ENTRE NEGROS E JUDEUS
Pois se nao hd bandeiras drapejando e canto de marchas nas barricadas quando Walter avanga com seu pequeno batalhao, nao e porque a batalha carece de nobreza. Pelo contrdrio, ele retomou, a seu modo ainda imperfeito e vacilante em sua visao restrita do destino humano, aquilo que Arthur Miller, eu crew, certa vez chamou “o fio de ouro da historia” Ele se torna, a despeito dos que estao demasiado perplexos com o desespero e o odio pelo homem para perceber, o ret Edipo recusando-se a arrancar os olhos e, emvez disso.
atacando o Ordculo. Ele e o ultimo patnotajudeu mane- jando seu fuzil em Varsdvia; ele e aquela jovem que nadou no meio dos tubardes para salvor uma amiga ha poucas semanas; e Anne Frank, ainda acreditando nas pessoas; e os nove pequenos herois de Little Rock, e Michelangelo criando Davi e Beethoven irrompendo com a Nona sinfonia. Ele e tudo isso porque se ergueu em seu momenta fugaz e se apoderou daquela doce essencia que e a dignidade humana, e ela reluz como o antigo sonho com brilho de estrela que hd em seus olhos.
Lorraine Hansberry, “An author’s reflections:
Walter Lee Younger, Willy Loman and he who must live”, 1959
■ Os debates recentes acerca do estado das relates entre negros e
|,i,kus pmduziram mais confusao do que eaclaaecimooloEm vezde Pum didlogo critico e de uma respeitosa troca de ideias, teste munhamos diversas rodadas de difama9oes vulgares e acusa9oes fan- niiicas Batalhas travadas nas paginas dos editorials, como a que se ,l, u entre Henry Louis Gates Jr., eminente professor de Harvard, John Henrik Clarke, ilustre estudioso do pan-afncamsmo, no New York Times e no City Sun, respectivamente, nao contnbuem muito para a compreensao das relates entre negros e judeus^
' o anti semitismo dos negros e o racismo dos judeus contra os negros sao reais, e ambos tao caracteristicamente norte-amencanos uuanto a torta de cereja. Nao existiu uma “epoca de ouro em que negros e judeus viviam livres de tensoes e atritos. Mas houve uma dpoca melhor, quando as historias afins de opressao e degrada?ao de ambosTs grupos Servian, de trampolim para a verdadeira empatia e paraalianqasemprinefpios. Desdefmsdadecad.*
60, as rela§6es entre negros e judeus atingiram o fundo do po9o. Por qUC 'pL^eTp^car esse lamentavel estado de coisas, precisamos comecar a trazer a tona a verdade que ha por tras das percep9oes que cada grupo tem sobre o outro (e sobre si mesmo). Por exemplo pou- cos negros reconhecem e admitem um fato fundamental da histona judaica: um profundo odio pelos judeus esta arraigado bem no centre da cultura euroP6ia medieval e modema. As persegui9oes sob os bizlinos, os massacres durante as Cruzadas, as expu soes da Inglaterra (1290), Fran9a (1306), Espanha (1492), Portugal (1497),
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Frankfurt (1614) e Viena (1670), bem como os pogroms na UciAitlfl (1648,1768), em Odessa (1871) e em toda a Russia — especkilmonfl apos 1881, culminando em Kishinev (1903) —, constituent o vnMH j pano de fundo historico para as atuais preocupa?oes dos judcus com a auto-suficiencia e seu temor pela extin?ao do grupo. Obviamentfj n tentativa de genocidio perpetrada pelos nazistas nas decadas de 19 tQi e 1940 agravou essas preocupagoes e temores.
O 6dio que europeus sentem pelos judeus tem bases religiosd t( 1 sociais — os mitos cristaos acerca da morte de Cristo pelos judnis itl o ressentimento pela presenga desproporcional de judeus em certd | ocupa5oes comerciais. A intolerancia religiosa alimenta-se de cslod reotipos que descrevem os judeus como infames transgressores d(t sagrado; a intolerancia social, de pretensas tramas conspiratbrinii visando ao poder e ao controle. Ironicamente, a funda?ao do Estado de Israel — o triunfo da busca pela autodetermina9ao dos judeus modemos — deveu-se menos ao poder judaico do que ao consensu das duas superpotencias, Estados Unidos e Uniao Sovietica, que qui seram assegurar uma terra natal para um povo desprezado c degradado ap6s a tentativa de genocidio de Hitler.
