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1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO

2.7 CONTROLADORIA

A controladoria é um ramo da contabilidade que utiliza as informações contábeis para a realização de planejamentos estratégicos. Apoia-se nos mais diversos controles patrimoniais das organizações para fundamentar-se nas tomadas de decisão. Ajuda a conduzir o processo de gestão das entidades. É peça fundamental para o sucesso de qualquer empresa.

Para Padoveze (2004, p.3), “a Controladoria é a utilização da Ciência Contábil em toda a sua plenitude”. Segundo Oliveira (2009, p.16)

A área da controladoria surge da necessidade de otimizar os resultados das decisões que são tomadas com referência à empresa. Uma premissa para a sua existência é a de que a ciência contábil tem o instrumental adequado para o controle empresarial e para a otimização do resultado de entidades econômicas.

Para Mosimann; Fisch (1999 apud PRASS, 2010, p.14)

A controladoria pode ser conceituada como o conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos das ciências da administração, economia, psicologia, estatística e principalmente, da contabilidade, que se ocupa da gestão econômica das empresas, com a finalidade de orientá-las para a eficácia.

De acordo com Oliveira (2009, p.16), “a controladoria gera informações sobre os ambientes internos e externos à empresa, úteis na tomada de decisão pela administração. A palavra controladoria é antiga e se liga as noções de conta, riqueza (dinheiro e mercadorias) e controle”.

Conforme Mosimann; Fisch (1999) a controladoria possui uma interação com várias outras disciplinas, tais como, administração, economia, estatística etc. Acredita-se que a maior relação ocorre entre a contabilidade e a administração. Uma matéria complementa a outra. Uma não vive sem a outra. Em função dessas interações, a controladoria consegue ter controle de todos os departamentos da organização, gerando informações precisas e imediatas da situação real da entidade.

A controladoria tem como função principal, dar suporte para os gestores tomarem as decisões no seu negócio. Ela que possui todos os dados da empresa. Será a peça fundamental

para melhorias na entidade. Também possui a função de controlar, verificar, avaliar e sugerir processos a organização, a fim de buscar a eficácia em todas as atividades da empresa. Conforme Oliveira (2009, p.38) “[...] a controladoria permite a avaliação e o controle do desempenho da organização como um todo, fornecendo informações úteis ao processo decisório”. De acordo com Padoveze (2004, p.34) “[...] sua missão é assegurar o resultado da companhia. Para tanto, ela deve atuar fortemente em todas as etapas do processo de gestão da empresa, sob pena de não exercer adequadamente sua função de controle e reporte na correção do planejamento”.

Para funcionar, a controladoria deve estar bem estruturada dentro da empresa, pois precisa estar ligada aos sistemas de informações necessários para a gestão. Para Oliveira (2009, p.40)

O desenho da estrutura organizacional depende do nível de autoridade e responsabilidade definidas para a área de controladoria, assim como do ambiente organizacional onde ela se insere. [...] é o modelo de gestão que define responsabilidades e autoridades. Portanto, indiretamente a estrutura organizacional é definida pelo modelo de gestão.

Padoveze (2004) afirma que a controladoria pode ser estruturada em duas áreas: contábil e fiscal, e planejamento e controle. Na primeira, contábil e fiscal, estão as informações de cunho patrimonial da entidade, tais como a escrituração contábil e fiscal; a contabilidade tradicional da empresa e seus relatórios. Já na segunda, planejamento e controle, estão às projeções e simulações orçamentárias, estratégias, análises de custos e planejamento tributário; ou seja, nesse segundo estão os controles e planejamentos utilizados para se chegar a eficácia.

Por necessitar de todas as informações da entidade, a controladoria se divide em subsistemas por toda a empresa, para que os mesmos possam se comunicar livremente. De acordo com Padoveze (2004, p.35) “objetivando a existência de sistema de informação integrado, a administração do Sistema de Informação Gerencial deve ter o monitoramento permanente do controller para alcançar essa integração”.

Segundo Oliveira (2009, p.104)

A implementação de uma área de controladoria exige a definição de aspectos mais abstratos mas fundamentais para o funcionamento da área, como missão, modelo de gestão, autoridade, responsabilidades, atividades, recursos e produtos. Exige também um levantamento da organização para que seja elaborado um diagnóstico da realidade empresarial, do ponto de vista do negócio, de sua estrutura, operações e definições e de sistemas. [...], o funcionamento eficaz da área de controladoria

depende da existência de sistemas de informação operacionais econômico- financeiros que devem estar calcados na realidade física e operacional da empresa.

Por isso, para dar inicio a utilização das ferramentas oferecidas pela controladoria, é preciso fazer uma estruturação da empresa, a fim de que a mesma possa se adequar a essa técnica. Assim, não basta somente saber o significado da palavra controladoria e seus métodos de controle, e sair aplicando em toda e qualquer empresa. É preciso primeiro, realizar o treinamento e preparação do pessoal da empresa, para que os mesmos possam fornecer a controladoria, as informações necessárias para a criação de um modelo estrutural para a organização.

