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Da intervenção de terceiros

Capítulo 3 Das partes e dos procuradores

22. Da intervenção de terceiros

22.1. Ideias gerais

Entre os temas da parte geral do direito processual civil, um dos que apresenta maiores dificuldades é o relativo à intervenção de tercei- ros, não só em razão da falta de bibliografia nacional, mas também em virtude da grande divergência existente na bibliografia estrangeira, a qual nem sempre é aplicável aos institutos nacionais12. Por outro lado, a in-

tervenção de terceiros não apresenta uma sistematização ideal, porquan- to sob a mesma denominação encontram-se institutos de natureza diver- sa. Já se referiu, aliás, à hipótese da assistência, caso típico de interven- ção de terceiros, e que está fora do capítulo próprio do Código.

O problema da sistematização do assunto nasce da dificuldade de se conceituar parte e, consequentemente, terceiro. Diz, aliás, Luigi Monaccianni13 que a palavra parte não é usada em sentido unívoco pelo

legislador, e cita Chiovenda, que diz que convém ter em conta não tanto a letra da norma legal que usa a palavra parte ou a palavra ter- ceiro, mas sim a razão da norma. Semelhante dificuldade encontra-se perante o direito brasileiro.

11. Arruda Alvim, Manual de direito processual civil, v. 2, p. 64, expressamente exclui a aplicação do art. 48 no caso de litisconsórcio unitário.

12. V. nosso Intervenção de terceiros no processo civil, Saraiva, 1972. 13. Azione e legitimazione, p. 242.

Algumas considerações históricas poderão ser de interesse: no direito Romano vigorava o princípio da singularidade do processo e da jurisdição decorrente da própria estrutura do processo civil romano, que se desenvolvia perante um magistrado privado. Nos dois primeiros períodos do processo romano (período das legis actiones e período formu lário) era difícil conceber que um terceiro pudesse vir a participar de um processo alheio. O princípio da singularidade abrandou-se, ape- nas, no terceiro período, chamado de cognitio extra ordinem, em que aumentaram as funções do Pretor na condução do processo, represen- tante oficial do império romano. No direito germânico, que vigorou no período da Idade Média, por ocasião da dominação dos bárbaros, o princípio adotado era o da universalidade, inverso, portanto, do sistema romano. A sentença era proferida perante todos em assembleia geral. Na verdade, as hipóteses de intervenção de terceiros são temperamen- tos do princípio da singularidade, os quais se justificam porque a sen- tença, desde que existe no mundo ju rídico, provoca implicações em relações jurídicas de pessoas que não são apenas as partes, isto é, não são exclusivamente autor e réu. Isto ocorre porque as relações jurídicas não existem isoladas no mundo do direito, elas se inter-relacionam e a sua complexidade determina, às vezes, influência recíproca.

O Código enumera, como casos de intervenção de terceiros, a oposição, a nomeação à autoria, a denunciação da lide e o chamamen- to ao processo. Além desses casos, evidentemente, também pertencem à categoria a assistência, prevista em outro capítulo junto do li tis con- sór cio, e o recurso de terceiro prejudicado. Não são, porém, da mesma espécie, apesar de, às vezes, citados pela doutrina, os embargos de terceiros e a intervenção de credores na execução. Os embargos de terceiros são ação autônoma, corretamente catalogada pelo Código como procedimento especial de jurisdição contenciosa, cujos efeitos poderão produzir resultados em outro processo, inexistindo a figura da inter- venção. No caso de credores na execução coletiva ou universal, cha- mada “execução por quantia certa contra devedor insolvente” ou insol- vência, todos os credores são autores da própria execução coletiva e, portanto, litisconsortes e não terceiros.

