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CAPÍTUL

SISTEMATIZAÇÃO DOS CONCEITOS

2.2 Descontinuidades decorrentes das falhas e fraturas

Em linhas gerais essas descontinuidades estão relacionadas a esforços de origem tectônica, porém, em áreas menores ou mais localizadas, podem estar relacionadas a processos de distensão ou retração, respectivamente relacionados ao alívio de pressão litostática19 em corpos rochosos ou a processos de resfriamento ou perda de água. Essas descontinuidades mais localizadas, cujos blocos ao longo das fendas não sofreram deslocamento – apenas partições, geralmente são indistintamente referenciadas na literatura geológica como: fraturas, juntas ou diáclases. Deformações rúpteis maiores, de origem tectônica, onde não houve deslocamento nas partes constituintes do bloco, também são referenciadas na literatura geológica como fraturas (TEIXEIRA, et al., 2003).

As falhas são deformações rúpteis nas rochas da crosta terrestre, decorrentes de esforços de compressão, distensão ou torção que ultrapassam

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Pressão exercida pelo peso das rochas que estão próximas à superfície sobre as que estão abaixo.

o limite de plasticidade da rocha, que além da partição do bloco rochoso, também provocam o deslocamento simples ou relativo dos mesmos. Apresenta dimensão variável, desde alguns centímetros a dezenas de quilômetros e pode ser constatada por observação direta no campo, através dos seus elementos, ou por meio de mapeamento geofísico, geológico, fotografias aéreas, imagens de satélite e uso de critérios geomorfológicos, tais como: alinhamento de serras ou escarpas, alteração brusca no padrão de drenagem ou das calhas fluviais, níveis diferenciados de dissecação em áreas contíguas, mudanças bruscas na tonalidade ou textura das imagens, presença de fontes, lagos alinhados etc. (LOCZY e LADEIRA, 1976).

Geralmente o diagnóstico da existência de uma falha através de seus elementos depende de condições especiais relativas à resistência da rocha e das características climáticas locais, no sentido da preservação desses elementos e o não encobrimento dos afloramentos. Assim, nas áreas secas e geologicamente constituídas por rochas duras os elementos das falhas podem ser mais facilmente observados em função da resistência da rocha, que preserva melhor esses elementos, e da existência de pouco solo e vegetação, que expõe os afloramentos, facilitando a pesquisa. Por outro lado, em áreas úmidas e constituídas por rochas tenras, ocorre a destruição ou encobrimento desses elementos, dificultando o trabalho de campo e um entendimento mais detalhado dos movimentos relativos aos blocos ao longo do plano ou zona de falha.

Os elementos de uma falha são feições especiais, passíveis de serem observados no campo. São eles: o plano de falha, o rejeito e as estrias ou espelho de falha (LOCZY e LADEIRA, 1976). O plano de falha corresponde à superfície onde ocorreu o movimento da falha. Em muitos casos esse plano não existe em termos físicos. O que de fato existe é uma zona ou superfície segundo a qual ocorreu o movimento entre os dois blocos rochosos. Em nível de solo, essa zona é denominada de traço ou linha de falha, podendo alcançar vários metros de espessura por quilômetros de extensão e é a feição que materializa a descontinuidade provocada pelas falhas e que altera a dinâmica dos processos superficiais e subsuperficiais. O rejeito é uma atitude obtida no

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plano de falha que caracteriza a medida do deslocamento relativo entre os blocos rochosos deslocados. O espelho de falha é constituído por estrias e saliências localizadas no plano de falha. Quando encontradas nos blocos envolvidos no movimento, é possível entender o sentido de deslocamento dos mesmos.

Figura 02 – Bloco-diagrama evidenciando os elementos da falha

Fonte: Teixeira, et al., 2003, com adaptações. Elementos das falhas vistos em modelo representativo de falha normal. O plano de falha corresponde à superfície segundo a qual houve o movimento; o rejeito corresponde à medida do deslocamento entre os blocos e o espelho de falha corresponde às estrias ou marcas particulares desenvolvidas no plano de falha, também decorrentes do movimento entre os blocos

Em função do movimento relativo ocorrido entre os blocos rochosos as falhas podem ser classificadas como: normais, inversas e transcorrentes. As normais, também denominadas de falhas de gravidade, estão associadas, principalmente, a esforços distensionais que criam ambientes com menor tensão lateral. Desta forma, um bloco desce em relação ao outro, geralmente segundo um plano de falha com alta inclinação. As inversas são também denominadas na literatura geológica como reversas ou de empurrão, resultam de esforços compressivos dispostos na horizontal e provocam o soerguimento de um bloco sobre o outro, segundo um plano de falha de pouca inclinação, geralmente de menos de 45o. As transcorrentes são também denominadas falhas de rejeito direcional ou de rasgamento, porque o movimento relativo entre os blocos ocorre na horizontal, podendo o plano de falha assumir várias disposições espaciais (LOCZY e LADEIRA, 1976). Para melhor compreensão desses tipos de movimentos relativos entre os blocos pode-se observar a

Figura 03 – Blocos-diagramas evidenciando os tipos de falhas

Fonte: Teixeira, et al., 2003, com adaptações. Modelos dos três principais tipos de falhas fundamentados no movimento relativo entre os blocos. (A) falha de gravidade ou normal, (B) falha reversa ou de empurrão, (C) falha transcorrente ou de rejeito direcional. A figura D representa uma entre diversas possibilidades de ocorrência de movimentos consorciados. No caso específico, uma falha de gravidade associada a um movimento rotacional. As setas de coloração marrom correspondem às direções dos esforços tectônicos.

Deve-se destacar que a classificação anteriormente apresentada tem o propósito de sistematizar o conhecimento baseando-se em deslocamentos relativos simplificados. Porém, na prática, ocorre uma rede complexa de esforços, desenvolvidos em longo período de tempo, que pode direcionar o deslocamento dos blocos de forma simultânea ou não, em diversas direções e sentidos, sobre o plano de falha. A título de exemplo, hipoteticamente, pode ocorrer que: um bloco pode ter subido em relação ao outro, este pode ter descido relativamente ao primeiro, ou ambos podem ter subido, porém um deslocou-se mais rapidamente; ou, ainda, ambos podem ter descido, mas um deles pode ter se deslocado mais rapidamente. Dessa forma, pode se deduzir quanto é complexa a diversidade de possibilidades na história evolutiva do comportamento estrutural geológico de uma área. Acrescente-se a essa diversidade de possibilidades o dinamismo que, na maior parte das vezes, pode ocorrer, devido ao tipo de cobertura vegetal, à má qualidade dos

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afloramentos, ao manto de intemperismo, e aos solos. Os ciclos erosivos ou deposicionais posteriores destroem ou recobrem as evidências de campo, criam imprecisões interpretativas e dificultam a compreensão dos movimentos entre os blocos.