2.7.1 Controller

Para Martin (2002 apud OLIVEIRA, 2009, p.49) “as empresas vivem hoje o imperativo do valor, que consiste na necessidade de gerar valor por meio de seus bens e serviços para todos os envolvidos, como clientes e investidores”. E, devido isso, gerou-se a necessidade de um profissional capaz de saber de todas as rotinas da empresa, tendo o controle como forma de geração de informações para os gestores. Com isso, surgiu a figura do Controller.

Conforme Figueiredo (1995) o profissional que atua na área da controladoria é chamado de Controller. É o responsável em orientar a entidade quanto ao planejamento, controle e execução das atividades da empresa. Para atuar nessa atividade, a pessoa deverá ter um vasto conhecimento na área contábil e administrativa, principalmente. Deve estar sempre buscando e pesquisando modelos de gestão para a eficácia. Com a figura desse responsável dentro da sua empresa, os gestores tem mais certeza na tomada de decisão, pois esse perito, além de apresentar os relatórios e dados para tomar a decisão, eles possuem conhecimento administrativo e financeiro para ajudar a escolher o melhor para a organização.

Segundo Oliveira (2009, p.50), “o controller é responsável por atender os gestores da empresa e orientá-los à direção e ao gerenciamento das atividades empresariais, e pela tecnologia de gestão econômica que ele agrega”. Para Padoveze (2004, p.36) “a sua atuação deve ser no sentido de informar, formar, educar, influenciar e persuadir, nunca impor, de tal forma que todos ajam coordenadamente com os objetivos da empresa, e, por conseguinte, obtenham eficiência e eficácia nas suas áreas de responsabilidades”.

Como salienta Padoveze (2004), o controller somente vai orientar, dar sustentação ao gestor da empresa. Ele deve usar da sua influência, em decorrência de seu conhecimento da

empresa, porém não pode tomar a decisão por conta própria. Tomada à decisão, cabe a esse profissional acompanhar os resultados, fazendo as devidas avaliações.

Sobre as funções do controller, Coronado (2006, p.28) afirma que “cabe a eles a função de combinar ferramentas tecnológicas e criativas a fim de agregar e otimizar valores às suas organizações ao reduzir custos e ao servir como parceiros empresariais”.

De acordo com Sathe (1983 apud OLIVEIRA, 2009, p.50), as características do controller são as seguintes

Energia e motivação pessoal; integridade pessoal e compromisso profissional; conhecimento de contabilidade e capacidade de análise; entendimento do negócio – entendimento das necessidades de gestão para operar o negócio com eficácia; habilidade de comunicação – competência para julgar o que importa para a gestão e realizar recomendações; habilidades interpessoais – capacidade de influenciar pessoas e de relacionar-se; habilidade para gerar desafios construtivos aos gestores; dupla prestação de contas – reconhecimento de suas responsabilidades para com os gestores divisionais e corporativos.

Por se tratar de um profissional qualificado e com conhecimento, o controller é muito valorizado no mercado. Com isso, na maioria das empresas, ter um colaborador desse nível, apesar de seus benefícios, é inviável para o negócio. Aí que deve entrar o gestor da entidade e buscar conhecimentos para fomentar o negócio, pois a controladoria não é atividade exclusiva do controller. Ela também deve ser usada nas pequenas empresas, através de seus gestores.

2.7.2 Atribuição da controladoria no processo de gestão

De acordo com Antunes (2005) as pessoas envolvidas na organização precisam ter informações disponíveis que vão sustentar decisões, avaliações e previsões; envolvendo todos os setores da entidade, que demonstram a realidade interna da organização. Conforme Padoveze (2004, p.26)

O processo de gestão, também denominado de processo decisório, é um conjunto de processos decisórios e compreende as fases do planejamento, execução e controle da empresa, de suas áreas e atividades. Por processo entende-se a sucessão de estados de um sistema, que possibilita a transformação das entradas do sistema nas saídas objetivas pelo mesmo sistema.

Seguindo o conceito de Padoveze (2004), a controladoria é a responsável por orientar o gestor nas três fases do processo de gestão. Ela dá o suporte para a tomada de decisão e monitora os resultados incorridos. A controladoria é fundamental para o crescimento das

entidades, seja qual for o ramo de atividade da empresa; ela é rica em informações. Mostra a organização o caminho do sucesso.