O princípio básico que informa a matéria é o de que a intervenção em processo alheio só é possível mediante expressa permissão legal, porque a regra continua a ser, no direito processual brasileiro do Có- digo, a da singularidade do processo e da jurisdição. A legitimação para intervir, portanto, decorre da lei e depende de previsão do Código. Isto

quer dizer que não é possível o ingresso de um terceiro em processo alheio sem que se apoie em algum permissivo legal, não se admitindo, por conseguinte, figuras que não tenham base na norma jurídica ex- pressa. Na omissão da lei, subentende-se que a intervenção esteja proibida14. Em virtude da dificuldade de sistematização decorrente da

heterogeneidade de hipóteses previstas em lei como intervenção de terceiros, difícil também se torna a conceituação geral do instituto. Todavia, num sentido bastante genérico é possível dizer que a interven- ção de terceiros ocorre quando alguém, devidamente autorizado em lei, ingressa em processo alheio, tornando complexa a relação jurídica processual. Exclui-se a hipótese de litisconsórcio ulterior, em que al- guém ingressa em processo alheio, mas para figurar como litisconsor- te, como parte primária, portanto.

Tradicionalmente, costuma-se classificar a intervenção de terceiros como intervenção espontânea e intervenção provocada, segundo a voluntariedade daquele que ingressa em processo alheio. Outra classi- ficação leva em consideração a posição do terceiro perante o objeto da causa. De acordo com este critério, a intervenção pode ser adesiva ou

principal. Será adesiva, também chamada ad coadjuvandum, quando o

terceiro ingressa e se coloca em posição auxiliar de parte, como ocor- re na assistência; e será principal quando o terceiro ingressa exercendo o direito de ação, pleiteando algo para si ao Judiciário, como acontece na oposição.

As hipóteses de intervenção sofrem restrições no procedimento sumário (art. 280 com redação dada pela Lei n. 10.444, de 7-5-2002) e nos Juizados Especiais.

22.2. Da assistência

A assistência, no dizer de Moacyr Amaral Santos e Moacyr Lobo da Costa, é a figura jurídica de intervenção de terceiros no processo que mais dúvidas e controvérsias tem suscitado no direito nacional e no estrangeiro.

14. Aplica-se o princípio interpretativo de que não se deve ampliar o que seja, na lei, excepcional. No sistema dos Juizados Especiais, regulados pela Lei n. 9.099/95, não se admite, expressamente, qualquer forma de intervenção de terceiro, ou de assistência, mas admite-se o litisconsórcio. Por extensão aplica-se a regra aos Juizados Especiais Federais (Lei n. 10.259, de 12-7-2001).

Basta que lembremos o trabalho de Segni (L’intervento adesivo) com os novos conceitos do mesmo autor sobre a figura em Sull’inter vento

adesivo. Se não bastassem as dúvidas e divergências da doutrina estran-

geira, o laconismo e imprecisão do único artigo do Código de Processo Civil, de 1939, o art. 93, geraram no Brasil entendimentos variados.

Alguns admitiam que no conceito do art. 93 cabiam a assistência simples e a litisconsorcial, já que o termo “influir”, nele previsto, com- portava graus15. Outra corrente entendia ser o conceito brasileiro de

assistência sui generis, possibilitando apenas a assistência li tis con sor- cial, com contornos próprios16.

O vigente Código de Processo Civil definiu as duas figuras da assistência nos arts. 50 e 54, nos seguintes termos: Assistência sim-

ples — “Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro,

que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir no processo para assisti-la”; Assistência litis-

consorcial — “Considera-se litisconsorte da parte principal o assis-

tente, toda vez que a sentença houver de influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido”.

Há assistência simples quando o terceiro, tendo interesse jurídico na decisão da causa, ingressa em processo pendente entre outras partes para auxiliar uma delas. Consiste o interesse jurídico em ter o terceiro relação jurídica dependente da relação jurídica discutida no processo.

Há assistência qualificada ou litisconsorcial quando o intervenien- te é titular da relação jurídica com o adversário do assistido, relação essa que a sentença atingirá com força de coisa julgada.

Diz Leo Rosenberg que há intervenção adesiva litisconsorcial quando, entre o interveniente aderente e a parte contrária, existe uma relação jurídica para a qual a sentença do processo principal produzirá efeito, seja porque o interveniente aderente pertence às pessoas para ou contra as quais a sentença produz efeitos de coisa julgada além das partes da controvérsia, ou é eficaz de outro modo (... por exemplo, para

15. Dispunha o referido art. 93 do Código de 1939: “Quando a sentença houver de influir na relação jurídica entre qualquer das partes e terceiro, este poderá intervir no processo como assistente, equiparado ao litisconsorte”.

