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DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIO

No documento O EMPREGADO E O EMPREGADOR (páginas 112-117)

Natureza Jurídica Da Sucessão Trabalhista

DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIO

De acordo com a Orientação Jurisprudencial no 92 da SDI-I do TST, no caso de desmembramento de município, cada um deles deve ser responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que foram “realmente empregadores.” Quis dizer, no período que apareceram formalmente como empregadores, pois a pessoa jurídica é apenas o empregador aparente (o que aparece na CTPS e nos documentos como tal), pois a real empregadora é a EMPRESA.

Neste caso, o empregado poderá optar pelo município que tiver interesse em trabalhar e, se for para o novo município, este responderá a partir desse momento, enquanto o antigo responde pelas obrigações trabalhistas até o momento do desmembramento.

Esta posição contraria todos os fundamentos da sucessão e viola os arts. 10 e 448 da CLT, pois a nova unidade deveria suceder as dívidas trabalhistas porventura existentes antes do desmembramento, assim como os contratos vigentes na época. Ora, se o novo município aproveitou o concurso realizado pelo trabalhador para ingresso no emprego, dentro da antiga região, com toda razão, pois incluía em seu limite territorial, deve trazer o contrato como um todo e não apenas a parte que permanece no novo município. Dividir o contrato em dois períodos, com “empregadores” diferentes, é o mesmo que dizer que são dois os contratos, logo, o segundo teria sido firmado sem a observância do art. 37, II, da CRFB, pois sua nova admissão ocorreu sem prévia aprovação em concurso público.

Há argumentos contrários à tese, no sentido de que não se pode criar um município com dívidas e que o concurso foi realizado para aquele “espaço territorial geográfico” também, e, por isso, haverá sucessão do contrato de trabalho, todavia, com responsabilidade trabalhista limitada à data do desmembramento em diante.

cada um responder por seu período. O que se admitiria nesta situação seria a ruptura do primeiro contrato, com o pagamento de todas as verbas devidas no caso de resilição contratual e uma nova pactuação com o novo empregador, após aprovação em novo concurso público.

Ou, no máximo, a cessão provisória dos empregados ao município primitivo (para o qual fez o concurso) para o novo (com ou sem encargos) até que o novo município contrate (por concurso público) seus próprios empregados.

RECURSO DE REVISTA. DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIOS. RESPONSABILIDADE. DIREITOS TRABALHISTAS.

Consoante estabelecido na Orientação Jurisprudencial no 92 da SDI-I desta Corte, em caso de criação de novo município, por desmembramento, cada uma das novas entidades responsabiliza-se pelos direitos trabalhistas do empregado no período em que figurarem como real empregador. Recurso conhecido e provido.

T STRR-423494/98 - Rel. Designado: Juiz Convocado André Luís Moraes de Oliveira. DJU 29/08/2003.

Existem ainda na jurisprudência alguns entendimentos no sentido de não reconhecer a existência de sucessão entre municípios, pois eles possuem natureza de direito público, o que inviabiliza a aplicação da regra de sucessão que seria de direito privado.

Neste sentido:

MUNICÍPIOS. Os municípios são pessoas jurídicas distintas e de direito público. A sucessão referente a entes da Administração Pública não tem a mesma natureza da sucessão trabalhista disposta nos arts. 10 e 448 da CLT. TST-RR 121053/94.2 - Rel. Min. Galba Velloso. DIU 28/06/96.

Fonte: Extraído de Cassar (2011, p. 491).

O Empregado e o Empregador

Faça uma pesquisa nas empresas que você conhece e procure saber se ocorreu alguma forma de sucessão, como aqui estudado. Procure saber que tipo de sucessão ocorreu e como ficou a responsabilidade em relação aos contratos de trabalho. Isto para verificar a identificação do conteúdo em situações práticas e as responsabilidades perante os créditos trabalhistas no instituto da sucessão.

