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VALIDAÇÃO DO MODELO COM DADOS DO ANO DE 2005

Durante o desenvolvimento de um modelo de simulação é preciso estar seguro de que ele esteja sendo corretamente implementado. Subentende-se que o modelo se encontra sem erros de sintaxe e/ou de lógica, bem como seja representativo do sistema real ou do projetado.

Segundo Freitas Filho (2001),

[...] A qualidade e a validade de um modelo de simulação são medidas pela proximidade entre os resultados obtidos pelo modelo e aqueles originados do sistema real. Uma vez que uma série de pressupostos e simplificações sobre o comportamento do sistema real costuma ser realizada no desenvolvimento do modelo, qualquer tomada de decisão com base em seus resultados deve ser precedida de uma avaliação de sua qualidade e apropriação. Consiste em avaliar se estes pressupostos e estas simplificações foram corretamente implementadas no modelo computacional e descobrir se, apesar dos pressupostos e das simplificações implementadas, o modelo ainda é valido, isto é, comporta-se à semelhança do sistema real. [...]

Para a validação, foram analisadas as principais saídas do modelo em comparação aos resultados reais do processo produtivo da Samarco Mineração S.A. no ano de 2005.

Com relação ao terminal portuário, os resultados analisados foram os seguintes:

• quantidade de navios atendidos no porto;

• total do tempo de espera dos navios, que é o somatório do tempo que cada navio ficou no porto desde a hora de sua chegada até o momento de sua atracação, como também o tempo médio gasto por navio;

• total do tempo de atracação dos navios, que é o somatório do tempo gasto para cada navio realizar o translado no canal de acesso até o berço escolhido para ancoragem, as manobras de ancoragem e amarração,

• total do tempo de carregamento, que é o somatório do tempo gasto por navio desde o instante final de atracação até o início da desatracação, como também o tempo médio de carregamento por navio;

• total do tempo de desatracação, que compreende o somatório do tempo gasto por navio na saída do berço, na manobra e trânsito pelo canal de acesso até a saída do terminal portuário, como também o tempo médio de desatracação por navio;

• tempo total dos navios no porto, que é o somatório do tempo gasto por navio desde o instante de chegada até o da saída, como também a média do tempo total dos navios no porto por navio;

• ocupação do terminal portuário;

• quantidade total embarcada de pelotas tipo PBF; • quantidade total embarcada de pelotas tipo PDR; • quantidade total embarcada de finos.

Na Tabela 5.3 é mostrado um apanhado com todos os resultados comentados acima de modo a facilitar a visualização e análise desses resultados.

Para validação do processo produtivo foram consideradas a quantidade total bombeada, a quantidade total produzida de pelotas PBF e PDR, a quantidade total produzida de finos24. A tabela 5.4 mostra a comparação destas informações em

relação ao resultado do modelo e real no ano de 2005.

24

A quantidade total produzida de finos é referente à soma da produção dos “pellet feeds” PFN e PFL e da produção total de “pellet screening” PSC.

Tabela 5.4 – Comparativo entre o resultado do modelo de simulação e o resultado real no ano de 2005 do terminal portuário da Samarco Mineração S.A.

Tabela 5.5 – Comparativo entre o resultado do modelo de simulação e o resultado real no ano de 2005 do processo produtivo da Samarco Mineração S.A.

Modelo 2005 Diferença Absoluta Diferença Percentual 134,70 136 -1,30 -0,96% Tempo Absoluto 5.172,42 5.073,07 99,35 1,96% Tempo Médio por Navio 38,40 37,30 1,10 2,94% Tempo Absoluto 868,49 884,67 -16,18 -1,83% Tempo Médio por Navio 6,45 6,50 -0,06 -0,88% Tempo Absoluto 5.583,29 5.387,93 195,36 3,63% Tempo Médio por Navio 41,45 39,62 1,83 4,63% Tempo Absoluto 475,29 457,47 17,82 3,90% Tempo Médio por Navio 3,53 3,36 0,16 4,90% Tempo Absoluto 12.099,49 11.803,13 296,35 2,51% Tempo Médio por Navio 89,83 86,79 3,04 3,50% 79,29% 77,21% 2,08 2,62% 6.828.363 6.852.799 -24.436 -0,36% 6.839.507 6.971.611 -132.104 -1,89% 1.276.664 1.276.664 0,00 0,00% Embarque Pelota PDR Embarque Finos Carregamento Desatracação

Número de Navios Atendidos no Porto Tempo em Fila de Espera Atracação Embarque Pelota PBF Tempo Total no Terminal Portuário Ocupação do Terminal Portuário Modelo 2005 Diferença Absoluta Diferença Percentual Pelota PBF 6.766.130 6.754.000 12.130 0,18% Pelota PDR 7.045.914 6.948.890 97.024 1,40% Total 13.812.044 13.702.890 109.154 0,80% FINOS 1.160.596 1.060.861 99.735 9,40% Total Geral 14.972.640 14.763.751 208.889 1,41% 15.308.803 15.043.437 265.366 1,76% PRODUÇÃO BOMBEAMENTO

Analisando o resultado da produção de finos na Tabela 5.5, observa-se uma diferença na ordem de 10%, muito acima dos valores dos outros resultados. Foi realizada uma verificação na base de cálculo do modelo e não se constatando nenhuma anormalidade. Foi checado então o balanço de massas entre o total embarcado, o estoque inicial e o estoque final dos finos para o ano de 2005 e constatado o seguinte:

• o total embarcado de “pellet feed” foi de 881.438 toneladas;

• o estoque inicial e final de “pellet feed”, respectivamente foi de 318.408 toneladas e 246.677 toneladas;

• com relação ao “pellet feed”, se somar o total embarcado com o estoque final e se diminuir o estoque inicial, a quantidade de produção de “pellet feed” terá que ser de 809.707 toneladas, que, se somadas ao total de “pellet screening” produzido de 340.700 toneladas, resultará em um total de produção de finos de 1.150.407 toneladas. Com base nesses cálculos, a diferença na produção de finos entre o resultado do modelo e o resultado calculado com base no balanço de massas seria de 0,89%, bem mais coerente com os outros resultados.

A modelagem do sistema produtivo do minério de ferro representado pelo processo produtivo da Samarco Mineração apresenta dois sistemas distintos: o sistema portuário e o sistema produtivo, cada um com sua aleatoriedade e suas simplificações, que interagem entre si pela interligação no pátio de estocagem.

Como pode ser visto pelos resultados comparativos, a diferença entre os resultados do modelo e o resultado real, em 2005, nos dois sistemas, portuário e produtivo, foi menor que 5% para a análise de cada um dos resultados e menor que 3,5% pela comparação dos resultados globais Tempo Total no Terminal Portuário, Produção Total de Pelotas, Produção Total de Finos e Total de Bombeamento.

Concluindo, considera-se validado o modelo desenvolvido para representar o sistema produtivo do minério de ferro, de forma que seja possível alcançar os objetivos traçados para esta pesquisa.

5.6 PROCEDIMENTO DE CÁLCULO DA MEDIDA DE RENDIMENTO GLOBAL