Demanda para consumo industrial 0,9 1,0 1,0 1,0 1,0
Demanda para irrigação e agricultura 0,88 0,90 0,99 0,99 0,99
Demanda Total 3,49 3,73 3,97 4,21 4,22
Saldo entre a Disponibilidade e a Demanda 1,06 0,82 0,58 0,34 0,33
Relação Demanda/Disponibilidade * (%) com o atendimento das demandas
76,7 82,0 87,2 92,5 92,7
A principal fonte poluidora na bacia do rio Corumbataí continua sendo o esgotamento sanitário. A carga orgânica potencial de origem doméstica é estimada em 11. 072 Kg DBO / dia, sendo que a carga remanescente é de 8.331 Kg DBO / dia (CETESB, 2004). Isto significa que 75% dos esgotos domésticos ainda são despejados nos cursos d´água da bacia.
Outras fontes significativas são as indústrias, a mineração e a agricultura. As duas últimas, por promoverem corte de vegetação e exposição do solo às intempéries físicas, gerando preocupantes focos de erosão do solo e conseqüente redução da infiltração e de comprometimento da qualidade da água.
A Rede de Monitoramento da Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo mantém 2 postos de amostragem no rio Corumbataí, situados a jusante da cidade de Rio Claro (CRUM 0 2500).
Para cada estação de amostragem é obtido o Índice de Qualidade das Águas IQA, através de parâmetros químicos, físicos e biológicos. De acordo com este índice, no ano 2003 a qualidade da água nos dois trechos do rio podia ser considerada como aceitável (CETESB, 2004). Porém, se verificou uma queda de qualidade da água em relação ao ano anterior.
5.3 Vegetação e Uso do Solo
O mapa de uso e cobertura do solo na bacia do Corumbataí, elaborado por Valente e Vettorazzi (2003), é apresentado na Figura 14, enquanto a Tabela 13 apresenta a área e a participação percentual dos diferentes usos do solo nesta bacia.
Observa-se que a cobertura florestal ocupa 19,7% da bacia, sendo que 12,4% correspondem à floresta nativa e 7,3% são de florestas plantadas, com eucalipto e pinho. Verifica-se também que a predominância no uso do solo é com pastagem (43,7%) e com o cultivo da cana-de-açúcar (25,6%) ocupando juntos 69,3% de toda a bacia. A fruticultura da laranja, embora de grande importância econômica, ocupa apenas 2,8%, enquanto as culturas anuais são restritas a apenas 1% da bacia do Corumbataí.
efluentes e da impermeabilização do solo. As áreas de mineração e de indústrias também ocupam percentualmente pequenas áreas, mas representam um grande potencial de impacto ambiental.
Esta distribuição por classes de uso é semelhante ao do conjunto das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, onde a cana-de-açúcar ocupa 33,6% da área, a pastagem 39,1%, a vegetação nativa 7,9% e o reflorestamento 4,0% (PROESP,2005).
Tabela 13 Áreas e participação percentual dos diferentes usos do solo na bacia do rio Corumbataí.
Área Uso e cobertura do solo (ha) (%) Cana-de-açúcar 43.663,16 25,57 Pastagem 74.591,52 43,68 Floresta plantada 12.517,24 7,33 Floresta nativa 21.100,6 12,36 Fruticultura 4.816,76 2,82 Cultura anual 1.740,68 1,02 Mineração 155,60 0,09 Área urbana 4.732,12 2,77 Outros 7.457,92 4,37 TOTAL 170.775,60 100
Figura 14 Mapa de uso e cobertura atual do solo na bacia do rio Corumbataí Fonte: VALENTE e VETTORAZZI, 2003.
Na bacia ocorrem diferentes tipos de formação florestal: as florestas estacionais semidecidual, decidual e de encosta, a floresta paludosa, a floresta ripária, o cerrado e o cerradão (VIANA & MENDES, 1999).
