IV. LIMITES DO CONTROLE EXTERNO DO PODER JUDICIÁRIO SOBRE OS
4. DECISÕES DO CNJ COM REFLEXOS SOBRE A ATIVIDADE NOTARIAL E
É possível observar nas decisões do CNJ, relativas ao exame de legalidade de atos administrativos (art. 103, §4º, II, da Constituição Federal), particularmente naquelas
96―Para que alguém possa ser administrativamente sancionado ou punido, seja quando se trate de sanções
aplicadas por autoridades judiciárias, seja quando se cogite de sanções impostas por autoridades administrativas, necessário que o agente se revele ‗culpável‘. In: OSÓRIO, Fábio Medina. Direito
atinentes aos serviços notariais e registrais, alguns parâmetros utilizados como limites à sua atuação, os quais acabam por exprimir, também, princípios limitativos da própria função fiscalizatória dos serviços notariais e registrais por parte desse Órgão, conforme previsto no §1º do art. 236 da Constituição Federal.
Primeiramente, o CNJ reconhece não ser de sua atribuição avançar sobre competência reservada dos Tribunais de Justiça quanto à lei e regulamento de sua iniciativa, particularmente sobre a delimitação das áreas de atuação de cada delegação e reestruturação de organização extrajudicial de cada Estado; recomendando, nada obstante, a elaboração de estudos técnicos que possam auxiliar os Tribunais locais (Pedidos de Providências n.s 0005103-90.2015.2.00.0000 e 0006248-21.2014.2.00.0000)97.
Também respeitando a competência dos Tribunais locais quanto à condução de concurso público para outorga de delegações de serventias extrajudiciais, entendeu o CNJ que não lhe cabia fiscalizar atos relativos ao certame, ―sob o viés disciplinar, com
97 ―RECURSO ADMINISTRATIVO EM PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. ART. 9º DA LEI N. 8.935/94.
REGRA DE CARÁTER NEGATIVO. DELIMITAÇÃO GEOGRÁFICA DA ÁREA DE ATUAÇÃO DE CADA DELEGAÇÃO. COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS. TABELIÃO DE NOTAS. LIMITE MÁXIMO DE ATUAÇÃO. TERRITÓRIO DO MUNICÍPIO. REGRA QUE PRESERVA O SISTEMA DE ACESSO ÀS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS POR MEIO DO CONCURSO PÚBLICO. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. I. A regra do art. 9º da Lei n. 8.935/94 tem caráter negativo, impedindo a atuação do tabelião de notas fora do Município e preservando a competência do tribunal delegante para delimitar as áreas de atuação de cada delegação, bem assim o sistema de acesso por concurso. Precedentes do CNJ. II. Ausência nas razões recursais, de elementos novos capazes de alterar o entendimento adotado na Decisão combatida. III. Recurso conhecido e desprovido.‖. (CNJ - RA – Recurso Administrativo em PP - Pedido de Providências - Conselheiro - 0005103-90.2015.2.00.0000 - Rel. CARLOS EDUARDO DIAS - 17ª Sessão Virtualª Sessão - j. 12/08/2016 ).
―PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. PEDIDO DE SUSPENSÃO DE CONCURSO PÚBLICO EM CURSO PARA A DELEGAÇÃO DE SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS NO ESTADO DE RORAIMA, PARA A REALIZAÇÃO DE ESTUDO E POSTERIOR INCLUSÃO NOVAS SERVENTIAS NO CERTAME. EXISTÊNCIA DE LEI DISPONDO DA ORGANIZAÇÃO DAS SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS DESSE ESTADO. AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADES. ENCAMINHAMENTO DE ESTUDO TÉCNICO REALIZADO PELO DEPARTAMENTO DE PESQUISAS JUDICIÁRIAS DESTE CONSELHO, À TÍTULO DE RECOMENDAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. 1. Trata-se de procedimento instaurado em face da publicação de edital de concurso público para provimento de cartórios extrajudiciais do Estado de Roraima. 2. A Requerente aduz que Não foram realizados os necessários levantamentos e estudos técnicos a nortearem a criação, extinção, desmembramento e fusão dos ofícios para adequação da sua organização territorial ao enorme aumento populacional ocorrido no Estado de Roraima nas últimas duas décadas, razão pela qual pugnou pela suspensão do certame, com posterior inclusão de novas serventias no concurso público. 3. Considerando que existe lei vigente dispondo da organização das serventias extrajudiciais em Roraima, não cabe a este Conselho determinar a suspensão de concurso público em curso, para aguardar realização de estudos técnicos que eventualmente culminarão na reestruturação da organização extrajudicial daquele Estado, em razão de não ter sido demonstrada qualquer contrariedade à legislação. 4. Por outro lado, considerando que a organização de cartórios extrajudiciais daquele Estado é a mesma, há vários anos, foi solicitada a realização de estudo técnico por órgão específico deste Conselho (Departamento de Pesquisas Judiciárias), quanto ao tema, ressaltando que foram identificadas possíveis demandas de criações de serventias extrajudiciais naquele Estado. 5. Improcedência do pedido, todavia com o encaminhamento à Presidência do Tribunal, à título de recomendação, do estudo técnico confeccionado pelo órgão especializado deste Conselho. (CNJ - PP - Pedido de Providências - Conselheiro - 0006248- 21.2014.2.00.0000 - Rel. ROGÉRIO NASCIMENTO - 11ª Sessão Virtualª Sessão - j. 26/04/2016). (Grifos acrescidos).
fundamento unicamente em inconsistências verificadas no edital, sem qualquer indício de manipulação dolosa por parte dos integrantes da Comissão.‖. Por outro lado, nesta mesma decisão entendeu ser ―vedado ao Tribunal deflagrar concurso público para o Serviço Notarial e Registral sem o estabelecimento prévio da destinação de cada serventia ofertada, se para provimento originário ou remoção‖ (Procedimento de Controle Administrativo n.º 0003585-02.2014.2.00.0000)98.
Noutras decisões, assim compreendeu o CNJ a respeito do mesmo tema:
―(...) Impugnação que não pode ser conhecida, cabendo reafirmar, no caso, o entendimento pacífico deste Plenário de que não cabe ao CNJ imiscuir-se na atividade da Comissão de Concurso do Tribunal Estadual quanto ao mérito das questões formuladas, sob pena de admitir-se indevida ingerência deste Conselho na autonomia do tribunal condutor do certame, mediante substituição do juízo de valor inerente às Comissões de Concurso na elaboração de questões. [...]. 5. Pretensão de avocação da realização e da execução do Concurso. Inviabilidade.
98 ―PROCEDIMENTOS DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. SERVIÇO NOTARIAL E DE REGISTRO
PÚBLICO. DELEGAÇÃO. CONCURSO PÚBLICO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE TOCANTINS. EDITAL N° 1, DE 2014. SERVENTIAS SUB JUDICE. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. COMISSÃO DE CONCURSO. FISCALIZAÇÃO DOS ATOS. ALEGADA FALTA DISCIPLINAR. INOCORRÊNCIA. CONTROLE ADMINISTRATIVO E CONTROLE DISCIPLINAR. DISTINÇÃO. PROPOSTA LEGISLATIVA. CARTÓRIOS DE BAIXA RENTABILIDADE. COMPLEMENTAÇÃO DE RECEITA. EXISTÊNCIA DE ATO NORMATIVO ESTADUAL. PROVA OBJETIVA. CARÁTER ELIMINATÓRIO. NOTA DE CORTE. ESTIPULAÇÃO. NECESSIDADE. DIREITO INTERTEMPORAL. LEGISLAÇÃO ANTERIOR À CRIAÇÃO DO ESTADO DE TOCANTINS. ULTRATIVIDADE. PROCEDÊNCIA PARCIAL. NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DE SERVENTIAS SEM EXISTÊNCIA FORMAL E MATERIAL. OFERTA DE SERVENTIAS INATIVAS. POSSIBILIDADE A DEPENDER DAS RAZOES DA INATIVAÇÃO. NOVA LISTA DE VACÂNCIA. NOVA DISTRIBUIÇÃO DE SERVENTIAS POR MODALIDADES DE PROVIMENTO ORIGINÁRIO OU DERIVADO. REABERTURA DE PRAZO DE INSCRIÇÕES. EFEITO DE NOVO EDITAL. 