E defato, uma das maiores cegueiras morals do con- servadorismo norte-americano que a energia de seus intelectuais e Uderes jamais se tenha concentradoaU^- mente sobre o legado da divisao da sociedade ameri- cana em castas determinadas pela ra(a. Isso representa uma crise moral fundamental no conservadonsmo norte- americano modemo [...] Os conservadoresnorte-amen- canos em geral naofizeram caso das prattcas e valores autoritdrios e violentos arquitetados contra a raga-casta negra nos estados sulistas, onde vive a mawna dos negros. Por outro lado, ao longo de todo este seculo, esses conservadores com frequincia apoiaram movi- mentos pela liberdade em todas as P“rtes d°
na Europa, America Latina, Asia Oriental , P sempre resistindo inexoravelmente a aceitar e apoiar de mode ativo o movimento pelos direitos avis dos negros norte-americanos, a aceitd-lo como urn genuino movi¬
mento pela liberdade, plenamente digno de sua ajuda.
Foi assim, a sombra dessa desoladora histdna do con servadorismo dominante nos Estados Umdos vis-a-vis a longa e drduajomada dos negros norte-amencanos em busca da igualdade de status, que emergiu o novo con- servadorismo negro.
Martin Kilson, “Anatomy of black conservatism”, 1992
I A publicagao de Race and economics, de Thomas Sowell, em K assinalou o aparecimento de um novo fenomeno nos Estedos llnidos: o ataque visfvel e agressivo do conservadonsmo *ntelectual negro ^ tradicionais ideias liberals dos negros. O desenvolvimento [ dc pcrspectivas conservadoras nao 6 novidade na histona afro-amen- J, O ilustre conservador negro deste seculo George S Schuyler nublicou durante decadas uma coluna espirituosa e mordaz no in- nucnte jomal negro The Pittsburgh Courier, e seu livro Black and conservative tomou-se um pequeno classico da hteratura afro-amen- ,ana Analogamente, os ensaios reacionarios (alguns dos quats publi- cados no Reader's Digest) da mais celebre das literatas afro-amenca nas Zora Neale Hurston, bem como sua adesao ao Partido Republicano, sao com freqUencia negligenciados por suas segmdoras contemporaneas do feminismo e dos movtmentos de defesa da mulheres. Entretanto, o livro de Sowell ainda exprimtu #«««»
tentativa de alcan?ar a hegemonia dos conservadores na hderanea polftica e intelectual negra na era pos-Dtreitos Civis.
Ate o momento, essa tentativa tern sido xnfrutifera, apesar de haver recebido grande aten?ao da mfdia norte-americana, cujo mte- resse se evidencia sobretudo no estardalha?o em tomo das obras recentes de Shelby Steele, Stephen Carter e Stanley Crouch. O novo conservadorismo negro e uma rea9ao a cnse do hberalismo na A America. Essa crise, exemplificada em parte pela ascensao do rea- ganismo” e pelo colapso da polftica de esquerda, cnou um espago fntelectual ocupado, agora, por vozes conservadoras de vanas cores.
67
Nesse contexto, cabe atentar para os trabalhos de meu amigo *> 1 colega Christian Glenn Loury, que procura distanciar-se do conserv# I dorismo dominante mas, simultaneamente, dirigir suas criticas «>
liberalismo negro; ou seja, ele e um neoconservador, que pretendr eliminar o liberalismo tradicional entre os negros norte-americanol, 1 Em seu prdximo livro, Free at last, Loury denuncia tres falhas fun | damentais dos pensadores liberais negros. Primeiro, ele afirma que on 1 liberals negros acalentam uma concep?ao do povo negro como vi'tinm de seu status, concep?ao essa que induz a atribuir todos os fracassos pessoais dos negros ao racismo dos brancos. Segundo, ele argumenln que os liberais negros nutrem uma lealdade debilitante para com sun ra$a, que os toma cegos para os aspectos patologicos e anomalos do comportamento dos negros. Terceiro, sustenta que os liberais negros truncam o discurso intelectual sobre as dificuldades dos negros po- bres, censurando as perspectivas criticas que “lavam em publico a roupa suja” da comunidade negra — isto e, tacham de “Pai Tomas os neoconservadores como Loury, deixando de analisar com serie- dade e sob um prisma intelectual as ideias por estes apresentadas.