Mendes (2004) caracterizou tais tipos de formação. A floresta estacional semidecidual, ou mata de planalto, apresenta-se com fenologia bem distinta nas estações chuvosa e seca do ano, perdendo parcialmente as folhas no período seco. Ocupava a maior parte das áreas de planalto e de relevo suave- ondulado, com solos que variam de argilosos a arenosos, fragmentando-se intensamente ou desaparecendo em algumas áreas, em decorrência da extração seletiva de madeiras e da expansão agrícola.
A floresta estacional decidual, ou mata seca, ocorre em solos litólicos, considerados rasos, com elevada acidez e baixa capacidade de retenção hídrica. Adaptada à deficiência hídrica, a vegetação perde as folhas no período de seca. Nesta formação florestal, além das espécies arbóreas, são freqüentes as cactáceas e as bromeliáceas, dando um aspecto de vegetação da caatinga nordestina, durante a estiagem.
Já a floresta estacional semidecidual submontana, ou mata de encosta, ocorre nos planaltos areníticos onde acontecem escorregamentos periódicos de solo.
Por sua vez a floresta paludosa, ou mata de brejo, ocupa os solos encharcados e orgânicos, ou com as areias quartzosas hidromórficas. São naturalmente de menor diversidade florística.
A floresta ripária, ou mata ciliar, ocupa as margens dos cursos d água, em uma faixa de transição em relação às condições de solo e à saturação hídrica, sendo muitas vezes alagáveis. Por ocupar uma área de ecótono, apresenta uma florística diversificada, podendo-se considerá-la como floresta latifoliada higrófila e com heterogeneidade estrutural. Em decorrência da hidrografia da bacia do Corumbataí apresentar calhas bem definidas, a ocorrência de áreas alagáveis é limitada, restringindo-se em geral a faixas estreitas. Porém, saliente-se o grande papel dessas matas ciliares na conectividade de remanescentes florestais.
Finalmente, o cerrado, ou campo cerrado, é formado por árvores baixas, troncos retorcidos e casca grossa, sendo o solo dominado por gramíneas. No período de estiagem estas secam, o que facilita a propagação do fogo, ainda comum nessas áreas. Já o cerradão é de porte mais alto do que o cerrado, atingindo em média 12 metros. Ocorre próximo à mata seca e distingue-se desta pela esclerofilia e composição florística.
A composição florística no conjunto dos ecossistemas florestais da bacia do Corumbataí é bem diversificada. Ao todo foram identificadas 480 espécies arbóreas e arbustivas na região, pertencentes a 72 famílias. Das espécies, 161 só ocorrem em uma formação florestal específica, 15 são genéricas por ocorrerem em todas as formações, enquanto 175 são consideradas comuns, ocorrendo em duas ou mais tipologias florestais (IPEF, 2002).
Apesar da floresta nativa ainda ocupar estimados 21.100,6 ha da bacia do Corumbataí, segundo Silva Brito (2001) aproximadamente metade da área desses remanescentes florestais é constituída de fragmentos de até 5 ha. Além disso, cerca de 86,6% dos 2.572 fragmentos de remanescentes identificados possuem no máximo 5 ha, e menos de 1% são maiores do que 40 ha. Isto representa um enorme risco à conservação florestal na região, uma vez que quanto menor for o fragmento florestal maior é a susceptibilidade à degradação.
Das cinco sub-bacias, a do Passa Cinco é a que possui os maiores fragmentos florestais nativos, com 13 matas de tamanho superior a 40 ha. As demais sub-bacias possuem apenas de 1 a 4 matas maiores de 40 ha. A Tabela 14 evidencia o número e percentagem de fragmentos.
O estado de conservação das sub-bacias também pode ser visto através do índice de cobertura florestal nativa, calculando-se o percentual de área com floresta (Tabela 15). Verifica-se que o maior índice está no Alto Corumbataí (com 17,68%) e o menor no Médio Corumbataí (com 6,60%).
Tabela 14 Número e participação percentual de fragmentos florestais por classes de tamanho nas sub-bacias da bacia do rio Corumbataí.
ALTO