1. Na linha de precedentes do Conselho Nacional de Justiça, o questionamento judicial acerca de determinada serventia não afasta sua oferta em concurso público, com anotação de sub judice, salvo no caso de decisão expressa que determine a exclusão; 2. A condução dos concursos públicos para outorga de delegações de serventias extrajudiciais de notas e de registros é de responsabilidade dos respectivos Tribunais de Justiça, por meio da Comissão de Concurso. Não cabe ao CNJ fiscalizar seus atos, sob o viés disciplinar, com fundamento unicamente em inconsistências verificadas no edital, sem qualquer indício de manipulação dolosa por parte dos integrantes da Comissão. 3. É recomendada a complementação de receita aos cartórios com baixo rendimento, especialmente Registros Civis de Pessoas Naturais, conforme precedente do CNJ; 4. A despeito do silêncio da Resolução n° 81, de 2009, acerca de nota mínima de desempenho na prova objetiva (‗nota de corte‘), deve ser exigida sempre que o caso concreto demonstrar prejuízo ao caráter eliminatório da etapa, com aprovação automática dos candidatos em decorrência do critério de convocação do número de vagas ofertadas multiplicadas por 8 (oito); 5. A invocação, em Tocantins, de leis oriundas do Estado de Goiás, é cabível apenas durante os primeiros anos do novo Estado, quando ainda não havia disciplina específica. Após a edição de suas próprias leis, não deve o Estado de Tocantins fundamentar a existência de serventias unicamente em dispositivos da lei goiana não reproduzidos no âmbito de seu território. 6. A mera circunstância de determinada serventia ostentar status de inativa não configura óbice para seu oferecimento em concurso público, pois diversas são as razões para a inativação. Necessidade de análise do caso concreto. 7. É vedado ao Tribunal deflagrar concurso público para o Serviço Notarial e Registral sem o estabelecimento prévio da destinação de cada serventia ofertada, se para preenchimento por provimento originário ou remoção.‖. (CNJ - PCA - Procedimento de Controle Administrativo - 0003585- 02.2014.2.00.0000 - Rel. GISELA GONDIN RAMOS - 203ª Sessão - j. 03/03/2015). (Grifos acrescidos).
Não cabe ao CNJ avocar a realização e execução de concurso público quando ausente qualquer evidência de que o tribunal estadual competente para tanto não possua as plenas condições para fazê-lo. Ao contrário, no caso concreto, o tribunal vem envidando esforços para promover as adequações recomendadas por este Conselho, inclusive utilizando-se do seu poder de autotutela para manter a lisura do certame e atender às normas constitucionais e infraconstitucionais que regem os concursos públicos. (CNJ - PCA - Procedimento de Controle Administrativo - 0004938-77.2014.2.00.0000 - Rel. FLAVIO SIRANGELO - 199ª Sessão - j. 18/11/2014). (Grifos acrescidos).
―[...] 2. Além disso, a deliberação por reabrir ou não as inscrições é medida que pertine a cada Tribunal e à realidade fática em torno de cada caso concreto, sendo que, no presente, não há vício capaz de legitimar a intervenção do CNJ na esfera da autonomia do Tribunal de Justiça do Paraná. [...] 4. É também inegável a autonomia do Tribunal para conduzir a execução do concurso público, especialmente no que concerne à previsão do conteúdo programático, do número de questões e sua divisão dentre as matérias que serão abordadas na prova objetiva. [...]‖. (CNJ - PCA - Procedimento de Controle Administrativo - 0001833-92.2014.2.00.0000 - Rel. FLAVIO SIRANGELO - 189ª Sessão - j. 20/05/2014).
Em tal contexto, evidencia-se que, apesar do CNJ ter regulamentado, primariamente, o concurso público para ingresso na atividade notarial e registral, por provimento e remoção, por meio da Resolução n. 81, de 09 de junho de 200999, inclusive ressalvando que assim o fazia em razão de ausência de Lei Complementar Federal delegando aos Estados ou ao Distrito Federal poderes para, após a vigência da Constituição Federal de 1988, legislar sobre a matéria, posiciona-se no sentido de não interferir na condução do concurso pelos Tribunais, por simples questões administrativas ou meras inconsistências do edital. Ao que se conclui, a intervenção do Conselho na condução do concurso dar-se-ia apenas em caso de prática atentatória aos princípios constitucionais ou contrárias à regulamentação do próprio Conselho.
