• Nenhum resultado encontrado

Contextos da Pesquisa

No documento Paulo Eduardo Ferreira Machado (páginas 58-61)

2. Metodologia da Pesquisa

2.2. Contextos da Pesquisa

Esta pesquisa se desenvolve a partir de dois contextos de trabalho: por um lado, direciono um olhar exotópico e retrospectivo ao momento e contexto de produção do vídeo Paradox. Por outro, investigo o diálogo de professores de inglês como língua estrangeira com esse mesmo vídeo, em um contexto exterior ao inicial. Nomeio distintamente, a partir de agora, estes dois contextos: denomino o primeiro de contexto de produção; o segundo, contexto de investigação. Nesta seção, apresento os dois contextos, a partir da relevância desses cenários para o desenvolvimento da pesquisa.

2.2.1. O Contexto de Produção

A partir de agosto do ano de 1999, liguei-me profissionalmente a um famoso cursinho pré-vestibular privado na cidade de São Paulo. Minha missão era ministrar aulas de inglês para classes dos cursos extensivo, semi-extensivo e intensivo, de até 180 alunos por turma, tendo como condutor um syllabus baseado em tópicos gramaticais.

Centrado no professor e no material didático, o cursinho em questão assume um tipo de instrução que, em muito, corresponde aos pressupostos behavioristas de ensino e aprendizagem: o foco do aprendizado é o conteúdo que precisa ser bem memorizado. O conteúdo é transmitido pelo professor e

pelo material didático para o aluno, que precisa aprender. O aprendizado é individual e a interação entre alunos em sala de aula é coibida. O aluno deve assistir às aulas, em silêncio, enquanto o professor transmite a matéria.

Para a disciplina Inglês, esse cursinho reserva sessenta e quatro aulas no ano letivo, em trinta e uma aulas duplas, ancoradas em um tópico gramatical. Dessa forma, cada unidade da apostila traz um item de estrutura de língua e mais um ou dois textos, sempre acompanhados de exercícios de múltipla escolha. A maioria deles é de exames vestibulares anteriores, usados por grandes universidades do Brasil. Geralmente, a cada aula, sobra um tempo para que o professor traga para a atividade didática, textos extras extraídos de publicações recentes, cuja temática ou itens lingüísticos sejam pertinentes, conforme o livre julgamento do professor, para a preparação para os próximos exames.

O vídeo Paradox surgiu como proposta incorporada a um projeto que eu passei a desenvolver, a partir do ano de 2001, de ilustração dos tópicos gramaticais presentes nas apostilas, com apresentações multimídia. Essas apresentações eram, a princípio, feitas em Power Point e apresentavam os tópicos gramaticais por meios de exemplos que eu, como professor designer, encontrava na mídia, em meios como revistas jornalísticas e de histórias em quadrinhos. Depois, esses exemplos passaram a ser criados por mim, a partir de imagens que eu colhia para esse fim. Obras de arte de todos os períodos foram usadas para nesse intuito.

Em determinado momento, passei a não mais me satisfazer com audiovisuais contendo frases isoladas para exemplificar os tópicos gramaticais: comecei a elaborar textos narrativos, a partir de imagens, para exemplificar a gramática. Já havia, aí, uma inversão do modo indutivo de ensinar gramática que o cursinho propunha. Através desses exemplos, o aluno era levado a deduzir as regras gramaticais. Paradox surgiu assim: um vídeo de animação de fotografias para ensinar gramática de forma dedutiva. Realizado, sob minha direção, por um grupo de três técnicos da equipe de audiovisual da referida instituição, ficou disponível nas prateleiras do cursinho em questão, para uso

dos professores em sala de aula. De minha parte, sempre o utilizava, após sua criação, como material didático para apresentar aos alunos os pronomes relativos em inglês.

Situar a pesquisa nesse contexto de produção e de inicial utilização faz- se necessário para entender o que eu, como professor-designer, realizei na época, inserido naquele contexto, cercado por aquelas preocupações e intencionalidades. O contexto de produção do material influiu determinantemente em sua formatação. Deve, portanto ser levado em consideração na interpretação desse mesmo material, mesmo tendo em mente que essa interpretação é feita através da lente do agora, mediante um olhar retrospectivo.

2.2.2. O Contexto de Investigação

Após quatro anos de utilização do vídeo Paradox em sala de aula, no contexto mencionado acima, decidi elaborar este estudo. Durante esses quatro anos, alguns professores do referido cursinho, que tiveram acesso ao vídeo, utilizaram-no de outras formas em suas aulas, que não aquela originalmente por mim prevista: o ensino de pronomes relativos em inglês.

Inicialmente, minha intenção para a pesquisa era questionar os alunos do referido cursinho pré-vestibular no sentido de entender suas percepções a respeito da utilização do vídeo no contexto do pré-vestibular e que possíveis contribuições para o sucesso nos exames essa utilização poderia trazer. No entanto, no início de meu segundo semestre no programa de mestrado, fui desligado do cursinho, o que impossibilitou a investigação por esse caminho, pois já não teria mais o contato com os alunos daquele contexto.

Optei então por fazer um deslocamento no contexto. Motivado pelos usos que um colega do cursinho dera para o material, resolvi investigar o diálogo de vários professores com o vídeo Paradox, no sentido de obter uma

re-interpretação do material, sob o enfoque de diferentes pontos de vista. Para tanto, recorri a professores de inglês cujas práticas, atreladas a diferentes ambientes profissionais, pudessem propiciar uma variedade de perspectivas sobre o ensino de inglês como língua estrangeira e sobre a aplicação de vídeos didáticos.

O contexto de investigação desta pesquisa é, então, num sentido mais específico, o contexto atual de vida e do fazer profissional dos professores envolvidos na investigação; isso inclui o meu próprio olhar retrospectivo, como professor e como designer, teorizando sobre o material, após anos de vida, trabalho e estudo. Num sentido mais amplo, o contexto da pesquisa é próprio âmbito de ensino e aprendizagem de língua inglesa na cidade de São Paulo, em suas variadas e múltiplas inserções, pelo viés dos olhares dos professores envolvidos neste trabalho.

No documento Paulo Eduardo Ferreira Machado (páginas 58-61)