• Nenhum resultado encontrado

2.1 Teoria dos Clusters

2.1.4 Cooperação e Competitividade nos Clusters

Uma das principais caraterísticas do cluster reside na alternância da competição com a cooperação que se efetiva entre os seus membros. Estudos de Pyke, Becattini e Sengenberger (1990) e de Saxenian (1995) apontam para os fortes ganhos de competitividade com origem na criação de redes de cooperação entre as empresas e numa dada região, reportando os casos verificados na Terceira Itália e no Silicon Valey (Estados Unidos).

A cooperação entre empresas tem proliferado nos últimos anos em variadas áreas de conhecimento e de negócio. As principais razões e motivações encontram-se na necessidade de se conseguir maior flexibilidade e na procura de maior eficiência na satisfação de oportunidades, de um modo geral de forma temporária. Este fenómeno tem tido uma maior evolução nas pequenas e médias empresas, com limitada disponibilidade de recursos (financeiros, tecnológicos, produtivos, humanos) e com atividades complementares. Neste contexto, a cooperação entre empresas pode ser considerada segundo dois aspetos:

Cooperação horizontal – que envolve acordos de longo prazo entre empresas do mesmo setor que originam as denominadas “alianças estratégicas”;

Cooperação vertical – que envolve outras entidades na cadeia de valor, tais como fornecedores, fabricantes, distribuidores e clientes.

Ao estudar as ligações de mercado entre empresas fornecedoras e clientes, Gummesson (1999) enfatizou a importância da divulgação e do marketing para a competitividade. Noutra perspetiva, Porter (1993) refere que um país não é necessariamente competitivo em função das suas riquezas naturais, nem em função da mão-de-obra barata. Assim, um cluster deve tirar proveito dos seus recursos, de modo a se diferenciar competitivamente dos seus concorrentes. Como vantagens competitivas podem ser assinaladas a redução de custos e a difusão da informação entre as empresas pertencentes ao mesmo cluster, em especial nos aspetos relativos à cooperação e confiança e à transferência de conhecimento e tecnologia. O cluster, no seu conceito, têm o potencial de melhorar a competitividade industrial de três formas diferentes:

Incrementando a produtividade das empresas ligadas ao cluster; Incentivando a inovação;

Segundo Porter (2000) o bem-estar económico de uma nação ou região é determinado pela sua produtividade e pela adequada utilização dos recursos humanos, de capital e naturais. Refere ainda qua a definição mais apropriada para a competitividade é a produtividade. A produtividade depende do valor dos produtos e serviços e da eficiência como são obtidos. A prosperidade é outro fator pelo qual as empresas e regiões competem, conduzindo a que as anteriores vantagens comparativas se possam transformar em vantagens competitivas.

As vantagens na formação de clusters assentam na necessidade de entrada em novos mercados, no acesso a canais de distribuição já estabelecidos, na difusão e transferência de tecnologia, na complementaridade tecnológica, na partilha de riscos, na redução de custos de produção e desenvolvimento, na aceleração da introdução de novos produtos, na ultrapassagem de barreiras legais e no envolvimento de diferentes experiências e estilos. Noutro plano, diversos fatores podem contribuir para dificultar ou condicionar o sucesso de cooperações entre as empresas, nomeadamente a dificuldade na garantia de um clima de confiança, a necessidade de infraestruturas que assegurem a partilha de informação e a aprendizagem de conhecimento.

Segundo Hoffman e Molina (2004), a competitividade resulta das diferenças de desempenho entre as empresas associadas à cooperação e transferência de conhecimento. Nessa perspetiva, a competitividade pode ser entendida como a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado. Tais autores referem que a viabilidade a longo prazo depende da capacidade do cluster em minimizar custos e inovar produtos. Essas estratégias competitivas das empresas, pertencentes a um cluster, tornam-se facilitadas pela cooperação entre elas, que permite uma redução de custos e uma transferência de conhecimento ou disseminação de informação, que agiliza a inovação em processos e produtos. Nessa perspetiva, definem dois conceitos de competitividade:

A competitividade empresarial - diz respeito à capacidade da empresa de formular e colocar em prática estratégias competitivas que assegurem essa posição sustentável a longo prazo;

A competitividade sistémica - reconhece que o desempenho empresarial é também determinado por fatores externos às empresas, tais como:

Macroeconómicos - taxa de câmbio, de juros, carga tributária;

Político-constitucionais, sociais e internacionais - poder de compra do governo, políticas tributárias e tarifárias, apoio fiscal ao risco tecnológico; Legais, regulatórios e infraestruturais;

Numa abordagem aos clusters, Alec Hansen (2004) refere que a competitividade se tornou uma preocupação crescente face à globalização, pois o mundo está cada vez mais especializado e as regiões económicas precisam de se preparar para este novo tipo de concorrência. Refere ainda dois grupos e três tipos de desenvolvimento de clusters:

Clusters espontâneos (os líderes sabem o que querem e como obtê-lo); Criados sem apoio significativa do governo;

Clusters acelerados artificialmente;

Conduzidos por setores privados (os líderes sabem o que querem, mas não sabem como obtê-lo);

Conduzidos pelo Governo (os líderes não sabem o que querem nem como obtê-lo).

Na publicação da International Trade Department of the World Bank, Mallika Shakya (2009), expõe uma forma realista de identificar a política e os entraves institucionais para a competitividade, a qual pode ser um veículo eficaz para catalisar a reforma económica. Através de diálogos entre os líderes de clusters e outras organizações do setor público (por exemplo, organizações que trabalham no desenvolvimento industrial, desenvolvimento de infraestrutura, pesquisa, inovação e formação, etc.), podem ser forjadas novas parcerias que ajudem a acelerar as reformas políticas.

A Tabela 3 mostra as caraterísticas básicas e alguns dos fatores críticos nos clusters.

Caraterísticas básicas Elementos Fatores críticos

Instituições de I&D

Sistema Nacional de Inovação

Capacitação tecnológica geral Heterogeneidade de instituições locais

Sistemas Regionais / Locais

de Inovação Especializações locais

Interdependência e

interação Clusters Industriais

Eficiência coletiva e inovação Divisão de trabalho e logística própria Redes/Associações de Empresas Aprendizagem por interação

Competências críticas Empresas Estratégias competitivas