Caracterização
Conforme determinado pelo artigo 10 da CLT (BRASIL, 1943), os direitos adquiridos pelos empregados de uma empresa não serão afetados se houver qualquer alteração na sua estrutura jurídica, como também no artigo 448 da CLT (BRASIL, 1943), que prevê que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não irá afetar os contratos de trabalho de seus respectivos empregados.
Convém esclarecer que a alteração jurídica trazida pela definição técnica da CLT tende a ocorrer na estrutura jurídica do titular da empresa, ou seja, na pessoa física ou na pessoa jurídica, ou até mesmo no ente despersonalizado, a qual possui o controle dos estabelecimentos e da empresa.
A CLT registra que se houver alteração na estrutura jurídica da empresa, não afetará os contratos de trabalho, isto é, caso a empresa transforme o tipo jurídico da sociedade, por exemplo, a transformação de uma sociedade limitada para uma sociedade anônima ou uma firma individual em sociedade por cotas, esta transformação não afetará os contratos de trabalho até então existentes.
Desta forma, qualquer alteração na modalidade societária em relação aos antigos contratos será preservada com os seus efeitos passados, presentes e futuros, mesmo com uma nova forma societária que surgiu.
Convém lembrar que o elemento pessoalidade, já estudado em capítulo anterior, não se aplica ao empregador, mas tão somente ao empregado, assim, a expressão empresa utilizada pelo diploma celetista apresenta caráter funcional e prático, qual seja, pode trazer a ênfase em relação à despersonalização do empregador e insistir em uma relevante vinculação do contrato de trabalho ao empreendimento empresarial, sem qualquer dependência a seu efetivo titular.
Em relação a estes conceitos, a jurisprudência passou a julgar e considerar determinadas situações-tipo, tidas como tradicionais de sucessão e novas
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O Empregado e o Empregador
de sucessão, as quais submetem-se à regência dos artigos 10 e 448 da CLT (BRASIL, 1943), considerando que quaisquer modificações não afetarão os contratos de emprego dos trabalhadores, assim consideradas: 1) Situações-tipo tradicionais de sucessão: Algumas dessas situações são consideradas clássicas e outras são consideradas mais recentes, tendo em vista uma nova leitura trazida pela jurisprudência, e, consequentemente, pela doutrina atualizada, que se faz em relação a este instituto do Direito do Trabalho.
A situação-tipo que se destaca em primeiro lugar é a da alteração na estrutura formal da pessoa jurídica que contrata a força de trabalho. Esta alteração está ligada a modificações na modalidade societária, como ocorre nos processos de fusão, incorporação, cisão e outros institutos correlatos; aqui também temos a situação de uma mudança em relação a uma firma individual para outro modelo societário e vice-versa.
A segunda situação-tipo em destaque está ligada à substituição do antigo titular passivo da relação empregatícia por uma outra pessoa física ou jurídica. Esta situação está ligada a aquisições de estabelecimentos isolados ou em conjunto ou aquisições da própria empresa em sua integralidade.
Essas duas situações-tipo são consideradas clássicas em relação ao enquadramento da leitura tradicional que se faz dos artigos 10 e 448 da CLT (BRASIL, 1943).
Tais situações podem ter desdobramentos em inúmeras possibilidades concretas, que se apresentam pela prática do mercado empresarial, como no caso de aquisição de controle, incorporação, fusão etc., em que se dá origem a uma nova pessoa jurídica titular do empreendimento, e, consequentemente, dos respectivos contratos de trabalho, nos quais terá um novo controlador para antiga pessoa jurídica.
Neste caso, a sucessão que ocorre entre uma sociedade por outra ou quando ocorrer alteração na titularidade da empresa ou do estabelecimento, irá se preservar os contratos de trabalho, sejam antigos ou com novos empregados, isto em relação aos novos empregadores, garantindo-se todos os efeitos da relação empregatícia, seja para o passado, presente e futuro.
2) Situações-tipo em relação às novas sucessões: essas novas situações surgiram no final do século XX, em decorrência de uma reestruturação no mercado empresarial do Brasil, principalmente no mercado financeiro, em relação às privatizações e outros segmentos correlatos, assim, este tipo legal é considerado o mais amplo do que originalmente concebido pela doutrina e jurisprudência dominantes até então.
relação a qualquer mudança intra ou interempresarial, na qual os contratos de trabalho não poderão ser afetados, pois houve uma maior amplitude de alcance no sentido objetivo do instituto sucessório trabalhista previsto nos artigos 10 e 448 da CLT (BRASIL, 1943).
O cerne desta alteração está ligado ao fato de que qualquer mudança significativa na estrutura da empresa possa afetar os contratos empregatícios, em que, caso se verifique a real mudança, irá se operar a sucessão trabalhista, isto independentemente de uma continuidade efetiva da prestação de trabalho.
Qualquer mudança na empresa que afete a garantia original dos contratos de trabalho irá provocar a incidência dos artigos 10 e 448 da CLT (BRASIL, 1943), pois é desta forma que a interpretação dada pela jurisprudência deve ser aplicada, considerando uma configuração da situação própria à sucessão de empregadores a alienação ou transferência de parte significativa dos estabelecimentos ou da empresa, de modo a afetar significativamente os contratos de trabalho. Neste sentido, tem-se o posicionamento de Mauricio Godinho Delgado:
Isto significa que a separação de bens, obrigações e relações jurídicas de um complexo empresarial, com o fito de se transferir parte relevante dos ativos saudáveis para outro titular (direitos, sobre obrigado e relações jurídicas), preservando-se o restante de bens, obrigações e relações jurídicas no antigo complexo - agora significativamente empobrecido -, afeta, sim, de modo significativo, os contratos de trabalho, produzindo a sucessão trabalhista com respeito ao novo titular (artigos 10 e 448 da CLT) (DELGADO, 2017, p. 448).
Então, mesmo que ocorra a transferência de parte relevante de uma empresa para a outra, em que haverá a preservação da outra parte do complexo empresarial, haverá o entendimento de que há sucessão trabalhista, mesmo que a transferência seja de somente parte da empresa, na qual o entendimento é de que os contratos de trabalho sejam preservados e garantidos, conforme a nova visão jurisprudencial do texto consolidado.
1) Quais são as situações-tipo que se apresentam em relação às novas sucessões?
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O Empregado e o Empregador