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demandam uma s6ria

No documento Jervis Anderson, New Yorker (páginas 55-58)

Htilllcugiio psicocultural. Estados Unidos prin- W A sexualidadenegra^umassunto t^unosEsta^ ^ ^ ^ flpnlmente porque ela constitui u™a _ contu(jo, suas manifes- hir o qual os brancos tern pouco vi0ientas reagoes, sejam C„l,scssaofascma(la.sej d n5o incloi abSolutamente os ltdiide dos negros entre e'eSnoPn.Pcenlra, de referenc.a. Ela se mam- bruncos, nem faz deSteS U™Jexistissem> Como se eles fossem invisi-

scr os guardioes do poder. entre eles e os brancos Por outro lado, a sexualid ocultos que os norte- ucontece com base especidmente nos ^ [cq q sobre os quais as americanos negam ou d“ dfet^ De fat0, os mitos sexuais pre- leis nao possuem um mulheres negras retratam os bran- dominantes acerca dos home d dominados, sub- cos como “fora de con^c - sexualidade dos negros jugados pelos corpos n g _ essa auto-imagem nao faz da passividade dos branc0Sed^e tovernada por brancos.

e nada aceitavel para uma soci . explica totalmente os E evidente que nenhum desses ‘^Zo Tmo um relaciona- complexos elementos que d®t®n^ualidade negra realmente ocorre.

mento especifico envolvendo damentai entre a sexualidade No entanto, eles ressaltam a ? Unidos Assim, fazer da se- dos negros e o poder destes nos E ados Unido, ^ ^ ^ xualidade dos negros um assunt° terem QS negros sobre os bran- minada forma de poder que se j aspecto favoravel, em que os cos. A primeira XeTblcos graSas aos mi.os negros t6m a supenondade sexual

dominantes em nossa sociedade.

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Entretanto, existe nesse poder um lado especioso — que os nc- gros ja ha muito tempo perceberam. Se a sexualidade dos negros 6 uma forma de poder em que a atua9ao dos negros e a passividadc dos brancos estao interligadas, entao nao estariam os negros simplesmen*

te agindo segundo os proprios papeis que os mitos racistas sobre sun sexualidade lhes atribuem? Por exemplo, a maioria das igrejas de ne¬

gros nao viu com bons olhos as ruas, clubes e saloes de dan$a em par te porque esses espagos dos negros pareciam confirmar os mitos ra cistas sobre a sexualidade negra que deveriam ser repelidos. Somente se fossem “negros respeitaveis”, raciocinaram, os norte-americanos brancos veriam suas boas obras e poriam de lado o racismo. Para muitos membros da Igreja negra, a atuagao dos negros e a passivida de dos brancos em se tratando de sexo nao era desejdvel, nem tolerd- vel. Ela simplesmente permitia aos negros fazer o papel do exotico

“outro” — mais proximo da natureza (destitufdo de inteligencia e de controle) e mais suscetivel de ser levado por prazeres inferiores e im- pulsos biologicos.

Sera que existe uma safda para esse impasse em que a sexuali¬

dade dos negros ou os libera do controle dos brancos so para apri- siona-los em mitos racistas ou os confina a “respeitabilidade” dos brancos enquanto faz de sua propria sexualidade um assunto tabu?

Ha saidas, sim, porem nao uma unica para todos os negros. Ou, em outras palavras, as saidas dispomveis para os homens negros diferem muito das dispomveis para as mulheres negras. Mas nem homens nem mulheres serao bem-sucedidos sem que ambos os lados o sejam, pois as degrada^oes que sofrem sao inseparaveis, ainda que nao iden- ticas.

A sexualidade dos homens negros difere da sexualidade das mu¬

lheres negras porque esses homens tern auto-imagens e estrategias distintas para adquirir poder nas estruturas machistas da America branca e das comunidades negras. Analogamente, entre os homens negros a heterossexualidade difere da homossexualidade, devido as autopercep§oes e aos meios para obter poder nas institutes homo- fobicas da America branca e das comunidades negras. O mito domi- nante da habilidade sexual dos homens negros faz deles parceiros desejaveis em uma cultura obcecada por sexo. Alem disso, a afro- americaniza5ao da juventude branca pendeu mais para o lado dos ho¬

mens, dada a preeminencia de atletas e a influencia cultural de artis- 106

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populares do sexo masculino. Esse processo faz com que o jo- ns brancos - de ambos os sexos - procurem imitar e emular o es- HIO dos homens negros no andar, falar, vestir e gesticular. Uma^das Ironias de nossa epoca e o fato de que, justamente quando os jovens negros sao assassinados, mutilados e aprisionados em numeros sem precedentes, seus estilos assumem uma influencia

moldagem da cultura popular. Em geral, um rapaz negro adqmre po- dcr estilizando seu corpo conforme o lugar e a epoca, de sorte que esse corpo reflita sua singularidade como pessoa e Provo^«^

„os outros. Ser “mau” e bom nao simplesmente porque isso subverte , linguagem da cultura branca dominante mas tambem porque impoe a os jovens negros um tipo sem igual de ordem ao seu propno cao cspecffico, e chama a aten?ao de modo a fazer com que os ortos recuem com certa apreensao. Esse estilo dos rapazes negros consbmt uma forma de auto-identifica?ao e resistenc.a em uma cultura hosdl d tambem um exemplo de identidade machista, pronta P^a violentos embates. No entanto, em uma sociedade onde o homem e quenJ ^ da, a identidade machista e considerada normal, e mesmo en^ecida _ como no caso de Rambo e Reagan. Mas, no caso dos negros, Ulo mTchista implica sobretudo envolver-se em embates sexuais com mulheres e embates violentos com outros homens negros c> W liciais agressivos. Dessa maneira, sua busca do poder com frequence reform o mito da grande habilidade sexual dos homens negros um mito que tende a subordinar as mulheres negras e brancas como ob- jetos de prazer sexual. Essa busca do poder tambem resujta e g S em um confronto direto com as autoridades es^beleetda^ou seia com a policia e o sistema de justi9a cnminal. A case cultural prevalecente para muitos rapazes negros fundamenta-se na hmita^ao de oPe5es para seu estilo de auto-imagem e resistencia em uma cul tura obcecada por sexo, mas receosa da sexualidade dos negros.

