alternância
Há falta de dados comparáveis sobre as taxas de conclusão dos programas de aprendizagem e em alternância. Muitos países com sistemas de aprendizagem implantados medem a taxa de resolução dos contratos e a taxa de sucesso dos exames. Contudo, a resolução de um contrato não implica necessariamente o abandono do 89 Na Alemanha, Bundesministerium fuer Bildung und Forschung (2013), Berufsbildungsbericht 2013. No Reino Unido (Inglaterra), facto demonstrado pelos resultados do relatório de avaliação elaborado pelo Institute for Employment Studies (IES), em Newton B. et al. (2012), Good practice evaluation of the diversity in Apprenticeship pilots.
90 Cedefop (2014a), indicador 1070 «Estudantes do sexo feminino do EFP inicial em % do total de estudantes do sexo feminino do ensino secundário».
91 Ver, por exemplo, a investigação de Friese M. (2013), Berufs und Studienorientierung.
92 Bundesministerium fuer Bildung und Forschung-BMBF (2013), Berufsbildungsbericht 2013, Internet: http://www.bmbf.de/pub/bbb_2013.pdf
programa de aprendizagem, pois o jovem pode firmar outro contrato de aprendizagem com um novo empregador. São poucos os países com dados comparáveis sobre as taxas de abandono de ambos os tipos de programas (AT e NL). No que respeita aos benefícios dos programas em alternância, seria interessante verificar se estes apresentam melhores resultados do que o EFP em contexto escolar na orientação dos jovens para uma qualificação completa.
Não existem tendências claras neste capítulo:
As taxas de abandono dos programas de aprendizagem ou em alternância variam entre 16 % na Áustria a 60 % na Flandres (neste caso, o valor respeita especificamente à aprendizagem);
As taxas de resolução de contratos são bastante elevadas (cerca de 25 % na Alemanha e em França);
Existem grandes diferenças entre as taxas de abandono do EFP consoante o setor e as regiões93;
Não é claro determinar se os programas em contexto laboral são mais ou menos bem-sucedidos na retenção de jovens. Uma tal comparação teria de levar em conta as vias anteriores dos estudantes e diferenciar a retenção entre os jovens que entram num programa como primeira escolha e os que o fazem depois de terem abandonado outro programa (que são mais propensos a um novo abandono). A título de exemplo, na Áustria, as aprendizagens supraempresas registam taxas de abandono mais elevadas do que a via de aprendizagem em sentido estrito94, embora seja de referir que as primeiras acolhem sobretudo
grupos-alvo mais desfavorecidos.
O quadro 9 apresenta exemplos de taxas de abandono do EFP e, mais especificamente, das aprendizagens. Mais informação também disponível no anexo 3 (quadro A3.9).
93 Cedefop (a publicar), Early leaving from vocational education and training (título do projeto). 94 Dornmayr H. e Nowak S. (2013), Overview of Apprenticeship training 2013.
47
Quadro 9: Exemplos de taxas de abandono de programas de aprendizagem (resolução de contrato) e de outros programas de EFP
País (ano) Taxas de resolução de
contratos (aprendizagem) ou de abandono efetivo de programas de aprendizagem
Taxa de abandono (outros programas de EFP)
AT (2011) 16,6 % 13 % nas escolas de EFP e 6,7 %
nos colégios de EFP BE nl (2009) Entre 55 % e 60 %
DE (2012 e
2011) Taxa de resolução dos contratos– 24,4 % Abandonos (baseado em inquérito) – 12 %
DK (2012) Todos os programas de EFP (na grande maioria são de aprendizagem) - 48 %
FR (2009) Taxa de resolução dos contratos – 25 %
NL (2011-2012) Nível 1 – formação auxiliar – 47 %
Nível 2 – EFP básico – 13 %
Nível 1 – formação auxiliar – 34 % Nível 2 – EFP básico – 12 %
Fonte: AT: Statistik Austria (2013), Bildung in Zahlen 2011/12; BEnl: SYNTRA (2009), Onderzoek naar Uitval
in Leertijd; DE: BIBB (2013a); DK: sítio Web do ministério da Educação (http://statweb.uni- c.dk/Databanken/uvmdataweb/fullClient/Default.aspx?report=EAK-tilgang-erhudd&res=1440x717); FR: Chambres de Commerce et d’ Industrie (Internet: http://www.localtis.info/cs/BlobServer?blobcol=urldata&blobtable=MungoBlobs&blobkey=id&blobwhere=12501 66687062&blobheader=application%2Fpdf&blobnocache=true); NL: Meng Chr. (2014), Measuring early leaving from VET: Critical insights - The Netherlands
O que leva os estudantes a abandonar os programas em alternância? O abandono da aprendizagem pode ser explicado pelas seguintes razões:
Falta de estágios de aprendizagem. (Na DK95, os estudantes têm de inscrever-se
primeiro num centro de formação e só depois, uma vez aprovados no curso de formação básica em contexto escolar, procuram encontrar um empregador. Muitos desistem nesta fase);
Fraca qualidade do(a) programa/aprendizagem. Este aspeto pode estar relacionado com um apoio insuficiente durante a aprendizagem (por exemplo, SE96);
Desempenho escolar anterior. Em certos países, o EFP atrai mais estudantes com fraco desempenho escolar do que o ensino geral (por exemplo, EL, FR e PL). Assim, estes estudantes podem enfrentar grandes dificuldades de progressão num programa de EFP/aprendizagem com um nível de exigência elevado, nomeadamente por parte dos empregadores;