99 A Primeira Turma do STF, no julgamento do MS 32074, da Relatoria do Ministro Luiz Fux,
constatou a existência de erro material na Resolução n. 81/2009 do CNJ por afirmar, de um lado, que o exame de títulos nos concursos para ingresso nos serviços notarial e registral teria caráter apenas classificatório, e, de outro, consagrado fórmula matemática que permitia a eliminação de candidato que não pontuasse em tal exame de títulos; determinando a notificação do CNJ para proceder às correções necessárias do sobredito ato normativo. (MS 32074, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 02/09/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-217 DIVULG 04-11-2014 PUBLIC 05-11-2014).
Outro aspecto é quanto à fiscalização do recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN, pelos titulares dos serviços notariais e registrais, o que o Conselho Nacional de Justiça entende ultrapassar a sua competência para o ―controle e supervisão financeira, administrativa e disciplinar dos órgãos do Poder Judiciário‖100
.
O Conselho também exclui de seu âmbito de ingerência matérias que estejam judicializadas, isto é, que sejam objeto de ação judicial iniciada antes do ingresso de procedimento administrativo (Recurso Administrativo em PCA n. 0005615- 44.2013.2.00.0000)101. Veja-se, ainda, a seguinte decisão:
―[...]. II – Emerge das assertivas do próprio requerente e documentos colacionados aos autos, a existência de medidas judiciais já transitadas em julgado, cujo objeto envolve a questão vertente. Assim, em nome da harmonia do sistema e como forma de evitar manifestações contrárias sobre a mesma questão, pacífico o entendimento de que fica afastada a atuação desta Corte nos casos em
100 ―RECURSO ADMINISTRATIVO EM PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE
NOTA FISCAL DE SERVIÇO E DE RECOLHIMENTO DO ISSQN POR TABELIÃO DE NOTAS. INCOMPETÊNCIA DESTE CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. 1. Não compete ao CNJ aferir o devido recolhimento de tributo ou a emissão da correspondente nota fiscal pelo agente delegado do serviço extrajudicial. Questão que, para além de ultrapassar a competência para o ‗controle e supervisão financeira, administrativa e disciplinar dos órgãos do Poder Judiciário‘, atribuída ao Conselho pela Constituição da República, não se reveste de repercussão geral. 2. Recurso administrativo conhecido e não provido.‖ (CNJ - RA – Recurso Administrativo em PP - Pedido de Providências - Conselheiro - 0002822-30.2016.2.00.0000 - Rel. BRUNO RONCHETTI - 23ª Sessão Virtualª Sessão - j. 23/06/2017).
101
―RECURSO ADMINISTRATIVO. PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. REFORMA DE ATO ADMINISTRATIVO EMANADO DO TJAC. DETERMINAÇÃO DE REGRESSO DO REQUERENTE AO SEGUNDO TABELIONATO DE NOTAS E REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DA COMARCA DE RIO BRANCO/AC. MATÉRIA JUDICIALIZADA JUNTO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E EXISTÊNCIA DE AÇÕES JUDICIAIS INICIADAS ANTES DO INGRESSO DO PROCESSO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO COM COISA JULGADA MATERIAL. RECURSO IMPROVIDO. 1.Trata-se de procedimento de controle administrativo (PCA) por meio do qual o requerente informa que era delegátário extrajudicial de serviços notariais e registrais do Segundo Tabelionato de Notas e Segundo Registro Civil de Pessoas Naturais da Comarca de Rio Branco/AC e que em razão de decisão proferida pelo Pleno Administrativo do Tribunal requerido, foi-lhe aplicada pena administrativa de perda da referida delegação, após o Desembargador Corregedor-Geral de Justiça do Estado do Acre ter-lhe imputado suposta acumulação da função de Tabelião e Oficial de Registro com o cargo de Procurador da Fazenda Nacional. 2. O Conselheiro anterior, em decisão monocrática, indeferiu o pleito do Requerente sob o argumento de que a matéria encontrava-se judicializada em razão do ARE n.º 755858, em trâmite no STF. 4. Inconformado com a decisão acima, o Requerente pugnou, em síntese, pela reconsideração da decisão proferida, afirmando que o objeto do recurso em trâmite no STF é diverso daquele tratado no presente feito. 5. Ocorre que eventual análise sob o aspecto da possibilidade ou não da delegação do de serviços notarias com a acumulação de cargo público, ainda que sem remuneração, é matéria justamente afeta ao cerne do presente procedimento (pedido de decretação de nulidade do ato de decretação da perda de serventia extrajudicial, em razão de a acumulação de dois cargos/atividades incompatíveis entre si. 6. Ainda que não fosse considerada judicialização da matéria em relação ao feito que tramita junto ao STF, foram requisitas informações ao Tribunal de Justiça do Estado do Acre e verificou-se que há 3 ações iniciadas pelo Requerente com o mesmo tema, salientando-se que em duas já há o transito em julgado e em outra aguarda- se o julgamento de Mandado de Segurança. 7. Recurso conhecido e no mérito improvido.‖. (CNJ - RA – Recurso Administrativo em PCA - Procedimento de Controle Administrativo - 0005615-44.2013.2.00.0000 - Rel. LUIZA CRISTINA FONSECA FRISCHEISEN - 215ª Sessão - j. 01/09/2015).