Essa situa9ao e ainda mais desoladora para a maiona dos ho¬

mens negros homossexuais, que rejeitam a op?ao dominante do esti- TrcachL sao, po, isso .oarginaiiaados - dos brancos e penalizados na comumdade negra. Em seus esforgos para serem eles proprios, acabam acusados de nao ^mre^men

“homens negros”, de nao se identificarem com o machismo. Comicos negros talentosos como Arsenio Hall e Damon Wayans usam o negro gay como figura principal de suas gags. Mas por trds das nsadas es-

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preita uma tragedia de grandes proposes: a recusa de brancos c m- gros norte-americanos a levar em considera^ao novas op^oes de esd- lo para homens negros presos ao letal esfor?o de rejeitar as identidn des machistas negras.

O caso das mulheres negras e bem diferente, em parte porque a dinamica do machismo branco e negro as afeta de modo diverso, e em parte porque a degrada?ao da heterossexualidade das mulheres negras nos Estados Unidos faz do lesbianismo para elas um passo menos as- sustador a ser dado. Isso nao significa que as lesbicas negras sofrem menos do que os homens negros homossexuais — na verdade, elas sofrem mais, principalmente em razao de sua situa9ao economica in¬

ferior. Mas significa que a subcultura das lesbicas negras e fluida, com suas fronteiras menos policiadas, precisamente porque a sexua¬

lidade das mulheres negras em geral e mais desvalorizada e, portan- to, mais marginalizada entre os norte-americanos brancos e negros.

O mito dominante da grande habilidade sexual das mulheres ne¬

gras faz delas parceiras sexuais desejaveis — porem, o papel central da ideologia sobre a beleza da mulher branca atenua a conclusao es- perada. Em vez de as mulheres negras serem o mais procurado “ob- jeto de prazer sexual” — como no caso dos homens negros —, sao as mulheres brancas que tendem a ocupar essa posi?ao “valorizada”, isto e, degradada, principalmente porque a beleza branca tern um peso maior na atratividade sexual das mulheres na sociedade machis- ta e racista dos Estados Unidos. O ideal de beleza feminina no pais privilegia a suavidade e a brandura supostamente associadas a mulher branca e desvaloriza o jeito de ser exuberante do estilo associado a mulher negra. Tal procedimento nao e simplesmente mais racista para as mulheres negras do que para os homens negros; ele 6 tambem mais depreciativo para as mulheres em geral do que para os homens em geral. Isso quer dizer que as mulheres negras estao sujeitas a ata- ques racistas mais numerosos e diversificados do que os homens ne¬

gros, alem dos ataques sexuais que elas sofrem por parte destes ulti- mos. Nem e preciso ressaltar que a maioria dos homens negros — especialmente os que tern especializagao profissional — simplesmen¬

te adaptam esse procedimento vulgar ao longo do eixo das cores mais claras de pele, de maneira que as mulheres negras de pele mais escu- ra sofrem mais o impacto do que suas ja desvalorizadas irmas de pele mais clara. As lutas psfquicas em tomo da autoconfian9a, a agonia

Lllltencial derivada da questao da genulna atratividade e o fardo so- , ( Ini de dar a luz e quase sempre de educar filhos negros sob tais cir- CunsUincias desenvolvem na mulher negra uma for9a espiritual des- conhecida da maioria dos homens negros e de quase todos os demais lltorte-americanos.

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Enquanto a sexualidade dos negros permanecer um assunto ta¬

bu. nao seremos capazes de reconhecer e examinar esses tragicos fa- los psicoculturais da vida norte-americana, nem de lidar com eles.

Adcmais, nossa recusa em faze-lo limita nossa capacidade para con- IVontar as esmagadoras realidades da epidemia de aids que grassa nos Estados Unidos em geral e particularmente na comunidade negra do pals. Embora as dinamicas da sexualidade dos homens negros sejam dilerentes das ligadas a sexualidade das mulheres negras, novas op-

?5es para o estilo de auto-imagem e resistencia dos negros podem ser forjadas, mas apenas quando homens e mulheres se empenharem jun¬

tos. Isso acontece nao porque € dever de todas as pessoas negras ser heterossexuais ou ter parceiros da mesma cor de sua pele, mas por¬

que todos os negros — inclusive as crian9as negras filhas dos chama- dos casais “mistos” sao profundamente afetados pelos mitos pre- valecentes sobre a sua sexualidade. Esses mitos fazem parte de uma rede mais ampla de falacias hegemonicas dos brancos, cuja autorida- de e legitimidade tern de ser solapadas. No longo prazo, nao existe para nos outra salda que nao a de agir em nossas vidas psfquicas e se¬

xuais sempre segundo as verdades que proclamamos a respeito da ge- nulna intera9ao humana. Somente indo contra a cren9a geral podere- mos manter viva a possibilidade de que os sentimentos entranhados a respeito dos corpos negros, alimentados por mitos racistas e promo- vidos pela busca de estlmulo induzida pelo mercado, nao nos tomem para sempre obcecados com a sexualidade e receosos da humanidade que ha em toda pessoa.

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