A historia dos judeus nos Estados Unidos, em sua maior parte, caminhou em linhas opostas as desse tragico passado. A maioria dos imigrantes judeus desembarcou na America por volta da virada do seculo (1881-1924). Trouxeram com eles uma solida heranga de in- centivo &s qualidades que lhes asseguraram a sobrevivencia e a iden- tidade: autonomia institucional, ensino rabmico e empenho nos nego- cios. Assim como outros imigrantes europeus nos Estados Unidos, os judeus, em sua maioria, tomaram-se cumplices do sistema racial de castas. Mesmo em um pafs “cristao”, com suas formidaveis barreiras anti-semitas, e a despeito de uma rica tradi^ao progressista que tomava os judeus mais inclinados do que os demais imigrantes a sentir compaixao pelos negros oprimidos, um grande numero de judeus procurou consolidar sua posi^ao nos Estados Unidos corrobo- rando a perpetua9ao generalizada dos estereotipos negativos sobre os negros e a acumula9ao de privileges disponfveis aos norte-ame- ricanos nao negros. Nem € preciso lembrar que um profundo 6dio pelos africanos (evidenciado na escravidao, nos linchamentos, na segrega9ao e no tratamento como cidadaos de segunda classe) esta arraigado no centro da civiliza9ao norte-americana.
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de Effiot E./.nodes de A. Philip entreP-'SS „: Sad"dca
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porque dao enfase ao g ^ durante esse breVe penodo dos judeus nas classes m6 a ciasSe m6diaItagresso esse quesocial por
negra, de crescimento mais lento mais numer0sa. Os
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prLnSrsnrSc. auto-imagem de progressisras
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para permitir o progtesso dos negt‘j> administradores negros 5, metade dos P— ^pS eom frerpidncra empregada no setor publ , da Comissao para a Igual- conseguindo acesso gra? p Empioyment Opportunity dade de Oportumdade de Emprego w „ Q afir_
AAn-es^re-n-
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cia dos judeus a “a£ao afirmativa” e ao gasto govemamental gfli, programas sociais coloca-os em oposigao ao progresso dos negnu, Esta oposi?ao, embora nao tao intensa como a de outros grupos mi pais, toma-se muito mais evidente para os negros em razao do apolu que os judeus lhes haviam dado no passado. Alem disso, ela sugeru o puro e simples interesse de grupo e a disposi?ao para abandoimf a compaixao pelos desfavorecidos da sociedade norte-americana. ' O segundo grande tema de disputa diz respeito ao significado | a pratica do sionismo, personificado no Estado de Israel. Sem mini compreensao empatica das profundas raizes historicas dos temorcs <*
angustias dos judeus pela sobrevivencia do grupo, os negros nflo conseguirao entender o apego visceral da maioria dos judeus a Israel. Analogamente, sem o franco reconhecimento do status dos negros como etemos desfavorecidos na sociedade norte-americana, os judeus nao compreenderao o que os problemas simbolicos e os sofrimentos reais dos palestinos em Israel significam para os negros, Os judeus argumentam, com razao, que as atrocidades cometidas pelas elites na Africa contra os africanos oprimidos no Quenia, em Uganda e na Etiopia sao tao ou mais perversas que as perpetradas contra os palestinos pelas elites israelenses. Alguns tambem salien- tam — corretamente — que os acordos e tratados entre Israel e a Africa do Sul nao diferem tanto assim dos firmados entre pafses negros da Africa, America Latina e Asia e a Africa do Sul. Nao obstante, essas e outras acusa^oes dos judeus acerca dos duplos criterios dos negros para com Israel nao nos conduzem ao ceme da questao. Os negros com freqiiencia encaram a defesa judaica do Estado de Israel como uma segunda instancia do flagrante interesse de grupo e, novamente, como um abandono da deliberasao com bases morais. Ao mesmo tempo, os judeus tendem a considerar as crfticas dos negros a Israel como uma rejeigao de seu direito a sobre¬
vivencia enquanto grupo e, portanto, como uma trai?ao a pre- condi?ao para a alian^a entre negros e judeus. O que esta em jogo aqui nao sao simplesmente as relates entre os dois grupos, mas — o que e mais importante — o conteudo moral das identidades de negros e judeus e de suas inferences polfticas.