que a matéria discutida foi previamente judicializada. [...].‖. (CNJ - PCA - Procedimento de Controle Administrativo - 0004294-76.2010.2.00.0000 - Rel. MORGANA DE ALMEIDA RICHA - 113ª Sessão - j. 28/09/2010 ).
Sobre a atividade consultiva, o CNJ sustenta, de forma uníssona, que tal tarefa não pode servir para ―dirimir questão de interesse individual do requerente‖102
ou ―sanar dúvidas sobre a aplicabilidade de normas jurídicas‖ que importem em antecipação ―de solução para situação individual inserida na formulação em tese‖103.
O CNJ também não se reconhece como instância revisora de decisões administrativas dos tribunais, em que o requerente, por mero inconformismo, repete apenas os mesmos argumentos expostos anteriormente (Pedido de Providências n. 0001588- 86.2011.2.00.0000 e Procedimento de Controle Administrativo n. 0001856- 14.2009.2.00.0000)104.
102―CONSULTA. TABELIÃO. REMUNERAÇÃO DEVIDA PELA PARTICIPAÇÃO EM BANCA
EXAMINADORA DE CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS PARA OUTORGA DE DELEGAÇÕES DE NOTAS E DE REGISTRO. ESCLARECIMENTO DE CUNHO INDIVIDUAL. CONSULTA NÃO TEÓRICA. NÃO CONHECIMENTO. 1. A Lei n. 8.935/94 dispôs que ao Poder Judiciário compete à realização do concurso, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público, de um notário e de um registrador, em todas as fases do certame (art. 15). Inobstante tenha determinado a participação dos representantes das mencionadas categorias, não tratou de matéria referente à remuneração devida àqueles que vierem a compor a comissão examinadora do concurso em questão, daí a dúvida suscitada pelo Tribunal consulente. 2. Contudo, inviável o conhecimento de questões que careçam de repercussão geral no âmbito do Poder Judiciário nacional, como na hipótese em que o consulente, diante de uma situação concreta restrita ao Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, pretende que este Conselho se manifeste acerca da possibilidade de fixar remuneração ao Tabelião que vier a compor banca examinadora de concurso para atividade notarial e de registro. A situação nada mais é do que a apresentação de um caso concreto, específico daquela Corte Estadual, perante este Conselho não caracterizando, pois, o interesse geral. 3. A formulação de Consultas não pode se prestar a sanar dúvidas sobre aplicabilidade de normas jurídicas, como na hipótese em que a pretensão diz respeito à interpretação de dispositivos da Lei n. 8.935/94, em especial àqueles que fixam as diretrizes a serem seguidas pelos Tribunais Estaduais no processo de condução do Concurso Público de Provas e Títulos para Outorga das Delegações de Notas e Registro. A solução de tal questionamento importaria, pois, a fixação pelo CNJ de interpretação acerca da hipótese apresentada, antecipando solução para a situação individual inserida na formulação em tese, o que é inadmissível. 4. Consulta não conhecida.‖. (CNJ - CONS - Consulta - 0001434- 34.2012.2.00.0000 - Rel. TOURINHO NETO - 152ª Sessão Ordináriaª Sessão - j. 21/08/2012).