As acusa^oes de Loury sao dignas de nota quando se considera que a hegemonia do liberalismo negro — especialmente entre as eli¬
tes negras academicas e polfticas — de fato impoe restri§oes a quali- dade e abrangencia do intercambio intelectual dos negros. Ademais, as formas mais populares de liberalismo negro, como por exemplo a defesa extremada do proprio meio, tendem a menosprezar ou a nao levar absolutamente em conta a responsabilidade pessoal dos negros sobre seu comportamento em rela^ao a si mesmos e aos outros.
Infelizmente — e ironicamente — Loury emprega as mesmas estrategias retoricas que aponta em seus adversarios liberais. Por exemplo, apresenta os conservadores e os neoconservadores negros como vitimas, cujo fracasso em conseguir a merecida atengao e um grande numero de seguidores na Afro-America ele atribui, com argu- mentos ad hominem, a uma conspiragao dos liberais negros para desacreditd-los. Mas decerto a comunidade negra nao 6 assim tao cre- dula, manipulavel e insensfvel. Pode simplesmente acontecer que os verdadeiros meritos das teses defendidas pelos novos conservadores negros nao bastem para convencer e persuadir.
Alem disso, a rejeigao de Loury a lealdade cega para com a raga 6 louvdvel, porem ele a substitui por outra lealdade, tambem cega, a
68
De fato sua principal critica aos liberais e liberais de esquerda KjEiiid a deq^ue eleTcolocam a comunidade negra fora de compasso E, „s Estados Unidos de hoje, onde predomina o conservado™
... udotam uma postura excessivamente antegomca com rel^
E, U do pais. Essa critica equivale nao ao aprofundamento e en L-nmcnto do intercambio intelectual dos negros, mas a uma defesa K"vos tipos de restri?6es, em nome de um neonacionalismo ja
;te arguments em defesa dessas acusa?6es, ilustram seu recurso
*° d’ AposigaTdfLoury, “em cima do muro” entre o conservado- . Ismo negro de Thomas Sowell e o liberalismo negro tradicional e
£ sintoma da crise de proposito e dire?ao que acomete as d^poh^
ic,s e intelectuais afro-americanas. Tres processos fundamentals na Hocicdade e cultura norte-americana desde 1973 estabelecem oc
Ito para se compreender a crise: o fim do predomin.o economico dos Estados Unidos no mundo, a transforma<jao estrutural da econo EH- = 0 cdapso mora, de —d« por -ode o pais especialmente entre os trabalhadores negros pobres e neg
rSonorle-america„a aotapou^-licerce Snesiano do liberalismo do pds-gaerra, ou se,a, o
Xco acompanhado pela regulamenw^o e in,ervensao govema- mental em beneficio dos cidadaos desfavorecidos.
O da mcessao econbmiea sobm os afro-amencanos fo tremenda^Como se poderia esperar. ela afelou " ^ os negros trabalhadores pobres e os paupemmos do que a das media negra em crescimento. Aqueles tiveram que enfrentar prob -
69
mas com a prdpria subsistence, enquanto esta continuou a valer-W
J
de oportunidades nas dreas da educa9ao, neg6cios e polftica. A main- I ria dos negros de classe media invariavelmente apoiou a classe poll- I tica negra emergente — os representantes negros eleitos nos nfvell 1 nacional, estadual e local — com o objetivo primordial de assegurar I a mobilidade social ascendente dos negros. No entanto, alguns come 9aram a sentir-se constrangidos com o modo como eram encarados I por seus pares brancos da classe media. A mobilidade obtida pot j intermedio doja mencionado programa de “a9ao afirmativa” gera um amor-proprio fragil e uma aceita9ao social duvidosa para os negros da classe media. Os novos conservadores negros expressaram esses sentimentos voltando-se contra os programas de “a9ao afirmativa"
(a despeito de terem alcan9ado suas posi?5es justamente gramas a tais programas).
A importance dessa busca de respeitabilidade no seio da classe media com base no merito e nao na polftica nao pode ser superesti- mada no novo conservadorismo negro. A necessidade que tern os conservadores negros de ganhar o respeito de seus colegas brancos influencia profundamente certos elementos de seu conservadorismo.
Nesse aspecto, eles desejam simplesmente o que deseja a maioria das pessoas: ser julgados pela qualidade de suas habilidades, e nao pela cor da pele. Entretanto, os conservadores negros nao levam em conta o fato de que as medidas do programa de “a9ao afirmativa” constitui- ram rea9oes politicas a generalizada recusa da maioria dos norte- americanos brancos a julgar seus conterraneos negros segundo aquele criterio.