A ascensao do Likud, o partido conservador israelense, em 1977, e a manifestaijao de tacanhas vozes nacionalistas negras na decada seguinte contribufram para agravar o impasse. Quando impor-
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organiza5oes judaicas nos Estados Unidos apoiaram as dc- , i i polfticas de Begin e Shamir, corroboraram mteresses dc Cl,,OS calculistas. Quando porta-vozes do nacionalismo negro co Crrukhan e Jeffries acusaram com excessiva veemencia o poder
1,1,1,11, o dc subordinar povos de pele negra e morena, fizeram o Cmo jogo mesquinho. Ao voltar as costas para o perverse jugo CTeMini e ao se recusar a admitir a falsidade das alegadas consp ra- C judaicas, ambos os lados deixaram de definir o carater moral de
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Identidade judaica e negra.O atual impasse nas relays enlre negros e judeus^somenM se
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avert quando hoover, dentro dessas duas comun.dades e enm„m dialogo caraeterirado pela autocritiea. versando nao sim- ,, Cneme sobre sens prtprios inleresses enquanlo grupos. mas, pnn-
!! leme, sobre o que s,guinea em iermos diicos »er «gh>» -
„Jlcu. Esse tipo de reflexao nao deve ser mgenuo a ponto de nao I! var em «Jdera5ao os interesses de grupo, mas precisa nos com duzir a um nfvel moral mais elevado, onde debates senos a respeito du dcmocracia e justi?a determinarao como definir nossos grupo
e nos ajidarL a formular estrategias e tdticas para escapar as armadilhas do tribalismo e do chauvimsmo.
O cruel assassinate de Yankel Rosenbaum em Crown Heights, no verao de 1991, e uma aterradora prova do crescente anti-semi- tismo entre os negros norte-americanos. Embora essa forma especi- fica de xenofobia vinda de baixo nao tenha o mesmo Poder^titu cional dos racismos que atingem suas vftimas vindos de cim^ ela certamente merece a mesma condena9ao moral. Ademais, o propno carater etico da luta dos negros pela liberdade depende em boa parte da manifesta condenaeao, por seus representantes, de toda e qualquer
^EmnoSosiTs, quando um neonazista como David Duke con- segue obter 55% dos votes dos brancos (e 69% dos votes dos prote
"ntes tnascidos”) na Louisiana, pode parecer um erro res^iltar o comportamento anti-semita dos negros - justamente ^ maiores alvos do odio racial em todo o pals. Porem, a meu ver, esse enfoque 6 crucial exatamente porque n6s, os negros, estamos na linha de frente da luta contra o racismo nos Estados Unidos Se esses esfor^os Tdeixarem dominar pelo anti-semitismo, a tentativa de colter o racismo com base em prinefpios perdera muito de sua credibilidade
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pela^libereJad^dos8!!^^10^^^11^0 Ea*ando bem daro: se u lull guerra de todos contra todos em bus^dTood'mpleSme"te em bia vmda de baixo contra o run P der’ lan?ando a xenoM David Duke serd a tendencia do futuro1"'0 * ^ ° Pr°jet" * estariinossaespera. Apesarda-tn *7r/ Um 3poca,ipse ra“‘d testemunhamos cada vezZis vZT T* S°frida P°r Dl"“.