16. Moacyr Lobo da Costa, Assistência, p. 99-100, com referências a outros au tores, inclusive.

a execução forçada...), seja porque a sentença tem efeito cons ti tu tivo para todos e contra todos17.

Das duas formas de assistência, distingue-se a chamada intervenção litisconsorcial, que é uma forma de intervenção principal em que o interveniente exerce verdadeira ação, paralela a uma das partes e con- tra a outra. Neste caso, não há real intervenção de terceiro ou assistên- cia, mas ampliação da lide, caso em que a sentença abrangeria, também, o objeto da nova ação proposta.

Na assistência, porém, o interveniente não propõe nova demanda nem há ampliação do objeto do litígio em virtude de seu ingresso. No direito brasileiro não temos a figura da intervenção litisconsorcial voluntária18.

O Código, além de distinguir as duas formas de assistência, re gula o procedimento de ingresso com a possibilidade de as partes impug- narem o pedido, fórmula não prevista no sistema anterior, do diploma de 1939.

É explícito o Código, nos moldes do Código português, que o assistente, se o assistido for revel, pode assumir a causa como seu gestor de negócios (art. 52, parágrafo único). Se, todavia, houver con- fissão, desistência da ação ou transigência, nada pode o assistente fazer, pois, terminado o processo, cessa a intervenção do assistente.

A figura da gestão processual de negócios surge, portanto, da inércia da parte principal, em que se subentende, tacitamente, a auto- rização por parte do assistido para o prosseguimento da ação com o assistente, porque, se a desistência for expressa, cessa a intervenção.

A revelia do assistido, na verdade, ensejará uma forma de substi- tuição processual, segundo a qual o assistente, em nome próprio e movido por interesse próprio decorrente do prejuízo jurídico que a sentença lhe poderá causar, impulsionará a demanda em favor do as- sistido, porque a sentença a este atingirá em seus efeitos diretos. A

17. Tratado de derecho procesal civil, v. 1, p. 277.

18. É comum a confusão das duas figuras, a assistência litisconsorcial e a inter- venção litisconsorcial, especialmente em virtude da doutrina estrangeira, às vezes tra- zidas como argumento sem a devida adaptação. Não é admissível a intervenção litis- consorcial porque viola o princípio do juiz natural, porque permite ao interveniente a escolha do juiz.

atuação processual do assistente, nesta hipótese, será a de verdadeiro litisconsorte, como se fora interveniente principal. Contudo, essa atua- ção não lhe retira definitivamente a qualidade de terceiro, embora exercendo precariamente a ação de outrem, porque nada impede o re- torno da parte principal à condução do processo, afastando-se o assis- tente novamente à condição de parte acessória ou auxiliar.

Finalmente, o estatuto processual limita os efeitos da coisa julga-

da19 em relação ao assistente, admitindo a chamada exceptio male

gesti processus, preceituando o art. 55 que, transitada em julgado a

sentença, na causa em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e pro- var que, pelo estado em que recebera o processo, ou pelas declarações ou atos do assistido, fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença, ou, ainda, de que o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.

Apesar de ter esse dispositivo recebido críticas, propugnando al- guns a total vinculação do assistente à coisa julgada, entendemos que o dispositivo está bem lançado. Se houvesse a impossibilidade absolu- ta de o assistente, em causa posterior, discutir a justiça da decisão, haveria, em consequência, a inutilização do instituto. Ninguém mais ingressaria como assistente, porque não iria correr o risco de, habili- tando-se no processo, ficar vinculado a uma transigência leviana, a uma confissão dolosa, ao desinteresse ou, até, à simulação do assistido. Por mais que se ampliem as faculdades processuais do assistente, sua par-

ticipação será sempre acessória e secundária, de modo que as mesmas

razões que autorizam seu ingresso devem permitir que em processo posterior em que for parte principal, em que a sentença o atingirá di- retamente, possa trazer aos autos as provas e elementos que, sem culpa, não pôde fazer valer no processo primitivo.