Os novos conservadores negros pressupoem que, sem os progra¬
mas de “a9ao afirmativa”, os norte-americanos brancos farao esco- lhas com base no merito e nao na ra9a. Contudo, nao apresentaram provas de que isso venha a ocorrer. A maioria dos norte-americanos tern conscience de que a sele9ao de empregados toma por base tanto os criterios de merito quanto os motivos pessoais. E e essa dimensao pessoal que com frequence se deixa influenciar por percep96es racis- tas. Por conseguinte, o debate pertinente com respeito a contrata9ao de negros nunca e o que trata do “merito versus a ra9a”, mas o que procura saber se as decisoes do empregador serao baseadas no mdrito, mas influenciadas por uma inclina9ao racista contra os
70
•“'rTST-S" • as “(ima-
:5pl=ii=
negros sobre a politica exte ■ Hi idgias provoca- Ihes e dada pela imprensa esteja rel" ^ 0 ampi0 apoioZ5ZZ1ZZ2*****
*•71
com outros povos oprimidos no mundo. Isso guarda menos reluglUi com a cor da pele do que com a semelhanga das experiencias soclulk e polfticas. Muitos negros demonstram simpatia para com os trnhit- lhadores poloneses e os catolicos da Irlanda do Norte (apesar dim relates diffceis dos negros com os poloneses e irlandeses em Inju¬
res como Chicago e Boston), e um numero crescente de negros mo»«
tra-se ciente da opressao aos povos nativos na Africa do Sul, (lit repressao aos cidadaos no Chile e Coreia do Sul e dos maus-tratos aos palestinos em Israel. De fato, as conseqiiencias radicals, para os assuntos intemos, dessa crescente conscientizagao dos negros — quc a direita vulgar em geral denomina antiamericanismo — assustam os novos conservadores negros, que acabam sendo vistos em muitas comunidades negras como meros apologistas de uma perversa poll tica externa norte-americana.
Podemos compreender melhor a ascensao do novo conservado- rismo negro enfocando a transformagao estrutural registrada na eco- nomia dos Estados Unidos. A contragao do mercado de trabalho no setor industrial e sua expansao no setor de servigos restringiu as opor- tunidades de emprego para os trabalhadores com pouca ou nenhuma especializagao. Associada a diminuigao dos empregos na industria, que constitufam a maior fonte de trabalho para os negros, verificou- se a transformagao que mais afetou os negros norte-americanos nas ultimas quatro decadas: a mecanizagao da agricultura no Sul do pais.
Quarenta anos atras, trabalhavam no setor agricola 50% de todos os adolescentes negros, sendo que mais de 90% deles viviam nos esta¬
dos do Sul. A medida que foram desaparecendo essas oportunidades de trabalho, o problema do desemprego dos negros nos centros urba- nos passou a crescer com tremenda rapidez. A recente saida das industrias das cidades do Nordeste e Centro-Oeste exacerbou esse problema. E, com a competigao adicional por empregos resultante da entrada de novos imigrantes e de mulheres brancas no mercado de trabalho, os trabalhadores negros semiqualificados e sem qualifica- gao passaram a encontrar cada vez mais dificuldades, e as vezes nenhuma possibilidade, de conseguir uma colocagao. Em 1980, 15%
dos homens negros na faixa de 25 a 45 anos informaram ao censo que nao haviam ganho absolutamente nada no ano anterior. Muitas vezes, a unica opgao que se apresenta aos jovens negros 6 o alistamento
72
..(De fato, quase um terpo do exdrcito notte-americauo 6 com- I '“".rno"—rvadores neg-os percetoam. que
mmm
a‘ P . a vaeta desoolitizacao e o desinteresse elci politicamenm ™“^SmAo;”'aefiC j desencauutram com os
“^ne^se toftam dos processes politicos norte-amenoa-
IgSSi
73
liberais negros como um retrocesso, e nao como um avan9o. O liho«
ralismo negro 6, de fato, inadequado, mas o conservadorismo negro
€ inaceitavel. Essa rea9ao negativa aos conservadores por pane du maioria dos negros explica parcialmente a relativa relutancia dr alguns dos novos conservadores negros em participar de debate*
publicos na comunidade negra e, em contraste, sua avidez em fazor o mesmo por intermddio dos meios de comunica9ao, onde alguns ousam at6 mesmo apresentar-se como corajosos e ferrenhos crfticox do establishment liberal negro — mesmo tendo seus salarios, hono¬
red os e despesas de viagem pagos por ricas funda9oes e empresas conservadoras.
