Iperó tem seus serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de es-goto (SAE) prestados pela SABESP, porém, ainda aguarda assinatura de contrato. A Prefeitura de Iperó retomou a prestação de seus serviços entre 2010 e 2013 e está concedendo novamente a prestação dos SAE para a SABESP. O convênio foi assinado com o Estado e a concessão dos SAE para a SABESP aguarda a celebração do con-trato, a qual está em trâmite desde novembro de 2013. Oficialmente o prestador é o Serviço de Água e Meio Ambiente de Iperó (SEAMA), mas na prática a SABESP reto-mou a execução dos serviços. O município não tem convênio com nenhuma agência reguladora, por estar em fase de contratação da SABESP. Representantes do município indicaram que a ARSESP será a reguladora, por ser uma prestadora regionalizada.
O PMSB de Iperó foi elaborado por técnicos da Prefeitura, pelo técnico respon-sável pelo serviço municipal de saneamento, SEAMA, sem contar com a participação de outras secretarias. No entanto, o Plano apresenta um maior detalhamento dos prin-cipais problemas locais na rede de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, como um indicador epidemiológico de ocorrência de diarreias com 640 casos iden-tificados no período. Ainda que esse indicador seja primário, coletado num espaço curto de tempo e sem estratos populacionais, houve uma tentativa em se adequar às
diretrizes da Política Nacional de Saneamento Básico e de direcionar as ações para localidades com maior vulnerabilidade, com base em relatos da Vigilância Sanitária e investigação do órgão responsável pelos SAE. O município não tem registros sobre a audiência pública prévia à aprovação do PMSB.
Mairinque é um município de pequeno porte, com população estimada em 45.149 habitantes, com densidade demográfica de 214,84 hab/km² (SEADE, 2016). O município apresenta cerca de 80% de grau de urbanização. Seu território abriga parte da represa Itupararanga e o rio Sorocaba, e sua economia é baseada na instalação de um parque industrial. Segundo o Plano Diretor vigente (2006), em fase de revisão, existe grande área de expansão urbana resultante da pavimentação da Rodovia Mário Covas que irá ligar o município diretamente à Rodovia Castelo Branco. Historicamente, Mairinque possui seus serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário prestados por empresas privadas. No período de 1997 a 2009 a concessão de caráter privado existente estava com sérios problemas, o que levou a uma ação popular e o contrato foi cancelado. Nos anos de 2009 e 2010 a prefeitura realizou contratos emer-genciais para suprimento das demandas. E nesse período, através da abertura de um edital de concorrência, foi assinado um consórcio com a SANEAQUA – Foz do Brasil, no período de 2010 a 2040.
O contato da SANEAQUA é realizado principalmente com a Secretaria de Obras. O município de Mairinque possui aproximadamente 98% e 100% da sua população atendida pelos serviços de abastecimento de água e de coleta de resíduos sólidos. O serviço de esgotamento sanitário é o que se apresenta em maior deficiência com, aproximadamente, 77% da população atendida (IBGE, 2010) (Figura 4).
O Sistema de Abastecimento de Água de Mairinque atende a 88,58% da sede do município, sendo operado pela empresa privada SANEAQUA, que recentemente assi-nou o contrato de concessão para operação desse sistema. O sistema de distribuição possui um total de 106 km de rede (2008), com existência de 11.327 ligações ativas (2011). Um dos grandes problemas existentes refere-se às perdas de água devido a vazamentos na rede e esvaziamento de ramais para manutenção, chegando a perdas de 53,8% do total produzido.
Mairinque tem o pior cenário para a questão de esgotos sanitários, com coleta de 72% de esgotos na área urbana, ainda sem tratamento, com um índice de efi-ciência muito baixo, contribuindo para o aumento da demanda bioquímica de oxi-gênio (DBO) de seu corpo receptor, o córrego Varjão. O sistema de esgotamento de Mairinque, operado recentemente pela empresa SANEAQUA atende a 66,68% da população urbana da sede com coleta de esgotos. Os esgotos coletados não possuem tratamento, sendo lançados in natura no Ribeirão do Varjão e nos córregos Carvalhal
e Marmeleiro. A rede coletora de esgoto existente possui uma extensão de 73,5 km, atendendo aproximadamente 23.102 habitantes em 2010.
Abastecimento de água (em %) Coleta de lixo (em %)
Esgotamento sanitário (em %)
94,4589,71 96,9198,67 97,5999,58 80,37 70,38 76,9 0 20 40 60 80 100 120 1991 2000 2010
Mairinque
Figura 4 – Evolução do acesso aos serviços de saneamento em Mairinque.
Fonte: IBGE, 2010.
A prestação dos SAE é resultado de uma sociedade entre a SABESP, a Odebrecht Ambiental e a SANEAQUA, que possui a concessão plena dos serviços desde 2010 (Contrato de exploração dos SAE nº 79/2010) e está para ser renovado. Quanto à regulação dos serviços de saneamento, Mairinque tem convênio de coopera-ção com a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP). O plano para abastecimento de água e esgotamento sanitário foi elabora-do pela SANEAQUA e desmembraelabora-do por componentes, pois aquele elaboraelabora-do pela ENGECORPS não atende à demanda do município. A audiência pública foi realizada em novembro de 2014 para o plano dos componentes de abastecimento de água e esgotamento sanitário (Quadro 5). O Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos está em elaboração pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo município, com recursos próprios. Também, o plano de manejo de águas pluviais urbanas está sendo contratado por empresa de consultoria com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, FEHIDRO.
Até outubro de 2014, a informação que existia era que o plano elaborado pela empresa ENGECORPS seria atualizado e encaminhado para Audiência Pública, se-guindo para a Câmara dos Vereadores. No entanto, no início de novembro de 2014, foi informado que a SANEAQUA já tinha um plano para o abastecimento de água e o esgotamento sanitário, o qual deve ser encaminhado ainda em 2014 para aprovação,
pois disso depende a renovação do contrato de concessão. A SANEAQUA entende que o plano elaborado pela ENGECORPS (ENGECORPS, 2011b) não era adequado às necessidades da região.