95 Koudahl P. (2005), Drop-out of VET – causes and explanations.
Conteúdo e duração do programa de EFP. A oferta de cursos de índole mais académica em programas de EFP e o alargamento da duração do programa podem aumentar as taxas de abandono (por exemplo, SE)97;
Fatores relacionados com as empresas. Mau relacionamento entre os aprendizes e os seus superiores (por exemplo, FR98); problemas de caráter geral na/com a empresa
(por exemplo, DE99);
O abandono de um empregador para ingressar num outro (por exemplo, UK100);
Falta de capacidades para concluir a formação. Os estudantes podem considerar que lhes será difícil concluir a formação.101 Algumas destas razões de natureza pessoal
podem ser agrupadas na «aptidão para a aprendizagem», como é designada na Alemanha.
A questão da «aptidão para a aprendizagem» é um importante fator de abandono, mas também uma das razões principais que impedem os jovens de encontrar estágios de aprendizagem. Aos 15-16 anos, muitos jovens não estão aptos para assumir um posto num ambiente de trabalho e produção, o que poderá resultar em conflitos com os empregadores e mentores e, consequentemente, na resolução do contrato (ver também o anexo 3).
Além dos fatores pessoais e da «aptidão para a aprendizagem», a investigação levada a cabo nos países selecionados constatou que as taxas de abandono podem ser afetadas pelo setor e a dimensão da empresa formadora.
Na Alemanha, as taxas de abandono variam consoante os setores. São habitualmente elevadas no setor da hotelaria e restauração (até 50 % nas profissões de cozinheiro e gerente de restaurante), nos serviços de mudanças (por exemplo, até 50 % nas empresas de mudanças) e nos serviços de segurança (até 45 %). Por outro lado, as taxas de abandono são muito baixas na maioria das profissões dos serviços públicos (cerca de 4 %) e das tecnologias da informação (TI (cerca de 5 %).102
Em França, o risco de resolução antecipada do contrato (pelo aprendiz, pelo empregador ou por ambos) é maior em determinados setores e nas pequenas empresas. A perceção da menor qualidade da informação, em especial nas PME, é também tida como um fator importante: a insuficiência de qualidade no ambiente de trabalho/aprendizagem está na origem de 40 % dos casos de resolução dos contratos pelos aprendizes.103 Os setores com
maior frequência de resolução dos contratos de aprendizagem e onde esta é tida como um constrangimento importante são os que apresentam condições de trabalho mais adversas (por exemplo, longos horários de trabalho, condições de trabalho extenuantes, etc.). Estão neste grupo o setor da hotelaria e restauração (25 % a 40 % dos contratos são resolvidos, pois muitos jovens mudam de ideias depois de experimentarem a realidade do trabalho neste setor), o setor dos cabeleireiros e o setor da construção. 97 Hall C. (2009), Does making upper secondary school more comprehensive affect dropout rates,
educational attainment and earnings? Evidence from a Swedish pilot scheme.
98 Alet El., Bonnal L. (2013), L’apprentissage : un impact positif sur la réussite scolaire des niveaux V. 99 Ministério Federal da Educação e da Investigação (2009), Ausbildungsabbrüche vermeiden – neue
Ansätze und Lösungsstrategien, Band 6 der Reihe Berufsbildungsforschung, Internet: http://www.bmbf.de/pub/band_sechs_berufsbildungsforschung.pdf
100 Hogarth T. et al. (2009), Maximising apprenticeship; Completion rates. 101 Investigação da ICF International nos países selecionados.
102 Bundesministerium fuer Bildung und Forschung (2013), Berufsbildungsbericht 2013, pp. 35-37. 103 CEREQ (2010), Contrat d'apprentissage, les raisons de la rupture.
49