Ao assistente (na Nebenintervention do direito alemão), Rosen berg, Lent, Moacyr Amaral Santos, Moacyr Lobo da Costa, e outros, negam a qualidade de parte. Liebman, porém, a afirma.

19. A rigor, não se trata de “limitação dos efeitos da coisa julgada” porque para o terceiro, nos termos do art. 472, não existe a qualidade de imutabilidade da decisão. Todavia, como o terceiro participou de processo é costume falar em extensão dessa imutabilidade a ele, que fica impedido de discutir em outro processo a justiça da deci- são, com as ressalvas legais comentadas no texto.

O problema, todavia, reside na conceituação do termo parte. Fixa- da, na doutrina, a autonomia do processo em face da relação de direito material controvertida, deixou de satisfazer o conceito civilista de que as partes em sentido processual seriam as mesmas pessoas titulares do direito substancial trazido a juízo. Passou-se, então, a adotar um con- ceito tipicamente processual de parte, tendo em vista o pedido de tute- la jurisdicional. Chiovenda definiu-a da seguinte forma: “Parte litigante é aquela que pede em seu próprio nome ou em cujo nome é pedida a atuação da vontade da lei, e aquela em face de quem essa atuação é pedida”. Schönke conceituou: “Parte son las personas por las cuales o contra las cuales se pide en nombre propio la tutela jurí dica”20.

Já em sentido diverso, Ugo Rocco adverte da impossibilidade de um conceito puramente formal de parte e define: “Parte es aquél que, estando legitimado para obrar o contradicir, gestiona en nombre propio la realización de una relación jurídica de que afirma ser titular, o bien de una relación jurídica que afirma ser titular otro sujeto, que puede comparecer o no comparecer en juicio”21.

Satta, após explicar que o ordenamento jurídico é um complexo de normas que regulam toda a vida em sociedade, e que a juridicidade de um ordenamento decorre da exigência absoluta de sua realização, esclarece que a ação é postulação da concretização do ordenamento jurídico a seu favor, em confronto com outro sujeito. Daí ser impossí- vel a cisão entre a parte e a ação e, pois, do interesse cujo reconheci- mento se postula. A parte, segundo o autor, não é mais que a sub je ti va- ção do interesse, e é por meio do interesse que se estabelece a relação entre a parte e o ordenamento. Portanto, somente se pode distinguir, como se costuma, a parte do processo da parte da relação que nele se faz valer, aceitando o equívoco, sobre o qual a distinção se funda, de um processo distinto da realidade que nele se concretiza, de um pro- cesso, poder-se-ia dizer, sem dimensões22.

Estas considerações levam-nos a encontrar duas concepções do

termo “parte”, que não se confundem, porém, com os conceitos de

20. Instituições, v. 2, p. 234, e Derecho procesal civil, p. 85. 21. Ugo Rocco, Proceso civil, p. 372.

22. Salvatore Satta, Il concetto di parte, in Scritti giuridici in memoria di Cala-

parte formal e parte material, a nosso ver improfícuos porque inaptos a resolver os problemas mais sérios do processo, como, por exemplo, o fenômeno da substituição processual e da representação.

Estamos com Satta na afirmação de que é impossível a dissociação do conceito de parte da ação. Mas o direito de ação, autônomo e abs- trato, também possui duas facetas ou dois significados: de início, a ação se conceitua como direito à tutela jurisdicional in genere e, depois, como o direito instrumentalmente conexo a uma situação perfeitamente deter- minada e individualizada; daí estar condicionado a certos requisitos.

Paralelamente, vemos dois sentidos na palavra “parte”: o primei- ro está absolutamente desvinculado de qualquer relação de direito material, revelando-se pelo simples fato de alguém ingressar no pro- cesso, e cuja condicionalidade se esgota no exame da capacidade de

ser parte; o segundo vincula-se ao exercício da ação e envolve a le-

gitimidade para agir.

Não se pode negar que houve processo e houve partes, quando a sentença final decreta a carência da ação por ilegitimidade de partes. O que se pode dizer é que não se encontrou a “justa parte”, sentido muitas vezes usado pelas normas legais. Mesmo não sendo ‘‘justa”, a parte (no primeiro sentido genérico) existiu, recebeu a prestação juris- dicional consubstanciada na declaração negativa de sua legitimidade para a ação e, além disso, suportará os encargos decorrentes do pro- cesso, isto é, as custas.

