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Empregador Estatal

No documento O EMPREGADO E O EMPREGADOR (páginas 120-124)

A estrutura do empregador estatal pode se dar na pessoa jurídica de direito público, como sendo a administração direta ou indireta, como as autarquias e fundações públicas da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como as entidades similares da economia privada, como as empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias.

a) Pessoa jurídica de direito público

Pessoa jurídica de direito público são consideradas administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e administração indireta das autarquias e fundações públicas, que integram as pessoas jurídicas de direito público e que se diferenciam da natureza e dos poderes estatais.

Estas entidades possuem a prerrogativa de realizarem a admissão e regência normativa de seus servidores públicos por meio de um regime jurídico administrativo próprio ou, alternativamente, pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, que são os servidores celetistas.

Uma vez escolhido o regime a ser adotado por estas entidades, desaparece a dualidade de regimes, prevalecendo ou regime celetista ou regime administrativo.

Caso a escolha recaia sobre o regime celetista, sobre as situações que envolvem esse servidor celetista e administração pública é que incide o direito do trabalho, respeitando as relações entre empregador público e seus trabalhadores.

diminui o seu poder de império nesta relação, tendo de se submeter aos princípios e regras do Direito do Trabalho, porém, há exceções previstas na própria Constituição Federal que são consideradas especificidades da administração pública.

Temos a incidência dos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988, que devem orientar o intérprete e aplicador do Direito do Trabalho em relação aos casos que envolvem administração pública e seu respectivo empregado, mesmo que celetista.

Estes princípios afastam a aplicação plena da regra contida no artigo 444 da CLT (BRASIL, 1943), que tem por base a prevalência da vantagem econômica concedida espontaneamente e mesmo que informalmente pelo empregador e suas chefias ao empregado.

Sobre o outro viés, a modificação e criação de cargos e empregos públicos, como também a fixação e alteração dos vencimentos do servidor público, ainda que celetista, deve ocorrer por meio de lei específica, conforme determina o artigo 37, X da Constituição Federal de 1988.

Ainda há vedação expressa pela Constituição Federal de 1988 de pleitos de equiparação salarial na área pública, assim previsto no artigo 37, XIII, da Constituição Federal de 1988, que tem aplicabilidade a partir da Emenda constitucional 19, de 1998, o que impede a incidência do artigo 461 da CLT na situação (BRASIL, 1943).

Outra restrição é a do reenquadramento funcional de servidores, mesmo que celetistas, em virtude da falta de cumprimento do requisito de concurso público.

Para a administração pública, conforme determinação constitucional, a admissão de servidores se dará por concurso público de provas ou de provas e títulos, sob pena de nulidade do contrato de trabalho, é certo que há ressalvas em relação às nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, assim previstos no artigo 37, caput, II e parágrafo 2º da Constituição Federal e Súmula 363 do TST (BRASIL, 2003).

Em virtude disso, existe uma atenuação grave, na esfera pública, dos princípios da dignidade da pessoa humana e da valorização do trabalho e emprego, basilares do Direito do Trabalho e previstos na Constituição, por causa das limitações constitucionais e da interpretação que é dada pela jurisprudência, conforme visto anteriormente.

O Empregado e o Empregador

Todavia, é sabido que existem normas estatais específicas e que são amplamente favoráveis aos servidores regidos pela CLT, como no caso do princípio da motivação dos atos da administração pública, que impõe ao empregador público fazer a motivação, ou seja, fundamentar de forma consistente as dispensas de quaisquer servidores, mesmo que seja o celetista, o que afasta a possibilidade da dispensa meramente arbitrária, isto é, sem qualquer motivação no âmbito das entidades estatais de direito público.

Esta imposição que beneficia o servidor celetista deve ser aplicada inclusive nos contratos de experiência ou em estágios probatórios, por exemplo.

b) Empresa pública e sociedade de economia mista

A empresa pública e a sociedade de economia mista são formuladas nos mesmos moldes do que qualquer entidade privada, que são as empresas públicas e sociedades de economia mista e suas subsidiárias.

O reconhecimento dessas entidades se dá pela Constituição Federal, a qual a elas determina que se rejam em conformidade com as regras jurídicas próprias ao Direito do Trabalho, entre outros campos do direito também. O artigo 173, parágrafo 1º, II, da Constituição Federal, assim determina (BRASIL, 1988, p. 112):

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.

§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:

(...)

II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.

O rol de princípios e regras constitucionais aplicáveis aos servidores públicos, em geral, inclusive os empregados celetistas, impede que a plena assimilação do Direito do Trabalho se estenda a tais entidades, pelo menos dentro do campo de regência de suas relações trabalhistas, mas, ao contrário, quando o contrato do servidor é regido pela CLT, há uma larga aplicação e uma efetividade ampla do Direito do Trabalho, com todos os seus princípios, regras e institutos peculiares.

Isto significa que as entidades estatais que se situam no campo similar ao das empresas e instituições privadas submetem-se às próprias regras da CLT, Existem normas

econômicas e espontâneas pelo empregador, como também à aplicação do artigo 461 da CLT, que trata da equiparação salarial; e dos artigos 611 e 625 da CLT (BRASIL, 1943), no que tange à negociação coletiva.

Sobre o fundamento da exigência do concurso público para contratação do empregado público, há uma corrente fortemente defendida na jurisprudência de que a compreensão sobre o princípio da motivação também se estenderia ao ato de ruptura do contrato de trabalho feita pelo empregador, que, no caso, seria feita ou pelas empresas públicas, ou pelas sociedades de economia mista e suas empresas subsidiárias.

Nesta linha de raciocínio, a despedida meramente arbitrária seria inválida, ou seja, se a ruptura do contrato de trabalho se desse sem qualquer motivação.

Em relação a este conteúdo, Mauricio Godinho Delgado traz uma importante informação acerca das decisões jurisprudenciais:

É bem verdade que há um certo número de turmas da Corte Superior Trabalhista que tem preservado a validade da denúncia vazia no âmbito das empresas estatais, na linha da OJ 247, I, da SDI-I do TST. A seu lado, existem outros julgados de turmas que aplicam o princípio constitucional da motivação na seara das sociedades de economia mista, empresas públicas e entidades estatais congêneres.

No bojo dessa indefinição interpretativa surgida no TST, despontou no STF, em 2015, sinal de aparente continuidade do debate sobre o assunto, em vista de três possíveis alternativas de interpretação quanto ao tema: a) extensão do princípio da motivação a todas as empresas estatais (como acreditamos ser mais harmônico ao conjunto de princípios e regras constitucionais); b) extensão do referido princípio apenas às empresas estatais efetivamente prestadoras de serviço público; c) extensão desse princípio somente à própria ECT, já mencionada no inciso II da OJ 247 da SDI-I do TST (DELGADO, 2017, p. 498).

A exigência principal em relação a estas entidades públicas é que o empregado seja contratado mediante prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, ressalvados os casos de livre nomeação e exoneração.

O Empregado e o Empregador

Desta forma, vê-se um aprimoramento da jurisprudência no sentido de melhor aplicar o Direito do Trabalho aos contratos regidos pela Consolidação das Leis de Trabalho ainda que no âmbito da administração pública indireta.

No documento O EMPREGADO E O EMPREGADOR (páginas 120-124)