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Contratos e estatuto profissional de aprendizes e estudantes nos programas em alternância

aprendizagem em contexto laboral no EFP

3.1.1.1. Contratos e estatuto profissional de aprendizes e estudantes nos programas em alternância

Os contratos no domínio da aprendizagem

Tal como foi referido na secção 1.2, os contratos de formação formais com a empresa formadora são um elemento importante da aprendizagem, pois i) distinguem a aprendizagem de outros programas em alternância menos regulamentados e ii) «regulam» as características da formação que têm impacto nos custos/benefícios dos empregadores e iii) a disposição de os aprendizes aderirem a estes programas.33 O

contrato reconhece que os aprendizes não são meros formandos, na medida em que também contribuem para a produção da empresa. Nesse sentido, o contrato estabelece a remuneração e os direitos em matéria de seguros ou pensões, mas também, eventualmente, outras condições de trabalho (por exemplo, o direito a licenças).34

Normalmente, o contrato é celebrado entre a empresa formadora e o aprendiz pelo período da aprendizagem. Estipula os elementos básicos da aprendizagem, tais como o programa de formação a seguir, as tarefas a cumprir pelo aprendiz, os seus direitos e obrigações, o nome do formador/supervisor responsável, etc. Os estudantes participantes noutros programas em alternância podem também celebrar um contrato ou acordo, mas com características diferentes.

Este contrato confere aos aprendizes um estatuto específico comparável, em certos aspetos, ao de um empregado. Normalmente, isto significa que os aprendizes são remunerados, têm seguro de saúde e profissional e podem também gozar de direitos de pensão durante o período da sua formação.35 O quadro A3.3 do anexo 3 apresenta uma

síntese das diferentes categorias de contratos e de estatuto dos aprendizes identificadas nos oito países selecionados que têm programas de aprendizagem em curso36 (ou seja,

excluindo CZ e PT).

Tal como se pode ver no quadro A3.3 do anexo 3 e no quadro 4 abaixo, foram identificados três tipos principais de contratos:

 contratos específicos de aprendizagem (segundo a definição da secção 1.2)  contratos de trabalho e

 contratos (ou acordos) de aprendizagem ou formação.

33 Para saber mais pormenores, ver a secção 6. 34 Comissão Europeia - DG Emprego (2012c). 35 Comissão Europeia - DG Emprego (2012c).

36 Tal como sublinhámos anteriormente, não há aprendizagem, na aceção da definição dada na secção 1.2, na República Checa e em Portugal.

Quadro 4: Tipos de contratos no domínio da aprendizagem e noutros programas em alternância nos países selecionados

Tipo de contrato Aprendizagem Outros programas em

alternância Contrato específico de

aprendizagem (segundo a definição da secção 1.2)

FR, DE

Contrato de trabalho FI, EL, IT, NL, PL, UK (ENG) Contrato (ou acordo) de

formação ou aprendizagem NL CZ, EL, FI, NL, PL, PT Fonte: Investigação da ICF International nos países selecionados

Os contratos de aprendizagem estipulam os direitos específicos dos aprendizes, que poderão diferir dos concedidos aos empregados efetivos. Normalmente, a remuneração mínima é inferior à dos empregados efetivos. Estes contratos especificam também outros direitos comparativamente aos dos empregados. Em comparação com os contratos de trabalho normais, os empregadores beneficiam normalmente do pagamento de contribuições sociais inferiores (ou da isenção das mesmas), benefício que se pode estender também ao salário do aprendiz. Uma das diferenças observadas entre os contratos de aprendizagem e os celebrados pelos empregados efetivos reside na proteção que os primeiros oferecem contra o despedimento. Em certos casos (por exemplo, DE e EL), se os aprendizes forem despedidos por força da falência da empresa, cabe às entidades competentes37 colocá-los numa nova empresa.

Visto que muitos aprendizes são menores de idade, os contratos têm de estar em conformidade com as normas de proteção de jovens a nível nacional. Estas podem incidir, por exemplo, sobre o tempo de trabalho dos aprendizes (proibição de horas extraordinárias) e a natureza das tarefas a desempenhar (por exemplo, venda de tabaco e álcool, o que pode ser um problema nos setores da hotelaria, turismo e restauração). Os contratos de trabalho podem assemelhar-se aos contratos de aprendizagem em muitos aspetos, mas não criam um estatuto específico de aprendiz. Em contrapartida, permitem que os empregadores paguem contribuições sociais e salários inferiores ou gozem de uma maior flexibilidade no que respeita a outras formas de proteção. Em geral, estes contratos só contemplam determinados grupos-alvo. Um bom exemplo é o «contrato de profissionalização», acessível a jovens entre os 16 e 25 anos, mas também a pessoas à procura de emprego com mais de 26 anos.

Os acordos de aprendizagem podem coexistir com os contratos de aprendizagem para distinguir os direitos e obrigações inerentes à aprendizagem do estudante do teor do contrato de aprendizagem (por exemplo, NL38).

Tanto os contratos de trabalho de aprendizes como os contratos de aprendizagem são geralmente regulados pela legislação nacional ou por convenções coletivas setoriais. Normalmente, são celebrados pelos aprendizes (ou respetivos tutores) e pela empresa formadora. No entanto, pode ser celebrado um acordo trilateral, em que são partes a instituição ou prestador de EFP (por exemplo, LT39) e uma segunda empresa, que

37 Ou seja, as câmaras na Alemanha ou a escola de EFP no caso da aprendizagem oferecida pelo serviço público de emprego (SPE) grego (OAED, Serviço de Emprego da Mão-de-Obra).

38 Protocolo especial da BPV (2010), Vertrouwen op elkaars professionaliteit. 39 Relatórios por país da ReferNet (2012).

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assegura as componentes da formação prática não cobertas pela oferta da empresa formadora principal, a terceira parte (por exemplo, AT e DE). Num acordo trilateral, a parte terceira pode também incluir pais ou tutores dos estudantes (por exemplo, SE) ou uma organização competente em matéria de implantação da aprendizagem (por exemplo MT).40

Contratos noutros programas em alternância

Nos programas mistos com aprendizagem em contexto laboral numa empresa, pode ser celebrado um contrato ou acordo de aprendizagem entre o estabelecimento escolar e o empregador (por exemplo, nos «estágios profissionais» de estudantes do EFP em contexto escolar na Polónia41) ou o estudante e o estabelecimento escolar (por exemplo,

nos cursos de tipo aprendizagem oferecidos em Portugal.42

Os acordos celebrados no âmbito dos programas mistos diferem dos contratos de aprendizagem. Normalmente, os formandos mantêm o seu estatuto de estudante, mesmo que as normas laborais prevejam elementos de aprendizagem em contexto laboral (por exemplo, CZ). Em muitos casos, os estudantes não são remunerados, podendo, porém, receber algum tipo de subsídio, se os empregadores assim o entenderem (por exemplo, EL e FI). O quadro A3.4 do anexo 3 apresenta uma síntese dos tipos de contratos identificados em programas em alternância nos países selecionados.

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