O efeito mais benefico que os novos conservadores negros pro- duziram sobre o discurso publico foi evidenciar o colapso da estru- tura moral no pat's, especialmente nas comunidades dos negros traba- lhadores pobres e nas dos negros que vivem na miseria. Organiza9oes negras como a push (People United to Serve Humanity), do reve- rendo Jesse Jackson, trataram dessa questao no passado, mas os novos conservadores negros andam obcecados por ela, e por isso aca- baram chamando a aten9ao do pais para o tema. Infelizmente, eles veem esse conjunto de problemas urgentes sob um prisma basica- mente individualista, deixando de considerar com seriedade os ante- cedentes historicos e o contexto social da presente crise.
Os conservadores negros afirmam que a decadencia de valores como a paciencia, a auto-suficiencia e o sacriffcio da gratifica9ao imediata em favor da gratifica9ao futura resultaram nas altas taxas de criminalidade, no crescente numero de maes solteiras e no desempe- nho escolar relativamente fraco dos jovens negros. Nao hd duvida de que essas tristes realidades precisam ser enfrentadas abertamente.
Contudo, em parte alguma de seus textos os novos conservadores negros examinam a difusao das imagens erdticas e belicas apresenta- das pela mfdia e empregadas pela industria publicitaria com o fito de seduzir e excitar os consumidores. Assim, os conservadores negros nao levam em conta o grau em que as for9as de mercado dos proces¬
ses capitalistas avan9ados se aproveitam das imagens erdticas e beli¬
cas. Ate mesmo um liberal como Daniel Bell, em gritante contraste com os conservadores negros, salienta as for9as sociais e culturais mais amplas, como por exemplo o consumismo e o hedonismo, que abalam a dtica protestante e seus valores correspondentes; entretanto.
74
unde a nao dar a devida importance & contribute do capita- ll.ilU) norte-americano para o processo. _
i Dcsde o final do surto de progresso economico do pos-guerr Ltonsiflcatom-se certas estrateg.as para estimular o consume, espe- JllMH-nte as destinadas aos jovens norte-amencanos, projetando a
■llvldadc sexual como uma satisfa9ao instantanea e a violencia Wti sindnimo de identidade masculina. Essa atividade do mercado Eribuiu muito para a desorienta?™ e a confusao dos joven norte- nmrricanos, e aqueles com menos lustr^ae e oportumdades «)fro- uim com mais for9a o impacto desse caos cultural. Como tour preso com o fato de os jovens negros, isolados do mercado d frubulho marginalizados em decrepitas escolas urbanas, desvalo
"I! pOT alienadores ideais de beleza euro-americanos e visados por uma invasao sem precedentes das drogas, apresentarem altas taxas de criminalidade e gravidez na adolescencia.
Meu objetivo nao 6 fomecer desculpas para o comportame t,„s negros, nem absolvMos da responsabilidade pessoaL Mas quam
;,0 os novos conservadores negros ressaltam o compommento e a responsabilidade dos negros de mode a omitir suas Mtes cultu- rais estao participando de um enganoso e arnscado jogo mtelectual com a vida e o destine de pessoas desfavoreedas. Devemos reaf- mente criticar e condenar atos imorais perpetrados por negros, por6 temos de faze-lo cientes das circunstancias em que as pessoas nascem e vivem. Ao negligenciar essas circunstancias, os novos consen^ado- res negros caem na armadilha de culpar os negros P°bres P°r ““
dificuldades. E imperativo seguir uma rota segura por entre dots abis- mos: o do determinismo exclusive do meio e o da PersPect‘va de buir a culpa pelos problemas tao-somente as propnas vitimas.
Os -oL ideologicos dos novos conse.adones negsos fic™ bem evidentes quando eles procuram associar o colapso moral das
Um^pergima provocativa e - .anto injusn, que se podena
^zer aesse descendente de escravos vendidos em leilao d: o mercado pode causar algum mal?
