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Sendo admitido como asilado político, o estrangeiro deverá obedecer às condições impostas pelo Direito Internacional, Legislação Nacional e pelo Ministro da Justiça.

(BRASIL, 1980). Analisar-se-á a seguir estas condições. O Art. 29 da citada lei proíbe a saída do estrangeiro do país sem autorização prévia do governo, implicando na renúncia tácita do asilo e o impedimento do reingresso no país do estrangeiro nestas condições.

Art. 29. O asilado não poderá sair do País sem prévia autorização do Governo brasileiro.

Parágrafo único. A inobservância do disposto neste artigo importará na renúncia ao asilo e impedirá o reingresso nessa condição (BRASIL, 1980).

Esta condição decorre da lógica, ora, se o indivíduo está sendo perseguido por um país, e é acolhido pelo Brasil, está sendo protegido em seu território, não haveria de sair do país se realmente houvesse perigo. Se o mesmo se ausenta do país sem autorização Governamental, além de dar chance ao perigo, seria desrespeitoso com o país que o acolheu em um momento difícil, haja vista que o mesmo não respeita as regras impostas pelo Brasil.

A próxima condição se faz presente no Art.30 do Estatuto do Estrangeiro, essa condição é imposta para acompanhamento e organização dos estrangeiros em solo pátrio, após esta identificação, o estrangeiro receberá uma carteira de identidade própria.

Art. 30. O estrangeiro admitido na condição de permanente, de temporário (incisos I e de IV a VI do art. 13) ou de asilado é obrigado a registrar-se no Ministério da Justiça, dentro dos trinta dias seguintes à entrada ou à concessão do asilo, e a identificar-se pelo sistema datiloscópico, observadas as disposições regulamentares.

[...]

Art. 33. Ao estrangeiro registrado será fornecido documento de identidade.

Parágrafo único. A emissão de documento de identidade, salvo nos casos de asilado ou de titular de visto de cortesia, oficial ou diplomático, está sujeita ao pagamento da taxa prevista na Tabela de que trata o artigo 130. (BRASIL, 1980).

Conforme abordagem anterior, o Ministro da Justiça pode estabelecer condições ao estrangeiro asilado no Brasil. De fato, ao analisar caso a caso, o Ministro da Justiça poderá verificar situações ímpares, que necessitam de condições diversas das estabelecidas em lei. Diante disso, o mesmo deverá estabelecer essas condições que deverão ser aceitas e obedecidas pelo estrangeiro. Há a previsão legal para a possível mudança destas condições impostas, conforme Art. 74 do

Estatuto do Estrangeiro: “Art. 74. O Ministro da Justiça poderá modificar, de ofício ou a pedido, as normas de conduta impostas ao estrangeiro e designar outro lugar para a sua residência.” (BRASIL, 1980).

A expulsão é um instituto que permite ao governo retirar do país o estrangeiro que, segundo o Estatuto do Estrangeiro:

Art. 65. É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à conveniência e aos interesses nacionais (BRASIL, 1980).

Porém, não é permitida a expulsão de estrangeiro asilado, pois implicaria em uma extradição não permitida pela legislação brasileira, haja vista que o estrangeiro expulso é enviado ao país de origem, que geralmente é o país perseguidor nos casos de asilo político, conforme o artigo: “Art. 75. Não se procederá à expulsão: I - se implicar extradição inadmitida pela lei brasileira;” (BRASIL,1980).

O Título X, do Estatuto do Estrangeiro, denominado “Dos Direitos e Deveres do Estrangeiro”, elenca, como o próprio nome diz, uma série de direitos e deveres a serem obedecidos pelo estrangeiro, incluindo-se o estrangeiro asilado, inclusive culminando-se penas para o descumprimento destes deveres.

Um desses deveres é o de informar ao Ministério da Justiça qualquer mudança de endereço, justamente para manter o registro do estrangeiro atualizado. O artigo: “Art. 102. O estrangeiro registrado é obrigado a comunicar ao Ministério da Justiça a mudança do seu domicílio ou residência, devendo fazê-lo nos 30 (trinta) dias imediatamente seguintes à sua efetivação.”(BRASIL, 1980).

Outra condição imposta pelo direito internacional e pela legislação brasileira é a de que o estrangeiro não poderá exercer atividades de natureza política. Segundo o Artigo:

Art. 107. O estrangeiro admitido no território nacional não pode exercer atividade de natureza política, nem se imiscuir, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do Brasil, sendo-lhe especialmente vedado:

I - organizar, criar ou manter sociedade ou quaisquer entidades de caráter político, ainda que tenham por fim apenas a propaganda ou a difusão, exclusivamente entre compatriotas, de idéias, programas ou normas de ação de partidos políticos do país de origem;

de obter, mediante coação ou constrangimento de qualquer natureza, adesão a idéias, programas ou normas de ação de partidos ou facções políticas de qualquer país;

III - organizar desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza, ou deles participar, com os fins a que se referem os itens I e II deste artigo.

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica ao português beneficiário do Estatuto da Igualdade ao qual tiver sido reconhecido o gozo de direitos políticos. (BRASIL, 1980)

Esta condição tem como escopo evitar que o estrangeiro possa perturbar o bom andamento do país onde se encontra, no caso, o Brasil. E para o asilado político tal condição se torna importantíssima, pois visa à boa convivência com o país que o acolheu e também evitar a campanha negativa frente ao país que o perseguiu, evitando assim conflitos diplomáticos entre o Brasil e o país perseguidor.

Todas as condições impostas pelo Direito Internacional e o Estatuto do Estrangeiro visam à boa convivência entre país acolhedor e estrangeiro. De fato, é notável a priorização do bem-estar nacional frente à presença do estrangeiro em solo pátrio. É essencial que isto ocorra, pois o Brasil detém soberania e consequentemente o poder de decisão de acolher ou não o estrangeiro no país, justamente para proteger seu povo, território e Governo, e manter o Estado Brasileiro sem conflitos internos e com a comunidade internacional.

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