103
―CONSULTA. TJRS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. TABELIÃO QUE INDAGA SOBRE REVOGAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA POR LEI COMPLEMENTAR DO ESTADO. Consulta utilizada como meio de obter pronunciamento do CNJ sobre questão de interesse individual do Requerente. Questões com nítido objetivo de ver determinada aplicação da Lei Complementar que trata do regime jurídico único dos servidores do Estado. Consulta não conhecida. Recurso improvido.‖ (CNJ - RA – Recurso Administrativo em CONS - Consulta - 0002162-12.2011.2.00.0000 - Rel. MARCELO NOBRE - 138ª Sessão - j. 08/11/2011).
104
―PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS. OFÍCIO DE PROTESTO DE TÍTULOS. ESCRITURAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE DADOS. MEIO EXCLUSIVAMENTE ELETRÔNICO. LEGALIDADE. CONDIÇÕES. SEGURANÇA E CONFIABILIDADE DO SISTEMA. LIVROS NÃO ENCERRADOS. COINCIDÊNCIA DE AVERBAÇÕES. OFÍCIO DISTRIBUIDOR. COMPETÊNCIA. PRÉVIA DISTRIBUIÇÃO. CENTRALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SOBREPOSIÇÃO DE COMPETÊNCIAS. AUSÊNCIA. CNJ. INSTÂNCIA REVISORA. PRETENSÃO DE CARÁTER RECURSAL. DESCABIMENTO. IMPROCEDÊNCIA. 1. A interpretação sistêmica da Lei nº 9.492, de 1997, consoante os avanços legislativos em matéria de prática de atos e armazenamento de dados públicos em meio eletrônico representados pelas Leis nº 11.419, de 2006 e 11.977, de 2009, conduzem à conclusão de que é lícito aos
Uma questão muito interessante, submetida, inclusive, recentemente ao CNJ, refere-se à incidência da Súmula Vinculante n. 13 do STF aos substitutos que permanecem no exercício da função por ocasião da extinção da delegação do titular.
Inicialmente, o CNJ entendeu que as regras que vedam a prática de nepotismo constantes da Súmula Vinculante n. 13 do STF e dos atos normativos do próprio Conselho (Resolução n. 07/2005 e Enunciado Administrativo n. 01/2005) não se aplicavam às hipóteses de substituição dos titulares de serviços do foro extrajudicial por não serem estes ocupantes de cargo público, não receberem vencimentos do Estados e remunerarem os seus empregados com recursos próprios (Pedido de Providências n. 0000006- 22.2009.2.00.0000105 e Medida Liminar em PCA n. 0005717-27.2017.2.00.0000)106.
tabeliães de protestos de títulos a escrituração e arquivo dos livros em meio exclusivamente digital, desde que haja perfeita coincidência das averbações deles constantes em relação aos livros manuais não encerrados, bem como a certeza da segurança e confiabilidade do sistema eletrônico utilizado. 2. Nos termos do inciso I do artigo 13 da Lei nº 8.935, de 1994, compete aos ofícios distribuidores não somente a distribuição prévia e equitativa dos títulos entre os tabelionatos sediados na mesma área de competência, como receber as informações dos atos praticados pelos tabelionatos que, por serem os únicos com competência para atuar em matéria de protesto de títulos, dispensam prévia distribuição, não havendo ilegalidade no Provimento Geral da Corregedoria de Justiça do Distrito Federal e Territórios que apenas regulamenta o funcionamento dos serviços extrajudiciais no Distrito Federal. 3. Demonstrado nos autos que o Pedido de Providências nada mais é do que a repetição de argumentos já utilizados pelo requerente perante as instâncias administrativas competentes em procedimentos instaurados por sua própria iniciativa ou de ofício pela administração há cerca de 5 (cinco) anos, fica demonstrada a intenção de se fazer do Conselho Nacional de Justiça mera instância revisora ordinária das decisões administrativas dos Tribunais em razão do inconformismo da parte interessada, o que não é admissível de acordo com a jurisprudência consolidada da Casa. Precedentes do CNJ. 4. Improcedência.‖. (CNJ - PP - Pedido de Providências - Conselheiro - 0001588-86.2011.2.00.0000 - Rel. WALTER NUNES DA SILVA JÚNIOR - 130ª Sessão - j. 05/07/2011).
―PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. JUÍZA DIRETORA DO FORO DA COMARCA DE CAMPINA DAS MISSÕES/RS. AFASTAMENTO TEMPORÁRIO DE TABELIÃO