75
Os novos conservadores negros alegam que a concessao Uc beneffcios para os negros necessitados engendra uma mentalidudl de dependencia que arrufna o valor da auto-suficiencia e da solid?/
da famflia negra pobre. Deixam de perceber que o Estado do bum- estar social representa um compromisso historico entre formas pro- gressistas em luta pelo direito geral da subsistence e formas conser vadoras empenhando-se pela desregulamenta9ao dos mercados, Assim, nao deveria surpreender que o Estado do bem-estar social apresente muitas falhas. O fortalecimento de “mentalidades depen- dentes” e a instabilidade da famflia sao duas delas. Mas simplesmentc apontar essas duas deficiencias dbvias nao justifica cortes de recursos nos programas de ajuda social. Em face do elevado desemprego entre os negros, tais cortes nao favorecem a auto-suficiencia ou a solidez dos lafos familiares, mas apenas produzem maior desorienta^ao cul¬
tural e mais famflias fragmentadas entre os negros. Isso ocorre por- que, sem emprego ou incentivo para serem cidadaos produtivos, os negros sentem-se ainda mais inclinados para a marginalidade, as dro- gas e o alcoolismo — os principals sintomas imediatos do caos gene- ralizado na comunidade e cultura negra.
No nfvel prdtico e politico, a unica altemativa vidvel ao Estado do bem-estar social esta em criar mais empregos para os pobres — algo que o setor privado nao estk absolutamente interessado em fazer, jd que isso nao favoreceria seus interesses economicos. Assim, a ra- cionalidade de mercado do setor privado relega os pobres a uma vida de subsistence ou ao desemprego. Dadas as realidades da polftica norte-americana contemporanea, atacar o Estado do bem-estar social sem associar esse ataque a um programa de cria$ao de empregos digno de credito (que com certeza tenha o apoio do setor privado) implica reduzir as ja limitadas op§oes para os negros pobres. Chegar ao ponto de, como fizeram alguns novos conservadores negros, de¬
fender a elimina9ao de quase todos os programas federais de ajuda aos pobres nao idosos (como proposto por Charles Murray em Losing ground) e atuar como cumplice ideologico de polfticas sociais que tern efeitos genocidas sobre os negros pobres. O Estado do bem-estar social nao 6 capaz de veneer a guerra contra a pobreza, mas ele real- mente mantem no rumo alguns barcos que, de outro modo, afunda- riam devido a elevada taxa de desemprego.
76
L Mus at6 mesmo os programas de empregos eficazes nao tratam pm completo do problema da decadencia cultural e da desintegra9ao hi,ml das comunidades negras pobres. Assim como o prdprio pafs, K, comunidades carecem de revitaliza9ao cultural e regenera9ao EhI. Existe amplo consenso acerca dessa necessidade em todas as I (mm,,s de lideran9a negra, pordm nem liberals nem conservadores
uliftrdam adequadamente o tema.
Atualmente, os principais baluartes institucionais contra a disse- M,n,;,(|a falta de proposito e o desespero que grassa na Afro-America ,«n0ontram-se em institutes intermediarias, como as igrejas cristas, [in mesquitas mu9ulmanas e as escolas preocupadas com a fora^So ,l„ carter. Todas elas estao travando uma batalha extremamente i,idiia; nao conseguem contrabalan9ar por completo a poderosa in¬
fluence que as imagens eroticas e violentas fomecidas pela mfdia rxercem sobre os negros pobres, especialmente os jovens. Mesmo assim, essas institutes intermedidrias que reafirmam a cond^ao humana dos negros, salientam suas capacidades e potencialidades e cultivam o carater e a excelencia necessarios k cidadania produtiva Nflo raios de esperan9a em meio a crise cultural e moral. (Minha posi- vj0 quanto ao papel positivo dessas associa9oes intermedianas difere da dos conservadores negros. Em minha opiniao, elas se opSem a subordina9ao de classe predominante nas re^Ses sociais capitalistas do pafs, e modificam essa subordina9ao. Para os conservadores negros tais institutes tern um papel que favorece essa subordma- cao de classe. Nesse sentido, as institutes privadas voluntkrias constituem um ponto central de discordia ideologica e polftica entre mim e os conservadores negros — com metas e objetivos conflitan- teS-) o que, entao, podemos deduzir sobre os conservadores negros?
Primeiro, eu diria que a estreiteza de seus pontos de vista reflete a estreiteza da perspectiva liberal com a qual estao obcecados. De fato, a ausencia de uma visao ampla e de uma analise perspicaz, aldm da recusa em reconhecer as caracterfsticas estruturais fundamentals da situa9ao dos negros pobres, caracteriza tanto os liberals como os con¬
servadores negros. As postes de ambos os grupos refletem uma luta na elite negra de classe media. Esse provincianismo e, ele propno, decorrente das altemativas extremamente limitadas existentes hoje na
servadores negros. As postes de ambos os grupos refletem uma luta na elite negra de classe media. Esse provincianismo e, ele propno, decorrente das altemativas extremamente limitadas existentes hoje na