Segundo Oliveira (2009, p.30)

[...] a controladoria atua de várias maneiras: realiza estudos, coordena o processo orçamentário, gera informações e auxilia os tomadores de decisão a definirem os impactos econômicos de suas escolhas. Algumas dessas escolhas, como a decisão de comprar, produzir, vender, são decisões que acontecem constantemente, e cada instancia segue o mesmo padrão. Esse padrão pode ser identificado, definido e sistematizado na forma de programas de computador, que são utilizados pelos gestores das áreas com o objetivo de otimizar seu resultado. Por sua responsabilidade para reconhecer e valorar os impactos econômicos das decisões, a controladoria contribui para a gestão econômica do negócio. Ela estuda economicamente como decidir, formulando quais são as variáveis que devem compor uma determinada decisão, e define como elas devem ser medidas. Essas definições são conhecidas como modelos de decisão e de mensuração.

O grande equívoco da maioria dos gestores das pequenas empresas é tomar decisões sem “base sólida”, ou seja, sem ter informações norteadoras do caminho a seguir. Por isso, além de fornecer essas informações, a controladoria também busca montar um modelo de gestão para as empresas. Sobre o modelo de gestão, Oliveira (2009, p.32) “refere-se às crenças e aos valores da empresa no tocante a como esta deveria ser administrada, no fundo trata-se de um modelo de controle”.

O modelo de gestão da controladoria implica atuações no tocante aos sistemas de informação, planejamento, controle, avaliação e motivação. Em relação a esses vários sistemas, é imprescindível estudar a atuação da controladoria, conforme a seguir: Informação: é fundamental prover os usuários internos e externos da organização com informações adequadas, necessárias ao processo de tomada de decisão e avaliação de desempenho, no que concerne à gestão econômica; Planejamento: para subsidiar o processo de planejamento global e das áreas e participar dele, com vistas a garantir a consistência e a viabilidade econômica dos planos, utilizando-se, para tanto, de simulações e do sistema orçamentário como medida econômica dos planos; Controle: para verificar continuadamente os resultados econômicos obtidos, comparando-os com os planos traçados, para fins de verificação dos desvios, indicação da necessidade de ajustes na execução e revisão do planejamento; Avaliação: para avaliar as áreas de responsabilidade e o desempenho gerencial, de modo a verificar a contribuição de cada área da organização no resultado global, bem como os esforços dos gestores, relativamente aos resultados econômicos, na consecução dos planos traçados para a organização; Motivação: para fornecer ao sistema de recompensas instituído na empresa parâmetros para a avaliação do desempenho dos gestores, sob enfoque econômico, de modo que a filosofia de gestão econômica produza efeitos no comportamento das pessoas diretamente envolvidas (OLIVEIRA 2009, p.34-35).

Segundo Figueiredo (1995) a controladoria vai permitir à empresa alcançar os seus objetivos. E, para isso, ela utiliza um sistema de informações como recurso, para o processamento de dados, objetivando chegar à decisão. O controle permite ao gestor saber

todos os dados da empresa em cada um de seus setores, mostrando onde é preciso “ajustar” para melhorar os resultados. A eficácia é a palavra que resume a controladoria no processo de gestão.

2.8 CONTABILIDADE GERENCIAL

Utilizando um conceito mais direto, Padoveze (2004, p.10), afirma que “a Contabilidade Gerencial é vista essencialmente como supridora de informações para os usuários internos da empresa”. Já para Coronado (2006, p.25), “a contabilidade gerencial trabalha com o planejamento de operações futuras utilizando-se de números reais e estimados na busca da otimização dos resultados”. Buscando um conceito mais amplo, Iudícibus (1998, p.21) descreve que

A contabilidade gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira e de balanços etc., colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório.

A contabilidade gerencial está voltada para a administração da entidade (IUDÍCIBUS, 1998, p.21). Assim, a mesma utiliza as informações geradas pelo financeiro da empresa, sustentadas pela controladoria, para poder montar os planejamentos organizacionais, a fim de que o gestor possa traçar o rumo da entidade. Como a controladoria, esse ramo da contabilidade, também utiliza muitos conceitos da administração, para poder tomar as decisões.

Conforme Coronado (2006, p.23-24), as funções da contabilidade gerencial são as seguintes

a) Gerenciar o processo de gestão: ajudar na adequação do processo à realidade da empresa, monitorar e orientar o processo de planejamento orçamentário da empresa, e consolidar o orçamento da empresa; b) Apoiar a avaliação de desempenho: elaborar a análise de desempenho econômico das áreas, e elaborar a análise de desempenho da empresa; c) Apoiar a avaliação de resultado: elaborar a análise de resultado econômico dos produtos e serviços, e orientar o processo de estabelecimento de padrões; d) Gerir os sistemas de informações econômicas e financeiras: definir base de dados que permita a organização das informações necessárias à gestão, elaborar modelos de decisão para os gestores das diversas áreas da empresa, e padronizar e/ou harmonizar as informações econômicas; e) Atender aos agentes do mercado (acionistas, governo, bancos etc.): garantir atendimento às

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