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para esse future apavorante ’ °S lngredientes bdsicoi
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para todos, sem exce9ao O anti semid?"86"* * llberdade e justi9a
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amargo de um profundo impulso ant rt 3° extremo; e 0 f™io desesperan9a e disfar9ado oor^^t destrut,vo- alimentado pela imagem de ativistas negros^ereando5 “OnT ^7^° ^ negr0S- A ctsamos dele?” e “Heil Hitler” i °de CSt4 Hltler ^uando pre-
".o^ndocanive J:l“L~etde ^ mtolerancia, queimando de amh P i , der uma unica chama de
judeus no racismo norte-americano - m, t t CUmplicidade dos do que a de outres grupos brancos no pats - reforcT men°S ^ negros de que os judeus sao identic , * 9 3 perceP?ao dos beneficia dos privileges dados aos braLTs nT^m^ ^ ** “ percep9ao nega a verdadeira historia dl Z r3C,Sta' Essa dispensado. E as i„tera96es espSfic ° j / * ° tratame"t0 3 eles rarquias das empresas e institui9oes de entinn T ® negr°S ^ hie’
uma posi9ao de evidencia com! „„ colocam os judeus em
“sim, corroborant essa concepcao errfaT*** Comunidade ne8ra e, a todos os outres brancos. 63 6 qUe e*es sao ‘denticos
I lim segundo lugar, o anti-semitismo dos negros resulta das ex- JtK'lMhvas mais elevadas que alguns de nos temos em rela9ao aos fM.li'iis. Essa perspectiva coloca os judeus em um patamar moral Hrercntc do atribuido a outres grupos etnicos brancos, devido princi- imlmcnie a nefanda historia do anti-semitismo no mundo, em espe- i ltd na Europa e no Oriente Medio. Essa diferencia9ao pressupoe que jUtlcus e negros sao aliados “naturais”, ja que ambos os grupos foram
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",lmas df cr6nica degrada9ao e opressao nas maos das maiorias tm lais e etnicas. Assim, quando o neoconservadorismo judaico ga- I flhu notoriedade em uma 6poca em que os negros se veem cada vez toois vulneraveis, a acusa9ao de “trai9ao” vem a tona entre alguns negros, que se sentem abandonados. Declara9oes desse tipo encon- imm poderosa ressonancia em uma cultura negra protestante que hrnlou muitas narrativas cedi9as, cristas e anti-semitas, sobre como os judeus mataram Cristo. Historicamente, essas infames narrativas l«!m ttdo menos peso na comunidade negra, em marcante contraste com as mats implacaveis variedades cristas brancas de anti-semi- lismo. Contudo, em momentos de desespero na comunidade negra elas tendem a retomar, eivadas da retorica sobre a trai9ao judaicaEm terceiro lugar, o anti-semitismo dos negros e uma forma de ressentimento e inveja de gente desfavorecida, dirigida contra outres desfavorecidos que conseguiram “ter sucesso” na sociedadc norte- uinericana. A notavel mobilidade ascendente dos judeus nos Estados Umdos fundamentada em especial em sua historia e cultura, que incentivam a educa9ao de nivel superior e a auto-organiza9ao_com facilidade induz o aparecimento de mitos acerca da uniao e homo- geneidade dos judeus, mitos esses que se desenvolvem entre outres grupos, principalmente entre os relativamente desorganizados, como o dos negros norte-americanos. A conspicuidade dos judeus no’s altos escaloes da vida academica, jomalismo, industria do entretenimento e profissoes liberais — embora em menores propor9oes nas grandes empresas e nos cargos publicos de nivel nacional e vista menos como resultado de trabalho arduo e sucesso merecidamente al- can9ado e mais como uma questao de favoritismo e nepotismo entre os judeus. Ironicamente, os clamores pela solidariedade e a realiza- 9ao dos negros com freqiiencia sao moldados segundo os mitos da uniao dos judeus — pois ambos os grupos reagem a xenofobia e ao racismo no pais. Por6m, em tempos como o de agora, alguns negros
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veem os judeus como um obstaculo, e nao como aliados, na luta pcltt justiga racial.
Esses tres elementos do anti-semitismo dos negros <|iir tambem caracterizam as perspectivas de alguns outros grupos dtnieol nos Estados Unidos — tern uma longa historia na comunidade negra, No entanto, o surto recente de anti-semitismo nessa comunidade explora duas outras caracterfsticas muito notorias no panoramii politico identificado com o establishment judaico no pais: o statun militar de Israel no Oriente Medio (especialmente na execugao dn ocupagao da margem ocidental e de Gaza) e a manifesta oposigao dos judeus conservadores aquilo que se considera o principal meio paru o progresso dos negros, ou seja, a politica de “agao afirmativa"
Naturalmente, as criticas fundamentadas em principios dirigidas it politica norte-americana no Oriente Medio, k degradagao dos palesti- nos pelos israelenses ou aos ataques it “agao afirmativa” transcendent as suscetibilidades anti-semitas. Mas isso nao ocorre com as criticas vulgares — e elas muitas vezes estao repletas dessas suscetibilidades, tanto na comunidade negra como na branca. Essas criticas vulgares
— geralmente baseadas em pura ignorancia e mal informada sede de vinganga — acrescentam uma faceta agressiva ao anti-semitismo dos negros. E, na retdrica de pessoas como Louis Farrakhan ou Leonard Jeffries, cujas audiencias justificadamente sao avidas por amor-pro- prio e se opoem a degradagao dos negros, essas criticas direcionam erroneamente as energias progressistas dos negros, arregimentadas contra o poder incontrolavel das grandes corporagoes e o racismo, voltando-as contra as elites judaicas e as conspiragoes de judeus para prejudicar os negros. Esse deslocamento e danoso nao apenas por ser analitica e moralmente errado, mas tambem porque ele dissuade a formagao de aliangas efetivas entre as ragas.
