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Após a emissão da CAT e a comprovação do nexo causal que caracterizar o acidente do trabalho, surgem algumas conseqüências para o Instituto Nacional do Seguro Social, vejamos:

1. Se o acidente não for de proporção tal que necessite de afastamento do empregado por mais de 15 dias, a remuneração a ser paga será por conta da empresa.

2. Se o afastamento for superior a 15 dias, a partir do décimo sexto dia, a responsabilidade pelo pagamento do benefício será do INSS. No entanto, para receber o benefício haverá necessidade de avaliação pela perícia médica, que verificará se o segurado se encontra incapacitado. Se for caso de incapacidade temporária, entrará em gozo de auxílio-doença, que será mantido até que cesse a incapacidade.

3. Se do acidente advier a incapacidade laborativa permanente, ou seja, se o empregado for considerado incapaz, insuscetível de reabilitação, entrará em gozo de aposentadoria por invalidez, que será devido até que recupere a capacidade econômica que lhe garanta subsistência com dignidade97.

Como demonstrado, os acidentes do trabalho podem gerar uma obrigação para a autarquia previdenciária que consistirá no pagamento de um benefício. Ocorre que, conforme o princípio da precedência da fonte de custeio, “não pode ser criado benefício ou serviço, nem majorado ou estendido a categorias de segurados, sem que haja a correspondente fonte de custeio total (§5º do art. 195)98.” Sendo assim, o inciso II do art. 22 da Lei 8.212/91 instituiu o pagamento de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de acidente do trabalho. O Seguro de Acidentes do Trabalho, também conhecido como SAT, prevê alíquotas que incidem sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos.

As alíquotas são estabelecidas “de acordo com o grau de risco de acidentes do trabalho da atividade preponderante do sujeito passivo. Será de 1% quando o risco for considerado leve; 2% quando o risco for considerado médio e de 3% quando o risco for considerado grave99”.

Para se auferir o grau do risco de acidentes do trabalho, é necessário verificar qual a atividade preponderante do empregador. “As atividades preponderantes e seus respectivos riscos de acidente do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, contida no Anexo V do RPS (art. 202, §4º)100.”

97 TSUTIYA, 2007, p. 369.

98 CASTRO; LAZZARI, 2008, p. 103. 99

SANTOS, 2009, p. 30 (Grifo nosso). 100 SANTOS, 2009, p. 30/31.

4 CUMULAÇÃO DO AUXÍLIO ACIDENTE COM AS APOSENTADORIAS

Inicialmente, cumpre delimitar o conceito de acumulação de benefícios, que segundo Martinez101, “é a percepção simultânea, pela mesma pessoa, de duas ou mais prestações de igual essência científica”.

O auxílio acidente, por sua vez, já transitou pela possibilidade de acumulação e pela impossibilidade com as demais prestações da previdência. Analisando a evolução legislativa do auxílio acidente, percebe-se que na vigência da Lei 6.367/76, dito benefício era inacumulável com aposentadoria previdenciária, conforme art. 9º, parágrafo único, vejamos:

Art. 9º O acidentado do trabalho que, após a consolidação das lesões resultantes do acidente, apresentar, como seqüelas definitivas, perdas anatômica ou redução da capacidade funcional, constantes de relação previamente elaborada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social - MPAS, as quais, embora não impedindo o desempenho da mesma atividade, demandem, permanentemente, maior esforço na realização do trabalho, fará jus, a partir da cessação do auxílio-doença, a um auxílio mensal que corresponderá a 20% (vinte por cento) do valor de que trata o inciso II do artigo 5º desta Lei, observado o disposto no § 4º do mesmo artigo.

Parágrafo único. Esse benefício cessará com a aposentadoria do acidentado e seu valor não será incluído no cálculo de pensão102.

A partir da entrada em vigor da Lei de Benefícios da Previdência Social, o auxílio acidente passou a ter caráter vitalício, conforme dispunha o art. 86, § 1º, em sua redação original, sendo permitido o recebimento pelo segurado de auxílio acidentário com qualquer remuneração ou benefício não relacionado ao mesmo acidente.

Com a edição da Medida Provisória n. 1.596-14/97, convertida na Lei 9.528/97, o art. 86 da LBPS sofreu significativa alteração, passando a dispor:

Art. 86. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem seqüelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.

§ 1º O auxílio-acidente mensal corresponderá a cinqüenta por cento do salário- de-benefício e será devido, observado o disposto no § 5º, até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.

§ 2º O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria. § 3º O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto de aposentadoria, observado o disposto no § 5º, não prejudicará a continuidade do recebimento do auxílio-acidente.

§ 4º A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do auxílio-acidente, quando, além do reconhecimento de causalidade entre o

101 MARTINEZ, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário tomo II: previdência social. 2. ed. São Paulo: LTr, 2003, p. 688.

trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia103.

Desta forma, verifica-se que a partir da edição da Lei 9.528/97 o auxílio acidente perdeu seu caráter vitalício, sendo vedada sua cumulação com qualquer aposentadoria. Além disso, o benefício passou a integrar o salário de contribuição para fins de cálculo do salário de benefício da aposentadoria previdenciária. A única ressalva para esta modificação é a hipótese em que o segurado tem direito adquirido à cumulação das prestações, em que terá o direito de gozar simultaneamente do auxílio acidente e de sua aposentadoria.

Contudo, algumas dúvidas surgiram quanto à configuração do direito adquirido de cumulação destes benefícios. A questão é: configura-se o direito adquirido somente quando ambas as prestações foram deferidas antes do advento da Lei 9.528/97?

Diante desta situação algumas correntes doutrinárias e jurisprudenciais tomaram corpo.

4.1 CUMULAÇÃO COM APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO OU

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