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CAPÍTULO 2 ESTADO DA ARTE DOS CONSTRUCTOS DE ANÁLISE

2.6 SEXTO CONSTRUCTO – SELF E CRENÇAS AUTORREFERENCIADAS

2.6.3 Crenças de controle, agência e competência

As crenças de controle, agência e competência (também conhecidas como

crenças de autoeficácia – na perspectiva de Bandura, 1997; ou simplesmente

autoconfiança) versam sobre a percepção que o sujeito tem em si mesmo, em suas

habilidades e capacidades para alcançar um objetivo esperado.

As crenças de controle, agência e competência dizem respeito à percepção

de que o sujeito precisa possuir (ou ser capaz de conseguir) os recursos necessários

para enfrentar as diferentes situações que a ele se exibe. Tais crenças certificam ao

sujeito sobre suas possibilidades de controlar as referidas situações (LOOS, 2004).

De acordo com Skinner (1995), o controle percebido pode ser entendido como

um conjunto de crenças inter-relacionadas que formam a partir de interpretações das

experiências anteriores do sujeito em diferentes campos de sua vida. Possibilitam ao

self as perspectivas de como produzir resultados aspirados (ou evitar os

indesejados). As crenças de controle são, assim, representações subjetivas que a

pessoa tem de sua capacidade para exercer controle sobre o ambiente no qual está

inserida e no próprio comportamento e conduta. Pertencem ao Sistema de

Competência e possibilita planejar, começar e nortear ações direcionadas a metas,

ou seja, tem a função de interpretar e regular as interações com o ambiente, o que

determina as perspectivas sobre o que o ser é capaz de realizar (ou não) dentro de

uma conjuntura. Sob essa ótica, as crenças de controle fazem referência às

representações das próprias capacidades sobre o contexto e o próprio

comportamento do sujeito (SKINNER, 1995).

Loos (2004) destaca que tais crenças estão diretamente ligadas ao

autoconceito e auxiliam na constituição dos sentimentos de autoestima. Além de

fazerem parte de um sistema, atuam no sentido de interpretar e regular as

interações com o contexto, principalmente ações para alcançar metas.

Cada vez que o sujeito empenha esforço e suas capacidades para alcançar

algum objetivo, as crenças de controle são desenvolvidas, pois, à medida que avalia

o contexto (suas capacidades, recursos usados, condições ambientais), produz uma

opinião acerca de sua eficácia. Nessa perspectiva, as crenças de controle traduzem

a energia que o sujeito pensa que pode colocar no seu quadro de referência

(conhecimentos, capacidades e vivências prévias) para alcançar um resultado.

Entretanto, o sujeito está exposto a múltiplas situações, o que requer dele respostas

diferentes para dar conta de cada uma dessas situações,demandando que o mesmo

se ajuste às exigências do contexto bem como às crenças sobre si mesmo.

Assim, devido à individualidade de cada ser, as experiências e à percepção

de si, uma mesma ação terá resultados diferentes para cada pessoa, em função das

particularidades do seu conjunto de capacidades e da sua habilidade de reorganizar,

ativar e incorporar recursos para atender as situações.

Constata-se, então, que as crenças de controle não se referem ao número de

habilidades/capacidades que o sujeito pensa ter, mas com o que ele acredita ser

capaz de fazer com as capacidades que possui, no contexto de uma determinada

conjuntura. Isso permite entender por que aquelas pessoas que acreditam em sua

capacidade despendem de grande energia para alcançar seus objetivos, enquanto

outras, que parecem ter mais recursos, não se comprometem tanto, porquanto não

acreditam em si (NÚÑEZ-RODRÍGUEZ, 2008).

As crenças de controle têm um papel crucial na vida do ser, pois, a percepção

que o sujeito tem de si, como alguém capaz, influencia seus pensamentos, emoções

e comportamentos, já que lançará mão dessa percepção ao determinar o quanto de

empenho disponibilizará para cada atividade, quanto persistirá frente a uma situação

adversa e se atividade será investida com sensações de ansiedade ou de confiança.

Infere-se, assim, que essas crenças possuem uma capacidade gerativa que

consegue organizar e gerenciar os domínios cognitivo, emocional e social do ser, a

fim de responder às diversas finalidades.

As crenças de controle podem ser de dois tipos, a saber: de contingência

determinados resultados, isto é, crenças sobre a relação entre meios e fins), ou de

competência, agência ou autoeficácia (crenças sobre a própria competência para

produzir tais ações).

Como dito, o Sistema de Competência tem a função de interpretar e regular

interações com o ambiente. Esse sistema pode ser representado da seguinte forma

(Figura 1):

FIGURA 1- DIAGRAMA REPRESENTATIVO DO SISTEMA DE COMPETÊNCIA (SKINNER, 1995)

A partir do diagrama apresentado na Figura 1, pode-se observar que as

crenças de controle possuem suas funções na ação: (1) antes e durante a

empreitada do sujeito na ação, regulando a qualidade dessa, e (2) depois da ação,

na interpretação do desempenho alcançado.

