2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 25
2.3 COMPRAS PÚBLICAS SUSTENTÁVEIS 72
2.3.2 A Sustentabilidade nas Compras Públicas 93
2.3.2.4 CPS e as facilidades e barreiras para implementação 128
Diversos fatores podem impulsionar as compras públicas sustentáveis, facilitando o seu processo de implementação e difusão. De acordo com o IADS (2008b), condições como uma maior integração na tomada de decisão, bem como a integração dos processos, possibilitam alcançar maior eficácia nos contratos públicos sustentáveis.
Além disso, fatores como envolvimento dos fornecedores e alinhamento da cadeia de abastecimento, a conscientização de todos os atores envolvidos, como compradores, consumidores finais, empresas e outras organizações sobre as questões relacionadas ao meio ambiente, à segurança alimentar, aos direitos humanos e trabalhistas, ao comércio justo e à justiça social, são questões primordiais a serem consideradas nas políticas de compras públicas sustentáveis de modo a facilitar a sua aplicação (IADS, 2008b).
Outras condições facilitadoras no processo de adoção das compras sustentáveis incluem a existência de um marco regulatório específico e de suporte político por parte das autoridades governamentais, bem como a definição de uma política de compras que leve em consideração os aspectos de sustentabilidade (UNEP, 2012c).
No âmbito organizacional, fatores como o nível de conhecimento e capacitação dos envolvidos, apoio oferecido pela alta administração, bem como a existência de um planejamento com objetivos e metas claramente definidos para as compras sustentáveis contribuem para o processo de mudança (ICLEI, 2007).
Por outro lado, são inúmeras as barreiras e condições que tendem a dificultar a adoção da prática de compras sustentáveis. Um estudo comparativo sobre as práticas das compras sustentáveis, realizado por Brammer e Walker (2011), que contou com a participação de compradores públicos de 20 países, evidenciou que a preocupação relacionada aos custos é um dos maiores obstáculos para a adoção das compras sustentáveis. Em geral, as restrições financeiras constituíram a barreira mais citada no estudo. Outro obstáculo mencionado com frequência diz respeito à questão da informação, ao conhecimento conceitual e a familiaridade dos compradores públicos com as políticas.
O estudo destaca, ainda, o aspecto da gestão e a estrutura organizacional como outra barreira, principalmente no que se refere à falta de apoio dos gestores envolvidos na alta administração. Neste sentido, a liderança no âmbito organizacional foi frequentemente citada como sendo uma condição facilitadora para a prática de compras sustentáveis. Outro ponto relevante mencionado no estudo diz respeito à falta de informações sobre as oportunidade e ofertas disponibilizadas pelo mercado e a resistência dos agentes públicos em se envolver no processo de identificação das possibilidades ofertadas e em estabelecer conexões com o mercado (BRAMMER; WALKER, 2011).
O MPOG e ICLEI (2010, p. 65) ratificam esta informação ao afirmarem que “os principais obstáculos incluem falta de conhecimento, ou de vontade política, ou ainda, de incentivos para estimular a mudança de comportamento”.
Outras barreiras mencionadas por Brammer e Walker (2011) correspondem à falta de diretrizes explícitas emitidas pela alta administração em relação desenvolvimento sustentável, a preocupação com a qualidade do produto e a disponibilidade de alternativas sustentáveis, bem como a falta de materiais e de um banco de dados claros e transparentes sobre os bens produzidos pelos fornecedores (envolvendo questões relacionadas ao ciclo de vida do produto, como os materiais utilizados, o processo de fabricação, a estrutura de produção, e o processo de reciclagem e destinação final).
Vale ressaltar que o estudo realizado por Brammer e Walker (2011) também identificou alguns aspectos facilitadores, considerados estimulantes para a adoção da prática de compras sustentáveis, os quais se baseiam, principalmente, no suporte oferecido pelos líderes da organização, na implementação de estratégias e planos concretos com objetivos e metas, bem como a existência de um clima governamental favorável e de um marco legal que forneça o respaldo necessário. O compromisso individual também foi mencionado como um fator que desempenha um importante papel facilitador no processo de mudança.
O IADS (2008b) também listou uma série de barreiras para as compras públicas sustentáveis que se destacam no âmbito do MERCOSUL. Dentre elas, ressalta-se:
• Pessoal de compras ocupado com as atividades cotidianas, dificultando a incorporação de novos critérios que, a princípio, implicariam em mais tempo na elaboração dos editais e na avaliação das propostas (percepção de que as compras sustentáveis são mais complexas);
• As normas específicas de compras dificultam a incorporação de outros critérios, visto que são direcionadas para a contratação com base no menor preço;
• Pouca compreensão do conceito de compras públicas sustentáveis por parte dos compradores, gestores de compras e fornecedores; • Escasso conhecimento sobre as características ambientais e sociais
dos produtos e serviços por parte dos fornecedores, pelas instituições técnicas, bem como pelo setor governamental, além da falta de mecanismos como certificação de produtos e serviços; e • Crença no aumento dos custos de produção por parte do mercado
fornecedor, bem como escassez de políticas de incentivo e promoção de mudanças para a indústria.
Assim, conforme observado, embora já existam diversas experiências relevantes, especialmente no âmbito internacional, fatores como a ausência de previsão legal expressa para as compras públicas sustentáveis (COSTA, 2012), bem como a falta de apoio e escassez de ferramentas já testadas e validadas (ICLEI,
2007) são algumas das razões para que a implementação das compras sustentáveis não tenha ocorrido de forma efetiva até o momento.
Há, ainda, uma série de obstáculos a superar: a percepção de que as compras públicas sustentáveis são muito complexas e que podem aumentar o custo de aquisição, mecanismos orçamentários inflexíveis, a falta de conhecimento em relação às políticas ambientais e sociais, a falta de informações sobre as opções legais para incluir critérios de sustentabilidade nos editais de licitação, e a falta de ferramentas práticas. Outros desafios são devido ao nível de apoio à gestão e ao nível de cooperação entre os departamentos. Particularmente importante nos países em desenvolvimento são questões relacionadas à capacidade do mercado, os potenciais impactos em pequenas e médias empresas locais, e a consciência pública sobre a importância da sustentabilidade em geral (ROOS, 2012, p. 3. Tradução livre).