A retorica de Farrakhan e Jeffries nutre-se de uma inegavel historia de degradagao dos negros nas maos dos norte-americanos de todos os grupos etnicos e religiosos. Assim, as delicadas ques- toes do amor-pr6prio e da auto-aversao dos negros sao vistas em termos do aviltamento imposto pelos brancos e das conspiragoes de judeus. A preciosa busca da auto-estima dos negros fica reduzida a gestos imaturos e catarticos que acusam uma excessiva obsessao pelos brancos e judeus. Nao pode existir uma concepgao sadia do cardter humano dos negros com base nessas obsessoes. O melhor da
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, niturm negra, como se pode ver no jazz ou na igreja negra prof**®,
;;KC0; recusa-se a colocar os brancos ou os judeus em um Ecstal ou na sarjeta. Em vez disso, afirma-se o carater humano d . Cos juntamente com o dos outros, mesmo que M K tenham desumanizado os negros. Para ser mats dtreto. quando
. luimanidade dos negros e aceita como um dado e nao forgada a se nfto sao tao importantes; sao simplesmente seres hu"’ ^ monte como os negros. Se o melhor da cultura negradefinharemface J anti-semitismo dos negros, estes ficarao amda ma.s .solado iquanto comunidade, e sua luta pela libertagao ganhard a mancha
"““.mplo, a maioria doS „one-»merica„oS ^«
„,ente que a comunidade negra calou-se ante o assassmato de Ya^el Rosenbaum Essa percepgao existe porque as vozes morais na Ame¬
rica negra foram desconsideradas, ou entao abafadas por vozesrr^s sensacionalistas e xenofobicas. Os principals jomais e penodi nova-iorquinos parecem ter pouco interesse em tomar conhecidas ndblico as condenagoes morais proferidas pelo reverendo Gary Simpson da Igreja Batista da Concordia, no Brooklin (com uma con gregagao’ de 10 mil fidis negros), pelo reverend^77ol^ght Leja de Riverside (com 3 mil fidis), pela reverenda Cvolyn Knighb da lereia Batista de Filadelfia, no Harlem, pela reverenda Susan Johnson da Igreja Batista dos Mariners, em Manhattan, pelo reveren¬
do Zk Tayfor da Igreja da Porta Aberta, no Brooklin, pelo reve¬
rend Victor Hall, da Igreja Batista do Calvario, em e; P»_
muitos outros. O anti-semitismo dos negros nao e causado pela divu g^o dos meios de comunicag.o - mas ele d*«—
venda de jomais e desvia nossa atengao das energias profeticas que nos dao alguma esperanga.
Minha premissa fundamental 6 a de que a luta dos negros pela liberdade constitui o principal anteparo entre as Pes»“^ “ tar nuke e a esperanga de um future no qual possamos comegar a trat com striedrTU^ da justiga e liberdade para todoa O *■
semitismo dos negros - juntamente “m
fobias, como os preconceitos machistas e homofdbtcos - enfr q 97
esse anteparo. Nesse processo, ele faz o jogo dos racistas de vclliu cepa, que apelam para o pior que ha em nossos concidadaos cm molt a silenciosa depressao que assola a maioria dos norte-americanuM Sem uma redistribuigao de riqueza e poder, a mobilidade descendonl#
e a pobreza debilitante continuarao a impelir as pessoas para safdnl desesperadas. E sem uma oposi5ao baseada em princfpios as xenofoJ bias vindas de cima e de baixo, essas safdas desesperadas produ/.itilo um pafs insensfvel e mesquinho, pelo qual nao valera mais a pen!
lutar e onde nao valera mais a pena viver.
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