A perspectiva de êxito no controle da ação contém um papel regulador sobre

a ação, que trará determinadas consequências que, por sua vez, proporcionam ao

sujeito informações sobre seu grau de eficiência acerca de determinados meios e/ou

causas, além de sua possibilidade de controle sobre essas causas. Tais informações

nutrem as crenças sobre causas ou meios-fins e as crenças sobre sua própria

competência sobre esses meios ou causas, propiciando, deste modo, uma nova

retroalimentação das expectativas gerais de controle do sujeito.

Pautados na Teoria da Ação (SKINNER, 1995), a ação condiz com um

comportamento dirigido à meta, propositado e imbuído de emoção, sucedido em um

dado contexto social. De acordo com tal abordagem, não existe apenas um único

agente produzindo resultados, mas também uma conexão entre meios e fins e entre

agentes e meios (SKINNER, 1995). Desse modo, há a distinção entre agentes,

CRENÇAS DE CONTROLE CRENÇAS SOBRE CAUSAS CRENÇAS SOBRE O SELF CRENÇAS DE CONTROLE

FUNÇÃO

REGULADORA

AÇÃO CONSEQÜÊNCIAS

meios e fins, levando a três diferentes conjuntos de crenças, como representados na

Figura 2:

FIGURA 2 - TIPOS DE CRENÇAS DE CONTROLE (SKINNER, 1995)

A expectativa de controle se refere à expectativa geral sobre o alcance do

self em produzir os resultados almejados e/ou evitar os indesejados, em uma

determinada ação. O sujeito acredita que pode alcançar um resultado, contudo sem

fazer menção a qualquer meio ou causa especifica. Exemplos: “Se eu decido que

não vou fazer nada de errado (por exemplo, em um teste de matemática ou em um

ditado), eu não erro”; “Tirar notas boas não depende de mim” (SKINNER, 1995).

As crenças de agência, por sua vez, referem-se ao grau em que o sujeito

acredita possuir ou ter a possibilidade de controle de determinadas causas, isto é,

em que medida ele acredita que pode utilizar um meio para alcançar um fim. As

crenças de agência abarcam as dimensões esforço, atributos internos (capacidade

e/ou inteligência), sorte e papel do professor. Exemplos: “Por mais que eu me

esforce, eu não consigo resolver alguns problemas (por exemplo, em matemática)” –

capacidade; “Quando o professor me faz uma pergunta e eu erro, é porque tive azar”

– sorte (SKINNER, 1995).

Já as crenças de meios-fins (ou de estratégia) aludem sobre se determinados

meios e/ou causas são condições suficientes para que resultados almejados sejam

gerados. As crenças mais comuns apontadas no domínio acadêmico também

aludem às dimensões esforço, atributos internos como capacidade e/ou inteligência,

sorte, agentes controladores, como o professor e ainda, causas desconhecidas.

Exemplos: “Quando os alunos conseguem compreender o que o professor explica, é

por que prestaram bastante atenção” – esforço; “É difícil entender porque um aluno

vai mal numa matéria em que costuma ir bem” – fatores desconhecidos (SKINNER,

AGENTE CRENÇAS DE AGÊNCIA EXPECTATIVAS DE CONTROLE FINS CRENÇAS SOBRE MEIOS-FINS MEIOS

1995).

Nesse contexto, ressalta-se a importância das crenças de controle

particularmente na conjuntura escolar, uma vez que tem impacto no nível de

motivação do educando e, portanto, de sua produção. Essas crenças induzem a

escolha de atividades e a energia e esforço que o sujeito dispenderá, o que tem

impacto sobre seu desempenho. O ser lança mão do pensar sobre si para

empreender uma tarefa, assim, visualiza sucesso, tende a agir positivamente.

De acordo com Boruchovitch (1994, p. 132), “quando resultados imediatos

não são possíveis, ou quando esforços extras não são necessários para se obter

êxito numa determinada tarefa, as pessoas tendem a abandonar a atividade em

questão, se não se percebem como eficazes para realizá-la”.

Nesse raciocínio, Loos (2004, p. 51) ressalta que “quanto mais o indivíduo se

percebe eficaz, melhores são as suas construções cognitivas de ações efetivas”.

Infere-se assim que quanto maior o grau de controle percebido, melhor será o

desempenho acadêmico, à medida que baixos graus tendem a reduzi-lo.

A partir do explanado, constata-se um papel regulador das crenças de

controle no comportamento da pessoa. A esse respeito, Loos (2004) destaca duas

funções das crenças de controle: a) regula a qualidade da ação, na medida em que

atua antes e durante o „engajamento‟ do sujeito na ação; b) interpreta o desempenho

alcançado. Isto quer dizer que os resultados alcançados por meio da ação

viabilizarão ao sujeito informações sobre sua eficácia, informações estas que

proporcionam a retroalimentação, na medida em que o sujeito vai reafirmar (ou não)

as crenças sobre sua competência.

2.6.4 Relações entre crenças autorreferenciadas (autoconceito, autoestima e