No sentido genérico, o termo “parte” se vincula à formação e re- quisitos do processo; em sentido restrito, ao direito processual de ação. Usamos a expressão “direito processual de ação” em conformidade com a doutrina tradicional que o distingue do direito constitucional de ação; mas o direito de ação é, na verdade, sempre processual porque sua realização se projeta sempre no processo, ainda que entendido como garantia constitucional genérica. O que ocorre é que o direito consti- tucional, vendo no direito processual de ação uma necessidade de ga- rantia individual, o incorpora e o protege, tornando-o direito impos- tergável de todo indivíduo (v. Cap. 1, item 8).

O sentido puramente processual de parte é o apresentado por Liebman, definindo-o como os sujeitos da relação, ou os sujeitos do contraditório instituído diante do juiz, ou, em outras palavras, os sujei- tos do processo, diversos do juiz, em relação aos quais este último deve pronunciar seu provimento.

Esta concepção formal, que a nosso ver não é incompatível com a

concepção de parte legítima, já que são dois aspectos da figura, igual-

mente aceitáveis cada um em seu âmbito, contudo não nos é esclare- cedora na procura da definição de terceiro, porque basta o ingresso no processo, com a participação no contraditório, para a aquisição da qualidade indiscriminada de parte em sentido processual. Assim, neste sentido, o assistente é parte tanto quanto o são autor e réu, ou ainda, por exemplo, é parte o arrematante que vem a manifestar-se na execu- ção se houver alguma impugnação à arrematação. Este último partici- pará de um contraditório limitado, é certo, mas desenvolverá atividade processual e receberá um provimento jurisdicional.

Concluímos, pois, com Pedro Palmeira, que esclarece que “pelo fato de não se transformar num litisconsorte da parte assistida, não negamos ao assistente litisconsorcial a qualidade de parte, como não negamos essa qualidade a todo e qualquer interveniente. Intervindo voluntariamente no processo, deixa o assistente de ser terceiro e, não sendo terceiro, será forçosamente parte, sujeito aos efeitos da decisão que no processo for proferida, como de certo modo reconhecem os próprios processualistas alemães, que negam aquela qualidade ao as- sistente. Uma coisa, porém, é ser parte interveniente, outra é ser litis- consorte da parte em favor da qual se intervém”23.

Hoje, conforme acima referimos, os efeitos da coisa julgada sobre o assistente estão regulados em lei (art. 55), e, mesmo quando ocorre a assistência litisconsorcial, sua atividade “considera-se” equiparada à do litisconsorte, apesar de não exercer o direito de ação própria.

O Código de Processo, como acima já se aludiu, em situação de vantagem em relação ao Código anterior, previu um procedimento para a intervenção de terceiro como assistente (art. 51).

O terceiro que desejar ingressar como assistente deverá formular petição ao juiz. Este, recebendo a petição, dará vista às partes para se manifestarem no prazo de cinco dias. Se as partes não impugnarem o pedido de ingresso, verificada a existência de interesse jurídico, o assis- tente terá sua intervenção deferida. Se, no entanto, qualquer das partes alegar que ao assistente falta interesse jurídico para intervir a bem do assistido, o juiz determinará, sem suspensão do processo, o desentranha-

mento da petição e da impugnação, a fim de serem autuadas em apen- so. Nesse apenso, o juiz poderá autorizar a produção de provas, deci- dindo, em seguida, dentro de cinco dias. Da decisão que autoriza, ou não, o ingresso do assistente, cabe recurso de agravo, na forma de agravo de instrumento, nos termos do art. 522 do Código.

22.3. Da oposição

A oposição é uma verdadeira ação em que alguém ingressa em processo alheio pretendendo, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre o qual discutem autor e réu.

A oposição é uma ação, de regra, declaratória contra o autor pri- mitivo, e condenatória contra o réu. O opoente passa a ser autor de uma ação em que o autor e o réu originários são réus. Trata-se, pois, de uma