Tal como foi sublinhado anteriormente, os países que registam taxas de desemprego juvenil bastante elevadas (EL, ES, IT e PT) introduziram novos programas de aprendizagem ou outros programas em alternância, entendidos como uma forma de melhorar as perspetivas de empregabilidade. De igual modo, foram introduzidos novos programas em países com uma taxa que, embora não esteja entre as mais altas da Europa, aumentou significativamente entre os períodos pré e pós-crise (por exemplo, DK).157 O quadro A4.1 do anexo 4 apresenta uma síntese dos novos programas
introduzidos em 12 países europeus (CY, DK, EL, ES, FI, HU, IE, IT, LT, PT, SE e SI). Pontos fortes e pontos fracos dos novos programas
4.2.1.
De acordo com a investigação realizada nos países selecionados, de um modo geral, a introdução de novos programas em alternância é acolhida de forma positiva, dada a associação destes programas a uma maior empregabilidade dos diplomados. É possível observar pontos fortes comuns às reformas empreendidas nos vários países.158
157 Na Dinamarca, a taxa de desemprego juvenil cresceu quase 100 %, de 7,3 % em 2007 para 14,0 % em 2012. Fonte: Eurostat. Internet:
http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/submitViewTableAction.do;jsessionid=9ea7d07e30e474931a734 a764c019260fc4f21a5efe4.e34OaN8Pc3mMc40Lc3aMaNyTb3qRe0. Consultado em 16.2.14.
158 Foi possível pesquisar e analisar informação sobre os pontos fortes, pontos fracos e desafios à implantação dos programas nos 10 países selecionados, a qual se baseia nas fontes consultadas e entrevistas realizadas a nível nacional.
Reforço dos programas em alternância existentes no país. Isto aconteceu principalmente na Grécia, onde o EFP assentava sobretudo no contexto escolar e, até à reforma, os programas de aprendizagem eram escolhidos apenas por uma pequena fração de estudantes. Em Portugal, os novos cursos vocacionais (experiência-piloto) alargam também as possibilidades dos estudantes potenciais do EFP.
Oferta de soluções de formação para os jovens em risco. Em Portugal, os novos cursos vocacionais (experiência-piloto) visam especificamente os jovens em risco de abandono escolar precoce. Os cursos oferecem a este grupo de estudantes a oportunidade de obterem uma dupla certificação159 no espaço de
dois anos, incluindo também uma maior componente de aprendizagem em contexto laboral do que os restantes cursos disponíveis. Deste modo, permitem uma entrada mais rápida no mercado de trabalho, facto que representa um forte motivo de participação para os alunos.
Envolvimento dos parceiros sociais. Na Grécia, a lei de reforma estabelece a participação de todos os parceiros sociais relevantes no processo de decisão do EFP e na seleção das especializações oferecidas nas prefeituras, através das comissões prefeiturais do ensino e formação profissional. Esta participação assegurará o ajustamento da oferta do EFP às necessidades das empresas a nível nacional e local, as quais, por sua vez, podem aumentar a disponibilização de estágios de aprendizagem.
Maior envolvimento dos empregadores. Na Finlândia, o novo modelo de alternância 2+1 foi saudado pelos empregadores. Constitui para eles uma evolução positiva, visto que os estudantes iniciam a aprendizagem nas empresas no seu terceiro ano de estudos, necessitando por isso de menos supervisão e formação.
Apesar de as reformas que introduziram novos programas em alternância terem sido bem acolhidas, é possível apontar-lhes vários pontos fracos no que se refere à conceção, à integração nas vias de EFP existentes e a outras especificidades por país. Mais especificamente, e segundo as fontes consultadas e as entrevistas efetuadas a nível nacional, as reformas acima referidas podem ser alvo de várias críticas:
Falta de ousadia. Na Grécia, o ciclo de aprendizagem introduzido no EFP do secundário será opcional. Assim, continuarão a existir diplomados sem qualquer experiência em contexto laboral;
Podem entrar em conflito com os programas existentes. Em Portugal, os diplomados dos «cursos vocacionais» do ensino secundário obterão qualificações logo ao fim de dois anos, enquanto os estudantes dos «cursos profissionais», também oferecidos sob a tutela do ministério da Educação, as obterão após três anos. Por esta razão, os «cursos vocacionais» foram apelidados de «via low- cost»160, visto que a sua aplicação exige menos recursos do que as restantes
vias. Por conseguinte, receia-se que estes novos cursos possam afetar negativamente a participação nos «cursos profissionais»;
Novas vias ou uma forma de identificação precoce de aptidões? Existe também o perigo de os «cursos vocacionais» criados em Portugal serem uma 159 Em Portugal, todas as vias de EFP conduzem a uma dupla certificação: a certificação final do percurso
escolar («académica») e a certificação da profissão em causa (por exemplo, carpinteiro). 160 Internet: http://www.anespo.pt/anespo-noticias-desc.php?id=163; Consultado em 18/02/2014.
