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Custos no Processo Produtivo do Minério de Ferro

2.2 IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA OBJETO DA PESQUISA

2.2.2 Custos no Processo Produtivo do Minério de Ferro

Neste item, pretende-se mostrar que, na operação do processo produtivo do minério de ferro, é inerente a geração de custos, e que redução desses custos é um problema na gestão das empresas produtoras.

Dentre todos os custos envolvidos, somente será objetivo da pesquisa avaliar os custos associados à gestão de estoques e associados à sobreestadia dos navios no terminal portuário.

Para Balou (2001), estoques são pilhas de matérias-primas, insumos, componentes, produtos em processo e produtos acabados que aparecem em numerosos pontos por todos os canais logísticos e de produção da empresa. Ter estoques em mão pode custar entre 20 e 40% de seus valores por ano.

Segundo Balou (2001), existem três tipos de custos associados ao estoque, que estão em conflito ou em compensação uns com os outros:

• Custos de obtenção, que são os custos associados com a aquisição de mercadorias para o reabastecimento de estoques. Incorrem em custos relacionados ao processamento, ao ajuste, à transmissão, ao manuseio e ao pedido de compra. No sistema em estudo, podem-se enxergar custos na manutenção dos estoques em processo, custos de mudança de produção de um determinado tipo de produto para outro e custos de manuseio ao longo do processo.

• Custos de manutenção de estoque, que resultam da estocagem ou manutenção dos bens por um período de tempo e são aproximadamente proporcionais à quantidade média dos bens mantidos. Esses custos incorrem no sistema em estudo pela formação e manutenção de estoques de produtos acabados nas unidades produtoras (fábricas) ou nos centros de distribuição. Como exemplo, pode-se citar o atraso no carregamento de um navio, causando geração de estoque do produto a ser entregue, ou ainda um erro positivo de quantificação da carga produzida5, gerando estoque em virtude de a quantidade real estocada ser maior que a carga informada pelo sistema de informação.

• Custos de falta de estoque, que são os que incorrem quando um pedido é colocado, mas não pode ser preenchido do estoque ao qual foi designado. Nessa categoria está o custo de vendas perdidas, que ocorre quando o cliente retira o pedido por causa da ausência de estoque para atendê-lo, e o custo de pedidos em aberto que ocorre quando um cliente tem que esperar seu pedido ser preenchido, de modo que a venda não está

perdida, apenas prolongada. Estão incluídos nessa categoria também os custos intangíveis referentes às vendas futuras perdidas. Esses custos podem ser identificados no sistema em estudo pela prorrogação de uma entrega em decorrência do acúmulo de atrasos em seqüência de entregas6. Como exemplo pode-se citar o atraso na entrega de um pedido por produção abaixo da planejada, gerando falta de estoque, a variação negativa da taxa de carregamento, causando atraso na entrega do pedido, ou, ainda, a reprogramação da seqüência de entrega dos pedidos (embarques), gerando falta de estoque para um determinado pedido.

De acordo com Bowersox e Closs (2001), do ponto de vista da logística, decisões que envolvem estoques são de alto risco e de alto impacto. O comprometimento com determinado nível de estoque e a subseqüente expedição de produtos para mercados, em antecipação a vendas futuras, acarretam várias atividades logísticas. Sem um estoque adequado à atividade de “marketing” poder- se-ão detectar perdas de vendas e declínio da satisfação dos clientes, o que pode ser traduzido no custo de vendas perdidas. Por outro lado, o planejamento de estoque também tem papel crítico para a produção. Falta de matérias-primas pode parar linhas de produção ou alterar programações da produção, o que, por sua vez, aumenta os custos e a possibilidade de falta de produto acabado. Além de falta, que pode prejudicar tanto o planejamento de “marketing” quanto as operações de produção, o estoque excessivo também gera problemas: aumenta custos e reduz a lucratividade, em razão de armazenagem mais longa, imobilização de capital de giro, deterioração, custos de seguro e obsolescência.

b) Custos Relacionados a Multas por Sobreestadia (“Demurrage”)

Em COMEXNET (2005) é encontrada a definição de “demurrage” como a multa ou indenização paga pelo afretador7 ao armador8 por ter o primeiro

6 Acúmulo de atrasos devido a uma seqüência de navios em atraso.

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Pessoa ou firma que, mediante compensação em dinheiro, utiliza uma embarcação mercante ou os serviços dela.

ultrapassado o prazo estipulado num contrato de afretamento por viagem para as operações de carregamento e/ou de descarga do navio. Esses custos também podem ser identificados no sistema em estudo em decorrência dos atrasos nos carregamentos ou por outros motivos que forcem o navio a permanecer parado no porto. Como exemplo pode-se citar o atraso do carregamento por falta de estoque, por causa da fila de navios em espera ou por causa da reprogramação da seqüência de embarques.

Segundo UNCTAD (1995), o tempo de espera dos navios para atracação nos portos aumenta com o aumento do volume do tráfico de navios. Em altas ocupações de berço, esse tempo de espera do navios para atracação é bastante dramático. Essa mesma fonte disponibiliza na Figura 4 abaixo essa informação.

Figura 4 – Variação do custo do navio no porto com o aumento do volume de tráfego

Para o sistema em estudo, esse fato tem grande relevância, se for considerado que o tempo de espera dos navios para atracar tem relação direta com os custos de “demurrage” e é função do planejamento de vendas e da capacidade do terminal marítimo, ou seja, o volume de vendas como também a sua distribuição ao longo do horizonte de planejamento são relacionados diretamente com os custos de “demurrage”.

VOLUME DE TRÁFEGO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ATRACADO CUSTO DO TEMPO DO

NAVIO NO PORTO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ESPERANDO PARA ATRACAR

VOLUME DE TRÁFEGO

CUSTO DO TEMPO DONAVIO

ATRACADO CUSTO DO TEMPO DO

NAVIO NO PORTO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ESPERANDO PARA ATRACAR

$ / ton

VOLUME DE TRÁFEGO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ATRACADO CUSTO DO TEMPO DO

NAVIO NO PORTO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ESPERANDO PARA ATRACAR

VOLUME DE TRÁFEGO

CUSTO DO TEMPO DONAVIO

ATRACADO CUSTO DO TEMPO DO

NAVIO NO PORTO

CUSTO DO TEMPO DO NAVIO ESPERANDO PARA ATRACAR

Com objetivo de anular a interferência de diferentes configurações de vendas no resultado das hipóteses que serão estudadas na pesquisa, será utilizado, em todos os cenários, o mesmo plano de vendas estabelecido para a verificação e a validação do modelo de simulação

Não é objetivo da pesquisa o estudo da interferência de diferentes configurações do plano de venda9 na medida de rendimento global do sistema, representada pelo somatório dos custos de estoque, sobreestadia e vendas perdidas.