Atividade de Estudos:

1) No que concerne às responsabilidades decorrentes da existência de grupo econômico, analise as seguintes assertivas e assinale a alternativa correta.

a) A responsabilidade solidária decorrente da existência de grupo econômico somente pode ser reconhecida judicialmente, e desde que o trabalhador ajuíze a ação em face de todas as empresas integrantes do grupo econômico.

b) Mesmo sem previsão nesse sentido em seu contrato de trabalho, Agnaldo presta serviços a todas as empresas do grupo econômico a que pertence seu empregador. Entendendo que tal situação caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, Agnaldo pretende o recebimento de direitos trabalhistas de todas as empresas para as quais presta serviços.

c) Marcelo, empregado de empresa de processamento de dados que presta serviço a banco integrante do mesmo grupo econômico, pretende o reconhecimento de sua condição de bancário, tendo em vista que a empresa de processamento de dados empregadora não presta serviços a qualquer outro cliente que não o banco.

d) Paula, empregada de banco, que vende valores mobiliários de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico de seu empregador, pretende a integração na sua remuneração da vantagem pecuniária auferida em decorrência dessa atividade.

No entanto, considerando tratar-se de atividades correlatas, ligadas à atividade bancária em geral, não procede a pretensão de Paula.

Algumas Considerações

Este capítulo procurou definir a sucessão trabalhista e entender a sua denominação, compreendendo a caracterização deste instituto (da sucessão trabalhista), entendendo a letra da lei e sua aplicação nos casos registrados doutrinariamente, além de apresentar algumas orientações de estudos em EAD.

É de primordial importância compreender o instituto da sucessão trabalhista, pois é da sua compreensão que saberemos como ficará a responsabilidade pelos créditos decorrentes da relação de trabalho e a continuidade dos contratos de trabalho firmados com o empregado.

Entendemos, com este estudo, que a sucessão trabalhista possui dois artigos na CLT que tratam da sua previsão legal, que são os artigos 10 e 448, da CLT (BRASIL, 1943, pp. 3 e 136).

Identificamos os requisitos, a abrangência e os efeitos da sucessão trabalhista, como também entendemos a natureza jurídica deste instituto. O capítulo também trouxe um estudo complementar relativo à presença da Administração Pública quando ocorrer uma sucessão trabalhista com ela envolvida.

No próximo capítulo, continuaremos a abordar a figura do empregador, mas agora em relação aos empregadores em destaque, entre os quais se incluem o empregador estatal, a pessoa jurídica de direito público, a empresa pública e a sociedade de economia mista, o cartório judicial e o consórcio de empregadores.

A identificação da importância da leitura e a forma com que auxiliamos no autoaprendizado do aluno são de grande valia, convindo não ser demais registrar que, se você não escolher um local adequado para estudo e não organizar seu tempo, certamente muitas oportunidades para interagir com o texto serão excluídas ou minimizadas, assim, não perca a chance de fazer a diferença e estudar com responsabilidade.

empresa não adquirida, integrante do mesmo grupo econômico da empresa sucedida, tendo em vista que, com a sucessão, o sucessor assume todas as dívidas do sucedido.

O Empregado e o Empregador

Referências

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. 11. ed. São Paulo:

LTr, 2017.

BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho, de 1º de maio de 1943.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>.

Acesso em: 5 fev. 2018.

BRASIL. Constituição da República do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/

constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 5 fev. 2018.

BRASIL. Lei nº 5.889, de 08 de junho de 1973. Disponível em: <http://www.

planalto.gov.br/CCivil_03/leis/L5889.htm>. Acesso em: 5 jan. 2018.

BRASIL. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Disponível em: <http://www.

planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm>. Acesso em: 5 fev. 2018.

BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Orientação Jurisprudencial nº 92 da SDI-I. DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIOS. RESPONSABILIDADE TRABALHISTA (inserida em 30.05.1997). Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/

jurisprudencia/OJ_SDI_1/n_s1_081.htm#TEMA92>. Acesso em: 5 fev. 2018.

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: <http://www.

planalto.gov.br/CCivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 5 fev. 2018.

BRASIL. Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp150.htm>. Acesso em: 5 fev. 2018.

CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. 13. ed. São Paulo: Editora Gen Método, 2017.

CORREIA, Henrique. Direito do trabalho. 3. ed. atual. e ampl. BA: Editora Juspodium, 2018.

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 16. ed. rev. e ampl.

São Paulo: LTr, 2017.

MARANHÃO, Délio. Direito do Trabalho. 14. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1987.

C APÍTULO 4

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