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forma de identificação precoce de aptidões. Destinada aos estudantes que não haviam completado o ensino básico, a experiência-piloto dos «cursos vocacionais» começou pelos níveis 1 e 2 da CITE. Os «novos cursos vocacionais»161 (nível 3 da CITE) foram criados para permitir que os diplomados
dos cursos dos níveis inferiores continuassem a frequentar o mesmo tipo de cursos.162 Os diplomados dos «cursos vocacionais» dos níveis 1 e 2 da CITE não
são obrigados a avançar para o nível 3 da CITE no mesmo tipo de cursos. Não obstante, é de prever que a maioria dos diplomados prefira fazê-lo a enveredar por outra via com exigências de aprendizagem mais avançadas.
Dificuldades de aplicação 4.2.2.
A aplicação plena destas reformas defronta-se com várias dificuldades importantes. Mobilizar os empregadores para a oferta de estágios. Tal como foi referido
anteriormente, a oferta de mais programas em alternância/de aprendizagem aumenta automaticamente a procura de estágios nas empresas. O envolvimento das PME no processo representa um maior desafio, visto que, devido à sua pequena dimensão, estas empresas precisam de apoio suplementar para começar a aceitar aprendizes e prestar uma formação de qualidade. Nos países com pouca ou nenhuma tradição de aprendizagem, as expectativas dos empregadores em relação aos programas de aprendizagem podem ser erradas. Por outro lado, os empregadores podem mostrar-se relutantes em comprometer-se com os procedimentos e requisitos administrativos em matéria de garantia da qualidade. Por fim, os empregadores podem pura e simplesmente ignorar a existência dos novos programas e as potenciais vantagens que estes lhes oferecem.
Contornar o acréscimo de custos e a pouca disponibilidade de financiamento. A aplicação das reformas exige a afetação de recursos, quer financeiros quer humanos. Além disso, o maior número de programas em alternância acarreta mais estudantes nas escolas de EFP, o que resulta também num acréscimo de financiamento público e investimento em infraestruturas e materiais, bem como de, naturalmente, professores e formadores.
Garantir a qualidade. Se a aplicação das reformas estiver ainda na sua fase inicial e houver que satisfazer rapidamente uma procura contínua de estágios, a garantia da qualidade da formação prestada pelas empresas pode revelar-se um grande desafio.
Os países que estão a introduzir novos programas, nomeadamente de aprendizagem, devem antecipar os possíveis efeitos de substituição. A importância atribuída à aprendizagem, a oferta de vias de aprendizagem entre pares/nacionais e o apoio financeiro da Comissão Europeia facilitam a melhoria e a introdução dos programas nos vários países. Este interesse crescente na aprendizagem deve ser acompanhado por exigentes controlos de qualidade, pois alguns empregadores poderão servir-se da aprendizagem como fonte de mão-de-obra barata, nomeadamente em países com pouca experiência no domínio da aprendizagem e altas taxas de desemprego juvenil. Estas empresas poderão substituir trabalhadores pouco qualificados por aprendizes, situação que irá acentuar as perceções negativas de pais e estudantes e dificultar o 161 Início da experiência-piloto em 2013/2014.
estabelecimento da aprendizagem, designadamente em países pouco experientes neste domínio. Não deixa de ser curioso verificar que esta substituição ocorre até na Alemanha (estima-se que seja praticada por 18,5 % dos empregadores).163